8.8.07

Voltas dá o carrossel



Quando durmo menos dá-me para a filosofia. Para isso e para dançar tango, mas visto que deixei o meu CD de Astor Piazzola em casa e rosas na boca logo de manhã me fazem aftas, fiquemos pela primeira.
Já estou mais farto de gente a dizer que a vida dá muitas voltas, do que escuteiros a fazerem peditórios. E olhem que na minha escala, isso é tipo um alerta vermelho. Seja por alegria, tristeza, sorte, azar, pilosidades nasais ou apenas para justificar o facto de se terem vomitado todos num jantar de família, dizer: “A vida, tal como o meu estômago, dá muitas voltas”. Tal dichote passa sempre um ar sábio e tranquilo de quem é um escanção da vida, degustando com tranquilidade todos os sabores que esta tem para nos oferecer (pequena pausa para dizer que esta frase tem o patrocínio Monte Velho Tinto, uma pomada melhor que absinto).
Vou-vos dar então uma dica, um insight como dizem alguns dos iluminados com quem privo diariamente: a vida está parada, vocês é que andam às voltas. Se querem continuar a pensar o contrário, invistam em carrósseis. Aí sim, vocês estão parados e tudo o resto anda às voltas. Costumava fazer isso nos meus tempos de jovem na saudosa Feira Popular, depois de me encher de farturas e batidos de ananás nos “Três irmãos das farturas”. Era uma mistura explosiva. Acrescento que os meus tempos de Feira Popular acabaram quando um dos pachorrentos póneis que também trabalhavam lá cedeu perante o meu peso. Tudo bem que eu já tinha 23 anos, mas o pónei é que era calão.
Voltando à vida, que continua no mesmo sítio em que a deixei no parágrafo anterior e não aos piões aqui à volta. As pessoas é que dão voltas, cambalhotas, piruetas, marcha atrás em sentido proibido, ultrapassagens pela direita, mortais encarpados e muito, muito mais. Depois arrenpendem-se, surpreendem-se e esquivam-se de quando em vez, deitando as culpas à vida e a lógica à rua, não se apercebendo que imprevisíveis são as pessoas, a “vida” é só cenário.
Experimentem estar paradinhos durante uns tempos, sem interagir nem fazer coisa alguma. Aposto que não acontece nada, mas se me conseguirem convencer do contrário, não é porque eu não tenha razão, é porque a vida dá muitas voltas.
Incoerente e incompreensível? Talvez, mas asiduasrnba mfen ºopqwem wqbeq woida dkas. E tenho dito.

6 comentários:

  1. Discordo só numa coisa: Mesmo de carrocel há que ter em conta o movimento de translação... (se for uma daquelas chávenas saídas da Alice). A verdade é que nunca estamos parados, excepção feita para o Stephen Hawking (mas até ele tem o cérebro sempre às voltas)

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  2. a vida dá voltas... de 360 graus!!! Ou então a velha máxima... vira o disco, e toca o mesmo.
    E ainda... same shit, different day!

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  3. par mim é mesmo vira o disco e toca o mesmo.
    Vai-se fazer o quê?
    Quando por acaso a vi dinha dá uma volta geralmente é para o torto por isso para mim mais vale não dar volta nenhuma.

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  4. E quando a vida dá uma volta de 365 dias?Isso é que é a loucura. Esta tirada está no wall of shame dos nossos entrevistados. Qualquer dia publico, é giro, giro.
    E é isto, não tenho mais nada de interessante para dizer.

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  5. vitu. espero bem que a última frase näo seja nada de ruim, que enfeitice a minha vida parada... transformando-a em algo mais movimentado mas aparente pior. porque se há coisa neste mundo de que eu gosto säo javardas doses de apatia.

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  6. Tens razao pah!
    Depende do referencial do observador, ja dizia o einstein! Temos de ter em conta o efeito de translaçao e de rotaçao, provoca um certo tipo de libertaçao de energia diferente....
    Mas sim, senao fizemos nada, nao acontece nada! Logica da batata? lol
    Gostei e percebi perfeitamente!

    Ana Patricia

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