31.1.07

Crise de valores ou como escolher bem os amigos

Dizia eu para os meus botões no debate semanal que costumamos fazer que, hoje em dia, em termos de amizades os valores estão todos desajustados e o problema já não é de agora. Se não fosse assim, porque raio é que:

O cão é o melhor amigo do homem
Os diamantes são os melhores amigos das mulheres

Sem menosprezo pelo Bobby, parece-me que há aqui uma pequena disparidade e não é a favor da minha equipa. É que, se o melhor amigo do homem fosse o lingote de ouro e o das mulheres o hamster, não me parece que houvesse muita mulher satisfeita com o sistema.
Por isso, se há votações para tudo e mais alguma coisa, que se elejam os melhores amigos para cada um dos sexos. Eu sei que ainda me arrisco a ter a surpresa de levar com “A Bola” como melhor amiga, mas as senhoras que se acautelem, o “massajador facial La Redoute” tem feito amizades em muitos sítios por onde tem passado.

Nu Sound

Recuperando uma faixa que é assim a modos que um amor antigo:

Depeche Mode - Stripped


PS - A escolha do tema não tem nada a ver com o facto de ter encontrado um par de algemas perdido enquanto fazia arrumações. Eu nem me lembro de a polícia alguma vez cá ter vindo a casa...

29.1.07

Post estúpido não, Stupid Post if you please

Os Compota de Pérola, Jardim do Som, Os Riscas Brancas, Milho, Rapazes Bestiais, Nico das Cavernas e as Más Sementes ou Colina dos Ciprestes. Sem pensar muito, encontram-se num instante dezenas de nomes de bandas de nomeada que, se tivessem nascido em Portugal, com esse nome arriscavam-se a acabar como banda residente da Praça da Alegria ou a fazer backup ao Paulo Gonzo.
A verdade é que, nessa área, grande parte de termos/expressões soam melhor em inglês, mesmo que o signifcado seja igualmente idiota. Provavelmente, isto deve-se ao facto de sermos bombardeados com cultura/música anglófona desde há muito tempo e já estarmos habituados. Por mim, tudo bem, mas acho que não custava nada a certas bandas actualizarem-se e tornarem-se um pouco mais como direi, charming.
Ok, já temos os Blasted Mechanism, os Gift, os Blind Zero, já tivemos os Silence4, os Coldfinger, o Toy (ok, este é dúbio, mas o Toy não faz sentido seja em que língua for). Se repararem, os nomes continuam a ser algo idiotas, mas têm outro glamour, outro vibe.
Por isso, deixo aqui umas sugestões para os que ainda têm oportunidade de ganhar estatuto e se internacionalizarem e também dicas que podiam ter salvo carreiras musicais:


Adelaide Blacksmith (se sempre teve pinta disso, porque não aproveitar)

Mark Paul (Porquê ser cantor de referência apenas em Portugal, se há um Sean Paul ou um Mark Anthony a bombarem lá fora)

Kicks & Blows (embora olhando para o Tim, o único que já tem nome internacional, qualquer kick ou blow adicional e o homem rebenta)

Dark Gold Duo – com uns toques de hip hop e o êxito “I’m gonna take u with me my brotha” teria ecoado até no Bronx. Já o Raúl Indipwo continuaria estranho em qualquer lugar.

Lost Tare – Mau por mau, assim, pelos menos as pessoas ainda ficavam na dúvida, já que em português esta podia ser a banda sonora do Parque Eduardo VII.


E nem me façam falar de títulos de filmes...

27.1.07

Can you hear me?

Mostrando que neste blog, musicalmente falando, a coerência folga 7 dias por semana, eis que chega novo tema:

Nick Cave & The Bad Seeds - Into my arms

26.1.07

Corte e costura




De facto, ninguém diria que foi tudo por causa de um fato. Mas foi, e eu sabia com que linhas me cosia quando procurei aquele alfaiate, que todos conheciam por não dar ponto sem nó. Mas, porque até no melhor pano cai a nódoa, resolvi ir ter com ele e tirar as coisas a limpo.
Ele bem tentou apanhar-me com as calças na mão, mas nunca perdi o fio à meada e às tantas, visto que eu queria um fato e ele me estava a dar uma tanga, resolvi tirar as luvas e dizer umas verdades áquele vira-casacas.
Depois de falar com os meus botões e lhes ter dito que estava farto de apertar o cinto sem ver resultados, comecei a lavar roupa suja com o alfaiate e aquilo deu pano para mangas. Mas não chegava e só depois de horas a cortar na casaca, é que de facto chegámos à conclusão que não ia haver um fato.
Era a verdade, nua e crua e eu, despido de preconceitos e também de um fato que nunca o chegou a ser e vim-me embora de mãos a abanar. Saí de lá a correr e vinha de cabeça quente, não por causa do facto de não ter fato, mas por ter a certeza que de alguma maneira me enfiaram um barrete...

25.1.07

Macacadas

Mudando de registo, tomem lá Gorillaz - Latin Simone

24.1.07

O Estado da nação

Em conversa, calhou a propósito de qualquer coisa, dizerem-me que sou arrogante, egocêntrico, chico-esperto, fala-barato, mal-dizente, mentiroso, manipulador e, em suma, irritante.
Confesso que fiquei sem saber o que dizer, tendo até corado, o que é raro em mim (porque também sou frio). Afinal de contas, não estou habituado a que me gabem as qualidades desta maneira. Especialmente a minha mãe.

22.1.07

E viveram felizes para sempre, tirando os terceiros sábados de cada mês



Gosto de finais inesperados, de conclusões imprevistas, de desfechos imprevisíveis e de muitos outros sinónimos destas expressões. Daí o facto de não ir à bola com os chamados finais felizes, não porque tenha alguma coisa contra a felicidade, mas porque para além de serem excessivamente melosos, não são finais porque se arrastam indefinidadmente e são, muito possivelmente, falsos.
Não me vou pôr aqui a divagar sobre casos reais, porque na realidade é tão fácil comprovar a minha teoria que nem sequer vale a pena o esforço. A não ser que me peçam a opinião sobre as pessoas que dizem viver um conto de fadas. É que eu acredito plenamente nisso, mas só na dimensão em que penso ser possível que existam burros que falam e monstros de anorak vermelho que comem criancinhas.
O que me leva até ao que me interessa: a descontextualização dos contos de fadas tradicionais em relação à sociedade actual. Se queremos entreter as crianças, também temos que as educar e dar-lhes uma perspectiva do que é o mundo real. Se não o fizermos, das duas uma: ou criamos tótós ingénuos que vão levar bordoada até aprenderem ou fazemos com que cresçam ressabiados e que, lá mais à frente, nos façam pagar por isso.
Deste modo, deixo aqui uma proposta de alteração para um dos principais contos de fadas de todos os tempos, a Branca de Neve:

Depois de uma fase inicial do casamento em que tudo correu bem, Branca de Neve começou a sentir-se sozinha, pois o príncipe passava os dias em viagens diplomáticas, corridas de cavalos e jogos de pólo. Caiu em tentação e seduziu um anão e depois outro e outro, até ter a caderneta dos sete completa. Mas, corroída pelo remorso procurou o príncipe num dos dias em que ele estava nos estábulos reais, para lhe contar a verdade e pedir perdão.
Foi com choque e amargura que descobriu que ele andava envolvido com um moço de estrebaria, pelo que afogou a sua mágoa na comida, mais propriamente em tartes de maçã, um gosto que lhe tinha ficado desde os tempos em que tinha sido envenenada.
Algumas tartes de maçã e muitos quilos depois, Branca de Neve calhou a descobrir o espelho mágico que tinha sido de sua madrasta. Colocando a pergunta “Espelho, espelho meu, há alguém mais bela do que eu?” por pouco não partiu o espelho com a fúria, pois este teve um genuíno ataque de riso e respondeu-lhe “De facto, não conheço baleia mais formosa do que tu”.
Apesar de um humor de fazer inveja ao Fernando Rocha, o espelho teve o condão de acordar Branca de Neve para a vida. Era ainda jovem e queria recuperar a forma. Por isso, com uma dieta a que chamou “Dieta do espelho” e o apoio de um personal trainer, com o qual também se envolveu romanticamente assim que deixou de haver o perigo de ele sufocar com o peso dela, Branca de Neve voltou às formas voluptuosas que a tinham celebrizado.
Vendeu o livro de dietas com o seu caso, ganhou independência financeira, processou o príncipe por danos morais e exaustão emocional e este, embevecido como estava por Chico Selas, moço de estrebaria, rapidamente resolveu a questão com um acordo financeiro cujos dados não foram revelados.
Hoje em dia, Branca de Neve vive na Lapa com o seu personal trainer, anão por sinal, um gosto que lhe tinha ficado desde os seus tempos tórridos na floresta e, apesar de uma ou outra quebra por causa de um strudel de maçã, pretende viver feliz até se engasgar com outro fruto qualquer. Já o Príncipe não continuou com o Chico muito tempo, devido à dependência que este tinha em relação às drogas e à Floribella. No entanto, vive feliz no Príncipe Real, onde abriu um bar, o Realmente, muito em voga entre a comunidade gay.
Quanto ao espelho, criou um programa de humor “O Espelho Pestilento” e granjeou sucesso, estando até nomeado para o top dos dez melhores espelhos mágicos de sempre, uma iniciativa organizada por Joaquim de Almeida, que curiosamente nunca precisou de espelho mágico, pois responde ele próprio às questões que põe “Sim, és o maior”, “Melhor que tu, não há de certeza”, “Estás cada vez mais pujante, Joaquim”.

21.1.07

Back on track

Podem já não ser novidade, mas o facto é que os Nine Inch Nails vêm a Portugal pela primeira vez e é já em Fevereiro, para uma série de concertos de embarda, para matar a fome e abrir a tournée europeia.

E, sendo assim, visto que neste blog a democracia ainda é um conceito um bocado vago, lá vão ter que levar com mais um tema escolhido pela gerência:

Nine Inch Nails - The great below

17.1.07

Síndrome do Messenger, diz que é virtual diz




Embora não tendo a certeza, sou gajo para apostar que o verdadeiro 3º Segredo de Fátima é o advento do Messenger. Em boa parte, isso explicaria porque a Irmã Lúcia não estrebuchou muito na sua vida de clausura e se remeteu ao silêncio. Achava todo o conforto que precisava no Senhor, no Puto Jonas e na PussyGalore, com quem teclava há alguns anos no retiro da sua cela, através do portátil oferecido ainda por João Paulo II, ou melhor, CraCOviA_Ninja, seu nick de sempre.
Depois deste prelúdio, em que devo ter condenado a minha pessoa e toda as gerações vindouras ao fogo dos infernos, falemos então do Síndrome do Messenger. Esta ferramenta, em grande parte, veio mudar um pouco a rede das relações entre pessoas. Permitiu que se mantivesse contacto regular com malta que dantes só se encontrava de quando em vez, que os tímidos tivessem uma arma para os ajudar a não irem sempre sozinhos ao cinema, que agora se tenham amigos que nunca se viu em carne e osso, que os forretas não dêem tantos toques e “kolmis” para os telemóveis e digam tudo o que têm a dizer sem terem que fazer maratonas para conseguir fazê-lo em menos de um minuto.
No campo sentimental também muito engate se tenta fazer via msn, embora por vezes a emenda seja pior que o soneto escrito no meio de smilies, “lols”, “rotfls” e muitos “k’s” semeados pelo texto. No entanto, muito fuzileiro tem encontrado a sua alma gémea em meninas da Escola Secundária de Manhufe e divorciadas quarentonas têm dado explicações a jovens estudantes, por esse processo.
Mas, e se não houvesse um mas este texto não faria sentido, com as suas virtudes o Messenger trouxe também uma caixa de Pandora virtual. As neuroses ou melhor, o Síndrome do Messenger.
Quem esteja online regularmente assiste agora a espectáculos virtuais de grande nível, como o de gente que não compreende que estar online n é sinónimo de estar num guichet à espera de pessoas para atender. Dir-me-às tu, leitor sabichão “Ah, mas tens os símbolos a dizer que estás ocupado”. Certo e tu também nunca atravessaste a rua com o semáforo vermelho 200 mil vezes.
Irritado com a minha resposta, decerto vais retorquir “Então porque é que ligas o msn?”. E eu, do alto da minha sapiência condescendente, sorrirei dizendo: “Porque me apetece”, contribuindo para elevar o tom da discussão.
A verdade é que não tenho problema nenhum em estar contactável no MSN, mesmo em horas de trabalho, sendo que só respondo quando posso (ou quando quero). Só que me irritam um pouco, certos dramas que surgem online dos quais passo a orientar um exemplo:

W: Então, tudo bem? (passam 10 segs)
W: Como é, não respondes? (mais 10 segs)
W: Tudo bem, não queres falar podes dizer (mais 10 segs)
W: Sim, não precisas de fazer drama. Estás chateado, mais vale que me digas o que tens a dizer. (mais 10 segs)
W: Não suporto essa tua atitude. Ficas a remoer nas coisas até não poderes mais (mais 10 segs)
W: Olha, estou farto. Quando achares que deves falar, sabes onde me encontrar (fica offline)
(entra online)
W: Estive a pensar, se calhar falei sem pensar. É melhor esquecermos isto... (mais 10 segs)
W: Está bem?
S: Oi, vim agora do almoço, esquecer-me do quê?

Como disse, este é só um exemplo, os quais nascem como malmequeres em prado cibernético. Online é sinónimo de disponível para muita gente e, como tal, se não estamos à altura, vai haver sarilho. A par desta neurose, três outros pequenos apontamentos que deixo, enquanto preparo um compêndio sobre o tema:

A)A malta que acha que o nome não chega para se identificarem. É preciso acrescentar uma citação profunda que reflicta toda a sua ponderação, inteligência, visão desiludida, amor pelo próximo ou gosto por livros do Paulo Coelho. Coisas que nos fazem reflectir e dar um valor acrescentado às pessoas que conhecemos e fazem um modo de vida de expressões como: “A beleza está nos olhos de quem a vê e eu devo ser ceguinho” ou coisa parecida.

B) A malta que acha que o nick do MSN é um calendário de actividades. É gente que pensa que estar online é partilhar tudo o que fazemos com a nossa comunidade virtual. Seja “Venceslau - Maldita hora em que comi 3 pratos de feijoada” ou “Felismina – O instrutor de Pilates é uma nódoa nos preliminares”, diariamente assistimos a um desfile de actividades, muitas das quais sofrem da mesma graciosidade de “NeLiTO – FonIx, a avó foi passada a ferro pelo BUS”. Folgo em saber o que estão a fazer, mas prefiro sabê-lo quando o perguntar...

C) O Dr. Mono e o Mr. LOL - Esta é o clássico. O pessoal que se transmuta de alguém calmo, discreto e consciente para um rei da galhofa, do bitaite lascivo, da piada fácil, da matraca incessante e do diálogo maroto, como se sofresse de dupla personalidada. Eu ao menos sou coerente, sou ruim ao vivo e online.




Resumindo, chegou uma nova era e, quem não se orientar, que me procure no Messenger e eu explico tudo muito bem explicadinho. Se eu não responder, podem sempre deixar de falar comigo. É capaz de ser propositado.

16.1.07

Continuando a arejar o baú

Apesar de insistirem em afogar-me em trabalho, eu resisto, tal como esta música.

Directamente do século passado, Temple of the Dog - Hunger Strike.

Quem não gostar, este estabelecimento possui email de reclamações.

11.1.07

A ganir na loja

Em honra ao tema do dia, roda no estaminé:

Eagles of Death Metal - Poor Doggie

Perdoai Senhor, que o cão não tem culpa

Nos dias que correm, cada vez me identifico mais com aqueles que dizem que a vida é um passeio, isto se vir a coisa do prisma em que podemos encontrar merda a cada esquina.
Para todos os que, como eu, não tenham tido a oportunidade de cumprir o serviço militar, andar agora pelas ruas de Lisboa é cada vez mais como ter uma oportunidade de fazer um treino de agilidade mixado com um passeio num campo minado. Nada tenho contra os cães e a merda que naturalmente fazem, já o mesmo não posso dizer sobre a efectuada pelos outros animais, vulgarmente chamados de: os seus donos.
Decerto que o facto de ser matéria orgânica e bio-degradável constitui uma boa desculpa para quem se está a cagar para a mesma actividade levada também a cabo pelos seus fieis canídeos. Desconheço no entanto qualquer avanço na ciência que faça nascer da relação entre bosta e pedra algo mais do que nojo e derrapagens.
Sei que nem sempre é agradável levar o bicho à rua mas cão, se me estás a ler, não desesperes, chegará o dia em que o teu dono aprenderá a ter maneirinhas e consciência social. Especialmente se alguém lhe depositar na caixa do correio a trampa que não teve a decência de recolher num saquinho.
É que, tudo bem que vivemos num mundo cão, mas dispenso o facto de temer ver provas disso a cada passo que dou...

8.1.07

O discreto charme da heresia


Oiço falar e muitos me falam desse fenómeno a que chama “O Charme”. Da minha parte não sei se sou charmoso, até porque nunca fiz análises, mas uma coisa eu sei: o charme é mais uma coisa que andam a usar para lixar os pobres.
Podem vir com as balelas de que o charme transcende classes, que não é preciso dinheiro para ser charmoso, mas eu contraponho com uma pergunta: quantos pobrezinhos/as conhecem que esbanjem charme para aí? Eu diria zero, muito possivelmente porque a malta que anda à rasquinha não tem muito tempo para ser charmoso.
Ser correcto, educado, ter maneirinhas, isso sim até o mendigo da porta da igreja o pode ser (embora se tomasse banho tudo fosse mais fácil), mas não é isso o que nos tentam vender como sendo charme.
O charme, tal como é impingido à populaça, implica dinheiro, porque o charme é aspiracional, é aquilo que a malta gostava de ver no espelho, não aquilo que vê na realidade. Um passeio à beira mar tem a sua piada, mas ganha charme se o mar tiver vista para a Polinésia. Ir jantar fora é agradável, mas charmoso é ir jantar fora do país.
Certamente me dirão, ah não é bem assim, são pequenas coisas que fazem o charme, algo de intangível. Eu até acredito, se as vir no sentido virtual do “fazer charme”, como uma forma engraçada de dizer “endrominar alguém”. As definições do dicionário de charme, como propriedade de quem é sedutor/encantador para mim pecam por escassas, porque sendo assim até o encantador de serpentes (snake charmer na versão inglesa) é um charmoso do caraças.
Por isso, para que eu não viva no engano de que o culto do luxo e da aparência são vendidos em embalagens de charme para que os pobrezinhos (de espírito e de bolsa) vivam uma miragem, peço encarecidamente: alguém me dê uma definição de charme que eu engula como minimamente aceitável.

PS: Expressões como um certo je ne sais quois, um certo feeling e outras que tais, não serão consideradas válidas.

6.1.07

Em rotação: STP

Não, não é nenhum síndrome ou doença nova para estrear em 2007. É mesmo mais um sonzinho já com barbas para rodar na próxima semana:

Stone Temple Pilots: Interstate Love Song


Acreditem, a minha selecção musical podia muito facilmente ser bastante pior.

4.1.07

2007 - Entrada a pés juntos


Levando eu muito a sério esta história de não desperdiçar água (poupem-me a piada do banho), aplico esta política também em relação à saliva, nomeadamente no aspecto de não a desperdiçar em conversas de chacha (já em relação a escrever baboseiras, como já devem ter reparado sou um mãos largas).
Serve esta introdução para referir que me enfada sobremaneira esta primeira semana do ano, em que por milhentas vezes as pessoas se vêem compelidas a contar tudo sobre a sua passagem de ano, desde da descrição minuciosa da ementa, a cada pormenor de grande humor (na opinião do relator) até aos grandes épicos de álcool e vomitado que marcaram o reveillon. Irrita-me também o facto de se ter que desejar Bom Ano a torto e a direito, incluindo a gente que não nos importávamos nada que tivessem ficado pelo ano passado.
Em relação à passagem de ano, quando a história (ou, muito provavelmente, a pessoa) não me interessam, rapidamente arranjo maneira de me escapulir, nem que seja simulando um ataque epiléctico. Já os repetitivos “Votos de bom ano para ti e para os teus” blá blá blá, ditos por gente que se está marimbando para que o meu avô dê o berro se a EDP tiver uma falha de energia e o ventilador que o mantém como elemento activo de 2007 falhar ou que eu seja trucidado por uma composição do metropolitano na sequência de uma disputa com um idoso pelo último jornal Metro disponível, esses sim tiram-me do sério.
Por norma, não digo bom ano a torto e a direito, em primeiro porque não sou hipócrita e em segundo porque não sou a Maya (não a abelha, mas a pindérica do Tarot). Sei lá se em Fevereiro ou Outubro a pessoa a quem desejei Bom Ano não me vem pedir contas porque acabou uma relação, perdeu o emprego ou gastou uma fortuna no casino e acha que eu a induzi em erro.
Assim, desejar “Bom Ano” para além das bichanices todas da etiqueta, é um bocado como jogar ao Euromilhões. A maior parte da malta joga, mas só um ou dois é que tiram dividendos a sério. Por isso, escolham bem em que apostam ao desejar Bom Ano e sejam selectivos. Desejem um bom ano a quem vos deve dinheiro, porque se a vida lhes correr bem há uma maior probabilidade de pagarem o que vos devem. Não desejem bom ano aos parentes chatos, porque há maior probabilidade de eles se tornarem ainda mais chatos. Desejem bom ano a todos os que vos detestam, mas façam-no cara a cara e com um sorriso, só para terem a satisfação de os ver engolir em seco e retribuirem com um sorriso amarelo. Não desejem um bom ano ao vosso médico ou farmacêutico, porque um bom ano para ele é miséria certa para vocês. Como vêem é fácil ser prático nesta matéria.
Finalmente, se querem ser realmente esforçados (coloquem música dramática nesta parte), sejam mais precisos e não se fiquem pelo desejo de Bom Ano à minha cara pessoa. Peçam-me o NIB e assegurem a minha felicidade mensalmente (ou semanalmente).

2.1.07

Começando com Sabotagem

Não é malapata de início do ano, é um clássico a rodar no tasco:

Beastie Boys - Sabotage