27.9.07

Eu é que sou o convidado da Junta

Por norma eu nem gosto de circo, mas desta vez até fui obrigado a bater palmas a um palhaço.

Who's the special one now?

26.9.07

Pastelaria fina, asneira da grossa

Pois que este episódio remonta a Domingo passado. Num acesso de burguesismo, laxismo e pseudo-turismo decidi (o meu frigorífico também pode ter ajudado a essa decisão) ir tomar o pequeno almoço a uma esplanada. Comi apenas uns restos de dobrada para não sair de casa sem nada no estômago e pus-me a caminho.
Residindo eu numa zona da cidade em que o número de velhotes e mesas de esplanada em pastelarias finas são quase equivalentes, achei que era desafio suficiente tentar safar-me por ali. Dirigi-me a um dos maiores templos do galão e do bolo de arroz da vizinhança e, por entre montanhas de laca, revistas sociais, jornais “A Bola” e o Borda d’Água consegui vislumbrar uma mesa. Arranquei decidido, mas a dois passos da mesa o imprevisto acontece.
Voando pelo ar surge um saco com os jornais domingueiros que aterra em cima da mesa, num ângulo perfeito, antes que eu tivesse tempo para me aproximar. Olho em volta e vejo, sorrindo com ar vitorioso e um brilho de glória no seu bigode milenar o temível Artur Agostinho, que não só continua a enganar a Morte, como também incautos como eu.
A única coisa boa de ter sido palmado à má fila por um sobrevivente do Período Cenozoico foi ver que a publicidade da Multiópticas não é enganosa, pois só com olho de falcão poderia o Farturas ter atirado o seu saquito com precisão de maneira a deixar-me apeado.
Aprendi assim, da maneira mais dura, que tomar o pequeno almoço numa esplanada ao domingo pode ser complicado e exige técnica e instinto de sobrevivência apurado. Estou a contar com isso para evitar que para a próxima também só consiga uma mesa mesmo ao lado da saída de uma garagem.

25.9.07

Momento Financial Times para agarrados

A maneira como se escreve algo, condiciona em boa parte o entendimento do assunto em questão por parte de quem lê. Por exemplo, qualquer ideia com algum brilhantismo intelectual que eu possa ter para o blog, normalmente é assassinada pelo modo barbárico como eu a disponho por palavras, sem leitor qualquer respeito pelo.
Este prelúdio serve para introduzir o prato principal, um texto simpático que retirei da versão online de um conhecido jornal diário, onde se abordava o panorama actual dos estupefacientes na Europa, segundo dados do OICE (Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes), local onde deve ser uma pedra trabalhar.
Se a notícia me parece interessante, especialmente porque ainda não escolhi o destino para as férias que me restam, gosto sobremaneira da forma como o texto relata os dados do relatório. Consultem então excertos do Índice Snifei do mercado da droga, com o rigor que só a informação de referência consegue apresentar.

“A cannabis continua a ser a droga preferida dos europeus. Calcula-se que 6% da população adulta da Europa já a tenha consumido pelo menos uma vez na vida”.
Obviamente, os reality shows não contam para esta gente.

“Mas há outros dados preocupantes a Europa é o segundo mais importante mercado de cocaína do Mundo e um dos principais pontos de circulação de estimulantes, com destaque para o ecstasy.”
Vou já tomar uns comprimiditos para estimular o meu consumo de coca, a ver se palmamos os americanos.

“Os cocainómanos representam 10% dos toxicodependentes que iniciam tratamento na Europa, o que demonstra a elevada prevalência desta droga no continente”
A minha dúvida é, se os aspiradores são 10% de que se tratam os restantes 90%, tendo em conta a elevada prevalência dos primeiros? Gomas? Morangos com Açucar? Tubos de cola? Sombrinhas de chocolate?

“A Holanda lidera os fabricantes de MDM (ecstasy), seguida da Polónia, Bélgica, Lituânia e Estónia, mas, de acordo com o organismo das Nações Unidas, o fabrico ilícito está a aumentar por toda a Europa".
Ah, que saudades do tempo em que era o fabrico lícito a dominar o cenário. Aí sim, as fábricas de ecstasy em Portugal garantiam emprego e estabilidade a muita gente, para não falar de umas after hours bem animadas.

“As metanfetaminas ainda circulam em pequena escala no espaço europeu, mas merecem já a preocupação das autoridades pelos efeitos rápidos e nefastos que provocam”.
Consta até que as brigadas de investigação são aconselhadas a tomar speeds, para terem pedalada para acompanhar o seu desenvolvimento.

“A heroína mantém-se estável na Europa Central e Ocidental, enquanto o abuso de opiáceos aumentou na Europa Oriental, principalmente nos países membros da ex-Comunidade dos Estados Independentes e da Europa do Sul situados ao longo dos Balcãs”.
E terminamos este boletim metereológico com a informação de que o Anticiclone dos Açores negou qualquer responsabilidade na deslocação das correntes de tráfico de ópio para leste e que quem apostou na queda da heroína, fê-lo no cavalo errado.

Inspirações - Sonic Youth & Cypress Hill - I love you Mary Jane

20.9.07

Special’s gone

Segundo consta, José Mourinho já tem tudo acertado para a sua saída do Chelsea. Já as negociações com o seu ego continuam complicadas. Parece que este acha que, para um clube que acaba de ser despedido, o Chelsea está a pedir uma indemnização muito alta.

19.9.07

Filosofias de Mak – Capítulo 2



Quem quer perder um amigo empreste-lhe dinheiro. Só se for parvo, acrescento eu.
Já emprestei dinheiro a vários amigos, nalguns casos autênticos bilhetes de ida e não voltes. Mas, de alguma maneira eles conseguem encontrar sempre o caminho de volta, parece que têm GPS de cravas.
Por isso, emprestar dinheiro a amigos na esperança de que eles desamparem a loja, é tão eficaz como alimentar gatos vadios na esperança de que eles, gratos pela refeição, não voltem no dia seguinte.
Quem quer perder um amigo, tem que se esforçar minimamente, que lhe seduza a namorada/o, o pai ou a mãe ou, caso os anteriores não estejam disponíveis, o animal de estimação também serve.
Que o denuncie às Finanças, que lhe esconda costeletas de porco na bagageira e ligue para a PJ a dizer que encontrou a Maddie ou que o inscreva na família Superstar como primo cantor do Fernando Mendes do Preço Certo.
Tudo isso e muito mais pode resultar. Emprestar dinheiro não.

A rodar - A ternura, já com 15 anos, de ouvir José Carreras e Sarah Brightman - Amigos para siempre

18.9.07

Lá vai o Lama

Depois de um fim de semana regado a álcool, festas, comportamentos indecorosos e o auxílio a uma velhinha a atravessar a rua só para descobrir que ela estava à espera de alguém no sítio de onde a arranquei, resolvi aproveitar o início desta semana para pensar um pouco e dedicar-me à espiritualidade.
Como todo o bom português terá pensado, nada melhor então que aproveitar a recente visita daquele carequinha de ar simpático que se veste com cortinados para isso mesmo. Numa sociedade pejada de materialismo, emociona-me o fervor com que vi muita gente falar de espiritualidade por estes dias, incluindo gajos que continuam a pensar que sem Kurt Cobain não existe o Nirvana.
É claro que este acesso de fervor budista por norma passa três minutos depois do Sôr Lama dizer adeus no aeroporto, mas acho à mesma importante que as pessoas se tentem encontrar consigo próprias, nem que tenham que combinar esse encontro num qualquer recanto da Buraca.
Confesso que tive de conter umas lágrimas enquanto via a tia Márcia Rodrigues a questionar o Tenzin, ela cada vez mais loira, ele cada vez mais pacífico falando sobre a não agressão, o respeito pela vida dos animais e a abstracção do materialismo, entre outros temas. No entanto, não pude apanhar a entrevista toda, porque tendo ir visitar a minha mãe, não podia deixar arrefecer as costeletas que ela tinha preparado, especialmente depois de lhe ter dado um carolo porque não estava calada e ainda não tinha disponível o dinheiro da reforma para eu levar.
Sim, não serei a pessoa mais espiritual do mundo, creio até que não estou no top 2 biliões, mas também não finjo que me preocupo, só porque fica bem ou está na moda. Cabe a cada um tomar essa decisão, isto se não são daqueles incapacitados que nem ir votar sozinhos podem. Mas, se estão indignados e dispostos a mandar-me para a Buda da minha mãe por tamanho chorrilho de alarvidades, fiquem aqui com estas dicas. Aposto que para além de não terem pachorra para ler tudo, menos capacidade terão para cumprir um terço das alíneas. E olhem que eu sou um gajo optimista...

Nirvana - Dumb

12.9.07

Queixinhas molhadas

Ainda que este título pudesse indiciar um qualquer consultório sentimental de índole hardcore não é disso que se trata...pelo menos hoje. É que estou farto de ouvir queixas, desde ontem à noite sobre o tempo, a trovoada e a má publicidade feita às esteticistas de Massamá. A estas últimas o meu pedido de desculpas, pois fui informado que as verdadeiras rameiras são as de Rio de Mouro. Quanto ao resto, primeiro, não há nada melhor que uma boa trovoada, especialmente quando uma das vossas janelas tem vista para uma praceta e podem, com uma bebida na mão, desfrutar durante algum tempo da magnífica obra de comédia física representada por gente em sopa a fugir como se não houvesse amanhã. Com alguma sorte, até se vê uma queda ou duas ou até mesmo bowling de idosos, efectuado por carros desgovernados.
Depois, para a gentalha miserabilista que diz nesta vida nada cai do céu isto foi só para vos calar. Revejam essa atitude negativa e não me obriguem sequer a falar muito nas palavras “meteoritos”, “gafanhotos” ou, caso vivam em bairros menos recomendáveis, “bilhas de gás”.
É isso mesmo, a chuva é boa, a chuva diverte-me, especialmente quando jorra já depois de eu ter acabado as férias. Dá-me aquela sensação de ter acertado no Euromilhões, tirando apenas a parte pouco engraçada do dinheiro.
Por isso, se me virem pela frente ou até mesmo de perfil, queixas sobre instabilidade do tempo e fenómenos naturais, falem com este senhor, que ele por uns modestos trocos tem pachorra para vos dar conversa.

Playing – Raindrops keep falling on my head

11.9.07

Filosofias de Mak - Capítulo I



Sendo eu um pensador livre ou, pelo menos, livre, resolvi criar uma nova rubrica ocasional para dar a conhecer a minha perspectiva filosófica da vida e das suas nuances mais diversas. Pequenos apontamentos que pretendem ir ao âmago do ser humano, mesmo que signifique causar vómitos.

Capitulo I

À mulher de César não basta ser séria.
Tem que lhe criar os dois filhos, perdoar-lhe o vício do jogo e as bebedeiras habituais, assim como fazer de conta que a amante de César, esteticista em Massamá, não existe, apesar de lhe ligar duas vezes por semana a chamar-lhe vaca.

10.9.07

Saudosismo a quanto obrigas

Desenganem-se aqueles que pensam (ambos os dois) que este post vai ser um chorrilho de amargura sobre o muito que me diverti nas férias e de como é triste deixar isso tudo para trás e voltar a uma vida árdua de trabalho. Para já, árduo e trabalho são conceitos que não combinam com o meu estilo de vida, depois sempre que quiser voltar aos dias de glória das férias existe algo a que se chama “baixa fraudulenta” e, finalmente as saudades em mim pulsam muito mais em relação a outro tipo de coisas, como por exemplo:

- Tenho saudades dos tempos em que se falava sobre crianças portuguesas que desapareciam ou sofriam maus tratos. É que pelo que leio e oiço, nos últimos meses só aconteceu isso a uma criança em Portugal, por sinal inglesa.

- Tenho saudades do tempo em que haviam futebolistas com bigode no nosso pais. Felizmente, para quem já não viveu essa época, existe a RTP Memória para comprovar que bigodes e chuteiras caminharam juntos algures na história da nossa pátria.

- Tenho saudades dos tempos em que podia atravessar as ruas sem ser interpelado por 328 distribuidores de jornais gratuitos e por promotores que me oferecem, tudo de iogurtes a cortadores de relva. Além do mais, creio que essa gente terá afugentado os HELDER’s e os velhotes com a Palavra do Senhor das principais artérias da cidade, personagens que tanto me divertia judiar.

- Tenho saudades dos tempos em que a maioria das pessoas (reparem que são pessoas, não actores) que entravam nas novelas portuguesas não eram jovens modelos, jovens aspirantes a modelos, carinhas bonitas que podiam ser modelos, ex-modelos, ex-aspirantes a modelos, jovens que não sabem o que é ser modelo, mas acham piada aquela coisa de tirar fotos e aparecer em revistas and soi on. O resultado continuava a ser igualmente mau, mas assim aborrecia-me menos a plasticidade da coisa.

- No mesmo registo, tenho saudades dos tempos em ligava a TV num canal de música e via gente feia a cantar bem. Pelos vistos, salvo muito raras excepções, é lógico concluir que já só há gente bonita com estilo com talentos vocais.

- Finalmente, porque já estou lavado em lágrimas, tenho saudades do tempo em que este blog tinha alguma qualidade. Já deve ter sido há uns tempos valente, porque não me consigo lembrar minimamente dessa altura...

A rodar, só para provar que também tenho sentimentos – Barbra Streisand - The Way We Were

5.9.07

Das trevas nasce a luz (só se forem ceguinhos)



Pequena interrupção nos pensamentos profundos próprios de quem está de férias, como por exemplo: “Será que consigo estragar o castelo do puto com apenas um pontapé?”, “Será tio e sobrinho ou apenas um casal de agasalhas?” ou então “Aquilo é um bikini muito cavado ou uma mulher com cabelos no peito?”.
A interrupção é oportuna porque sei bem que a gente ressabiada que por aí anda a fingir que trabalha tem alguns ressentimentos contra gente que como eu goza o seu merecido descanso. Assim, provo que penso em vós, contribuindo para que as horas de fingimento passem mais depressa.
Mas sosseguem os corações ruins, são boas novas as que vos trago. Sabem aquela história de toda a gente aspirar a uma vida feliz, harmoniosa, onde os pássaros chilreiam e é legal medicar as crianças para que fiquem num estado letárgico em vez de partirem a casa toda? Tudo falso, coisa do passado, conceito morto e enterrado.
A palavra idílico (não, não quer dizer igual, isso é idêntico) hoje em dia é prenúncio de ruína. A vida está difícil e ao ser humano custa lhe um bocado aceitar a felicidade alheia. “Ai casaram esta semana? Que bom!!!” (nas entrelinhas: 20 euros em como não passam do Natal), “Epá, se alguém merecia este aumento eras tu” (nas entrelinhas: com a ajuda de Santa Silicone também eu minha cabra) ou “O teu filho está um matulão meu caro” (nas entrelinhas: “teu” é como quem diz). Podia continuar até à exaustão com estes exemplos, mas também não gosto de falar tanto sobre os jantares de Natal da minha família.
Quem quer passar a vida livre de invejas, boatos e rumores sabe muito bem que tem de afastar qualquer imagem idílica do seu dia-a-dia. A vossa cara-metade é perfeita? Digam-lhe isso só a ela e inventem um problema com o álcool, frigidez/impotência ou simples mau carácter para a difamarem junto de quem vos rodeia. Vão ver que marcam pontos, ganham mais simpatia e ainda vos pagam um copo para vos animar de vez em quando.
Têm um emprego de sonho? Para já são mentirosos, porque isso não existe, mas se até acreditam na vossa mentira, chamem nomes ao patrão à mesma e arranjem uma vaca e um graxista para servirem de bode expiatório ao falatório do trabalho. Se ainda assim estão a resistir a esta ideia, possivelmente são um dos três personagens que referi e, nesse caso, é altura de arrepiar caminho.
São pessoas inteligentes, cultas e interessantes? Primeira medida – continuar a ler este blog e a divulgá-lo às pessoas que respeitam. Isso será prova que são humanos e também erram. Depois, cometam ocasionalmente umas griffes, comentem programas da TVI que nunca viram e soltem um arroto ocasional, junto de pessoas mais próximas. Todos estes gestos, são como as patas de coelho, para quem acredita afastam o mau olhado, para quem não acredita, pelo menos afasta aquela ideia de que as pessoas cultas, inteligentes e interessantes não podem ser boçais (não posso ser só eu a lutar contra esse estigma).
A malta quer-se falível, caída em desgraça e disponível para o azar. Se não o são, sigam estas dicas e pelo menos aparentem-no e vão ver que saem a ganhar. É que quando a inveja bate à porta não serve de nada fingir que não se está em casa. É convida-la a entrar, servir-lhe um chá e carregar na dose de laxante. No fim vai dar merda na mesma, mas não são vocês que se lixam.


A rodar: Air – Don’t be light