25.9.07

Momento Financial Times para agarrados

A maneira como se escreve algo, condiciona em boa parte o entendimento do assunto em questão por parte de quem lê. Por exemplo, qualquer ideia com algum brilhantismo intelectual que eu possa ter para o blog, normalmente é assassinada pelo modo barbárico como eu a disponho por palavras, sem leitor qualquer respeito pelo.
Este prelúdio serve para introduzir o prato principal, um texto simpático que retirei da versão online de um conhecido jornal diário, onde se abordava o panorama actual dos estupefacientes na Europa, segundo dados do OICE (Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes), local onde deve ser uma pedra trabalhar.
Se a notícia me parece interessante, especialmente porque ainda não escolhi o destino para as férias que me restam, gosto sobremaneira da forma como o texto relata os dados do relatório. Consultem então excertos do Índice Snifei do mercado da droga, com o rigor que só a informação de referência consegue apresentar.

“A cannabis continua a ser a droga preferida dos europeus. Calcula-se que 6% da população adulta da Europa já a tenha consumido pelo menos uma vez na vida”.
Obviamente, os reality shows não contam para esta gente.

“Mas há outros dados preocupantes a Europa é o segundo mais importante mercado de cocaína do Mundo e um dos principais pontos de circulação de estimulantes, com destaque para o ecstasy.”
Vou já tomar uns comprimiditos para estimular o meu consumo de coca, a ver se palmamos os americanos.

“Os cocainómanos representam 10% dos toxicodependentes que iniciam tratamento na Europa, o que demonstra a elevada prevalência desta droga no continente”
A minha dúvida é, se os aspiradores são 10% de que se tratam os restantes 90%, tendo em conta a elevada prevalência dos primeiros? Gomas? Morangos com Açucar? Tubos de cola? Sombrinhas de chocolate?

“A Holanda lidera os fabricantes de MDM (ecstasy), seguida da Polónia, Bélgica, Lituânia e Estónia, mas, de acordo com o organismo das Nações Unidas, o fabrico ilícito está a aumentar por toda a Europa".
Ah, que saudades do tempo em que era o fabrico lícito a dominar o cenário. Aí sim, as fábricas de ecstasy em Portugal garantiam emprego e estabilidade a muita gente, para não falar de umas after hours bem animadas.

“As metanfetaminas ainda circulam em pequena escala no espaço europeu, mas merecem já a preocupação das autoridades pelos efeitos rápidos e nefastos que provocam”.
Consta até que as brigadas de investigação são aconselhadas a tomar speeds, para terem pedalada para acompanhar o seu desenvolvimento.

“A heroína mantém-se estável na Europa Central e Ocidental, enquanto o abuso de opiáceos aumentou na Europa Oriental, principalmente nos países membros da ex-Comunidade dos Estados Independentes e da Europa do Sul situados ao longo dos Balcãs”.
E terminamos este boletim metereológico com a informação de que o Anticiclone dos Açores negou qualquer responsabilidade na deslocação das correntes de tráfico de ópio para leste e que quem apostou na queda da heroína, fê-lo no cavalo errado.

Inspirações - Sonic Youth & Cypress Hill - I love you Mary Jane

1 comentário:

  1. Tenho um jogo na Palm, o Dope Wars, que me acompanha nos momentos de maior tédio e me faz sentir uma traficante digna da protagonista do "Weeds". Vou já anotar estes dados essenciais para ver se bato o recorde de vendas!

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