20.7.07

Chamem-lhes nomes que eles gostam

Se é uma verdade universal que o que não faltam por aí são ideias imbecis, uma das que mais me complica o sistema, a par das alças de silicone para soutiens ou dos discursos robóticos de call centers, são os segundos nomes.
Antes de mais, uma clarificação: este texto não é produto de anos de recalcamento por um segundo nome como Hermenegildo, Eustácio ou Isidoro. Das poucas coisas boas que tenho é o facto de não ter segundo nome, apesar de os apelidos não serem famosos, mas pronto com esses lido bem.
Os segundos nomes são idiotas porque na essência só servem para causar embaraços, dar origem a mal entendidos e semear a discórdia. Na sua génese, podem ser fruto de uma solução de compromisso entre pais, do género eu quero Venceslau, tu queres António, pronto fica Venceslau António, mais tarde Veto para os amigos. Ou então, fruto de gente indecisa que depois de dias com esta cassete:

- “Ah não sei querido, Olga ou Diana”
- “Oh querida, com o cão foi tão fácil. Diana ou Shakira?”
- “Ah fofo, Shakira não, mas Colômbia era engraçado. Colômbia ou Argentina?”
- “Agora que falas, Maria Dona, que te parece, tipo o gajo da bola?”

No fim, fica Penélope Anabela, mas será conhecida também por ser a miúda que matou os pais com um cutelo, depois de perceber a dimensão da anormalidade do processo de escolha do seu nome.
Depois, também temos os casos de gente que devido a ter dois nomes desenvolve dupla personalidades, sendo conhecidos nuns meandros por um dos nomes e noutros pelo outro, causando a confusão de quem passe por elas nos dois. Por exemplo, tomemos o Majó (sim combinações de dois nomes são praga derivada e o Mário Jorge é uma vítima) que tem saído com a Carla. Durante o dia, o Majó e a Carla trabalham numa livraria e, depois de ter superado o boato sobre a sua homossexualide, o Majó até acha que há um clima entre eles.
Uma noite, depois de a deixar no seu apartamento na Encarnação, onde Carla vive com o seu irmão MiJó (Miguel Jorge no BI), Majó é desviado por Cabé (Carlos Alberto no BI) e acaba a noite num bar de strip, gerido por Brocas (Bruno Carlos no BI). De repente, apesar de a bebida já ser intragável há muito tempo, Majó cospe violentamente o resto da mesma, quando repara que a Verónika q faz as delícias de dois empresários da construção civil é, nada menos nada mais que a doce Carla da secção infanto-juvenil. Sete meses de terapia mais tarde, Majjó conta a Cabé que o seu psicólogo, Dr. Mendes (Zé Tó para a malta da Ordem) lhe disse em confidência que Carla Verónika já era sua paciente desde a adolescência e que soltar a franga em bares de strip, foi a única maneira de lidar com a duplicidade que os dois nomes lhe causavam.
Como vêem, dramas destes há por toda a parte, mas não ficam por aqui. O segundo nome como arma de arremesso também é um dos feitos históricos desta praga.
Que as mãezinhas de cada um utilizem o artifício que criaram para nos fazerem sentir sempre pequenitos é natural, embora ver marmanjões de 40 anos a serem tratados por “Pedro Fernando não fales assim comigo” seja sempre algo surreal. O problema é que, e aqui acho que isto é sindrome feminino, quando se vê na rua um casal em que ela só lhe falta puxar uma orelha, enquanto diz “Bruno Filipe, não te quero a ler a MaxMen nem mais uma vez ouviste”, ao mesmo tempo que pensa “Se eu tenho de ser Filipa Alexandra, o mundo também há-de saber que sofres do mesmo”. Acredito que também existam uns quantos gajos que tenham o hábito irritante de usar dois nomes para chamar os outros, mas a raça humana é assim mesmo, sujeita a anomalias genéticas...
É simples minha gente, para acabar com a praga é preciso muito pouco, embora para outros possa ser pedir muito: é ter bom senso. Se ainda por cima há gente que já viaja no BI com 200 apelidos, porquê acrescentar mais dois. Sejam concisos, procriem, treinem para procriar, façam tudo o que é suposto para prolongar a existência humana, mas escolham apenas um nome. Não é difícil, não é o 13º trabalho de Hércules, é uma questão de serem coerentes e minimamente preocupados com o futuro da criança.
Vão ver que mais tarde, quando eles já forem crescidos, se vão virar para vocês e dizer:
“CaDu meu pai e PaXa, minha mãe, obrigado por apenas ter um nome. É que se Eleutério já é uma bela merda, nem quero pensar no que seria o segundo”.

8 comentários:

  1. Eh eh eh...

    Também faço parte do grupo dos afortunados. A sorte bafejou-me tanto que o meu nome é mais minimalista que a decoração num presídio. Só tenho 1 nome próprio e apenas 2 apelidos. E como sou feliz. O tempo que poupo com o preenchimento de formulários e a assinar cheques...O meu progenitor, esse então, ainda é mais exagerado: um nome e um apelido, tão somente. An?

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  2. Aprendi a lição e só usei só um nome para o primogénito.
    Só não previ uma coisa, é que se ele escrever só as iniciais vai ficar DST...

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  3. Aiii! Tatiana Vanessa é tão lindo!

    Se soubesses o meu nome... ui! Apesar de ter 3 nomes apenas.

    Eu até era para me chamar Amandine. Já viste o que era? Ohhh Dinaaaaaaaaaaaaa?!?!?

    Geezzz

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  4. Diana é um nome que vai bem com qualquer coisa. Mas sozinho é do melhor. Oh se é :D

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  5. Quem quiser avançar com os seus dois nomes, este é um espaço livre e aberto a todas as defici...perdão tendências. De qualquer forma, podem sempre servir-se do anonimato, desde que assinem.

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  6. Estrellinha tens uma foto nova? (Ficas melhor longe da árvore!)

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  7. Eu "amando-me" prá frente:

    Flávio Roberto

    P.S.: Uma pista... já comentei este post

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  8. eu não queria comentar este post, mas se há uns q se aventuraram, eu não me deixo pela cobardia! Maria Luisa, são os meus dois primeiros nomes. Sim, sim, até são normalecos e tal, mas ai de quem se atreva a juntar os dois em diminutivos como o mencionado pelos Ena Pá 2000 e coisas do género.
    É motivo para entrar na minha lista negra de vingança.

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