1.8.07

Não me furtei ao Senhor Roubado



Há quem ambicione ir ao Tibete, há quem sonhe em ir ver as novas Sete Maravilhas do Mundo ou, caso sejam mais patriotas (pobres também serve), vibrar com as Sete Maravilhas de Portugal ou ainda, se forem mais conformistas, há quem se dê por contente apenas por não acordar em Sete Rios sem memória da noite anterior e com um guardanapo no bolso a dizer “Adorei a noite. És um tigre, telefona-me, Orlando” seguido de um número de telefone.
Já eu, vou coleccionando pequenos prazeres geográficos, objectivos de viagem que podem ser ou não cumpridos, tal a sua trivialidade. No entanto, depois de já ser possível realizar o sonho de ir jantar ao Frango Sinatra, decidi não adiar certos destinos ali à mão de semear.
Assim sendo, esta semana despi-me de medos (e de todos os valores que achei poderem ser apetecíveis a possíveis meliantes) e pus-me a caminho da linha amarela do Metro: o Senhor Roubado esperava por mim.
Passadas as fronteiras do Campo Grande, até aí o meu limite de exploração de menino da cidade, reparei que a Charneca do Lumiar tinha feito um facelift para Quinta das Conchas e que a Ameixoeira tem ar de ser muita fruta para mim. Finalmente ei-lo à vista, o Senhor Roubado, local mítico que pensava eu ter o seu nome devido a um ritual local aplicado a todos os visitantes. Depois de cinco minutos na dita localidade, o fim do mito: nem um esfaqueamento, uns disparos para o ar ou sequer uns pedidos de trocos para ajudar os gangs desfavorecidos. Consegui de facto ir ao Senhor Roubado e não o ser, o que no meu imaginário era impossível. Pensei, se calhar era feriado na zona, se calhar a colónia de férias das hordas coincidiu com a minha hora de passagem ou que estavam em greve porque os assaltados não facilitavam nas condições de trabalho. Voltei no dia seguinte: nova desilusão, no meu livro o Senhor Roubado, passou a Cavalheiro Entediado, vou ter de procurar novos desafios.
Vendo bem a linha do Metro, já são poucas as paragens tipo “Destino Aventura” que me restam. Estou a pensar expandir-me: Curraleira, Fim do Mundo ou Cruz de Pau. Sugestões aceitam-se, medo não tenho, juízo também não. Felizmente, seguro médico, sim.

8 comentários:

  1. Recursos Humanos01/08/07, 19:33

    Queira lamentar o mal entendido, mas a entidade patronal decidiu não revalidar o seu Seguro de Saúde. Este benefício aplica-se apenas a empregados da firma, o que lamentavelmente não corresponde à sua situação actual. A não ser que considere uma função contractual com esta firma andar a dançar com a cabeça de um alce insuflável enquanto canta "Your song" de Elton John.

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  2. AHAHAHAHH!! Adorei o pormenor do recado no guardanapo!

    É O BONDE DO TIGRÃO!!!

    Mas se quizeres adrenalina... Só mesmo na favela da Rocinha!

    Bjs

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  3. Não e se me chamasse já tinha mudado de nome...

    Godofredo é mais a minha onda.

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  4. Godofredo Manuel, sff. Eu sei que gostas de ter dois nomes próprios...

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  5. que tal uma ida às sapateiras, e não estou a falar de peticos...

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  6. Tens que experimentar a linha encarnada e ir saindo em cada estação, que isto a linha amarela é só para meninos..;)

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  7. lol linha vermelha é perigoso!
    eu tou durante uns meses, e sempre na mesma.....a vermelha.....um vez de mes a mes, chego a mudar de linha, que vai quem vai pro rio.....ando numa especie de carrocel ate ver a luz do dia....depois vejo a luz....quem escreve aqui ja leu o codigo de Da vinci!?

    Ana Patricia again

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