17.1.07

Síndrome do Messenger, diz que é virtual diz




Embora não tendo a certeza, sou gajo para apostar que o verdadeiro 3º Segredo de Fátima é o advento do Messenger. Em boa parte, isso explicaria porque a Irmã Lúcia não estrebuchou muito na sua vida de clausura e se remeteu ao silêncio. Achava todo o conforto que precisava no Senhor, no Puto Jonas e na PussyGalore, com quem teclava há alguns anos no retiro da sua cela, através do portátil oferecido ainda por João Paulo II, ou melhor, CraCOviA_Ninja, seu nick de sempre.
Depois deste prelúdio, em que devo ter condenado a minha pessoa e toda as gerações vindouras ao fogo dos infernos, falemos então do Síndrome do Messenger. Esta ferramenta, em grande parte, veio mudar um pouco a rede das relações entre pessoas. Permitiu que se mantivesse contacto regular com malta que dantes só se encontrava de quando em vez, que os tímidos tivessem uma arma para os ajudar a não irem sempre sozinhos ao cinema, que agora se tenham amigos que nunca se viu em carne e osso, que os forretas não dêem tantos toques e “kolmis” para os telemóveis e digam tudo o que têm a dizer sem terem que fazer maratonas para conseguir fazê-lo em menos de um minuto.
No campo sentimental também muito engate se tenta fazer via msn, embora por vezes a emenda seja pior que o soneto escrito no meio de smilies, “lols”, “rotfls” e muitos “k’s” semeados pelo texto. No entanto, muito fuzileiro tem encontrado a sua alma gémea em meninas da Escola Secundária de Manhufe e divorciadas quarentonas têm dado explicações a jovens estudantes, por esse processo.
Mas, e se não houvesse um mas este texto não faria sentido, com as suas virtudes o Messenger trouxe também uma caixa de Pandora virtual. As neuroses ou melhor, o Síndrome do Messenger.
Quem esteja online regularmente assiste agora a espectáculos virtuais de grande nível, como o de gente que não compreende que estar online n é sinónimo de estar num guichet à espera de pessoas para atender. Dir-me-às tu, leitor sabichão “Ah, mas tens os símbolos a dizer que estás ocupado”. Certo e tu também nunca atravessaste a rua com o semáforo vermelho 200 mil vezes.
Irritado com a minha resposta, decerto vais retorquir “Então porque é que ligas o msn?”. E eu, do alto da minha sapiência condescendente, sorrirei dizendo: “Porque me apetece”, contribuindo para elevar o tom da discussão.
A verdade é que não tenho problema nenhum em estar contactável no MSN, mesmo em horas de trabalho, sendo que só respondo quando posso (ou quando quero). Só que me irritam um pouco, certos dramas que surgem online dos quais passo a orientar um exemplo:

W: Então, tudo bem? (passam 10 segs)
W: Como é, não respondes? (mais 10 segs)
W: Tudo bem, não queres falar podes dizer (mais 10 segs)
W: Sim, não precisas de fazer drama. Estás chateado, mais vale que me digas o que tens a dizer. (mais 10 segs)
W: Não suporto essa tua atitude. Ficas a remoer nas coisas até não poderes mais (mais 10 segs)
W: Olha, estou farto. Quando achares que deves falar, sabes onde me encontrar (fica offline)
(entra online)
W: Estive a pensar, se calhar falei sem pensar. É melhor esquecermos isto... (mais 10 segs)
W: Está bem?
S: Oi, vim agora do almoço, esquecer-me do quê?

Como disse, este é só um exemplo, os quais nascem como malmequeres em prado cibernético. Online é sinónimo de disponível para muita gente e, como tal, se não estamos à altura, vai haver sarilho. A par desta neurose, três outros pequenos apontamentos que deixo, enquanto preparo um compêndio sobre o tema:

A)A malta que acha que o nome não chega para se identificarem. É preciso acrescentar uma citação profunda que reflicta toda a sua ponderação, inteligência, visão desiludida, amor pelo próximo ou gosto por livros do Paulo Coelho. Coisas que nos fazem reflectir e dar um valor acrescentado às pessoas que conhecemos e fazem um modo de vida de expressões como: “A beleza está nos olhos de quem a vê e eu devo ser ceguinho” ou coisa parecida.

B) A malta que acha que o nick do MSN é um calendário de actividades. É gente que pensa que estar online é partilhar tudo o que fazemos com a nossa comunidade virtual. Seja “Venceslau - Maldita hora em que comi 3 pratos de feijoada” ou “Felismina – O instrutor de Pilates é uma nódoa nos preliminares”, diariamente assistimos a um desfile de actividades, muitas das quais sofrem da mesma graciosidade de “NeLiTO – FonIx, a avó foi passada a ferro pelo BUS”. Folgo em saber o que estão a fazer, mas prefiro sabê-lo quando o perguntar...

C) O Dr. Mono e o Mr. LOL - Esta é o clássico. O pessoal que se transmuta de alguém calmo, discreto e consciente para um rei da galhofa, do bitaite lascivo, da piada fácil, da matraca incessante e do diálogo maroto, como se sofresse de dupla personalidada. Eu ao menos sou coerente, sou ruim ao vivo e online.




Resumindo, chegou uma nova era e, quem não se orientar, que me procure no Messenger e eu explico tudo muito bem explicadinho. Se eu não responder, podem sempre deixar de falar comigo. É capaz de ser propositado.

8 comentários:

  1. Caro Mau,

    Depois de ler o seu texto e de olhar para o meu ambiente de trabalho e de constatar que nao uso o msn e de constatar que para alem de nao usar o msn uso o skype pergunto-me: Serei eu capaz de fazer o pino?

    :) (desculpa mas hoje é um dia de comments maus e como tal...)

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  2. É um bom texto Mak! Eu recuso-me a ter message pois era uma afronta para o meu silêncio virtual. Se já tenho telefone, fax, telemóvel com atendedor de chamadas activo, telefone do emprego e três e-mails que visito diariamente por que raio é que preciso de saber a que horas é que as pessoas vão à casa de banho? É a chamada Shallow talk...

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  3. Room Mates à força...

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  4. Afinal é Mark ou Mak!?

    Vendeste-te à Apple foi!?

    :D

    (foi como "assinaste" no comment que eu venho agradecer.)

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  5. It's the end of the world as we know it...;)

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  6. Eu gosto das citações, e daí, processa-me. Fazem-me rir, as minhas e as dos outros.

    O que me irrita muito são os smiles no nick porque dá sensação que estás a falar com um indivíduo que não consegue parar de se rir ou que está verde... ou que é uma lua, ou um coração. E também não gosto quando as pessoas me respondem com smile atrás de smile ou que têm atalhos para tudo quanto é smile e depois leio frases que palavra sim, palavra não são um boneco. Isso sim é irritante.

    Agora ter um nick "Maria (nome fictício) - Tb eu keria parar...para te puxar, te fazer sorrir...(busy)" isso diverte-me é como ler resumos de romances Bianca sem estar na praia.

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  7. Dares ai' o contacto msn e' que era de valor...

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  8. Foda-se Mak, e n é q puseste a puta do dedo na ferida, caralhos ma fodam.
    Has-de ou hades, de acordo com as tuas convicções populares, desculpar-me pela vernáculo, mas padeço de Sínd. Gilles la Tourette com um caralho meu filho da puta.
    Dá um trabalhão, ai o caralhão também!, incrível e deixa-me que te diga, foda-se, que eu sem o msn nao sobrevivo às relações sociais ditas normais, pq como deves calcular, qdo tento meter conversa com uma gaja, ou puta do caralho qq, estou sujeito a levar um pero na cara, oq se diga FODA-SE! PUUUUUUUUUUUTA, não é mto abonatório, ser espancado por uma Joana ou Rita, ou Puta do caralho qq. Foda-se para esta merda.
    Portanto, tal qual Darwin, esse fodilhão de tartarugas disse, isto é uma luta pela sobrevivência. Vivemos numa selva de punheteiros cum caralho,e tive de me virar para o msn para conseguir salvar o pouco que restava da minha puta de vida social. CARRAAAAAAAAAAALHO.
    Apesar de tudo, é graças ao aviso que posso colocar atrás ou à frente, depende da perspectiva, do meu nick FoDiLLHão_de_RATas o seguinte resumo - ATENÇÃO SUAS PUTAS, SOFRO DE GILLES LA TOURETTE CARALHO,PEÇO DESCULPA PELA MINHA LINGUAGEM, FODA-SE, MAS FORA ESTA PEQUENA NUANCE SOU UM TIPO NORMAL.

    Já consegui arranjar um amigo virtual, um cabrão filho da puta chamado Fernando Rocha. E também o Petit.
    Gajas, é que só ainda uma puta do mercado do Bolhão.

    Bem, fico à espera do teu mail para te adicionar no meu msn

    Um abraço meu granda cabrão

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