8.10.07

Playing dead

Aproveitei o nascimento de um novo layout para o blog (desde já agradeço ao pessoal da ACAPO pelas dicas que deu), para tocar num tema assim para os lados contrários do espectro: o acto de “fazer-se de morto”.
Não é fruto do álcool este análise, mas sim de um estudo conjunto com a Universidade de Badmington, em Inglaterra. Desde os primórdios que a Natureza dotou diversos seres vivos com a capacidade de se fazerem de mortos pelos mais diversos motivos. Ora o Homem que, apesar de o ser, sempre teve a ideia que não era parvo nenhum, não só copiou o que a bicharada tinha de melhor nesta aspecto da “morte aparente”, como fez desta actividade uma verdadeira arte. E, quando digo o Homem, é naquele sentido em que também se inclui a Mulher, a qual tem indubitavelmente créditos firmados nesta área.
De facto, se querem aprender tudo sobre o que é “fazer-se de morto”, esqueçam o BBC Vida Selvagem e o National Geographic. Basta abrir a pestana para ver que não faltam “zombies” à vossa volta e nem quero ir pela política, que isso dava uma reserva natural maior que o Kruger Park. Pode ser gente que gosta “de se fazer de morta” no emprego, na vida sentimental ou social, para passar três lugares à frente na fila do supermercado ou, nos casos mais graves, em todas as anteriores.
Para quem é tapadinho o suficiente para não ter já uns quantos nomes a bailar no espaço deixado vago por neurónios abatidos por uma vida desregrada, vejam este padrão. Quem é bom “a fazer de morto” nunca faz referência directa ao que realmente quer. Arranja sempre um artifício que faça a outra pessoa ficar mais receptível a aceder ao que o artista pretende que ela faça. O “zombie” com nível assume os seus defeitos/falhas e usa-os como arma de arremesso contra corações moles e almas ingénuas, fazendo-os sentir culpados por coisas que, traço geral, são da exclusiva responsabilidade do “morto-vivo”. Quem se faz de morto não é um desgraçadinho, é apenas alguém que se sabe deitar na estrada da vida, à espera que mais um bom samaritano pare e lhes dê uma mãozinha.
É aquele colega simpático do qual não temos razões de queixa e de quem até temos alguma pena, sem repararmos que consegue sair sempre a horas e, por um motivo ou outro, nos entala com trabalho. É aquele amigo ausente do qual continuamos a gostar, apesar de nunca responder aos nossos convites, nos deixar pendurados constantemente e ainda nos cobrar porque não lhe damos atenção. São aqueles que fazem alarde da sua luta pelo parceiro ideal (ou irreal?) que o destino lhes insiste em negar, os quais apoiamos em pleno enquanto nos esquecemos de uns quantos que já foram chacinados injustamente nessa luta. É toda a gente que foge da frontalidade por sistema, sem nunca querer pagar o preço dessa fuga.
Fazer de morto é coisa natural, nesse capítulo não há volta a dar. Mas, se em certas espécies é mecanismo essencial para a sobrevivência da mesma, no caso das pessoas é um mecanismo artificial para sacanear o próximo. E, para artificial já me bastam as minhas madeixas loiras.
Por isso, se gostas de fazer olhinhos de carneiro mal morto, tens atitude de cachorrinho ferido na berma da auto estrada e revês com saudade vídeos do João Vieira Pinto a sacar penalties, desampara-me a loja. Mas, não te esqueças de votar naquela caixa do canto superior direito, porque todos os votos contam, até os dos mortos vivos.

No ar: Smashing Pumpkins - We only come out at night

12 comentários:

  1. Amigo Mak, isto é tudo muito bonito mas é preciso estar bem vivo para conseguir ler o azul e o cinza sobre fundo preto...

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  2. A limpeza do monitor também pode ajudar minha cara, mas estamos ainda em versão de gaja de Cascais ate final da semana...

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  3. A culpa é da inércia, meu caro.
    A definição cientifica e a definição "social". Não é intransponível, apenas é superior á vontade de "acordar".
    Bom texto.

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  4. Melhor, tá melhor...o fundo preto é algo carregado e mórbido, não?

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  5. Já estou em contacto com algumas reputadas instituições para afinações, tanto gráficas como mentais...

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  6. Melhor, tá melhor...mas agora está algo monocromático...

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  7. muito bem essa análise... bem lembrada essa do João Pinto. infelizmente n tenho muito jeito para me fazer de morta... é uma lacuna minha, eu sei... lol

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  8. mecanismo de morto vivo, eeee bom pra evitar uma queca na altura errada, uma pessoa finge que ta dormente, mas na realidade ta quase a explodir. Sim, so consigo fazer olhinhos a quem me interessa, alias, nao csg aguentar muito o olhar, porque me domina, me elouquece, me seduz.(so falta dizer amo-te mas tb nao quero abusar)
    pior que morto vivo, eee aquelas pessoas que passam a vida a tentar meter o morto vivo em filmes, que nao lhes dizem respeito, pra depois virem dizer: "morto vivo, nao quero que te metas entre mim e o meu namorado!" (bolas porque alguem nao me pede logo em namoro, para eu deixar de ser uma ameaça pra namoradas dos outros? nao gosto da ideia do anel, mas um assim que desse nas vistas pra usar tb era boa ideia) nos desafabos da net - AnaLz

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  9. E ainda melhor que o novo layout, é a escolha musical...:) Prometo que da próxima até leio o post e tudo...;)

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  10. Pede a gerência à população visitante que os comentários não sejam ainda mais alucinados que os posts, sob o risco de desmoralização dos autores.

    Um grande bem hajam.

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  11. tou a precisar de ter uma consultas de psicologia(lol)

    pesso desculpa se perturbei alguma mente mais sensivel

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