29.4.07

If it's pleasure i'm in, if it's business i'm out

Pois que tenho licença oficial para ainda fazer menos do que normalmente faço, um conceito interessante que pretendo explorar durante a próxima semana. Visto que alguns imperativos burocráticos não me deixaram ir atormentar outras nações (pagarão em Junho e a dobrar), ficarei a laurear a pevide por bandas de Portugal. Na volta vou a Santa Comba Dão, consta que aquilo está mt in agora...

Portanto, se é pândega, deboche e tropelias contem comigo, se é trabalho, esforço e dedicação, tentem na porta ao lado.

Assim sendo, tomem lá um sonzinho do Beck cujo título se refere à minha disponibilidade para contactos indesejáveis.

Beck - Cellphone's Dead

27.4.07

Fora da Jogada

Há coisas que não percebo, umas porque sou efectivamente limitado em certas matérias, outras porque estou nitidamente fora da jogada. O que é chato, porque sendo eu refinadamente curioso em fenómenos sociais, gosto de estar a par das jogadas, nem que seja apenas a vê-las das bancadas.
O episódio que a seguir descrevo passou-se ontem à noite no Metro, mais precisamente pelas 23h, na Linha Verde, conhecida por recolher tudo quanto é escumalha, do Cais Sodré a Telheiras, com paragem nalgumas estações nobres, numa das quais eu saio, não porque more aí mas para dar essa impressão, fazendo o resto do caminho a pé.
Mas, o interessante da questão passou-se antes, logo no início da jornada. Entra um trio, que não o Odemira, composto por um mitras nacional e duas franciús. O mitras, tinha tudo o que define um mitras jovem, tipo 18 anos. Ourivesaria suficiente para fazer frente às reservas de alguns países mais pequenos, ténis modernaços com amortecedores a condizer com os do carro tuning do seu irmão mais velho. A patilha com a espessura de um palito, possivelmente combinando com a densidade cerebral e aquele toque cool que só mastigar uma pastilha elástica a verem-se os pulmões confere.
Elas, francófonas, vinte e poucos, com ar de quem bebeu meio copo de cerveja e sente a cabeça a andar à volta. Ar de turista, não verifiquei a questão do pelito no sovaco (aliás mentalizei-me para não o fazer) e falando mais alto do que um grupo de entusiastas do violão que iam fazendo um mini concerto no banco ao lado.

Cenário: O mitras ia agarrado à maiorzinha como se ela fosse uma boia de salvação e ele se estivesse a afogar (creio até que era por isso que ela de vez em quando lhe fazia respiração boca a boca). As duas francesas iam falando entre elas, no seu dialecto local, percebendo eu que o mitras percebia tanto de francês como eu de física nuclear. Dizia a que não ia atracada, pelo que deduzi dos meus extensos conhecimentos do linguajar, que vão pouco além do croissant, baton, merci, rien ne va plus ou ils sont fous ces romains :

- Este gajo é um estúpido.
- Pois é, mas é giro – respondia a Miss do Mitras
- Que é que essa anormal diz? – perguntava o mitras
- Di que tu est stupid, mas elle avez inveja – arranhava a Miss do Mitras em tuga
- Ah é...vaca – retorquia o Mitras, pontapeando a invejosa tal e qual Ronaldo de Chelas.
- Vai pra merrda – retorquia a pontapeada fazendo lhe um gesto internacional que implica um dedo do meio.
- Vou é comer a tua irmã e tu a olhares – disse mais entredentes o mitras, rindo-se depois a bom som.
- Que foi? – perguntou Miss do Mitras que não deve ter percebido bem.
- A tua irmã é uma chata do c....lho é o q é
- Deixe la estar, trata é de mim – O mitras deve ter se sentido mal, porque a sua Miss tentou nessa altura tirar-lhe algo que lhe bloqueava a respiração com a língua.

Como é óbvio, os poucos livros que estavam a ser lidos na carruagem, os violões que tocavam lindas baladas e os leitores de mp3 ligados, há muito que tinham parado, para assistir a este 1º acto do “Mitras das Dames de Paris”.
No entanto, não se soube como ia acabar este lindo triunvirato, já que por alturas da Alameda, esta troupe lá saiu, com o Mitras a dar caldos à irmã, a irmã a chamar-lhe algo que de certeza não era Napoleão Bonaparte e a Miss a mostrar que a lapa não é apenas um molusco exclusivo de Portugal.
No final, só não percebi quem estava a enganar quem, quem iria rir no fim e se alguma delas viria a ser sopeira em Portugal, se o Mitras chegaria a trolha em frança ou se há um grupo de teatro urbano com um conceito surpreendente.

26.4.07

Porque eu acredito num mundo melhor (em termos de cinismo pelo menos)

Sim, tem oito minutos. Sim, uma boa parte de quem vir isto não vai achar piada nenhuma. Sim, eu gosto dos pobrezinhos (ou não fosse um deles). Sim, falta-me um bocadinho o tempo para escrever...Ah e sim, acho isto realmente bom, engraçado, etc e tal.

Não, não estou fortemente medicado.

24.4.07

Crimes de circunstância

Não sou gajo de fretes. Faço as maiores parvoíces de livre vontade, com ânimo e alegria, mas assim que noto a palavra “obrigação”, mesmo que disfarçada por termos como “favor”, “tem de ser”, “vais ter que ir” ou “aguardente de medronho”, custa-me muito aceitar ou fazer o que quer que seja.
O mesmo se aplica em relação às chamadas conversas de circunstância, que para mim equiivalem a preciosos minutos de vida desperdiçados em coisas que não levam a lado nenhum. As pessoas, traço geral, têm medo do silêncio, especialmente quando não estão à vontade. Sentem-se na necessidade de dizer o que quer que seja, para “criar ambiente”, mesmo quando tal não é necessário, acabando por torná-lo mais vazio do que se estivessem caladinhas. Nunca se ouviu dizer, “Epá vim agora de um elevador onde o ambiente e a conversa estavam fantásticos” ou “Caramba, nunca me diverti tanto, como nos dois minutos de conversa que tive na paragem de autocarro antes de chegar ao emprego”. Já o contrário...isso já é bem mais real.
Mas, quem diz conversas de circunstância com desconhecidos, diz também com “conhecidos de circunstância”. Estes espécimes são para mim aquelas pessoas que, em dado momento das nossas vidas (escola, residência, trabalho, outros) partilharam um espaço físico connosco, do qual derivou uma convivência, mesmo que reduzida a quatro ou cinco palavras diárias.
Não ficaram nossos amigos, não partilhámos mais que duas conversas coerentes, nem sequer pasta de dentes na casa de banho, mas por alguma razão, quando essas pessoas por vezes nos encontram noutro contexto, são de repente grandes parceiros de conversa. “Como estás?”, “Que é feito”, “Já casaste / tiveste filhos / foste a Fátima de joelhos”, “Tens visto o/a/os/as”, “Lembras-te de...”, Nunca mais viste/estiveste/foste/fumaste...” são perguntas clássicas deste tipo de encontros, em que um parece uma hiena ávida de informação e o outro o Bruce Lee, tal é a rapidez com que se desvia dos golpes.
São minutos de tortura, às vezes para ambos, já que começaram por cortesia e agora estão presos nas malhas da conversa da tanga, sem se conseguirem soltar enquanto não surge uma desculpa tão plausível como “Olha, esqueci-me da pinça para aparar os pêlos do nariz em casa, tenho de ir, depois (estilo no dia em que nevar no Inferno) falamos.
Facilito a vida a todos os que me conhecem, nem que seja de vista. Se não têm mesmo vontade de falar comigo (admite-se repulsa) e se desconfiam que eu sou gajo para pensar o mesmo de vocês, não se sintam obrigados a fazê-lo. Eu até agradeço e, pelo menos para mim, o mundo será um sítio melhor para viver.

PS – Morreu o Ieltsin. Cá para mim os tipos do KGB misturaram-lhe água no vodka. É pena, era um russo até à última gota.

PSS – O Eusébio foi operado e parece que a coisa correu bem, o que é de saudar. No estado em que o Benfica anda, não sei se não é melhor deixarem a cama do hospital de prevenção.

23.4.07

A razão de paciente e doente serem sinónimos

O mundo muda cada vez mais depressa, isso não há por onde contestar. Cada vez o nosso tempo dá para menos ou melhor, dá para o mesmo que dava antes, mas agora existem mais três mil coisas para fazer, para experimentar, etc e tal.
A paciência, que em tempos chegou a ser uma virtude, hoje em dia foi ultrapassada, pela satisfação imediata. Quem é quer esperar para ter aquilo a que julga ter direito, se pode ter já alguma coisa, mesmo que inferior ou não tão necessária?
És paciente, acreditas muito mais no “quem espera sempre alcança” do que no “quem espera desespera”? Então põe-te no fundo da fila e vai vendo a banda passar, o Sócrates a tirar cursos e, quando deres por isso, já és um tapete e não parte da fila.
Acorda para a vida jovem, esquece lá essa história do aguardar a hora certa. A hora já ali vai à frente, se correres pode ser que ainda a apanhes, coisa que não vai acontecer se continuares a perder o teu tempo em blogs idiotas.
Não queiras acabar como a Paciência que, da última vez que a vi, fazia coros em concertos do Nel Monteiro, enquanto está a tentar fazer parte do programa de certificação de competências Novas Oportunidades. Diz que está a ver se lhe reconhecem a experiência profissional para ver se pode começar a trabalhar como Ambição. Se não conseguir olha, paciência...

Aguenta aí os cavalos

Um clássico em rotação de uma banda que por acaso não sou grande fã, mas que nesta música acerta na mouche, sabe-se lá se inspirada pela inalação das cinzas de algum parente do Keith Richards.


Rolling Stones (um cover de um original da cantora de soul Irma Thomas) - Time is on my side.


Amanhã falaremos de um fenómeno que tem a ver com este tema. Até lá, paciência.

19.4.07

A febre do futebol



Hoje sinto-me particularmente português. Não porque tenha acabado de falsificar qualquer certificado de conclusão de um curso universitário, mas porque vou à bola. Apesar de entusiasta do desporto, não vou com frequência a estádios talvez porque para dar dinheiro para a subsistência de animais, por norma prefiro fazê-lo no Jardim Zoológico. Mas, hoje resolvi dar uma folga ao meu lado racional e vou libertar os meus instintos primários durante 90 minutos (ou até 120).
Como qualquer português, sinto-me optimista antes daquilo começar, prevejo o terror durante o evento e tenho já alinhada a saída do conformismo caso a coisa corra mal ou a bazófia do vencedor caso tenha motivos para isso.
Não torcendo por um chamado clube grande, estou habituado ao sofrimento contínuo. Mas, porque sou genuinamente adepto do Belenenses (um dos três com menos de 60 anos), sinto estes momentos como aquele gajo que vê um raio de sol quando o céu está todo cinzento e acredita que vai ser um dia maravilha.
Pode ser que apanhe uma molha, pode ser que a coisa corra bem, logo se vê. Entretanto, o último a chegar a Belém é um pastel.

PS – Atenção, uma conversa que eu não gosto nada é aquela do “Ah, o Belenenses é um clube muito simpático, gosto imenso dele, é o meu segundo clube, etc e tal”.
Meus caros, qd se descreve alguém como simpático é tipo o mal menor e ser um segundo clube tem o charme de “Ah, esta é a minha mulher suplente, também gosto imenso dela quando não estou com a outra”. É certo que há excepções mas, nesse capítulo, há uma critério muito estreito...

PSS – E não consulto nada a trampa do Infordesporto, não tive foi pachorra para procurar outra imagem.

17.4.07

Não lembra ao Bandemónio

Já tínhamos levado com ele a referir que estava efectivamente ali, ao serviço do Crédito Habitação de uma instituição bancária, se bem que a meu ver faltava ali uma achega na música, que se deveria chamar “Eu estou aqui A MAIS”.
Não contente, o mui grave e profundo Abrunho(sa) faz a recarga (energética) dedicando uma faixa literalmente brilhante a favor da poupança e da eficiência da EDP. “Ilumina-me” é o nome e eu, cada vez que a oiço, vejo tudo a negro e ao contrário desse eloquente bardo, nem preciso de ter óculos escuros postos.
Pelo andamento do cenário, mal aguardo com ansiedade um tema pungente e apelativo para outra campanha, quiçá um “Alivia-me” para um renomado laxante.
Amigo Pedro, oiça este meu apelo sincero: não ponho sequer em causa o seu lugar num alto patamar da música nacional, pois se ainda não atiraram o Represas e o Miguel Ângelo do mesmo, pode estar aí sossegadinho que não é menos que essa gente. Não me venha é impingir nada pelo meio, que a gerência agradece e os meus ouvidos aplaudem.

16.4.07

Quem conta um conto, ao menos que valha a porra de um ponto

Sofro de um mal a que alguns chamam gostar de ler. Surgiu-me desde petiz e, por mais voltas que dê, não desaparece. Já tentei curas de Floribella, de Playstation, de desvarios nocturnos, mas nada resulta e mal me apanho com tempo, lá vai mais um livrinho.
Como já percebi que mais depressa deixo crescer um bigode do que deixo de ler, já desisti de tentar ser um português tradicional, lendo apenas “as gordas” do jornal, metade de um gratuito e, ocasionalmente, comprando um livro bonito para ter na estante lá em casa.
Um género de livros que ultimamente tenho consumido, têm sido os livros de contos, tanto porque me interessa o tipo de escrita dos mesmos, como procurava assim umas coisas diferentes, tanto ao nível de autores, como de temáticas.
Até agora, depois de uns quantos exemplares, tenho ficado algo desiludido, sendo que um deles “Idiotas” de seu nome (não confundir com “O Idiota” e, por sua vez, não confundir comigo), me deixou amargurado por só ter percebido no fim que o título se referia aos monos que compravam o livro.
Para além das inúmeras edições de reciclados/restos de obras de grandes autores, que são compilados no formato de livro de contos, dos quais se aproveita uma escassa percentagem (tenho lá dois em espera, pode ser que me engane), tenho notado que não há por aí muita oferta sedutora na área. Nalguns, as temáticas são boas, mas os contos escolhidos pecam no enredo ou na conclusão, noutros a escrita é boa mas falta ali qualquer coisa que não faça a coisa parecer que estamos a comer daquelas fatias de queijo envolvidas em celofane. Sim, tirar o celofane ajuda, mas o queijo continuará a ser pouco saboroso e com ar falso.
Creio que, focando no panorama nacional, fazem falta pessoas que saibam contar pequenas histórias interessantes, sobre temas diferentes e que prendam as pessoas, sem serem épicos teatrais, histórias para crianças ou literatura light, isto é, verdadeiras short stories. Também podia falar em argumentistas, mas isso iria ser outro rosário...
Por isso, se até lês umas coisas e gostas de opinar, recomenda-me livros de contos e, se tiverem qualidade, sou gajo para te ficar em dívida eternamente (é uma maneira simpática de dizer nunca te vou pagar, caso tenhas delírios de grandeza).

14.4.07

Democracia is - The wrong way

Depois de inúmeros mails de ódio e blasfémia contra o facto de a música do blog não só ser de qualidade duvidosa como também ser incessante e cansativa (um pouco à imagem dos seus criadores), eis uma inovação: agora já podem desligar a música. Infelizmente, desligar o gajo que escreve ainda não é viável, mas não se pode ter tudo.

A rodar, para fazer companhia ao bom tempo, um clássico que já não se repete (muito por culpa do vocalista, que se enrolou com uma overdose):

Sublime - Wrong way

12.4.07

Esclarecimento sobre percurso escolar e derivados

Sendo eu ambicioso, para evitar males maiores no futuro quero avançar, a título de esclarecimento voluntário e em função de possíveis cargos que venha a desempenhar, a seguinte informação:

- Na escola primária piquei um dedo para fazer sangue, porque isso fazia impressão a uma jovem coleguinha. No entanto, isso não funcionou como favorecimento quando a beijei três ou quatro anos mais tarde. Também não usei da minha influência para receber um pacote de leite com chocolate adicional, apesar de admitir de que cheguei a negociar lanches em troca desse mesmo pacote. O facto de ter tido as orelhas puxadas pela professora por essa actividade prova que não houve conivência da instituição.

- Já na escola preparatória, confesso que usei os meus conhecimentos junto da comunidade gitana para não ser envolvido em desfalques efectuados pela mesma a outros jovens alunos. No entanto, admito ter batido em dois ou três escuteiros, só por puro desporto, não para obter vantagens académicas nas aulas ou facilitismos junto dos seus pais, alguns deles funcionários na escola.

- No ensino secundário, confesso que deixei o Calado copiar por mim num teste de biologia do 9º ano, que lhe permitiu passar de ano. Talvez por ser três ou quatro anos mais novo, na altura não me apercebi do mal que fazia, contudo não fui favorecido nem sequer com um bilhetinho para jogos do Estrela da Amadora ou do Benfica ou até mesmo para concertos dos Excesso. Tive uma nota rectificada na secretaria, mas isso foi só porque a vaca da professora de História foi incorrecta com o meu percurso imaculado e me queria lixar a média do 12º anos. O facto de ter grandes amigos na Pedreira dos Húngaros não teve nada a ver com essa rectificação ter sido aprovada pelo Conselho Directivo.

- Chegado à Universidade, quero aqui admitir que escolhi todos os cursos na mesma universidade, porque queria mesmo entrar ali e sabia que dava para trocar de curso no final do 2º ano, visto que todas as cadeiras eram gerais. Daí que os dois primeiros anos em Antropologia se justificam pelo facto de ter preenchido o impresso por ordem alfabética dos cursos. Não foi correcto, não me orgulho da falta de critério, mas assumo aqui a minha falha. Quero ainda dizer que usei de esquemas financeiros para subsidiar a minha viagem de finalistas, mas nada teve a ver com o sorriso largo que a decana professora de Relações Públicas ostentou durante o mês de Março de 1999. Esses esquemas resumiram-se à venda “à margem das vias tradicionais” de tabaco em recinto da faculdade e ao recebimento de um incentivo monetário da reitoria da mesma, para que não se realizasse uma festa no recinto universitário, ao qual cedi a interesse de todos.

- Participei ainda no furto de um croissant misto no bar, embora não se tenha provado nada (nem sequer o dito cujo) e posso ter adulterado algumas senhas de bebidas alcoólicas para vender em festas organizadas na universidade, mas respondo agora o que disse na altura “Foi um tipo de barbas que foi em direcção às casas de banho mesmo agora”. Nos matraquilhos fui sempre leal e honesto, sem bem que blasfemo em muitas ocasiões, nunca usando o facto de ter trucidado dois ou três profs nas mesas em minha vantagem.

- Nunca usei cábulas, por ser demasiado preguiçoso, mas cheguei a levar livros inteiros para “consultas” esporádicas. Passei a Matemática copiando de forma indecente, mas foi em sinal de protesto por ser obrigado a ter essa cadeira infame num curso de letras. O facto de eu e um colega meu termos os testes exactamente iguais por duas vezes e termos tido notas diferentes das duas vezes, faz-me pensar que os testes nem foram vistos, por isso não beneficiei nada ao fim ao cabo.


Traço geral por agora é isto, mas reservo-me alguns acrescentos, caso a RTP ou outros meios de comunicação comcem a investigar onde não devem.

11.4.07

Nada a declarar

É triste ver que hoje, Dia Mundial da Doença de Parkinson, um cenário definitivo de cura para esta doença ainda está muito tremido.

Tragicamente, o recordista mundial de apneia deu o seu último fôlego durante um treino.

Esta história da Ribeira dos Milagres já cheira mal e, não tarda nada, a Ribeira vai mesmo com os porcos.

10.4.07

Cabeça na lua

Quando era mais pequeno tinha um grande amigo que era franzino e toda a gente gozava com ele por isso. Não o via há anos, mas encontrei-o há dias.
Agora tem cabedal, mas diz que lhe saiu da pele, tudo isto para ser porteiro numa discoteca. Disse-me que era o seu sonho, porque cedo percebeu que gostava de se deitar tarde.
Pensei que estava a entrar comigo, mas afinal era verdade, entrei sozinho e ele ficou à porta.
Realmente, há pessoas que mudam do dia para a noite.

8.4.07

Ninguém sai a ganhar

Não sendo um hino ao Neca, também lhe fica muito bem. Mas, porque não há necessidade de ser redutor, fica uma música dedicada a todos aqueles que nunca saem a ganhar.

Fischerspooner - Never win

A ressurreição não se Neca a ninguém




Sendo um tipo atento às lides do futebol, para além da observação de estorninhos, achei que já era altura de uma pequena homenagem ao mítico Professor Neca. Quem sabe de bola, conhece o indivíduo, quem não conhece perguntará porque raio este sósia de Dupond & Dupont merece honras de destaque neste pasquim na quadra pascal?

A resposta é fácil: porque quem deixa que o tratem por Neca com aquela idade, quem tem um bigode daqueles e tem de impôr respeito em balneários de equipas de futebol menos afamadas ao longo de uma carreira inteira, quem arranja maneira de se reinventar como treinador, apesar do sucesso obtido ser mais escasso do que água no Sahara, simplesmente merece a oportunidade de uma ressurreição.

Como disse ontem o próprio, depois de uma das raras vitórias do emblema que dirige: "Tem sido um calvário difícil".

Claro que tem Neca, caso não saibas se fosse fácil não era um calvário e um mundo sem calvários é como um futebol sem Necas, muito melhor, mas altamente entediante.

5.4.07

Sempre a partir

Quando o nosso “Cartão Lisboa Viva” (não podiam ter escolhido nome menos lírico) começa a dar problemas, não passando nos acessos ao metro sem que antes tenhamos de ser insultados pelos 228 animais que estão atrás de nós à espera que consigamos validar a passagem, não funcionando nos autocarros, fazendo com que o motorista nos chame “Ó chefe, veja que o cartão não deu verde” e fique com a sensação de que sou um delinquente (mesmo que seja verdade, não fica bem admiti-lo), será que chegou a hora de vermos o que se passa com ele, já que está dentro do prazo?

Sim, creio que sim.

Tentando saber porque o meu “Cartão Lisboa Morto Vivo” não estava de saúde fui a um posto do Metro, onde o vendem, o recarregam e, de muito longe em longe, o entregam com um sorriso. Expus o meu caso: “Olhe, tenho tido problemas com o cartão, não passa nos acessos e não sei o que se passa, porque está dentro da validade e eu carreguei o passe o mês passado”.

A senhora, mostrando a destreza manual e a sensibilidade de um talhante, começa a dobrar o cartão de uma maneira que me pareceu perigosa para a integridade do mesmo, avançando: “Pois, é natural, ele está aqui um bocadinho partido na zona do chip”.
Antes que eu tivesse tempo de protestar, dizendo que com aquela mãozinha de lenhador ele não ia melhorar de certeza, eis que oiço um barulho fatídico e, sem ver o milagre da multiplicação dos pães, vi o da duplicação dos cartões, já que o meu estava agora em dois bocados nas mãos do Orc. “Vê, eu a falar e isso a acontecer. Estava mesmo nas últimas”. Estupefacto, porque o cartão apesar de não estar imaculado também não estava partido antes de lá ir, fiquei paralisado. Possivelmente o meu inconsciente disse-me: “Fica caladinho, que ainda segues o mesmo caminho do cartão”.
Só consegui avançar um incrédulo “Então e agora?”. A senhora, sorrindo, avançou “Agora, faz outro”.

Por isso, já sabem, o velho conceito do “Se tem problemas ou está partido nós arranjamos” foi substituído pelo “Se tem problemas, nós partimos e você arranja-se”. Mal posso esperar por ir renovar o multibanco para a semana, onde menos do que queimarem um molho de notas com um fósforo à minha frente e ficarei algo desiludido.

3.4.07

Episódio fatal

Com tanta gente disposta a matar por mais uns episódios do Dr. House, da Anatomia de Grey, do Prision Break, do Lost, do 24, 35, 38, 40, 43, 45 e do suplementar 12, do Nip Tuck, do OZ, do Heroes, do Sexo e a Cidade, do CSI Las Vegas, Miami, NY, Bobadela e Lagarteiro e, quem sabe, do Super Pai com Luís Esparteiro ou Médico de Família com o inigualável Fernando Luís há uma coisa que me preocupa:

Os assassinos em séries irão aumentar?

1.4.07

Sai uma de pressão

Ou, "Rescaldo de um dia de flashes televisivos"

Na sequência dos dez minutos que o estômago me permitiu ver os Bobos de Ouro da Sic, retive uma nota: alguém explica à jovem estarola que encantou pequenos e graúdos em Portugal e dois leprosos no Sri Lanka como Floribela que a novela já acabou e que aquele cenário todo de candura e melaço me parece tão inocente como o Valentim Loureiro. Jovem, podes voltar a ser normal, caso alguma vez tenhas sido, se não tiveres, experimenta, vais ver que não é pior do que beijar um cotonete ruivo com barba.

Dos cinco minutos perdidos a tentar perceber quem eram as Belas e quem eram os Mestres, tendo finalmente percebido que é mais fácil encontrar um fã do Tony Carreira com os dentes todos do que perceber o interesse do programa eis a recomendação: alguém explica à jovem Iva qualquer coisa, que não se decide ali o futuro da humanidade e que não é preciso compensar o facto de não se conseguir arrasar os tímpanos de toda a gente como a Júlia Pinheiro com uma atitude a la Fátima Campos Ferreira, mas num programa em que os prós meteram férias e ficaram só os contras?

Dos dez minutos a ver o “Só Visto” à espera do Lost, percebi finalmente o que é um pé de microfone humano (vulgo miúda com palminho de cara/corpo a quem põem um microfone na mão a fazer perguntas formatadas a celebridades formatadas). Já o rapaz, o jovem Daniel, aparenta ser de facto boa pessoa. E tenta que toda a gente que entrevista se sinta boa pessoa, num programa para boas pessoas. E isso, é profundamente irritante, apesar de neste caso o gajo ser tão bom a fazê-lo que até parece genuíno. Por isso miúdo, estou a contar contigo, para apareceres aí na capa do 24 horas numa escandaleira valente, até te deixo escolher o mote: sexo, dinheiro ou drogas. É que assim ainda te arriscas a ser o primeiro apresentador de TV a ser canonizado.

Em traço final, quero apenas pedir desculpa aos meus três neurónios. Depois de tudo o que têm feito por mim, submetê-los a esta tortura domingueira não foi justo. Se bem que agora até querem fazer um reality show com umas feromonas que conheceram...