2.3.07

O Derby da Bol(s)a

Por toda a Lisboa já se sente a agitação que precede o grande confronto de hoje à tarde. As roulottes estão já montadas nas imediações do Centro de Congressos de Lisboa e já começa a pairar um cheirinho a chamuça com caviar e, para delícia dos mais rústicos, o aroma a entrecôte como só o estaminé da Brasserie sabe preparar. As grades acumuladas de Moet&Chandon e Chateau Lafitte deixam ainda antever um derby que se vai prolongar pelo dia e quiça pela noite, dentro e fora do recinto de jogo.
Os adeptos já se estão a reunir nos pontos de encontro previamente definidos (Fórum Picoas e cabine telefónica ao pé do Elefante Branco para a PT, Continente da Amadora e Kentucky Fried Chicken da 2a Circular para os da Sonae). Ouvem-se já alguns cânticos ensaiados para o embate que, a partir das 15horas, vai decidir o futuro da OPA que tem apaixonado o país. Não será difícil ouvir nos instantes decisivos palavras como: “Sonae, Sonae vai fazer OPA’s p’rá p... da tua mãe”, “Ninguém pára o Belmiro, ninguém pára o Belmiro, ninguém pára o Belmiro oéoooooooo”, “E quem não salta, é Granadeiro!!” ou “Nós só queremos a OPA a arder, a OPA a arder a OPA a arder”.
Os títulos dos jornais da especialidade também não escondem o interesse à volta do derby. O Jornal de Negócios avança com uma capa que tem as vedetas de ambas as equipas, Henrique Granadeiro e Paulo Azevedo numa imagem de frente a frente com o título “A Bolsa ou a vida – Duelo de titãs decide-se hoje”. Já o Diário Econômico prefere uma perspectiva global com todos os principais envolvidos e apoiantes de ambas as partes colocados ao estilo Padrão dos Descobrimentos e um título épico “Chamada final para a batalha das Linhas”.
Em declarações ao nosso magazine, os já referidos capitães de equipa não se quiseram alargar muito sobre estratégias, mas avançaram com algumas palavras em antevisão. Granadeiro preferiu abordar a parte táctica dizendo “Quando eles virem o sketch que pedimos aos Gato Fedorento sobre os perigos das desblindagem de estatutos, até tremem, É que mete chaimites e o Ricardo a fazer a rábula com uma pronúncia algures entre o Belmiro e o Salazar”.
Paulo Azevedo, do clã Azevedo (não confundir com McLeod) foi mais lacónico nas suas declarações: “Damos o melhor o ano inteiro para atingir os objectivo que o pápá, perdão o Mister, traçou. Não é uma OPA que decide o campeonato, é um campeonato que se decide numa OPA e o Paulo está interessado em ganhar todas as OPAS em particular e esta em geral”.
Os dados estão lançados, as emoções estão ao rubro e aconteça o que acontecer, ganhe quem ganhar, Portugal não vai voltar a ser o mesmo e expressões como: “Queres vir a minha casa para eu te desblindar os estatutos?” vão marcar a moda nos próximos anos.
E se não estão de acordo, experimentem lançar-nos uma OPA.

2 comentários:

  1. adorei este vosso texto
    muito bom... ri imenso
    fazem falta a comentar la no meu blog

    www.cronicasescarnioemaldizer.blogspot.com

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  2. O que fazia o menino se eu lhe lançasse uma Opa?? Hã?? :-D

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