26.3.07

Livra, que já não posso com tanto livro!


Depois de este fim de semana ter dado uma volta por alguns antros onde se vendem livros, cheguei a uma triste conclusão: em Portugal, escrever um livro é cada vez mais fácil, isto é, qualquer débil mental o faz.
Digo triste conclusão, porque aquele ideal mítico que persegue boa parte das pessoas que gostam de escrever, nas quais me incluo, de um dia escrever um livro (entenda-se livro como conceito interessante e não como fast food encadernado), agora não passa de uma expectativa ridícula e pouco ambiciosa. Ridícula, porque hoje em dia escrever um livro já não tem a ver com talento para a escrita ou criatividade literária, mas sim com modas, tendências e satisfação do voyeurismo do público, que gosta é de uma boa escandaleira ou de um bom tema picante.
Quem me conhece, seja por intermédio destas linhas ou da experiência horripilante que é a vida real, sabe que tenho as aspirações intelectuais de um pescador de estrelas do mar da Samoa Ocidental, mas dificilmente quero ser posto no mesmo saco que quatro ou cinco strippers, três ex-prostitutas (com e sem blogs e/ou doenças venéreas), 252 jogadores da bola, treinadores, árbitros, dirigentes, amantes de dirigentes, empregados do hotel onde ficaram dirigente, tipas que cruzaram olhares furtivos com dirigentes durante dois segundos, taxistas que já transportaram dirigentes ou com os 128 mil bloggers que converteram o seu espaço na net, em espaço nas prateleiras de uma qualquer livraria. Posto no mesmo saco que esta gente toda e com as pessoas que efectivamente, na maior parte dos casos, lhes escreveram os livros é claro.
Sim, eu sei (para além da história que tudo são recordações), há um critério comercial por detrás da publicação de um livro. Há anos que oiço essa lógica também em relação à televisão nacional relativamente à programação nacional que nos oferece e, de facto, as coisas têm melhorado brutalmente...
Por isso, mantendo ainda firmes os propósitos de ter um filho e plantar uma árvore, vou começando a pensar se essa história do livro pode ser comutada num argumento para um filme porno ou numas obscenidades escrevinhadas num qualquer WC público. Sempre é mais entusiasmante.


PS1 – Se algum dia alguém vir um livro meu nos escaparates, podem ter a certeza que a primeira coisa que farei é engolir literalmente as minhas palavras, ou seja, comer a folha A4 onde estou a escrever isto.

20 comentários:

  1. Infelizmente sempre foi assim vejamos um exemplo de merda literária famoso, a Margarida Rebelo Pinto essa merda ambulante escreve pior que uma pita no seu diário e ganha massas com isso!

    ResponderEliminar
  2. Terei de concordar contigo, também me desmotivou um pouco para escrever o meu livro e editá-lo. Não quero escrever só porque é moda ser-se escritor, não. É apenas pela paixão à literatura, às letras.
    Um dia, quem sabe... até lá vou escrevendo e guardando no armário.

    ResponderEliminar
  3. Pois eu acho muito sinceramente que é bom as pessoas poderem escrever livros, sobre assuntos vários, coisas parvas... imbecilidades seja o que for... quem quer ler lê, quem não quer nao compra.

    Tanta queixa que o povo portugues nao le, que é burro, que só quer televisão etc etc... e agora atiram a pedra aos que escrevem e aos que leem!?

    Pelo amor de deus. Desde que não tenham erros ortograficos deixem-nos escrever... As pessoas assim como assim leem os blogs, qual é a diferença de lerem em papel!?

    Não acredito que nenhum destes "novos escritores" sejam candidatos a um nobel da literatura, acredito sim que tragam a literatura light a um novo patamar... mas ai é como disse acima... só lê quem quer.

    Entre embrutecer a ver a tvi ou a ler um livro baseado num blog mesmo que sem grande conteudo... espero sinceramente que recorram à segunda, até porque está provado que o cerebro está mais "acordado" durante o sono do que em frente à tv.

    ResponderEliminar
  4. Atenção, eu não critico quem escreve, se lhes dão o dinheiro é de aproveitar. É como dizer que os jogadores de futebol ganham alarvidades de dinheiro. De facto, ganham, mas se a mim me dessem o mesmo para dar uns pontapés na bola eu não dizia que não.
    O problema é a envolvência. Eu não me importo de ver livros "light" à venda e até de ler um para desmoer, mas esses são a excepção e não deveriam ser a regra.
    Eu não me revejo nesse tipo de literatura, como não me revejo no 24 Horas como jornalismo ou nos Malucos do Riso como humor.
    Mas isso sou eu, que não sou exemplo para ninguém. E, sendo isto um espaço livre, quem não concorde que diga de sua justiça...

    ResponderEliminar
  5. Mak, noto que este post de hoje implementou o debate. Essa gincana pelas feiras do livro manuseado deu pelo menos, notas de fim de página.
    Por motivos profissionais estou sempre a editar artigos científicos e até já fiz livros e porém, ninguém me pede autógrafos, ninguém me paga royalties, nada.

    ResponderEliminar
  6. Oh Mak, vamos lá ver, eu não digo que tu não dês a tua opinião... mais ainda, com a minha opinião não pretendi "forçar-te" a aceitar esse tipo de literatura visto que não te identificas com a mesma... a questão é mesmo essa. Há quem se identifique... há de ser sempre o eterno cliché do "Há gostos para tudo".

    Obvio que valorizo a tua opinião, até porque também não é o tipo de leitura que prefiro mas tudo o que fiz foi fornecer a minha opinião, talvez um pouco utópica, tentando reforçar a ideia de que para além de haver gosto para tudo, cada vez mais com o BOOM dos blogs, há tambem espaço para tudo, Bom e Mau.

    E é como na guerra dos preços... o consumidor final é que fica a ganhar.

    No hard feelings i hope.

    ResponderEliminar
  7. Se levasse opiniões diferentes a mal, seria tão redutor como aquilo que critico ;)

    Fazendo apenas mais uma analogia idiota (a prata da casa), o exemplo de ser melhor ler livros "da tanga" do que não ler livros nenhuns, é como dar a alguém que está morto de fome uma dose de farturas. Supre uma necessidade imediata, mas a médio prazo é capaz de não levar a lado nenhum...

    Mas, é como dizes, há gostos (ou falta deles) para tudo. E, se eu fosse extremista em relação à literatura idiota, fechava este blog...

    ResponderEliminar
  8. Concordo em absoluto com a "analogia idiota". Mas vê, antes ficar na mesma a longo prazo do que ficar com danos permanentes provocados pela fome...

    Ah Teimosa a gaja!

    ResponderEliminar
  9. Se Faz Favor, queres ir beber um café, a casa da Margarida (Rebelo Pinto)? Acho melhor deixá-los a sós, que o debate está interessante e elevado.

    ResponderEliminar
  10. Recuso-me a participar em qualquer debate, onde as palavras interessante e elevado estejam presentes. Já "gorduroso" e "polyester" não me fazem tanta confusão...

    E, por quem sois, tragam antes a Margarida, para que nos diga de sua justiça...

    ResponderEliminar
  11. Cuga, não percebi metade do que aqueles dois escreveram. Devem ser muito inteligentes.

    Eu é mais aletria...

    ResponderEliminar
  12. não quer ser posto no mesmo saco que as centenas de pessoas que têm blogs e que publicam livros... bom não sei em que é que o senhor é diferente deles ou é por acaso o saramago da blogosfera.
    humildade precisa-se

    ResponderEliminar
  13. não te preocupes, ainda que algum dia venhas a escrever um livro, dificilmente dividirás de prateleiras com os livros que mencionaste no post. Primeiro, não te imagino imerso nos meandros da corrupção futebolística, em nenhum dos personagens, nem mesmo no papel da puta que come o dirigente, e se algum dia tal acontecesse, não creio que escrevesses sobre isso, afinal pode-se ver por este blog que és muito pouco biográfico na escrita.

    A menos que, o teu livro venha a estar no top fnac. Aí lamento, mas vais partilhar de muita prateleira com livro desagradável.

    ResponderEliminar
  14. E mais o Mak não é o Saramago da blogosfera, ele usa pontuação.

    ResponderEliminar
  15. Ah, eis que batemos num ponto "teoricamente" sensível, a humildade. Porque gosto de por os pontos nestes aqui -> i, deixem-me então rebater.

    @ Sa - Da mesma forma que qualquer pessoa tem o direito de não se rever em qualquer baboseira que eu escreva, eu tenho o direito de o fazer em relação a qualquer outro aspecto. Podes gostar daquilo que fazes, ter uma posição definida sobre isso, sem ter a mania da superioridade.

    Daí eu não ter dificuldade nenhuma em dizer que não quero ser posto no mesmo saco que todos os artistas que referi. Não por demérito deles, mas sim por opção minha. Se alguma vez publicasse um livro, um cenário muito distante, não quereria que fosse uma materialização do blog. Se outros não pensam assim, porreiro, eu não vou tentar convencer ninguém.

    Agora, se alguém me oferecesse dinheiro por isso, sem eu ter de mexer uma palha para isso acontecer, não ia de facto cumprir um sonho, mas poderia certamente ganhar uns cobres. Materialista? Nitidamente, mas um materialista aspiracional, se é que isso existe...

    Qt ao comparativo Saramago, permite-me distanciar. Tenho mais cabelo, menos idade, menos Nóbeis, mais pontos e vírgulas no currículo, menos casas em ilhas solarengas, infinitamente menos estaleca literária, mas não tenho dúvidas que no basket lhe dou água pela barba.

    De qq modo, agradeço a opinião, é que para além do ego, também tenho costas largas e capacidade de encaixe a condizer.

    @ Pala - Nas prateleiras da Fnac só me deves encontrar, se as coisas derem para o torto e tiver que me safar como repositor...

    ResponderEliminar
  16. Mak: Aproveitando a temática literária, cheguei à conclusão que há algo de quixotesco em ti. (se um dia te conhecer, se calhar, descubro que é mais Sancho Pança...)

    ResponderEliminar
  17. Eu diria que Mak tem uma costela muito mais LoboAntuniana, não só pelas costas largas...

    ResponderEliminar
  18. @ Cuga - Serei mais uma espécie de Sancho Quixote, pois combino a sensibilidade e maneiras de um lenhador com os delírios e visões de grandeza de um alucinado como o jovem De la Mancha, mas ambas as personalidades se divertem ao som de Bloc Party if you know what i mean.

    @ CH - Eu de Antuniano tenho muito pouco, a começar pelos livros. Bem, se calhar mau feitio ainda se arranja um bocadito...

    ResponderEliminar
  19. Meu caro, era mesmo pelo mau feitio mas seu não queria ser assim tão óbvia

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.