10.8.07

Esta semana trinchava que nem um peru de Natal:

O Verão não é para mim apenas uma época de praia, calor e transpiração. Isso é apenas o aperitivo para destilar mais ódios e cuspir com desprezo nos mais diversos assuntos e personagens, tudo com o baixo nível que só uma pessoal mal formada do meu gabarito pode apresentar. Mas, dirão aqueles que já cá vêm há algum tempo, qual é a diferença disto para o resto do ano? Fácil, posso fazê-lo de calções floridos e camisolita de manga cava, visual de veraneio que cultivo desde os tempos da Colónia Balnear “O Século”.
Como não há nada mais ligado ao Verão que o peru de Natal, aproveito-o esta 6a feira para ilustrar o que me apetece fazer esta semana aos seguintes itens:

- Revistas do social. Calhou esta semana que alguém deixasse na minha secretária uma revista dessa índole, coisa que já não acontecia há algum tempo. Desde já, uma recomendação: que nas mezinhas tradicionais se substitua, na categoria purgantes, o azeite pelas revistas cor-de-rosa já que o resultado final é o mesmo, embora o teor gorduroso das segundas seja claramente mais elevado. Eu faria a pergunta “Como é possível que haja tanta revista a falar da mesma trampa em que 80% das pessoas que lá constam parecem ter um interesse com a mesma espessura que a página em que aparecem?”, se não tivesse já desistido de perceber a lógica de certos acontecimentos sociais, desde que os Malucos do Riso se tornaram um êxito.
- Pessoas que tentam usar palavreado rebuscado sem necessidade, nem piada. Admito que ao colocar esta hipótese posso estar a dizer mal do autor deste post, mas também nunca fui muito à bola com o palhaço. Sou fã do rebuscadismo, mas não tenho aspirações intelectuais (seria contra-natura) nem o faço para ganhar a admiração dos meus pares, quanto muito a estupefacção. No entanto, doi-me o pancreas (porque coração não tenho) cada vez que vejo alguém a utilizar palavras de cinco sílabas e terminologia requintada fora de contexto, mal aplicada, abusivamente repetida e com a convicção que estão a marcar uma posição. De facto estão, creio que se chama fora de jogo.
- Vítimas profissionais. Vítimas a sério morrem ou pelo menos apresentam marcas que as permitem identificar como vítimas. Todos as restantes irritam-me, porque o único coitadinho para quem tenho paciência sou eu e mesmo assim não é todos os dias. Olhinhos de carneiro mal morto, conversa de tragédia ou necessidades de afecto mal dirigidas para mim têm o mesmo destino: a faca de trinchar.
- Programas televisivos portugueses com convidados. Tudo bem, grande parte da produção nacional é uma bosta e desde o “Duarte & Companhia” que não esboço um sorriso com isso (ok, no 1º Big Brother também, mas programas com animais não contam), mas mesmo quando não é ficção, a realidade não ajuda. Programas de convidados têm um problema nos canais generalistas: isto não é a América, não temos pessoas interessantes suficientes para irem aparecendo nesses programas sem termos que os repetir mais do que a Sic repõe o “Armageddon”. Ou melhor, até temos pessoas muito interessantes, mas tirando 10 pessoas com pouco que fazer, ninguém as vai querer ver na televisão. Já nos canais de cabo, já há algumas experiências interessantes em programas do género que vale a pena referir. Por exemplo, na SIC Notícias há um em que todas as semanas pessoas diferentes entrevistam a Bárbara Guimarães, tentando fazê-la parecer culta e distinta. Creio que mais uns anitos e a coisa está lá. Já na RTP Memória, reparei que decorre uma experiência com a Helena Ramos, a “senhora que gosta de mostrar o coxame” como disse uma vez José Vilhena. A coisa consiste em tentar juntar uma senhora matura de líbido activa que vai fazendo perguntas a fósseis lusitanos, tentando ver quem morre primeiro, se o entrevistado ou o espectador, neste caso não de tédio como é hábito, mas literalmente já que a idade avançada do público a que se destina o programa não é compatível com a excitação que rever os seus ídolos da TV e as coxas da Helena Ramos pode gerar.

Como sempre, apesar de poder continuar este post por longas e miseráveis linhas, dou-me por satisfeito por agora. Para a semana há mais bílis para destilar e não quero que me considerem uma pessoa de maus fígados. Além disso, rim melhor quem rim por último.


Rodando: Handsome Boy Modelling School - Breakdown


PS – Note-se que esgotei o meu humor médico até final do ano.

13 comentários:

  1. Baço minhas as tuas palavras, Mak...

    Mas já agora, devias concretizar mais um pouco. Não vale dizer mal sem apontar nomes, dar exemplos: qual a revista que te deixaram na secretária, quem tenta usar palavreado rebuscado e a que palavras te referes, etc.

    É que o português precisa de ter um ou mais bofes expiatórios, continuando na gíria anatómica...

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  2. Ah, espero que um dia destes faças das músicas de verão, tropicalóides e com refrões ligeiros, um alvo do teu veneno...

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  3. Não imaginas o que eu tenho de deixar de fora cada vez que faço este tipo de posts.

    Esta semana as pulseirinhas no tornozelo estiveram quase lá, pode ser para a próxima...

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  4. Tás a escapar com o rabo à seringa (vês, mais chalaças médicas!)pois continuas sem dar exemplos...

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  5. Estás confortável ou não estás confortável?

    DEEM FERIAS A ESTE HOMEM!
    Urgente

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  6. Mesmo sem férias, isto é sempre a aviar e assim se passa de piada médica para piada farmacêutica...

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  7. E não gostavas de ouvir o Sir Humphrey a falar? :)

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  8. nao achei muita piada este post, sim, as pesssoas veem as revistas pra saberem que vestido terao de mandar fazer pro casamento(ou como ee que querem), pra cuscar da jeitosa da telenovela ...mas pronto...ha coisas mais interessantes.... embora,dar atencao a coisas que nao cansem a cabeça tb seja bom..coisas, ou seja, revistas...palavreado rebuscado vai aumentado, passado do ensaio sobre a cegueira, para o homem duplicado, vai aumentando....desde que nao diga asneiras e nem teja a espera que me ria das piadas tasse bem....embora goste delas assim bem....do genero imaginar pessoas com o queixo ao lado..lol..correu mal

    Ana Patricia

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  9. lol mm que eu tente explicar, nao vais intender, so digo que tenho um cena metalica que e pior que um cinto de castidade na boa..lol...nao achei muita piada a este post, toda a gente gosta de fazer tudo, umas coisitas mais que outras....

    Ana Pat Luis

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  10. pois é, umas pessoas gostam de escrever em teclados sem c cedilha outras de dar erros ortográficos... intendes-te??
    mas pela a pontuacäo näo há dúvidas quanto às influências saramaguianas.

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  11. ver de veem ou ver de vêm? tenho sempre duvida nesta e noutras! Sim, as vezes, troco muito os es pelos is, culpa de um sotaque da Minha aldeia! Admitir que se erra nao é defeito, é como o silencio, uma qualidade ate certo ponto!

    an Pat

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