31.8.07

Um rival à altura


Finalmente encontrei alguém ao meu nível, quer em termos de personalidade, quer em termos de banhos de sol. Sim, isto é um post extremamente fútil mas a culpa não é minha, é do tempo, que insiste em estar óptimo para não trabalhar.
Espero que não aproveitem a oportunidade para dizer cobras e lagartos da minha pessoa...


No ar - Molestador de pequenitos antes da lavagem com Neoblanc - Blame it on the boogie

28.8.07

Ultimamente só meto água



E pretendo continuar a fazê-lo nas próximas duas semanas.

Cliff Richard - Summer Holidays

24.8.07

Ah pois é




Estimados fregueses, até a escumalha da sociedade tem direito ao conceito profissional de férias. Por isso, até ao meu regresso, podem ir desabafando aqui as vossas desilusões. Prometo-vos que estarão no meu pensamento, logo depois do sol, da praia, da água, da comida, do descanso, das noites degeneradas, do álcool, do sexo e das drogas, do macramé, da Revista Maria e de um rol de vulgaridades que me tipificam.

De quando em vez poderei cá dar um salto, mas será apenas para comentários de má índole e atitudes de mete-nojo, coisas que me dão imensa gratificação.

Aquele abraço, do vosso parasita social favorito.

22.8.07

Naturalmente...gatunos



Há coisas que me abalam profundamente, o vodka é uma delas, mas deixemos os meus traumas alcoólicos para quando formos todos beber um copo. O que me leva a escrever estas linhas é uma simpática cadeia que dá pelo nome de Go Natural. E, como o nome indica, numa cadeia existem, para além de ex-concorrentes do Big Brother – ladrões. Neste caso, o roubo não é consumado através de qualquer arma ou abre latas (sim, já me tentaram assaltar com este artefacto), mas através de uma coisa moderna que se chama – pagamento de status.
Ouvimos por todo o lado que devemos optar por comida saudável, que a era da feijoada e do cozido já era, que há milho e animais a sofrerem por nossa causa e mais uma enormidade de factos, alguns deles bem plausíveis. No entanto, a maior parte dos restaurante, sejam vegetarianos, de comida saudável ou com truques semelhantes para nos fazerem acreditar que a vaca Mimosa e o nosso organismo ficarão eternamente agradecidos por lá irmos, continuam a cobrar como se nos estivessem a punir por um passado de ofensas alimentícias.
Acredito que pagar bem por uma boa refeição é justo, mas no caso dos meus amigos do Vai Natural, carregam na conta no que poupam em corantes e conservantes. Só que como é trendy, é moderno, tem até sushi e ingredientes que temos dificuldade em pronunciar o nome, caixinhas que nos permitem transportar a moda alimentar até ao local de trabalho e sacos que mostram que somos uns tipos com um “healthy way of life”, a malta come, cala e paga, não necessariamente por esta ordem.
Por esta altura, enquanto comem a vossa saladinha de queijo Feta e pêra grelhada com vinagrete e meio Wrap de frango e coentros, acompanhados com uma tisana de fungos, uma questão surge na vossa mente: “Se dizes tanto mal, porque é que lá vais? Sim, porque esse conhecimento de causa e ressabiamento só é possível a quem é cliente da casa...”
A resposta é fácil, caros devoradores de sandes de camarão e maionese de ervas e iogurtes com brownie. Numa primeira fase, obviamente fui experimentar, para poder dizer mal em consciência, coisa que me deixa muito mais tranquilo. Apercebendo-me que, apesar de não ouvir a frase “A bolsa ou a vida” era sempre roubado na altura do pagamento, cortei com esses vícios e aproveitei o dinheiro que poupei para dar entrada para um T0,5 na Curraleira. Agora, uso apenas o Go Natural para me vingar da firma, quando esta me obriga a trabalhar até tarde. Ai hoje não chego a casa a tempo de ver a “Vingança”, mas também não é uma noitada que justifique alimento substancial? Então vais pagar 12 Euros por uma Chapata de Atum da Floresta Negra e um CousCous com caspa de aborígene para aprenderes.
Mas, continua a ser um roubo meus caros, porque se para se para limpar o organismo de toxinas alimentares também tenho de limpar a carteira e uma tangerina descascada dentro de uma caixa de plástico custa 2 euros, mas não me fazem desconto se eu lhes devolver a casca, então não me resta senão abrir as portas ao colesterol e às crises de fígado, enquanto me torno um novo Berardo com o dinheiro que sobra.


PS – Este texto não sofre de efeito “Copy-Paste” não tendo sido revisto por nenhum acessor de Luís Filipe Menezes

PSS – Podem continuar a mandar as vossas perguntinhas por mail e caixa de comentários. Já que não tenho jogado paintball, parece-me um substituto adequado.

21.8.07

Status Report

Não se pense que esta pequena ausência significa que tenho tido menos sobre o que dizer mal ou que não brota em mim uma necessidade constante de iluminar a vossa vida com sábias palavras. No entanto, a proximidade cada vez maior das férias faz com que tenha de começar a treinar o dolce fare niente a outro ritmo, algo que não é possível apenas com o horário de “trabalho” diário.
Mas, porque sei que têm tantas saudades minhas como do buraco na camada do ozono, vou abrir aqui um pequeno espaço de pergunta e resposta, tipo inquérito-tipo de Verão para que possam perguntar agora tudo e mais alguma coisa que queiram sobre os autores deste pasquim, sobre o blog e sobre os segredos do Universo. Podem esperar respostas sinceras e honestas, de preferência sentados, porque se querem coisas desse género vão ao blog da Alexandra Solnado.
Aceito perguntas debitadas na comment box e pelo mail do costume. Não se preocupem com a qualidade das mesmas. Têm a minha garantia que as alterarei a gosto e inventarei o que for preciso, para assegurar que a coisa mantém o nível baixo a que estamos habituados. Anónimos também podem perguntar, mas a resposta será igualmente anónima.



In the air - Atingindo novos mínimos qualitativos, adequados ao Verão, ao blog e a este post em particular - Charles & Eddie - Would i lie to you

14.8.07

Tanga-volante

Por mais que jure que nunca mais ponho aqui um post sobre coisas que se passam em transportes públicos, eles arranjam sempre maneira de me trocar as voltas. Aliás, considero hoje em dia mais fácil deixar de escrever disparates do que não escrever sobre episódios em transportes públicos. Talvez seja a minha consciência ecologista (ou o que sobra dela) que me diz esta ser a melhor maneira de convencer as pessoas que compensam mais 10 minutos de humor e regabofe num autocarro do que 1 hora no carro a poluir a atmosfera. Chegam mais suados é certo, mas o planeta agradece.
Desta vez, cenário matinal de Agosto, autocarro no centro de Lisboa. O mês favorece o utente regular como eu, aliviando os indíces de suor e gente mal encarada a bordo(lote do qual só resto eu e mais dois ou três). A Carris reforça a benesse, aumentando o número de motoristas-humoristas a bordo, para que não falte animação quando os habituais carteiristas não estão disponíveis.
Neste caso, o tipo que tem as rédeas do meu destino, pelo menos até chegar inteiro ao Saldanha, é o campeão do exagero e não tem medo de o mostrar a toda a gente. A conversa com a senhora do banco da frente é um mero pretexto, coisa que a senilidade da cidadã não a deixa perceber.
Comecemos:

- Acha que Lisboa é grande minha senhora? Paris é que é grande, veja lá! Um motorista de autocarro lá demora um dia inteiro para cruzar a cidade e voltar. Mal tem tempo de almoçar senão só chega no dia a seguir... (creio que ficou algo desapontado pelo facto das 12 pessoas no autocarro não terem soltado um "Ohhhhhh" de espanto).

- Acha que este taxista aqui à frente deve ser velho? Eu conheci um que era tão velho e tão cego, que dizia que à noite conduzia mais por instinto do que pelo que via! (Boa facada na concorrência. Daqui em diante levarei sempre uma placa tipo de oculista antes de começar qualquer corrida de táxi).

- Então mas pensa que agora há menos gente nas praias? Dantes é que era...eu que sou novo lembro-me de ir às praias da Costa e ter pelo menos 100 metros de distância das outras pessoas...(ou se esqueceu de referir que foi em Dezembro ou que é casado com a irmã do Tony Ramos). Os meus avós então quando iam deviam apanhar aquilo deserto...(apoio governamental encapotado, com a teoria da Margem Sul = Sahaara)

- Sim, sim, o poder de compra diminuiu imenso. Antigamente comprava jóias (podiam ser jolas, mas quero acreditar na versão que coloquei) à minha esposa regularmente, agora até para ir tomar café com ela tenho de pensar duas vezes. (Aqui a minha dúvida é: ou as jóias eram daquelas que saem nas rifas ou ele frequenta cafés extremamente dispendiosos, pelo nível de comparação).

Por esta altura, o ambiente no autocarro estava ao rubro, apesar dos repetidos bocejos e ares de enfastiado poderem não o traduzir na plenitude, algo que parecia não desanimar o faustoso e diversificado orador-motorista. Conforme me preparava para sair, os temas em discussão, ou melhor os temas da palestra, começavam a versar sobre política e futebol. Hesitei, saio no Saldanha ou continuo até ao Restelo. Venceu o medo da entidade patronal, mas tenho a esperança de que nos voltaremos a ver. Pelo sim, pelo não agora o leitor de MP3 vai sempre na mala...

13.8.07

Ninguém estava à espera deste post

De facto, a seguir à Inquisição Espanhola, o que ninguém espera mesmo é um post de qualidade neste blog. Por isso, fica este clássico para começar a semana, para que se possa dizer que a partir daqui é sempre a descer.

São perto de 10 minutos que valem a pena. Isto se são adeptos de nonsense puro, coisa que o facto de estarem aqui a perder tempo neste blog indicia...

10.8.07

Esta semana trinchava que nem um peru de Natal:

O Verão não é para mim apenas uma época de praia, calor e transpiração. Isso é apenas o aperitivo para destilar mais ódios e cuspir com desprezo nos mais diversos assuntos e personagens, tudo com o baixo nível que só uma pessoal mal formada do meu gabarito pode apresentar. Mas, dirão aqueles que já cá vêm há algum tempo, qual é a diferença disto para o resto do ano? Fácil, posso fazê-lo de calções floridos e camisolita de manga cava, visual de veraneio que cultivo desde os tempos da Colónia Balnear “O Século”.
Como não há nada mais ligado ao Verão que o peru de Natal, aproveito-o esta 6a feira para ilustrar o que me apetece fazer esta semana aos seguintes itens:

- Revistas do social. Calhou esta semana que alguém deixasse na minha secretária uma revista dessa índole, coisa que já não acontecia há algum tempo. Desde já, uma recomendação: que nas mezinhas tradicionais se substitua, na categoria purgantes, o azeite pelas revistas cor-de-rosa já que o resultado final é o mesmo, embora o teor gorduroso das segundas seja claramente mais elevado. Eu faria a pergunta “Como é possível que haja tanta revista a falar da mesma trampa em que 80% das pessoas que lá constam parecem ter um interesse com a mesma espessura que a página em que aparecem?”, se não tivesse já desistido de perceber a lógica de certos acontecimentos sociais, desde que os Malucos do Riso se tornaram um êxito.
- Pessoas que tentam usar palavreado rebuscado sem necessidade, nem piada. Admito que ao colocar esta hipótese posso estar a dizer mal do autor deste post, mas também nunca fui muito à bola com o palhaço. Sou fã do rebuscadismo, mas não tenho aspirações intelectuais (seria contra-natura) nem o faço para ganhar a admiração dos meus pares, quanto muito a estupefacção. No entanto, doi-me o pancreas (porque coração não tenho) cada vez que vejo alguém a utilizar palavras de cinco sílabas e terminologia requintada fora de contexto, mal aplicada, abusivamente repetida e com a convicção que estão a marcar uma posição. De facto estão, creio que se chama fora de jogo.
- Vítimas profissionais. Vítimas a sério morrem ou pelo menos apresentam marcas que as permitem identificar como vítimas. Todos as restantes irritam-me, porque o único coitadinho para quem tenho paciência sou eu e mesmo assim não é todos os dias. Olhinhos de carneiro mal morto, conversa de tragédia ou necessidades de afecto mal dirigidas para mim têm o mesmo destino: a faca de trinchar.
- Programas televisivos portugueses com convidados. Tudo bem, grande parte da produção nacional é uma bosta e desde o “Duarte & Companhia” que não esboço um sorriso com isso (ok, no 1º Big Brother também, mas programas com animais não contam), mas mesmo quando não é ficção, a realidade não ajuda. Programas de convidados têm um problema nos canais generalistas: isto não é a América, não temos pessoas interessantes suficientes para irem aparecendo nesses programas sem termos que os repetir mais do que a Sic repõe o “Armageddon”. Ou melhor, até temos pessoas muito interessantes, mas tirando 10 pessoas com pouco que fazer, ninguém as vai querer ver na televisão. Já nos canais de cabo, já há algumas experiências interessantes em programas do género que vale a pena referir. Por exemplo, na SIC Notícias há um em que todas as semanas pessoas diferentes entrevistam a Bárbara Guimarães, tentando fazê-la parecer culta e distinta. Creio que mais uns anitos e a coisa está lá. Já na RTP Memória, reparei que decorre uma experiência com a Helena Ramos, a “senhora que gosta de mostrar o coxame” como disse uma vez José Vilhena. A coisa consiste em tentar juntar uma senhora matura de líbido activa que vai fazendo perguntas a fósseis lusitanos, tentando ver quem morre primeiro, se o entrevistado ou o espectador, neste caso não de tédio como é hábito, mas literalmente já que a idade avançada do público a que se destina o programa não é compatível com a excitação que rever os seus ídolos da TV e as coxas da Helena Ramos pode gerar.

Como sempre, apesar de poder continuar este post por longas e miseráveis linhas, dou-me por satisfeito por agora. Para a semana há mais bílis para destilar e não quero que me considerem uma pessoa de maus fígados. Além disso, rim melhor quem rim por último.


Rodando: Handsome Boy Modelling School - Breakdown


PS – Note-se que esgotei o meu humor médico até final do ano.

8.8.07

Voltas dá o carrossel



Quando durmo menos dá-me para a filosofia. Para isso e para dançar tango, mas visto que deixei o meu CD de Astor Piazzola em casa e rosas na boca logo de manhã me fazem aftas, fiquemos pela primeira.
Já estou mais farto de gente a dizer que a vida dá muitas voltas, do que escuteiros a fazerem peditórios. E olhem que na minha escala, isso é tipo um alerta vermelho. Seja por alegria, tristeza, sorte, azar, pilosidades nasais ou apenas para justificar o facto de se terem vomitado todos num jantar de família, dizer: “A vida, tal como o meu estômago, dá muitas voltas”. Tal dichote passa sempre um ar sábio e tranquilo de quem é um escanção da vida, degustando com tranquilidade todos os sabores que esta tem para nos oferecer (pequena pausa para dizer que esta frase tem o patrocínio Monte Velho Tinto, uma pomada melhor que absinto).
Vou-vos dar então uma dica, um insight como dizem alguns dos iluminados com quem privo diariamente: a vida está parada, vocês é que andam às voltas. Se querem continuar a pensar o contrário, invistam em carrósseis. Aí sim, vocês estão parados e tudo o resto anda às voltas. Costumava fazer isso nos meus tempos de jovem na saudosa Feira Popular, depois de me encher de farturas e batidos de ananás nos “Três irmãos das farturas”. Era uma mistura explosiva. Acrescento que os meus tempos de Feira Popular acabaram quando um dos pachorrentos póneis que também trabalhavam lá cedeu perante o meu peso. Tudo bem que eu já tinha 23 anos, mas o pónei é que era calão.
Voltando à vida, que continua no mesmo sítio em que a deixei no parágrafo anterior e não aos piões aqui à volta. As pessoas é que dão voltas, cambalhotas, piruetas, marcha atrás em sentido proibido, ultrapassagens pela direita, mortais encarpados e muito, muito mais. Depois arrenpendem-se, surpreendem-se e esquivam-se de quando em vez, deitando as culpas à vida e a lógica à rua, não se apercebendo que imprevisíveis são as pessoas, a “vida” é só cenário.
Experimentem estar paradinhos durante uns tempos, sem interagir nem fazer coisa alguma. Aposto que não acontece nada, mas se me conseguirem convencer do contrário, não é porque eu não tenha razão, é porque a vida dá muitas voltas.
Incoerente e incompreensível? Talvez, mas asiduasrnba mfen ºopqwem wqbeq woida dkas. E tenho dito.

6.8.07

Uma segunda de primeira

Não sei se foi pancada na cabeça quando era criança, já que como não andei na Casa Pia não posso culpar o gajo do anorak vermelho, mas em certas coisas tenho a vaga ideia de que penso de forma contrária à maior parte das pessoas.
Vejamos este dia, uma segunda feira, pelo que me diz o calendário e a fronha de boa parte das pessoas que me rodeiam. Eu gosto (e aqui faço uma pausa para reduzir o efeito incendiário do resto da frase) das segundas feiras de manhã. E digo-o não apenas com a satisfação que me dá ver gente com ar angustiado de manhã nos transportes ou o ar de atropelados de alguns dos artistas que comigo partilham o espaço profissional. Essa continua lá, às terças, quartas e no resto da semana.
Desenganem-se também aqueles que pensam que gosto das segundas feiras de manhã porque sou um triste e não tenho vida pessoal ao fim de semana. Sou de facto um triste, mas tenho vida pessoal que me daria para ocupar fim de semanas de quatro dias e só quem não sabe o trabalho que dá fazer tranças a uma colecção de Pequenos Póneis e ver cactos a crescer pode dizer o contrário.
Essencialmente, gosto das segunda feiras de manhã porque as detesto. Complexo? Não mais do que a trampa dos Sudokus que boa parte da gente que por aqui passa deve gostar de fazer (sim, não adianta tentares esconder esse facto). O facto de conseguir fazer coisas que aprecio no pouco tempo livre que tenho faz-me gostar das 2as feiras, pelo simples facto de que se me custa a enfrentá-las é porque os dois dias anteriores foram bons e dignos de serem valorizados e não como 48 horas de tortura que fazem as 2as feiras parecerem um mal menor.
Estou certo que as três pessoas que também têm vida pessoal e aqui vêm (sem estarem alcoolizadas) me perceberam, mesmo que achem que faltam aqui umas cartas ao baralho. Ambas as constatações provam que há por aí um nico de perspicácia que sobreviveu à matança e isso prova que ainda pode haver esperança para alguns.
Para os restantes, um concelho: Loures.


A rodar: DJ Shadow - Building Steam with a Grain of Salt

1.8.07

Não me furtei ao Senhor Roubado



Há quem ambicione ir ao Tibete, há quem sonhe em ir ver as novas Sete Maravilhas do Mundo ou, caso sejam mais patriotas (pobres também serve), vibrar com as Sete Maravilhas de Portugal ou ainda, se forem mais conformistas, há quem se dê por contente apenas por não acordar em Sete Rios sem memória da noite anterior e com um guardanapo no bolso a dizer “Adorei a noite. És um tigre, telefona-me, Orlando” seguido de um número de telefone.
Já eu, vou coleccionando pequenos prazeres geográficos, objectivos de viagem que podem ser ou não cumpridos, tal a sua trivialidade. No entanto, depois de já ser possível realizar o sonho de ir jantar ao Frango Sinatra, decidi não adiar certos destinos ali à mão de semear.
Assim sendo, esta semana despi-me de medos (e de todos os valores que achei poderem ser apetecíveis a possíveis meliantes) e pus-me a caminho da linha amarela do Metro: o Senhor Roubado esperava por mim.
Passadas as fronteiras do Campo Grande, até aí o meu limite de exploração de menino da cidade, reparei que a Charneca do Lumiar tinha feito um facelift para Quinta das Conchas e que a Ameixoeira tem ar de ser muita fruta para mim. Finalmente ei-lo à vista, o Senhor Roubado, local mítico que pensava eu ter o seu nome devido a um ritual local aplicado a todos os visitantes. Depois de cinco minutos na dita localidade, o fim do mito: nem um esfaqueamento, uns disparos para o ar ou sequer uns pedidos de trocos para ajudar os gangs desfavorecidos. Consegui de facto ir ao Senhor Roubado e não o ser, o que no meu imaginário era impossível. Pensei, se calhar era feriado na zona, se calhar a colónia de férias das hordas coincidiu com a minha hora de passagem ou que estavam em greve porque os assaltados não facilitavam nas condições de trabalho. Voltei no dia seguinte: nova desilusão, no meu livro o Senhor Roubado, passou a Cavalheiro Entediado, vou ter de procurar novos desafios.
Vendo bem a linha do Metro, já são poucas as paragens tipo “Destino Aventura” que me restam. Estou a pensar expandir-me: Curraleira, Fim do Mundo ou Cruz de Pau. Sugestões aceitam-se, medo não tenho, juízo também não. Felizmente, seguro médico, sim.