29.5.07

Uau, que opinião (eu não consigooooooo)

Certamente muitos de vós já viram este apontamento opinativo único. Eu conheci-o na sexta e já o repeti até à exaustão.

E, na minha opinião pessoal, se é que posso dizer, é um vídeo recomendado tanto para crianças como adultos, é clássico, não é brega.

Mas, peço desculpa se não gostarem, é o meu estilo...

Um som que é uma limpeza

Limpezinha faz bem de vez em quando, até a mim, que sou virtualmente imaculado. Por isso, vamos a banhos, seja lá do que forem.

Depeche Mode - Clean

28.5.07

7 Boas razões para ter ido ver a final da Taça

Refira-se que as mesmas são válidas mesmo se depois de uma hora e meia a levar com chuva no trombil, o teu clube perca o jogo a dois minutos do fim de forma inglória e mores em Alvalade, sabendo de antemão que terás buzinas de dois em dois minutos a recordar-te o resultado, o que não melhora a azia ligeira.

1 – O teu ego sai reforçado, já que tens oportunidade de ver uns quantos gajos numa forma física consideravelmente inferior à tua. E estão em tronco nu à chuva. E alguns têm bigode.

2 – Aprendes que afinal essa história dos grelhados pode não ser tão saudável como ta vendem. Especialmente depois de veres 30 grelhadores altamente suspeitos no caminho para o estádio. Mas menos suspeitos que algumas das peças de carne (?) que vês colocarem em cima, que por sua vez são ainda menos suspeitas que os indivíduos que as manuseiam. Que nos levam de novo ao ponto 1.

3 – Descobres que futebol e auto-controlo podem conviver saudavelmente, especialmente quando ouves um indivíduo ao teu lado dizer que antigamente, quando era estúpido, chamava nomes a tudo e a todos, por tudo e por nada durante um jogo, mas que agora já amadureceu. Sendo que amadureceu quer dizer aqui, que quando o árbitro apita para o início do jogo, ele diz tudo o que dizia antes, mas agora já não esforça a garganta. Não tive coragem de lhe dizer que usar o termo “eu era estúpido” no passado é incorrecto.

4 – Reencontras gente que não vias há anos e que, se tiveres sorte, até gostavas. Se não gostavas também tens sorte, porque se não vais à bola regularmente sabes que dificilmente voltas a encontrá-las tão cedo. O melhor de tudo é quando essa pessoa te troca o nome e insiste em chamar-te Bruno e tu te divertes ficando caladinho e não corrigindo, deixando inclusive que aponte o teu número de telemóvel, sabendo de antemão que essa pessoa fala com outras que tu conheces e não falas há anos e o nome errado vai lançar a confusão.

5 – Tens a oportunidade de, a caminho do estádio, ter atrás de ti no comboio os verdadeiros velhos dos marretas. O facto de não te voltares para trás, permite-te retratá-los exactamente como no mítico programa e a sua conversa “ranzinzo”-humorística garante-te uma satisfação adicional do 1,20 Euros que acabaste de pagar por uma viagem turística à sempre fascinante estação da Cruz Quebrada.

6 – Apesar de vibrares durante todo o jogo e ficares triste por não ver a tua equipa ganhar, o facto de olhares para o lado e veres gente a chorar deixa-te concluir que possivelmente valorizas outras coisas mais importantes na vida, como o basket ou as corridas de tartarugas. A não ser que quem chore sejam crianças sportinguistas, a quem o pai do Belenenses acaba de dar um tabefe para não festejarem golos quando não devem. Aí só tiras como lição que também és capaz de sentir satisfação perversa.

7 – Verificas que não quem bata a malta lusitana, na arte da desculpa e da auto-comiseração. Ainda o jogo não tinha acabado e já chovia, para além de água, o repertório do “Eu já sabia”, “Não se podia pedir mais”, “Venho eu cá para isto”, “Estava-se mesmo a ver”, “É sempre a mesma coisa”. Note-se que muitos adeptos do belém, receberam dicas dos adeptos leoninos, que já traziam um discurso bem preparado, ao passo que entre pasteis, o sofrimento é inato.

25.5.07

Pequeno intervalo para febre do futebol

Assim de repente, 1989 já foi há uns anitos

Apesar do tornozelo inchado, da mão dorida (se não parassem o carrossel matavam-me), já entrei em estágio para a final da Taça. Posso não ser fanático da bola, mas não me podia arriscar a esperar mais 19 anos para poder voltar ao Jamor. É que com perto de 50 anos, estas maleitas físicas custariam muito mais a suportar, embora fosse mais fácil prever o tempo.
Por isso, faça chuva ou sol, domingo é dia de S.Pastel.

24.5.07

Caminhar pela prancha

Através de grandes contactos e esquemas de igual porte, eis que ontem tive acesso à antestreia da terceira vaga dos Piratas das Caraíbas. No entanto, antes dos sustos que previa ter na sala, o meu esquema ia saindo furado, já que pensei que só tinha que dar o nome na bilheteira para levantar o convite quando a senhora me pergunta “Qual é o passatempo?”. Entre dizer “Não me falaram em passatempo nenhum amiga, orienta lá o convite e pouca conversa” ou usar de charme manhoso para ganhar tempo dizendo “Sabe, eu concorro a tantos que às vezes perco a conta” enquanto ela percorria a lista e eu tentava ver as opções disponíveis.
A segunda acabou por resultar e, ao entrar na sala, já me sentia um verdadeiro pirata. Quanto ao filme, que cada um tire as suas ilações, não me vou alongar muito na matéria porque não acho justo estragar mais de duas horas e meia de entretenimento ou coisa parecida com o meu azedume e sarcasmo.
Há, no entanto, algo que não perdoo: não suporto a porra da Keira Knightley. Para mim, tem a profundidade da prancha por onde eu a faria caminhar para fazer parte da ementa num festim de tubarões e tem o ar/beicinho remodelado de cachorrinho sofredor que assenta perfeitamente tanto em filmes de piratas como num especial Lassie.
Resumindo, era metê-la dentro de uma pipa e mandá-la para o sítio que dá nome a este terceiro episódio. Já agora, com um recado aos senhores da Disney, “Amigos, piratas, sombra nos olhos, porreiro e tal, mas vamos lá a pôr um barquinho rumo ao sol poente e dar um fim à porra da história, antes que já não se possa com eles”.

22.5.07

A p... da criatividade - Uma reflexão sobre insultos


É minha convicção que, em termos de vocabulário, estamos numa época de facilitismo. Simplesmente, a malta não se esforça e há muito que é necessária uma lufada de ar fresco.
Refiro-me especificamente à linguagem mais ofensiva, aos insultos e expressões carroceiras. Se é certo que em termos de derivados vão surgindo novidades, há um núcleo duro de sete palavrões que se mantém presente no léxico nacional há resmas de tempo e que, dada a sua trivialização e aceitação geral, no meu entender já mereciam uma votação para eleger o melhor de sempre e depois a subsequente criação de novos sete palavrões-maravilha de Portugal.
Eis uma pequena descrição dos sete candidatos, sendo a ordem numérica aleatória (o seu disfarce não se deve a pudores, mas sim a evitar que ainda mais gente doentia que passa pelo Google cá venha parar):

1- P*ta – inicialmente utilizado para designar a profissional do amor, derivou para o ataque pessoal à mãe do interlocutor ou para qualquer elemento do sexo feminino passível de ser atacado com o mesmo. A recente massificação do sector gay derivou esta palavra também a utilização em relação ao sexo masculino. Tem também características impessoais quando associada a factores específicos (ex: sorte, azar). Combina bem com o 4 e o 5 para reforço de intenções.

2- Panel**ro – Durante anos rivalizou com o mais popularucho “maricas” para designar os homens que defendem que a espuma de barbear foi feita para partilhar num ninho de amor. Ganhou preponderância ofensiva possivelmente nos anos 80, com o advento da SIDA, dos maus penteados e da música pop. Embora tenha perdido alguma força, é ainda uma boa forma de questionar a masculinidade do interlocutor. O seu índice de promiscuidade é elevado, ligando bem com quase todos os outros, tirando talvez o 1 e o 6.

3- Cabr** – Referência lendária para o universo masculino. Numa primeira fase focado na classificação do indivíduo vítima de faena marital, expandiu-se em larga margem, acompanhando de certo modo a emancipação feminina, mas sendo também bem recebido como arma de arremesso para homens. Hoje em dia, está em pleno vigor, servindo para qualquer mulher classificar um homem que esteja longe da santidade e para qualquer tipo classificar outro que lhe deva dinheiro ou, em casos mais grave, explicações pelo facto de este estar em boxers na cama com a namorada do outro. Liga bem com 4 e 5.

4- Car*lh* – Um dos dois pilares de ligação no mundo do insulto. E é curiosa a utilização da palavra pilar, já que inicialmente o termo definia de modo brejeiro o órgão sexual masculino. A sua expansão deriva não só das suas capacidades associativas com quase todos os outros palavrões, como da sua generalização que faz com que tanto possa ser usado como interjeição de charme para concluir frases, como adjectivo superlativo de qualidade (ex: foi um concerto do c. ou aquele restaurante não valia um c.) ou para definir um vizinho que insiste em ouvir Tony Carreira alto e bom som. Pela sua correspondência em mercados externos pode continuar a dar cartas durante muitos anos.

5- M*rda – O pão nosso de cada dia. Elemento de ligação por excelência, a sua trivialização levou a que já tenham sido feitas petições para desqualificá-la como insulto. Numa primeira abordagem, este termo ilustrava de modo pitoresco as propriedades da matéria fecal. No entanto, por arte de transmorfismo passou a conferir a pedido essa mesma propriedade a tudo e mais alguma coisa, incluindo a este post. Hoje em dia, a sua utilização é tão vasta que tanto serve de desabafo, como para travar quem não os pare de fazer (ex: deixa-te de m.), partilhando com o 4 a projecção internacional, porventura mais poderosa no seu caso dado que é mais aceite socialmente.


6- C*na – Correspondente feminino do 4, tem também base na anatomia de taberna. No entanto, a sua ramificação fez com que aspirasse a novos vôos, sendo utilizado como recomendação de destino de férias junto de algum parente feminino do visado e também para definir indivíduos parcos em coragem. Tem menos força que alguns dos outros candidatos visto ser quase exclusivo do sector masculino, mas tem aí bastantes adeptos. O seu fraco poder relacional pode pesar na sua projecção final.

7- F*der – Ao princípio era o verbo. O facto de ser o único verbo nesta lista confere-lhe uma propriedade dinâmica e multiplicidade de formas que o deixa em boa posição. Aliás, o próprio termo posição é-lhe muito próximo, visto ter a sua génese no ajavardamento do acto sexual. Mas, podem ir fazê-lo todos aqueles que pensem que este candidato se limita a essa actividade redutora. Derivando para adjectivos de dificuldade, interjeições ou simples recomendações de actividade, este insulto massificou-se ao longo dos anos. Curiosamente, é hoje mais mal visto pela sua utilização em relação ao seu propósito básico, do que em muitas das suas outras aplicações.

Estamos a abertos a votos, propostas, troca de insultos e eventuais parcerias para dinamização da votação.

18.5.07

Natas mentais

Visto que o calor que se instalou desde de ontem reduziu a minha já diminuta massa cerebral a uma matéria mais duvidosa do que a gestão camarária do Carmona Rodrigues, eis alguns apontamentos pré fim de semana:

- Nas eleições que se avizinham para a cidade de Lisboa, o número de candidatos arrisca-se a ser maior do que o número de pessoas dispostas a sacrificar um fim de semana de Julho para ir votar. Tendo em conta a possível taxa de abstenção, já se considera trocar o sistema de votação por um “Jogo das Cadeiras” transmitido na TVI, em que os espectadores poderão votar por sms qual a música a tocar e obstáculos a criar aos concorrentes, tipo um túnel pouco funcional ou uma gincana em que o objectivo é contornar leis à volta de imóveis. O voto nos concorrentes é que não será permitido, visto que também não tem muito interesse...

- Victor Hugo Cardinalli também já avançou também para uma candidatura a Lisboa. Segundo o homem, embora o seu período forte seja a época do Natal, se vai haver circo em Lisboa no Verão, tem que haver pelo menos um Cardinalli presente.

- Não tenho muita fé que encontrem a criança inglesa desaparecida no Algarve. Se o hipópotamo que era o Padre Frederico conseguiu escapar, se a Fátima Felgueiras até teve tempo de comprar bikinis antes de se raspar para o Brasil e se o Bibi só não se safou porque o Portugal dos Pequeninos possivelmente não foi o melhor destino de fuga que podia ter escolhido, creio que uma criança tem ainda mais hipóteses de levar sumiço.

- Vi uma reportagem da Sic sobre o Cristiano Ronaldo cujo título devia ser “A razão porque o Mak se fustiga todos os dias por não passar da clara mediania a dar pontapés na bola”. No entanto, percebi que há algo mais vantajoso do que ser o próprio do artista, que é ser familiar próximo do artista. Não nos arriscamos a levar umas pantufadas em campo, não temos de andar a treinar todos os dias com afinco, a imprensa nunca quer saber de nós a não ser que sejamos estúpidos ao ponto de fazer que dêem por nós e, o melhor de tudo, é que não temos que aprender a cancioneiro do futebolista, nem sequer para nos referirmos a nós próprios na terceira pessoa.


A terminar, o silêncio é agora oficialmente uma virtude. Não fosse isso e hoje não iria ver Bloc Party. Daí a “Positive Tension” no ar.

16.5.07

Preso por ter cão

Quem espera aqui uma moral, pode esquecer. O facto é mesmo que o Mourinho foi preso pela polícia inglesa, depois de impedir que esta levasse o seu Terrier para prestar declarações, na sequência da sua ausência do país e posterior regresso.
Pelo acesso de raiva do Special One, creio que a polícia terá na verdade acabado por deter o verdadeiro elemento a precisar de quarentena, já que reacções do género podem facilmente ser despoletadas por ausência de vacinas, medicação adequada ou controlo sobre o próprio ego.

13.5.07

Estranhos sabores

Que muita gente já tenha comido um Pai Natal de chocolate ou até mesmo um coelhinho desse material, é normal. Um Elvis dessa iguaria já será mais raro, não tão raro como por exemplo um Carmona Rodrigues de chocolate, mas ainda assim menos comum.

Por mim, o Chocolate Elvis não se come, ouve-se e a mim sabe-me que nem ginjas. Deve ser do mood.

Tosca - Chocolate Elvis

11.5.07

O festival da canção deu o berro

É certo, muitos dirão que na prática o festival já tinha morrido há uns tempos valentes. Do ponto de vista musical até concordo, mas a vertente de humor manteve-o ligado à máquina durante mais uns anos.
Ontem, dia 10 de Maio de 2007, durante alguns minutos comprovei a morte do Festival da Canção ao ver as meias finais ou lá que sistema é aquele. Já não tem piada, é dramático, é como um filme de zombies realizado pelos próprios. Acrescentem a palavra Horror a seguir a festival e pode ser que faça algum sentido...

E já agora, que raio de participante nacional era aquela? Pensei que gente saída do Coyote Bar só existia em filmes, também eles maus por sinal...

10.5.07

De cortar à faca




Depois de uma noite bem passada, coroada pelo engraçadíssimo pormenor de chegar à porta de casa à uma e tal da manhã e perceber que me tinha esquecido da chave no trabalho e portanto ter de lá voltar com um sorriso nos lábios (ou seria um esgar?).
Encontradas e amaldiçoadas as chaves, aproveitei o regresso para matar saudades de um desporto que evito quase sempre que posso: andar de táxi. E, visto que felizmente o senhor de farta bigodaça ao volante não era do género comunicativo, pudemos ambos concentrar-nos no essencial do programa de rádio que ocupou a minha vida durante 5/7 minutos e a dele possivelmente a semana inteira...
Para grande surpresa minha, ainda existe aquele tipo de programas em que uma senhora com voz misto de cama e de mãe, atende telefonemas de almas penadas durante a madrugada inteira. Pensando eu que, no máximo, já só haveriam alguns programas de discos pedidos, mais algumas coisas semelhantes em rádios locais, eis que oiço este grande estilo clássico radiofónico a entrar-me pelos ouvidos .
A surpresa inicial rapidamente deu lugar a um ambiente de cortar à faca, não porque surgisse algum debate entre mim e o taxista sobre o tema, mas porque a vontade de cortar os pulsos aumentou exponencialmente.
Não se pense que esta vontade de trinchar as veias como se de um perú se tratassem se limitava à minha pessoa. O senhor que falava no ar na altura, usava tudo quanto era pretexto para evitar terminar a chamada, possivelmente com o telefone numa mão e uma Faca Ginsu na outra. A senhora com voz de cama/mãe, apesar de todo o carinho meloso e ligeiramente enfastiado com que tratava o seu ouvinte, possivelmente segurava uma faca de abrir correio numa mão, amaldiçoando o dia em que disse querer fazer um programa mais intimista. Já o taxista, hesitava entre cortar os pulsos ou a minha garganta, pois gajo que o tire de uma praça de táxis para uma viagem de três euros e meio não merece viver.
Quando saí do táxi ainda a senhora tentava que João desligasse, enquanto este dizia que qualquer dia aparecia lá na rádio para fazer uma visita e a senhora, se bem que hesitante acrescentava que as portas estavam sempre abertas (ao mesmo tempo que passava os dados do João ao segurança do prédio, não fosse este aparecer mesmo).
Sei que estes programas servem como catalizador para muita gente solitária que por aí anda. Mas, solitários, se me estão a ler, pensem no seguinte: estes programas são como anestésicos, não curam, só adormecem (positivo apenas para quem sofre de insónias). Além disso, por cada programa destes, há uma forte probabilidade de haver gente saudável a cortar os pulsos depois de os ouvir. E, meus amigos, quanto menos gente houver mais solitários ficam...

8.5.07

Paradoxo a quanto obrigas

É impressão minha ou em termos de novelas e revistas, a Rosa do Canto já está há muito tempo no meio?

7.5.07

Tudo isto é verdade

Sou mentiroso. Pronto, não é difícil admitir e o melhor de tudo é que é verdade, o que dá um certo toque de novidade comportamental à minha personalidade.
Que não se pense agora que faço da mentira a minha profissão. Aqui dão lhe outro nome, acho que é publicidade, mas nunca quis aprofundar muito o assunto, para não ter (ainda mais) pesos na consciência.
A mentira é então para mim um hobbie, uma abordagem criativa da verdade dando-lhe outras perspectivas e funcionalidades, para além da sua existência banal. Uma espécia de tuning da verdade, mas com critério, sim porque não sou um reles mentiroso, mas sim um refinado tanguista.
Qual é a diferença? - perguntam os dois inocentes que visitam este blog e que, alegadamente, só mentiram uma vez na vida e foi quando responderam afirmativamente à pergunta “És inteligente?”. A diferença é que mentir é uma arte e há muito quem não a saiba utilizar ou a utilize para os fins errados. Esses são os reles, os mentirosos vulgares, os que põem o nome da mentira na lama e eu na lama só gosto de ver voluptuosas beldades degladiando-se em bikini.
Eu não sou pela mentira vulgar, por aquela mentira grosseira só para prejudicar outra pessoa, pelo vulgarismo político, a falsidade profissional ou a vigarice amorosa. Isso é diminuir a mentira a um estatuto que ela não merece.
Eu sou pela mentira artística, o toque de mestre na distorção da realidade que dá a mesma satisfação que a de um artista ao contemplar uma obra prima. Diria que este tipo de mentira está para o sonho como o mentira vulgar está para o pesadelo.
Atenção, não quero com esta prosa dizer que toda a gente deve começar por aí a mentir a torto e a direito. Mentir requintadamente exige arte e isso não está ao alcance de todos, tal como pintar, esculpir, etc, pelo menos não na perspectiva de ser um virtuoso na matéria. Quer dizer, podem ir tentando uns esboços, com pessoas mais próximas, no recato do lar e ambientes semelhantes, mas tenham muito cuidado, porque é muito fácil resvalar da arte para a vulgaridade, até mesmo entre gente com mais experiência.
Caso ainda subsistam dúvidas, ponha-se a questão nestes termos metafóricos abichanados: a mentira artística é como pintar um raio de sol num céu carregado de nuvens, criar um sorriso onde só há tristeza ou curar os doentinhos e erradicar a pobreza (não, estas últimas duas só fazem sentido em discursos de candidata a Miss).
Não acreditam no que acabaram de ler? Pois, tendo em conta a minha primeira frase, pode ser mentira. O que, paradoxalmente, tornaria isto tudo verdade. Significa isto que saio sempre bem da coisa, pois ou “Isto é tudo mentira e eu até digo umas verdades” ou “Isto é tudo verdade e eu até digo umas mentiras”. Abençoado mundo em que vivemos.

6.5.07

Nothing left to say but goodbye

Sim, é altura de melodrama, de cerrar de dentes e punhos não necessariamente por esta ordem, de conter uma lágrima e deitar mãos à cabeça, não sem antes descerrar os punhos para não me auto-esmurrar.

Uma semana de férias já era. Siga para bingo. Adeus e até Junho. (Sim é já daqui a um mês, mas eu sou muito emocional, que querem).

AudioSlave - Nothing left to say but goodbye

4.5.07

Deitar contas à vida

Não se pense que este título se refere a uma reflexão profunda sobre o rumo da minha existência. Sei bem para onde ela se dirige e, tal como qualquer motorista de um autocarro para a Falagueira, já me resignei. Também não é o 2º capítulo da saga atrás descrita, essa continuará a seu tempo, já que os astros não estão em posição favorável para que o faça.
O que me traz aqui hoje é um fenómeno que tem interessado milhões de pessoas pelo mundo inteiro, nem que seja apenas na altura de pagar impostos – a contabilidade.
Esqueçam cálculos pormenorizados, teorias refinadas de fuga aos impostos ou até o facto do departamento mais criativo de qualquer empresa (mesmo de publicidade) ser o financeiro/contabilidade. O que me chocou meus caros, foi o que vi ao passar ontem às portas do ISCAL, em teoria o templo de formação de futuros escribas contabilísticos e afins.
Nem um tipo com pinta de nerd vi eu, nem uma jovem vestida como a sua avó, com uns óculos cujas lentes encheriam um vidrão de uma só vez. Rapazes precocemente carecas, camisas xadrez abotoadas até aos ouvidos – nada. Colunas deformadas pelo excesso de livros de balanço para treinar ou intenso cheiro a naftalina em blazers old school – rien.
O que eu vi foi gente com ar modernaço (ou pseudo modernaço), gente que me pareceu perfeitamente integrada na sociedade e não destoando da mesma, o que é mau, para não dizer péssimo. Como será o futuro das empresas, com contabilistas que saem à noite sem ser para passear o cão dos pais, contabilistas que têm amigos fora do ramo e vão para a praia no Verão?
Será o caos é o que vos digo, pois ninguém vai dar credibilidade a esses contabilistas. Por exemplo, as autoridades quando virem um tipo destes a dizer-lhes que a empresa tem prejuízo há cinco anos seguidos e que o Ferrari do patrão foi uma herança de família alguma vez vão acreditar numa pessoa que parece normal e, desse modo, com alto potencial de desonestidade? Não me parece.
Isso para não falar nos chefes que não vão poder pressionar o contabilista a não ir a casa no fim de semana porque os registos têm de ficar falsificados a tempo, tudo isto porque agora correm o risco de ouvir que têm coisas combinadas com os amigos ou até mesmo com a namorada/o. Contabilista com vida pessoal é a ruína da falcatrua empresarial.
A minhas única esperança é que aquela gente que vi, sejam aqueles que desistam, ou que queriam entrar para Antropologia e não conseguiram, até porque aspirante a singrar no mundo da contabilidade não anda às três da tarde a apanhar Sol na rua. Está sim a pedir um estágio numa qualquer instituição bancária ou empresarial de renome para aprender trafulhice com quem realmente sabe do ofício.
É que a ser verdade, vai ser o fim de Portugal tal como o conhecemos, porque o país ainda não está preparado para uma vaga de gente normal que se quer fazer passar por contabilistas.

2.5.07

O meu blog foi mordido pelo Sexo e a Cidade



O que aconteceria a este antro satírico, se o seu autor, para além das 30mil psicoses de que já sofre, de repente acordasse a pensar que era um personagem do Sexo e a Cidade. Em que medida afectaria a sua vivência. Seria possível torná-la mais ridícula ou será que estaria no horizonte uma vida de charme, com um lado social de top, paixões intensas e questões oportunas sobre as relações entre homens e mulheres, para não falar numa renovação de guarda roupa e outros pormenores urbano-citadino-chiques. Será que Xabregas poderá ser uma NY em potencial.

Veremos:


Acordei. Acredito que é sempre bom fazê-lo, mesmo que não nos lembremos do que fizemos na noite anterior. As roupas espalhadas pelo chão seriam um cenário promissor, se não fossem todas minhas e sinónimo de que aquela empregada moldava não anda a cuidar de mim como devia. Talvez ter gasto boa parte do ordenado naqueles dois pares de calças da Pepe Jeans em vez de lhe pagar o salário em atraso não tenha sido boa ideia. Especialmente porque a merda da etiqueta nem se vê bem do lado de fora das calças e estão a desaparecer as letras depois de duas lavagens. Foi a última vez que acreditei naqueles ciganos de Carcavelos.
Mas, filosofia pesada logo pela manhã não. Tomei a resolução de deixar a filosofia para trás. Aliás, porque se for a pensar bem, onde é que vou encontrar filósofas giras para a aplicar. Não existem. Só umas quantas que têm apenas uma única coisa em comum comigo – o facto de gostarmos de mulheres.
Divago. Chega. Vou começar o ritual matinal como devia. Dois minutos para ver os danos da noite (e de mais de um quarto de século de existência) ao espelho. Preocupa-me o facto de ter a cara às manchas, mas rapidamente fico aliviado quando me lembro que ontem espirrei em frente ao espelho, quando me preparava para a festa. Uma limpeza com a fronha da almofada e cai o mito das manchas. Raios, o alto na testa não desapareceu, logo hoje que vou a uma inauguração no museu com o Hélder e depois tenho um jantar com uma decoradora muito interessante ou será ao contrário? Logo vejo.
Por instantes cedo ao sacrilégio de tentar erradicar o alto com a força das minhas mão. A dor traz-me mais um pouco da memória de volta. Não é uma borbulha, é a impressão que uma mala Prada deixou na minha testa. As mulheres, mesmo em ambientes sociais seleccionados reagem muito mal quando pensam que as palavras “prateleira”, “em cima do balcão” e “orgasmo” fazem parte de um piropo e não são apenas comentários à decoração do bar. Eu perdoo-lhe, como espero que ela perdoe ao tipo que trabalha no rent-a-car com quem saiu da festa. Talvez perceba que o Porsche em que saiu da festa não é dele ou aquela mala Prada vai perder o encanto em dois tempos.
Recupero o atraso. Banho, pequeno almoço nutritivo (quem disse que uma latinha de atum pela manhã não dá energia?), leitura rápida da Visão no WC e vamos a compor o ramalhete para estar fora de casa antes de almoço.
A campainha a esta hora da manhã??? Às onze e meia devem ter muita sorte...quem será?



Querem saber quem é? Que tipo de actividade profissional tem este parasita, que lhe permite levar uma vida de glamour sem remorsos? Descobrir se o Hélder é gay ou apenas panasca? Se a decoradora não tem afinal um curso de Filosofia da Univ. Independente? Se há mais na empregada moldava do que um mero parágrafo indica?

Tudo no próximo capítulo de “O meu blog foi mordido pelo Sexo e a Cidade”. Se não for morto pelo caminho é claro.