12.3.07

O campino e o cigano - Parte I

Se há coisa que adoro, a par de mirtilos, são fábulas. Mas não fábulas daquelas sensaboronas onde efectivamente se aprende alguma coisa, mas daquelas modernas onde muito pouca gente percebe a sua intenção, mas diz que adorou para não ficar mal visto. É isso que espero que aconteça neste caso, especialmente porque eu faço parte da história.
Reza a lenda que, na minha época como estudante universitário, resolvi rentabilizar financeiramente o meu tempo fazendo exactamente o mesmo que fazia nas aulas: trabalho de figurante. E é aí que começa esta fábula, mais precisamente numa acção para os 100 anos do cinema em Portugal.
Não tendo eu aspirações a ser o novo Joaquim de Almeida (nem o velho por sinal), aceitei logo a proposta para esta acção a troco de uma centena de euros, sem antes perguntar do que se tratava. Fui com um amigo meu, e ao chegar logo nos explicaram:

- Ah, vão andar a ser filmados por Lisboa encarnando alguns personagens clássicos do cinema e, em determinados locais, vão distribuir informação sobre a festa que vai ter lugar hoje à noite.

Pensei logo, que personagem irei ser? Um Indiana Jones, um Darth Vader ou até mesmo o Conde Drácula? Andei muito perto, porque quando a senhora trouxe a minha indumentária, vi que era a de um campino...
Ainda meio abalado pelo choque, vi que ao meu amigo lhe tinha calhado o Zorro, com tudo a que tinha direito, desde a calça preta à camisa, ao colete preto, à capa, ao chapéu e à mascarilha e à espada. Sendo ele bem mais baixo do que eu, ainda pensei recorrer à violência para trocar as indumentárias, mas pelo tamanho não dava, por isso resignei-me.
Seguimos então por Lisboa, tentando eu compensar o facto de estar a usar calções de cetim, meias de renda brancas até ao joelho, camisa branca, colete e gravata vermelha, com o gorro de campino enterrado até ao meio da cara. Depois de algumas filmagens fomos divididos em duplas, ficando eu e o meu amigo Zorro, com a zona do Rato e das Amoreiras para distribuir os convites para a festa.
Estávamos perto do Verão e o calor começava a apertar, mas resisti à tentação de despejar os convites no lixo e dar a tarefa por concluída. Ao abordar uma idosa para lhe dar um convite, recebi uma rejeição original: “Não obrigado, o cigano já me deu.”, “O cigano?” perguntei eu. “Sim Sr. Campino, o cigano ali na outra rua”.
Intrigado, fui ter com o meu amigo e perguntei-lhe:
- Ouve lá, andaste a dar convites a algum cigano para distribuir?
- Cigano??? Não, só dei uns convites a umas velhotas. Porquê? – respondeu-me.
- Porque...

Ao olhar para ele, de repente fez-se luz. Com o calor ele tinha tirado a mascarilha e o chapéu e tinha uma barba de 3 dias, todo vestido de preto. Tirando o Zorro, pensem lá que tipo de personagens se apresentam assim... Mistério resolvido, cigano descoberto...
Amanhã, se se portarem bem, conto-vos o resto da fábula...

7 comentários:

  1. "Laivinhos de virgem" não imaginas o que me ri às custas deste post!
    Precisamente por te imaginar vestido de campino! Com os "calções de cetim, meias de renda brancas até ao joelho, camisa branca, colete e gravata vermelha, com o gorro de campino enterrado"! ahahahahahahahahaha

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  2. Isso é uma beca humilhante não achas?

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  3. Era pior se em vez de campino, a indumentária fosse de Tarzan.

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  4. Fico bem de campino é um facto, daí que n seja humilhante. Mais triste foi uma vez que apareci no traumatizante Ponto de Encontro e, pelo que vi posteriormente passei o programa todo a rir da desgraça alheia...

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  5. bonito era apareceres de campino, no ponto de encontro, a pedir lá ao outro que deus o tenha, que te ajudasse a encontrar o teu amigo zorro que havera sido raptado por um cigano, que lhe roubou as roupas e o posto de trabalho, talvez também lhe tenha ficado com a família e alguns amigos, e certamente ainda o obrigou a comprar dvds piratas que mais tarde foram descobertos pela PJ. desde a apreensão dos dvds que não viste mais o teu amigo, calculando que ele se tenha mudado para marrocos, onde fez uma reconstrução facial para poder levar a cabo a sua vingança de forma pouco original, mas com melhor aspecto. sabes que pelo o caminho ele é capaz de ter visto uma teresa guilherme louca ou uma coqueluche do herman séria ficando desorientado ao ponto de não saber se estava numa produção da sic ou num clássico da literatura. uuummm, onde será que eu já li isto? La Fontaine? talvez não, mas parte acontecia em frança, o que fará do nicolau breyner, napoleão bonaparte? talvez?

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  6. Diz-me que a loja "O cogumelo mágico" ainda não abriu sucursal em Lisboa ou será que já?

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  7. Se calhar já, mas eu ainda não fui informada. isto tudo foi tirado de uma outra loja, que não vendendo cogumelos mágicos, desde a Floribella que os toma com certeza.

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