25.10.07

Isolamento a quanto obrigas


Muitas vezes oiço nas notícias e em conversas de malta sábia, que há muita gente em Portugal que sofre por causa do isolamento. Não me surpreende tal afirmação, é algo que aprendi desde pequeno, apesar de nunca ter vivido no interior ou ter sido o único miúdo da minha turma (tirando se fizermos a distinção entre com cadastro/sem cadastro).
No entanto, tenho ouvido recentemente muitos amigos e conhecidos dos mesmos queixarem-se desse problema, mostrando que é talvez mais grave o problema de isolamento nas grandes cidades, do que nos sítios mais propícios para esse fenómeno ter lugar.
É talvez porque me recordo com algum trauma ainda latente, que o isolamento deficiente do prédio em que vivia, quando era miúdo, me deixava ouvir a minha já entradota vizinha de cima a sofrer muito, a sofrer mesmo muito, chamando até pelo Senhor. Só no dia em que ouvi um grande baque, seguido da frase “Querido, caíste!!! Magoaste-te??” é que percebi a dita senhora não era tão doente como eu pensava e passei a ter algum medo de andar no elevador com ela, já que partilhava o mesmo nome que o seu garanhão favorito.
Mas, o isolamento não é assim tão linear, afecta as pessoas de várias maneiras, algo que aprendi também quando era criança. É que o isolamento é algo que se verifica tanto em cima como em baixo, onde uma líbido feminina era contrariada por um macho não muito latino, dando origem a tiradas traumatizantes como: “Não querida hoje não, HOJE NÃO!!” ou “Oh Maria de Lurdes, nenhuma mulher FAZ essas coisas a um homem!!!”.
Se em criança, o isolamento pode ser muito traumatizante, creio que em adulto, quer por factores de inveja, quer pelo facto de ainda haver pessoas que trabalham em horários normais, transtorna muito mais a vida. Tenho amigos que andam com olheiras de nível olímpico, queixando-se que têm um rodeo a funcionar até altas horas mesmo por cima do andar deles e outros que alegam que moram por baixo do Poltergeist ou de um bar de estivadores, tal é o arrastar de mobília e palavreado obsceno com que são bombardeados.
Embora hoje em dia já não seja vítima directa, deixo um apelo a todos os construtores civis que frequentam este blog (de profissão e não de espírito). Vamos lá a ser menos oportunistas, não poupar tanto no material e tornar os males do isolamento um fenómeno exclusivo do interior. Que tal, pode ser?

PS – Sou totalmente a favor do amor, da liberdade de expressão e da libertação de energias, mas ainda acredito que para se atingir o climax da felicidade não é necessário fornicar o juízo do vizinho de baixo (ou de cima) no processo.

Entre paredes - Soup Dragons - I'm free

9 comentários:

  1. Mak, está demais!

    Por causa do isolamento, tenho que gramar um pretenso tocador de flauta (vivo num bairro chique!)que ainda não percebeu que se inventaram o solfejo foi por alguma razão...e tenho que gramar três crianças histéricas todos os dias, que berram tão alto que quase nem se ouve a flauta...como eu te percebo.

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  2. Ora aí está mais uma vantagem de viver num convento ou num seminário. Paredes sólidas, bem isoladas, e mesmo que não fossem, seria de crer que não teriam esses problemas..;)

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  3. ahhh
    melhor ke isso so vivendo na aldeia. cada uma tem a sua casa, estão perto mas nao tnh de gramar cm os gritos nem nada... ok as vexes parece ke anda a cambada toda na rua... apartamentos vivi nos ultimos andares e ainda bem, pk os vizinhos de baixo mereciam muitas mais noites de ramboia la em casa do ke aquelas ke se fizeram... faxiam mais barulhos eles tds os dias ke nos...
    por isso... viver na mia casa na aldeia é bom e tou a 5min de carro da cidade... relax

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  4. Mak, este blog já chega às aldeias??

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  5. O conhecimento é uma aldeia, pois todos a ele têm acesso. O mesmo se aplica a blogs de qualidade duvidosa...

    Nessa perspectiva - sim

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  6. Como eu sei que não gostas de prémios e desafios e o diabo a sete, passa lá pelo cubico!

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  7. bah eu moro na civilização, entenda-se que isto não fica atrás do sol posto depois da curva onde judas perdeu as botas.
    e nao tnh de gramar com gritos dos vizinhos, é a vantagem de morar numa casa.

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  8. Olha Mak se em termos de isolamento acústico tinhas razão de queixa, em termos de isolamento térmico estavas ao rubro! Vê só o que poupaste em aquecimento por viveres uma infância assim... O meu vizinho de baixo é louco e não sai de casa (a mulher vive no prédio ao lado para não o incomodar) os meus vizinhos de cima têm uma filha de 3 anos que é fruto de uma clonagem com um bezerro e não acreditam no poder de uma educação ligeiramente repressiva (ou seja, umas boas palmadas para parar de gritar 2 horas a fio)

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  9. há mais de duas pessoas nascidas e criadas em território português com k no nome? e duas dessas pessoas viveram no mesmo prédio? Achei que tu e o markl eram os únicos e a menos que o teu nome do meio seja Nuno (Mak Nuno Mau) acho que Markl não devia ser teu vizinho, até porque não o acredito capaz de levar alguém a chamar pelo Nosso Senhor, pelo menos não pela razão que dás a entender no post.

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