7.5.07

Tudo isto é verdade

Sou mentiroso. Pronto, não é difícil admitir e o melhor de tudo é que é verdade, o que dá um certo toque de novidade comportamental à minha personalidade.
Que não se pense agora que faço da mentira a minha profissão. Aqui dão lhe outro nome, acho que é publicidade, mas nunca quis aprofundar muito o assunto, para não ter (ainda mais) pesos na consciência.
A mentira é então para mim um hobbie, uma abordagem criativa da verdade dando-lhe outras perspectivas e funcionalidades, para além da sua existência banal. Uma espécia de tuning da verdade, mas com critério, sim porque não sou um reles mentiroso, mas sim um refinado tanguista.
Qual é a diferença? - perguntam os dois inocentes que visitam este blog e que, alegadamente, só mentiram uma vez na vida e foi quando responderam afirmativamente à pergunta “És inteligente?”. A diferença é que mentir é uma arte e há muito quem não a saiba utilizar ou a utilize para os fins errados. Esses são os reles, os mentirosos vulgares, os que põem o nome da mentira na lama e eu na lama só gosto de ver voluptuosas beldades degladiando-se em bikini.
Eu não sou pela mentira vulgar, por aquela mentira grosseira só para prejudicar outra pessoa, pelo vulgarismo político, a falsidade profissional ou a vigarice amorosa. Isso é diminuir a mentira a um estatuto que ela não merece.
Eu sou pela mentira artística, o toque de mestre na distorção da realidade que dá a mesma satisfação que a de um artista ao contemplar uma obra prima. Diria que este tipo de mentira está para o sonho como o mentira vulgar está para o pesadelo.
Atenção, não quero com esta prosa dizer que toda a gente deve começar por aí a mentir a torto e a direito. Mentir requintadamente exige arte e isso não está ao alcance de todos, tal como pintar, esculpir, etc, pelo menos não na perspectiva de ser um virtuoso na matéria. Quer dizer, podem ir tentando uns esboços, com pessoas mais próximas, no recato do lar e ambientes semelhantes, mas tenham muito cuidado, porque é muito fácil resvalar da arte para a vulgaridade, até mesmo entre gente com mais experiência.
Caso ainda subsistam dúvidas, ponha-se a questão nestes termos metafóricos abichanados: a mentira artística é como pintar um raio de sol num céu carregado de nuvens, criar um sorriso onde só há tristeza ou curar os doentinhos e erradicar a pobreza (não, estas últimas duas só fazem sentido em discursos de candidata a Miss).
Não acreditam no que acabaram de ler? Pois, tendo em conta a minha primeira frase, pode ser mentira. O que, paradoxalmente, tornaria isto tudo verdade. Significa isto que saio sempre bem da coisa, pois ou “Isto é tudo mentira e eu até digo umas verdades” ou “Isto é tudo verdade e eu até digo umas mentiras”. Abençoado mundo em que vivemos.

6 comentários:

  1. É mais "Com a verdade me enganas..."

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  2. lolol
    Ah então és desses meninos que criam necessidades falsas nas pessoas...'tá bonito. Fui a oral nessa disciplina e discuti tanto com os profs, disse que era tudo uma carrada de mentiras, que eles deram me 12 e mandaram-me embora.

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  3. Lá está, quem diz a verdade a mais não é obrigado. Já quem diz a mentira, é obrigado a percorrer caminhos muito escuros...

    É por isso que ando sempre com uma lanterna no bolso.

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  4. Publicitário? Que desilusão... nesse mundo só há uma coisa boa, é quando nos despedimos e enveredamos por outra área. Fazer uma directa por causa de um anúncio, como se não existisse o dia de amanhã? Clientes, donos da verdade, que pensam que Pantone é um bolo italiano? nah...

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  5. O meu ramo é mesmo o da mentira, tudo o resto é nada mais que um hobbie...

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