22.10.07

Ponto Morto

Apesar de esta afirmação não constituir grande novidade para quem frequenta o estaminé, sou de facto uma pessoa estranha. O que me leva a esta constatação é o facto de, entre outras coisas, conceber o carro apenas como um veículo útil para ir de A para B. Curiosamente, a maior parte das pessoas que conheço dirá exactamente o mesmo, mas depois esta afirmação não casa com a realidade que observo diariamente.
E o que vejo, para além de criar mau ambiente, é que também há muita gente a pensar com o órgão errado. Comparativamente a outros países europeus, vejo que o parque automóvel nacional dá abadas a muitos países e não me refiro aos desgraçadinhos de Leste, isto apesar de em termos de orçamento sermos goleados a torto e a direito por esses mesmos países. A percentagem de carros com uma só pessoa é igual é quase tão dominante como a de gajos que viram “O crime do Padre Álvaro” por causa da Soraia Chaves.
Se me disserem que o carro é um facilitador de vida eu concordo (apesar de boa parte do condutores matinais/fim de dia que vejo terem um ar dificilmente simpático), que aleguem que a rede de transportes está a anos luz de ser perfeita eu concordo e que há zonas em que é impossível levar uma vida normal sem usar diariamente o carro, até aí eu aceito. Mas, a história de, “Ah eu sou obrigado a usar o carro”, essa já não cola tão bem. Para alguns será verdade, para muitos que conheço, depois de se apanharem num carro, é uma desculpa conveniente que amplia os defeitos que mencionei ao máximo.
Malta que passa a vida em stress dentro de um carro, que vive em função das horas do trânsito, que sofre horrores se tem de estacionar o carro a mais de cinco metros do sítio onde vai, que te olha como se fosses louco se dizes que fazes regularmente a Avenida da República a pé, que se enterra em crédito para trocar de carro e ter sempre um modelo muito superior ao que realmente precisa e que fala dos transportes como se da Peste Negra se tratasse, tudo isto é gente que há muito perdeu o discernimento do equilíbrio.
Nada me move contra o uso do carro, nunca fui atropelado (tirando mentalmente), tenho carta e até gosto de conduzir. Simplesmente cresci sem me tornar dependente do bicho e sempre estudei, pratiquei desporto e tive vida social sem ter a necessidade absoluta do carro (que dá muito jeito sim senhor em certas ocasiões). Irrita-me talvez o burguesismo da turma do cu-tremido, especialmente numa geração em que o carro já não é muitas vezes fruto de muito esforço e trabalho, mas simplesmente mais um prego no caixão a crédito ou a prendinha trivial e obrigatória para o filhinho que faz 18 anos.
Caso não dê notícias nos próximos três dias, peço ao pessoal da PJ que frequenta o blog que investigue atropelamentos e fuga na zona de Lisboa, que eu sei bem que este pessoal é vingativo.

A circular pela direita – The Cars – Drive (com mofo e tudo)

PS – Se não notaste que escrevi Padre Álvaro em vez de Amaro é bem possível que tenhas ido ver o filme pelas razões que citei.

PSS – Sim, sou daqueles meninos que sempre viveu em Lisboa, estudou em Lisboa, trabalha em Lisboa e de casa ao emprego são cerca de 20 mins a pé, 10 de bus e 5 de metro...

7 comentários:

  1. Lisboa ee demais! so que morar assim perto de bares nem pensar! Gosto de zonas mais sossegadas! Lisboa e demais mas nao moro la e cada vez mais acho mais que gostava de morar num sitio campreste em que possa ter acesso ao prazeres da cidade lisboeta, ate por tem imensos cenarios romanticos e imensas coisas para fazer, ate praia tem! Viva lisboa mas nao moro ai!Ainda! Beijinhos, e nao me facam mal, voces ate gostam de mim! AnaIrritante

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  2. Pois, pois, O Bairro da Bela Vista e Chelas também são em Lisboa e, se trabalhares na Av Estados Unidos de América, ou no Areeiro, estás a 20 minutos a pé do trabalho... E se olhares com atenção até tens campo e hortas. E a isso chamas tu qualidade de vida? Não há nada como um domingo bem passado na feira do relógio!

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  3. Não concordo em nada! Este blog desceu na minha consideração!

    Nasci e cresci em Lisboa e assim que pude sair, saí.

    O carro?? É o bode espiatório de tudo e apenas um mal menor desta sociedade.

    GTRamos

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  4. Mak, este post foi uma coincidência. Também moro a 5m do trabalho, de carro, e a 20m a pé. Ultimamente, tenho deixado o carro na casota (estou farta dele e depois da última revisão apetece-me chamar-lhe nomes feios!) e vou para o trabalho de bicicleta! É verdade, arrisco a minha vida em prol do ambiente e da minha condição física. Quem é linda, quem é?

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  5. @ Cuga - Creio que te terás enganado nos tempos. Diria que em corrida, passo natural para quem more em tão distintos bairros, se demore em média menos 5 minutos. Baixa mais um minuto consoante o número de meliantes atrás de ti aumente...

    @ Jordão - O facto de alguém ter alguma consideração por este blog já é em si uma novidade. Não considero sair de Lisboa uma coisa má (em certos casos é até recomendável), tal como não considero uma tragédia gostar de carros, de conduzir, etc.
    Apenas penso que mtas vezes as pessoas padecem de uma noção de equilíbrio no recurso ao mesmo e optam pela solução mais fácil por uma questão de comodismo.
    Há certamente males piores na sociedade, este pasquim por exemplo é um forte candidato.
    Também acrescento que gosto que as pessoas discordem do que ponho para aqui. Se concordassem em massa é que seria perigoso.

    @ Sff - Ir para o trabalho de bicicleta só me parece interessante em certas zonas, para não correr o risco de ir de boleia do INEM uma parte do caminho ou chegar ao trabalho como que saído de um banho turco...

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  6. Por acaso tenho notado que a maioria dos colegas anda a evitar ter reuniões comigo...
    ...vês como a bicicleta só tem vantagens?

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  7. Isso de quem tem carro tem a vida facilitada também não é bem assim. Convence lá o meu a pegar em dias de Inverno... se conseguires, é teu. Também desde que fugi para um sítio onde é possível usar bicicleta e onde os autocarros, até os que vão para os subúrbios, funcionam até às 4:00 da manhã e apartir das 6:00, não é que me faça grande falta.

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