16.7.07

Até um Mau tem bons fundos (infelizmente, não monetários nem de investimento)



Comecei, de há uns tempos para cá, a notar que corre um rumor sobre a minha pessoa. Diz-se que, possivelmente corrompido por uma infância em que dar uns abanões a uns escuteiros ou fazer-me passar por diabético para ter lugar nos transportes eram passatempos habituais, me tornei frio e insensível, incapaz de apreciar o que de bom há nas coisas, salientando apenas o que de mau há no mundo.
É verdade. Se estavam aqui há espera de um desmentido veemente, de um choradinho sensível daqueles que se vêem em blogs de gente com sentimentos e essas coisas peganhentas, esqueçam. Aqui não há espaço para isso, a não ser que me paguem. Aí sim, prometo fazer-vos relatos de bondade, beleza e sentimentos leais como nem no saudoso “Ponto de Encontro” havia (um dia conto-vos como foi a minha única experiência na plateia dessa Twilight Zone com Henrique Mendes como Rod Serling). Até lá, só ironia requentada (não confundir com requintada) e bitaites de índole duvidosa.
Mas, até porque sou humano (numa vertente abrangente), estou sujeito a falhas e, como tal, tenho que confessar que, até se encontrar cura para isso, sou acometido de boas sensações de quando em vez e dá-me vontade de apreciar a vida.
Assim, posso dizer que a semana passada calhei a apanhar um eléctrico em noite de Verão, quase vazio, sempre a abrir na 24 de Julho, de janelas abertas e comigo de guedelha ao vento. Não fazia isso há muito tempo e soube-me bem. Infelizmente, os planos de ficar engripado para não ir trabalhar o resto da semana, falharam miseravelmente e, tendo-me distraído em Alcântara, aproveitaram que levava o braço de fora para me gamarem o relógio.
Decidi também à última hora a ir um festival que pairava entre o Coliseu e os Portões do Inferno (nome carinhoso que atribuí em tempos à Estação do Rossio, em virtude dos destinos de luxo que unia a Lisboa). Teve os seus momentos interessantes e foi um serão agradável, no qual gostaria de destacar o facto de três ET’s aos dez minutos do primeiro concerto terem resolvido dar numa de aspiradores de coca mesmo à minha frente, tendo um deles lançado a moda de dançar de costas para o palco enquanto o seu neurónio coquinado visitava o planeta Zorg. Isto sim, é malta que sabe o que são as coisas boas da vida. Redescobri também que o caminho mais rápido entre o Coliseu e o Rossio pode dar alguma dor de cabeça no dia a seguir, mas quero acreditar que não tem nada a ver com diversas paragens para beber um refresco de ginja, que sabe-se lá porquê tinha um pequeno travo a álcool.
E, finalmente, achei que passar parte do meu tempo livre a escrevinhar maledicências em blogs não era suficiente, que precisava de algo mais para me elevar como ser humano. Daí ter descoberto uma nova paixão, ilustrada na foto acima que, certamente, muita da gente maldosa que por aqui passa já classificou de abichanada. Mas, antes de passarem à caixa de comentários toda essa acutilância maldosa em ebulição, pensem um pouco (sim, é muito para uma segunda de manhã eu sei) e vejam se arranjam maneira de lidar com isso. Para mim, foi contemplar borboletas, para vocês pode ser ponto de cruz, pescar na Cruz Quebrada ou assediar idosos nos transportes. Depois digam-me o que escolheram, desde que não seja punível po lei...


Massive Attack - Butterfly Caught


PS – Não, não me chamo António Costa, nem fui festejar ontem.
PSS – Não, não me chamo Telmo Correia e fui afogar as mágoas ontem, estando ainda a ressacar

8 comentários:

  1. Por acaso não acho a mania de contemplar borboletas abichanada, é mais à psicopata. Lembra-me o The Collector do John Fowles, ou até mesmo a capa do livro e o poster do filme The silence of the Lambs.

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  2. shhhhhh....n espantes a caça.

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  3. nem sei mt bem como vim aqui parar, nem vou entrar em divagacoes porque tenho que ir dormir que amanha � mais um dia em que infelizmnete tenho que justificar que o meu salario ao fim do mes, � pelo meu esfor�o diario em viver a triste condi�ao da minha profissao. Nao, nao sou prostituta. se � para escreveres, come�a a escrever mais assiduamente, porque nos intervalos da minha patetica vida de trabalhadora, la vou lendo e me vou rindo da maneira como ves a vida.

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  4. o meu texto preferido ate ao momento, dia 16 de Julho, 2 da manha, dada a dif horaria:

    "Soestorvamus - Os profetas do apocaleunãotedisse"

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  5. andas a coleccionar borboletas?? E dizes no título que tens bons fundos? Só se forem nos bolsos por aguentarem com as chaves das casas de tortura que abriste por esse país fora e não se rouperem.

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  6. bom... Borboleta... ataques de benevolência e sensibilidade... metamorfose... estarás a perder a tua maior qualidade?( a maldade)?

    Genial, fartei-me de rir.

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