19.11.07

Cherloque Olmes à portuguesa

Depois de no sábado ter testado os meus limites (de temperatura e estupidez), achando engraçado ir a Leiria ver a selecção da Arménia jogar com um conjunto de jogadores portugueses, considerei que seria uma boa opção ficar no calor do meu lar no serão seguinte.
Dando graças pelo facto do isolamento proporcionado pelas paredes forradas com pacotes de leite funcionar, reparei que na RTP e na SIC o alinhamento previa um duelo de Maddie’s. Sabendo da capacidade artística da turma de Carnaxide, depois de um sábado sem espectáculo nos relvados, optei pela estação que mais show prometia, dando folga à estação estatal que, ao que consta, anda com problemas de balneário.
A música de fundo com algum drama e tensão logo a abrir indicavam-me que tinha feito a escolha certa. Mas, o melhor estava para vir, quando anunciaram que iam mostrar excertos de uma reportagem da CBS em colaboração com um detective privado. Eis que fiquei então a conhecer o homem que faria de Sherlock Holmes um mero amador, de Artur Varatojo um menino ou do Inspector Gadget um tenrinho sem recursos, o renomado: Joe Moura.
Joe Moura, descendente de portugueses, tem pinta de craque da investigação. Alinha numa grande agência de detectives privados, desfez-se da barba que encontrei na foto, mas não da barriga proeminente que mostra que é homem que não descuida a alimentação, mesmo no decorrer dos casos mais difíceis.
Não conhecendo os méritos passados de Joe Moura, este mostrou ar confiante atacando fluentemente em português e em inglês, mas acima de tudo mostrou que a esperteza lusitana pode ser um bónus para um bom investigador. De outra forma, como poderia o sagaz Joe Moura ter convencido a CBS a pagar-lhe uma “infiltração”, como lhe chamou, de 15 dias no resort de luxo onde os McCann estiveram alojados.
Arricando muito, Joe Moura pode inclusive ter optado por pensão completa, apesar de ter, segundo disse, passado muito tempo no Tapas Bar onde o casal jantava regularmente, familiarizando-se com os empregados e também com a ementa. Durante duas semanas o nosso Joe não parou, recolhendo “evidences” como lhe chamou em inglês, mas que creio que em português se chamam “evidências”. É que o intrépido Joe resumiu-se, pelo que vi, a indicar pormenores que não me pareceu que não se conseguisse saber num dia de pesquisa na net. Do número real de garrafas de vinho bebidas ao jantar, ao ângulo de visão da mesa do restaurante, o nosso Perry Mason não falhou uma. Considerações como “Então se tivessem liquidado a filha isso não se notaria ao jantar?” ou “Ou entre vinho e conversa, muitas vezes quinze minutos não são quinze minutos” mostram que com infiltrações destas não escapa nada, nem o digestivo.
Repito, não conheço o passado detectivesco do grande Joe, mas gosto do seu método e de como, em “apenas” quinze dias de boa vida no Ocean’s Club conseguiu chegar à conclusão de que Maddie foi raptada. Fez me pensar que com um homem destes a actuar permanentemente em Portugal, o mundo do crime lusitano ia com certeza emigrar para Espanha. Os meus serões de domingo teriam outro nível, isso posso garantir.

Mais uma pista – Fun Lovin' Criminals - Couldn't get it right


PS – Será que consigo convencer a CBS a contratar-me para tentar descobrir o paradeiro do ex-pequeno Saúl?

8 comentários:

  1. O Saúl Ricardo?
    O do bacalhar quer alho?
    Então o pobre rapaz está na miséria e á procura de emprego.
    O paizinho e a mãezinha estoiram a fortuna do petiz e fugiram para a Inglaterra.

    Bjs

    By the way! Era um puto tão giro e agora (MEDO) está estranho...

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  2. Também tive o prazer de assistir a essa reportagem. Foi meia hora da minha vida desperdiçada, mas o sofá estava quentinho e o comando da tv avariado.
    O Saúl não está na miséria coisa nenhuma, mas é verdade que os pais gastaram o dinheiro todo. Ele vive com a namorada, lá na terra dele, e continua a dar concertos por esse país fora, e também no estrangeiro. Na França e isso.

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  3. Ainda bem que há gente culta e informada neste blog. Há meses que andava a matutar no desaparecimento do pequenito Saúl! Obrigada meus amigos! Também ando preocupada com o desaparecimento da Dora (não sejas mau para mim) e da Manuela Bravo e da Cândida Branca Flor. Ah e já agora da Manuela Marle da Vila Faia (parece que a última vez que foi vista estava a entrar para o guiness por record de tempo em solário), se souberem de alguma das supracitadas avisem!

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  4. Leva-me contigo que eu não me importo de ser o teu pseudo-Watson.

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  5. Cuga, a Cândida Branca Flor? Não sei se te conte a verdade, podes ficar muito abalada...

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. RIP? A Sério? Deixa cá fazer um google... AH... que tragédia! Bem, se calhar já soube mas esqueci-me. Pelo menos juntou-se a um notável panteão de poetas e romancistas suicidas. Obrigada SFF por manobrares tão bem os eufemismos e me teres dado a notícia suavemente.

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  8. Nada de tornar isto sentimentaloide demais. Já basta a banda sonora do nosso Nuno Bettencourt e companhia...

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