13.12.07

Momices da nossa língua

Quando fui convidado a fazer parte deste espaço, na sequência de uma dívida de sangue do autor para comigo, disseram-me que este era um espaço literato, onde users de espírito distinto confraternizavam sob o tecto dos mais interessantes temas.
Tendo a clara noção de que tudo isso era, como dizem na minha terra, um chorrilho bárbaro de mentiras, resolvi aceitar à mesma pois, apesar de não ser mulher, tenho a convicção de que sou capaz de fazer a diferença para tornar algo melhor, ainda que seja mais fácil cumprir a premissa em relação a um blog do que a um homem.
Mas, o que me traz aqui hoje são dúvidas que não falam dos sexos opostos, mas sim sobre dois temas que me são caros: lingua portuguesa e animais, enquanto entidades distintas que se cruzam.
Assim sendo, alguém me explica a origem ou lógica das seguintes três expressões:

- Cair que nem um patinho - Há alguma razão para os patos sofrerem maiores desequilíbrios que os outros animais? Será porque cedem facilmente a entrar na banheira com pessoas nuas?

- Ficar como boi a olhar para palácio – Embora o mais próximo que tenha observado tenha sido um politico a olhar para um palácio, não percebo o porquê deste animal simbolizar o espanto nesta expressão, em vez de por exemplo, “como um rodovalho a olhar para um palácio”.

- Bem podes tirar o cavalinho da chuva – Se eu quero convencer alguém de alguma coisa, porque raio é que levaria um cavalo comigo para o fazer. É uma cena de fetiche? E, se o interessado sou eu, que me faz diferença se o cavalo não tem garagem para ficar com o mau tempo… Ainda assim, nos dias de hoje, não valeria mais a pena dissuadir alguém com “Bem podes tirar o Fiat Punto do parque” ou “Bem podes ir mas é comprar uma Bimbi”? Deixem lá os equídeos em paz.

Despeço-me com a seguinte notícia: o New York Times, na sua lista de lugares a visitar em 2008, colocou Lisboa em segundo lugar. Depois do Euro2004 e do Mundial2006, é triste verificar que mais uma vez morremos na praia ou, neste caso, no Laos. O único consolo é que ficámos à frente de gregos e franceses, algo que vou comemorar bebendo o mesmo que os tipos que fizeram artigo beberam ao fazer a classificação.

A ouvir em 2008 ou qualquer altura - Calexico - Close Behind

2 comentários:

  1. realmente esses ditados .. a ver se o programa do diogo infante descobre o porquê

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  2. Não é um boi que fica a olhar para um palácio, é um burro.O boi é utilizado na expressão «não se vê um boi». Tenho dito.

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.