26.10.06

As velhas históri(c)as das loiras

Embora escape aos efeitos desse feitiço, compreendo que existam muitas razões para o fascínio do macho tuga pelas loiras (e dispenso aqui o trocadilho da cerveja, embora também fosse aplicável). Para além dos ícones do cinema, da publicidade, de todo um lote de veículos de promoção das louras (que inclui o mito de que são burras, uma clara vantagem na perspectiva de alguns sectores da classe masculina), há algo que as valoriza no nosso burgo: são mais raras.
Portugal é um país de predominância morena e, restando ainda alguns genes de explorador em cada um dos machos lusos, a paixão por explorar o desconhecido está sempre latente e há uma tendência para tentar procurar o que cá não abunda. Daí eu compreender o porquê de muita mulher pintar o cabelo de louro, embora o considere uma espécie de tuning, ou seja, ela acha que vai ficar muito melhor, há um grupo de gajos que acha que está linda, mas a maioria da população não compreende esta atitude, nomeadamente porque ficam muitas vezes assim para o foleiro.
Não ponho em causa as madeixas, a coloração para variar e animar look, etc. Estou a falar do tipo fadista cigana ontem, estrela pop finlandesa hoje: do flagelo das loiras que pintam as raízes de preto e tristes histórias semelhantes.
Também compreendo, indo buscar o post do Vilão sobre o Zézé Camarinha, que nas fantasias selvagens de mulheres nórdicas, asiáticas e de outros pontos distantes uma experiência com um pequeno símio de bigode fosse algo de literalmente bestial, embora a ideia me dê alguns tremores.
Mas, eis a minha dúvida principal: porque raio é que a partir dos 50 anos, as velhas portuguesas teimam em ser loiras? É porque se é pelo sex appeal, então porque deixaram passar os melhores anos da sua vida, antes da mutação. Se é pelo glamour, então porque é que muitas não usam o bigode da mesma cor. Se é para esconder a idade, caras amigas não resulta, um candelabro antigo com uma lâmpada moderna continua a ser um candelabro antigo.
É que já não bastava serem responsáveis por grande parte do buraco na camada do ozono devido ao uso excessivo de laca, pelas lutas de gangues pelo acesso aos lugares reservados nos transportes públicos ou pelo sucesso de audiência dos programas da Fátima Lopes, do Goucha, da Praça da Alegria, estas simpáticas senhoras não percebem que serem louras não lhe melhora a vida e não nos melhora a vista. É que nem durante os dias que passei na Alemanha vi tanta velhota loura, como ontem num passeio pela Avenida de Roma.
Sejam naturais, melhor ainda envelheçam com naturalidade e mostrem aos gajos das tintas para o cabelo que o Farandol e seus semelhantes em Portugal têm os dias contados...

PS - Se este fôr o meu último post, perguntem junto da velhota loira que é porteira no meu prédio.

24.10.06

Deficiências arquitectónicas



Trabalho há alguns meses num daqueles edifícios modernos que me irritam um bocado onde, tirando os gajos que o desenharam e uma boa dose dos que lá trabalham, tudo é inteligente. Ele há escritórios onde o acesso é feito com cartão magnético, ele há outros onde até código secreto e impressão digital são necessários para entrar (ao que parece é um secretíssimo call center) e nalguns andares haverá com certeza outros mais evoluídos, onde um teste de ADN e o timbre certo a cantar temas da Floribella devem ser requisitos para conseguir entrar.
Os elevadores misturam grandes clássicos do mundo do ascensorismo com música trendy e fashion, o que me faz pensar que ou há DJ’s residentes ou a malta que escolheu as cassetes sofria de personalidade dupla. Para aqueles que beneficiam de lugares no parque subterrâneo, um discreto quadro óptico no painel do elevador anseia por um bom esfreganço num cartão magnético para lhes dar o prazer de aceder às suas profundezas.
Já as entradas são patrulhadas por seguranças/vigias/malta que precisava de um trabalho e este foi o que se arranjou, que olham sempre com alguma desconfiança para a malta (como eu) que acede aos elevadores de prédio tão ilustre sem o fato que a ocasião parecia exigir. Só o hábito e um ar decidido superam esta renitência inicial...
No entanto, para além de toda a parafernália de pormenores que poderia utilizar para vos maçar, vou apenas destacar mais um, aquele que me levou a este pequeno apontamento: as casas de banho (que são partilhadas com as empresas de cada andar), mais especificamente, a casa de banho para deficientes.
Não há muito a dizer sobre as casas de banho normais, pois até têm até um ar tradicional, cuidado e funcional, tirando o pormenor que na casa de banho dos homens se ouve facilmente a conversa na casa de banho das mulheres e vice versa, o que pode ser bastante interessante para aqueles dias mais mortos em que não há muito que fazer. Todas são também munidas do interessante mecanismo da luz que se desliga ao fim de x tempo de imobilidade, o que tem dinamizado em muitos WC’s do país a chamada “Hola mexicana dos sanitários” derivada da tradicional onda, que tantos eventos desportivos pelo mundo fora tem animado.
A casa de banho de deficientes, essa sim vale a pena visitar. Uma grande porta com amplitude suficiente para deixar passar uma cadeira de rodas abre-nos um espaço muito particular, onde podemos tirar algumas ilações.
Primeiro, os deficientes, tal como os vampiros, não têm reflexo. Isso justifica que por cima do lavatório não haja espelho, como há em todos os outros WC’s. Pode também ser que a pessoa que desenhou o espaço pensou, imbuída do espírito de Madre Teresa “Coitaditos, são deficientes, não devem ter brio nenhum, não vou ainda por cima humilhá-los com um espelho”.
Segundo, os deficientes desconhecem o uso da evoluída tecnologia do doseador de sabonete. Enquanto nas casas de banho tradicionais o doseador está embutido na bancada, aqui nem um pequenito descartável há, sendo o sabonete colocado em copos de plástico ou garrafas de água vazias, para não terem assim que afixar um complexo manual de instruções do doseador. Até me surpreende como é que há autoclismo e não um balde de água e um secador de pressão e não uma fogueira no canto da casa de banho.
Que não pensem aqueles que por esta altura ainda não estão a ver o Clube Morangos, que não reconheço que o facto de haver casa de banho para deficientes é positivo. Simplesmente, acho que as coisas quando são feitas devem ser bem feitas ou então soa sempre ao “teve de ser, por isso é que é assim” e ao tradicional desenrasca, o que nos leva ao último pormenor.
É que uma coisa que me deixou estupefacto quando visitei esta casa de banho foi o facto de por cima da grande porta da casa de banho para deficientes, do lado de dentro, haver um daqueles letreiros luminosos a indicar uma saída de emergência. A porta é única, a casa de banho não tem janelas e a saída pelo ralo do lavatório, da sanita ou do tubo do secador não me parece muito viável.
Portanto, ou partimos do princípio que em caso de emergência o deficiente pode desorientar-se e não encontrar a única e grande porta de uma divisão de dimensões reduzidas e precisar do letreito para se orientar. Ou então, aquilo inicialmente não era uma casa de banho e foi adaptada. Se assim é, justifica muita coisa, mas não se perdia nada em tirar o neón a tão prestigiada instalação, se não é, então é uma prova de estupidez arquitectónica ao melhor nível (ou de normas comunitárias, se tal for o caso).

A finalizar, responderei à pergunta que andará na cabeça de algumas das pessoas mal intencionadas que param por estas bandas: “Que fazes tu a passear pela casa de banho dos deficientes, já que apesar de deficitário em muitas matérias ainda não te enquadras nesse escalão?”
É simples, numa casa de banho comum, partilhada por duas ou três empresas num mesmo andar, só os mais fortes sobrevivem e a hora de ponta não é um conceito que se aplica apenas ao trânsito...

20.10.06

Filosofriday


Dado que com este tempo a palavra meter água adquire múltiplos significados e como tal a minha capacidade filosófica aumenta, beneficiando também do facto da minha predisposição inata para proferir alarvidades se manter em níveis altíssimos, indenpedentemente das condições atmosféricas, surgiu este post com algumas das minhas posições sobre a filosofia, algo que vos devia fazer parar um pouco e pensar. Se a parte de parar me parece fácil, pois consultar blogs em andamento não é algo muito viável, quanto ao resto não ponho as mãos no fogo, nem sequer por mim, já que não o fiz aos escrever estas linhas...


- Tenho dificuldade em diferenciar muitas das filosofias de origem oriental. Não sei porquê mas aquilo parece-me sempre um bocado Confúcio.

- Gosto imenso de correntes filosóficas que só fazem sentido em fases muito específicas da nossa vida, sobretudo porque acho muito importante encontrar um Nietzsche de mercado.

- Não acredito naquela teoria do virtuosismo inato, em que a sociedade é que corrompe o homem e este nasce puro. Especialmente vinda de um gajo que toda a vida se Rousseau nos outros...

- Para mim, os filósofos clássicos gregos divagavam demais e ficavam a martelar sempre na mesma tecla. E a mim, custa-me ficar de Platão a assistir a tudo...

- Custa-me muito aceitar as ideias e críticas de um filósofo que por mais Kant não me encanta.

- Para aqueles que andam sempre com um penso na carteira, fica um conselho filosófico: “Nunca te Descartes dele, é a prova de que tu existes”.

- Acredito muito nas filosofias e modos de encarar a vida viradas para o pacifismo. Parece que nada Buda, mas a sensação de paz interior é muito Gandhi.

17.10.06

Se o do Vilão não é bom, o do Mau talvez seja pior

Antes de me alongar muito no regresso aos posts, quero apenas dizer que não sou gajo para deixar o vilão levar vantagem, por isso embora noutro ramo e noutro local, também o nome do Mau é perpetuado, embora com propósitos comerciais.

E mai nada...

16.10.06

Porque há coisas que não podem cair no esquecimento....

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1 - "Puta crime namber faive!" (aconselhando uma camone a espalhar o creme bronzeador, o número 5; TVI; 2000)
2 - "My massage is the best massage." (com a mesma camone a oferecer-se para lhe fazer umas massagens; TVI; 2000)
3 - "Why don't you go to the beach? You're very white!" (abordando uma camone nas ruas de Portimão; TVI; 2000)
4 - "A nossa juventude é uma desgraca! Só tenho pena de eu andar sozinho neste jogo do engate aqui no Algarve! A juventude hoje em dia só pensa em drogas e em futebol! Tenho pena de não deixar nenhum sucessor!" (SIC; 2003)
5 - "Você duvida da minha machidade? Eu sou mesmo macho e tudo o que digo faco! Se duvida vamos ali para trás do cortinado e tira as dúvidas! Nem precisa esgalhar-me o pessegueiro, a alavanca sobe automaticamente!" (ferido do seu orgulho ainda no mesmo programa, acusado por Paula Coelho, apresentadora do SIC Núticias, de ser "Muita parra e pouca uva")
6 - "Eu arranjei nesta praia passaportes para toda a Europa! Sou como os jogadores da bola, trabalho no Verão, para ir a Europa no Inverno! As camones quando chegam ao aeroporto de Faro, já trazem a minha foto na mão, aconselhadas pelas amigas!" (TVI; 2000)
7 - "Já apanhei grandes malucas na cama! Algumas gostavam que eu lhes arriasse nas nádegas durante o acto sexual! Tinham essa tara, e eu tinha de lhes fazer o gosto." (TVI; 2000)
8 - "Eu costumo dizer que sou massagista para ver se me toca alguma coisa, também lhes digo que sou astrólogo para lhes ler a sina. Se nenhuma destas resultar digo que sou fotógrafo..." (a explicar como mete conversa com elas. (TVI; 2000)
9 - "Quem sou eu? Sou o último dos machos latinos, que tem o sangue de macho a escorrer nas veias, que sente orgulho em ser homem para satisfazer as tão necessitadas mulheres que me chegam às mãos de todos os cantos do mundo!" (TVI; 2000)
10 - "Já fui para a cama com mais de 1500 mulheres, devo estar quase a chegar à mulher 2000! Quando isso acontecer, dou uma festa no meu bar no Algarve!" (SIC; 2003)
11 - "Eu na outra reencarnação devo ter sido penso "isofrénico", daquelas da Evax ou da Insonia, pois adoro andar entre as pernas das mulheres!" (SIC Radical; 2002)
12 - "Tenho mulheres que choram para eu ir lá a casa delas tirar-lhes as cócegas! Os maridos são uns bêbedos que lhes batem sem dó nem piedade!" (Tal e Qual; 2002)
13 - "É evidente que já não dou dez seguidas como dava antigamente! Quando era novo dava mais de 50 num só dia, agora devo andar na casa das 20 ou 25 por dia, o que é bem bom para a minha idade!" (Tal e Qual; 2002)
14 - "Quando morrer quero que o meu pénis seja embalsamado e cremado, e que as cinzas sejam espalhadas por estas praias do Algarve desde Lagos a Faro que é o meu território de caça! Deste modos as praias serão purificadas...claro que haverá cinza suficiente!" (SIC; 2002)
15 - "Tenho prazer em galantear as mulheres, em meter conversa com elas! Elas até me pagam para eu lhes satisfazer! O BMW que tenho foi-me oferecido por uma chinesa boa como o milho que dizia que o marido não lhe satisfazia pois tinha uma pila microscópica!" (SIC; 2002)
16 - "Por vezes vou até a uns hotéis, e como conheco lá os empregados, pergunto sempre se a última fornada de mulheres que lá chegaram vale a pena...Se forem pitinhas daquelas que só pensam em discotecas e fumar merdas, bazo logo! Prefiro gajas mais maduras!" (Tal e Qual; 2001)
17 - "Eu sou como o Jardel, em frente à baliza nunca falho, e golos de cabeça é a minha especialidade...e olhe que o Jardel já falhou muitos golos de cabeca, ao contrário de mim!" (SIC; 2001)
18 - "Quando era miúdo a minha mãe, que era cozinheira num restaurante aqui da praia de Portimão,dava-me óleo de fritar o peixe, depois bronzeava-me com ele e punha uma toalha aqui e outra lá ao fundo onde vê aquele chapéu de sol da Sprite...Tudo o que fosse camone e invadisse este espaço, marchava logo!" (TVI; 2000)
19 - "Tou farto de portuguesas! Um gajo para lhes saltar em cima tem de mostrar o B.I e nem isso chega! As camones olham para ti e tu sabes logo que elas querem-te comer ate ao último ossinho, e acreditem que eu tenho muito para ser comido!" (SIC; 2003)
20 - "Quando não conseguir levantar o pessegueiro?? Recorro ao Viagra!! Vergonha? Vergonha é roubar e não conseguir fugir!" (SIC; 2001)

A tocar:

From Out Of Nowhere, Faith No More.

Descobri isto há uns tempos mas tinha-me esquecido. Ainda me estou a rir. Vai direitinho para os links.

Ó sim, apraz-me muito essa vigorosa estocada...

Descobri, recentemente, um dos postais mais bizarros que alguma vez me escreveram. Diz qualquer coisa como isto: "Não te conheço muito bem, mas pareces-me simpático. Gostei das conversas que tivemos no bar da faculdade. Obrigado por teres vindo à minha festa de anos." Este postal foi escrito por uma colega de faculdade, embora não de turma. Era uma gaja viçosa e bem proporcionada e hoje, depois de tanto tempo, só me lembro dela por três coisas. A primeira lembrança que tenho da fulana é de estarmos todos a sair de um exame com aquelas conversas de merda tipo como é que correu e mais não sei quê e de ela me perguntar exactamente isso. Disse-lhe que não me tinha corrido bem, uma vez que não estava preparado, ao que ela retorquiu: "Nada disso, vais ver que tens tipo um 15." Nessa altura pensei que é preciso uma pessoa ser muito estúpida para estar a dizer a outra que não conhece de lado nenhum, ainda para mais com uma pose de Alcina Lameiras, que fique sossegada e não se preocupe pois vai ter boa nota. Pior que isso é alvitrar um número. Não era um 14, nem tampouco um 16. Era um 15. Não dei muita importância ao assunto porque ela era, pelo menos na época, uma gaja bem boa e nessa conversa estava mais ocupado a tentar evitar que ela percebesse que eu estava a olhar para as mamas dela. No entanto, é muito estranho. Porque é que as pessoas querem ser boazinhas e simpáticas com gente que nem conhecem nem irão provavelmente conhecer? A menos que ela pensasse de mim aquilo que eu pensava da maior parte das gajas da minha turma, que saíam sempre dos exames a dizer que iam chumbar e ter 2 ou 3, sendo que algumas até choravam, e depois tinham 17's e 18's. Pode ter sido esse o caso, e se assim fosse, ela para além de boa até era esperta, teria um pensamento parecido com o masculino e, por conseguinte, seria mais fácil de engatar. Notem que escrevi esperta e não inteligente, porque isso julgo que o era.

Depois aconteceu algo que me fez a mim, bem como a outros colegas, inserir esta pessoa naquele limbo de gente que é difícil adjectivar ou rotular, limbo esse a que muitas poucas personalidades têm acesso. Porque não há nenhum adjectivo que tenha a ver com as qualidades intrínsecas de uma pessoa que sirva para qualificar decentemente esta tipa. Era estranha? Era, mas havia ali mais qualquer coisa. A única coisa em que todos concordávamos é que ela era boa, mas boa. Mesmo. Voltando ao que aconteceu, tem basicamente que ver com um jantar de turma como muitos houve na faculdade. O jantar era com a minha turma e com a turma dela, mas da minha lembro-me que só fomos gajos. Foi num restaurante em Almada, ou no Seixal, já não me lembro bem. Lembro-me é que no final do jantar todos recebemos um postal daqueles, pois afinal estávamos era a comparecer a um jantar da turma deles que aproveitaram para transformar em jantar de aniversário dela. Ela ficou tão contente e fingiu-se de surpreendida de uma forma tão convincente que, na eventualidade de eu ter ali algum Óscar, ter-lho-ia dado certamente. Entre outras coisas que lhe poderia dar, claro. Nessa altura ficaram questões por responder. Os postais já estariam escritos, ou aquelas palavras teriam sido inspiração do momento? Se foi esse o caso, questões mais pertinentes se levantam e é necessário proceder-se a uma instrospecção de forma a poder aquilatar cabalmente acerca de pessoas que andam com postais no bolso para uma qualquer emergência que surja. Ah, este senhor da mercearia é tão querido e prestável que lhe vou escrever um postalinho: "Obrigado por me ajudar com a bilha do gás. Esse seu bigode fica-lhe a matar." Atentem que escrevi bilha do gás e não outra coisa qualquer porque ela vivia na margem sul e, como gosto de estereótipos, acredito sempre que o gás das grandes cidades ainda não atravessou a ponte, ao contrário dos fios de ouro e dos bonés de baseball.

Depois de tudo isto, resta-me só esclarecer a terceira razão pela qual me lembro desta gaja. É que ela, quer estivesse a falar com toda a gente no bar, quer estivesse num velório, ou mesmo a apresentar um trabalho numa aula, entrelaçava as mãos uma na outra com uma pose à menina da metereologia, isto ao mesmo tempo que dizia palavras que aprendeu no curso, como por exemplo, semiótica, Vestefália, metodologia, McLuhan, etc. Devido a isto, e porque o ócio nos aproxima a todos mais do Inferno que do Céu, começámos a imaginar que palavras é que ela diria quando faz sexo. Tipo, estará ela a levar com ele e ao mesmo tempo a invectivar o parceiro com palavras de apoio? Ou declamará Puchkin, enquanto é esfrangalhada? E conseguirá manter os dedos das mãos entrelaçados? Esta lenga lenga toda para justificar o título do post.

PS - Foi uma das melhores alunas do curso e agora, muito provavelmente, deve ser doméstica.

9.10.06

Porque até os maus veraneiam...

Para os interessados, consta que até fim da semana estarei aqui, fazendo as folgas do Corcunda de Colónia

Nos intervalos de assustar turistas na catedral, provavelmente estarei a fazer isto, a que alguns chamam assistir ao NBA Europe Live


Para quem não está interessado ou tem algo contra, os comentários estarão livres para os tradicionais insultos.

Beijos e Abraços.


PS1 - Vilão, alinha lá isto que eu tenho um avião para apanhar.
PS2 - piadas com "água de colónia", "colónia de férias" ou "colónia penal" já foram abusivamente utilizadas, pede-se originalidade.

4.10.06

A tocar:

Elephant Talk, King Crimson.

Diferenças Criativas

Porque este blog é um blog em que nada fica por revelar, vou partilhar algo convosco. Como todos vós que escrevem em blogs já deverão ter percebido, no menu do Blogger, quando estamos a escrever posts, existe uma opção para justificar o texto. É aquele pequeno botão com as linhas todas direitas em cima umas das outras. É precedido por três outros botões, cada qual com as suas funções. O primeiro permite alinhar o texto à esquerda, o segundo permite centrá-lo (consta que é muito útil para títulos e tal) e o terceiro permite alinhar o texto à direita. Mas eu tenho para mim que não há nada como o quarto botão, aquele que permite justificar o texto e, em bom rigor, fazer com que os posts do nosso blog fiquem com um aspecto harmonioso e mais consentâneo com aquilo que se espera de alguém que já entregou trabalhos na faculdade ou até no liceu. Agora vou revelar-vos outra coisa. Da mesma maneira que eu faço uso do justify para alinhar os textos que escrevo, todos os outros utilizadores do Blogger também o fazem. Todos, perguntam vós? Não, existe um irredutível utilizador que não o faz. Dá pelo nome de Mak, o Mau e, pasme-se, é o gajo com quem partilho este espaço. Como sou um bocado anal-retentive e tudo, ou quase tudo, me causa espécie, não são raras as vezes em que tenho de ir ao menu desta merda editar os posts do meu colega. Já tinham reparado, ou não? É que se não tinham, este post acaba por ser um bocado ridículo. Talvez não devesse ter deixado de tomar a medicação.

De qualquer forma, aqui fica uma dica para ti, caro colega:

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Continuamos...

...desesperadamente à procura de uma boa. Pode ser uma deste género, ok? Vá, não se acanhem.

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3.10.06

O síndrome do “eu até tenho jeitinho para isso”



Existem os habituais clichés deste síndrome, como o do gajo que tem a mania que, apesar da sua formação em contabilidade, tem estofo de grande electricista e nem o facto de já ter provocado dois incêndios em casa e uma quebra de energia no Beato o demove, ou da moça que não desiste do seu jeito nato para a nouvelle cuisine apesar de já ter levado doze amigas a fazerem atraentes lavagens ao estômago depois de um jantar mal digerido, ter feito com que o seu namorado se tenha convertido ao islamismo para que pelo menos durante um mês tenha a desculpa do Ramadão ou levado a que os bombeiros fossem a sua casa (depois de virem da do contabilista) para resolver um flambée um pouco mais tórrido.
No entanto, embora com o devido enquadramento, considero que é mais grave a presença do dito síndrome nos meandros profssionais, do que propriamente nos eventos de trazer por casa (embora a morte profissional seja ligeiramente menos grave do que a morte do artista, literalmente).
É que, para quem trabalha numa área, em que a escrita e a criatividade são supostamente componentes importantes (tanto que até pagam para isso), não é raro e por vezes até é frequente ver o freguês ou caramelo da mesma estirpe, que gosta de mudar coisas ou sugerir potentes alternativas (viáveis apenas na sua cabeça), porque sempre teve jeito para escrever os postais de casamento, até é ele que inventa sempre umas coisas para o aniversário dos filhos e sente que a sua veia criativa tem sido reprimida ao longo dos anos.
Caro/a amigo/a, se é esse o seu caso, e neste caso deixe-me dizer-lhe antes de mais que neste texto não toca, por muito que ache que em vez de síndrome se calhar tique até era mais giro ou que a referência religiosa do primeiro parágrafo não será a mais indicada, porventura fazendo mais sentido colocar uma piada à Malucos do Riso.
Quando vai ao médico, certamente que não sugere um tratamento diferente daquele que o Dr. lhe indicou, nem altera as receitas para pôr umas que goste mais, pois não? No pior dos cenários, quanto muito vai pedir uma 2ª opinião talvez, mas se não tiver um curso de medicina dificilmente será a sua suponho...
Mas sei que, lá bem dentro de si, o bichinho continua a morder e vai passar a ferro este texto com a mesma facilidade com que um macaco descasca uma banana, sem menosprezo pela banana é claro.
Vendo que hoje, actores e actrizes, nascem debaixo de cada pedra e rapidamente voltam para debaixo delas, que hoje ler um livro é mais difícil que escrever um livro ou que hoje quem não tem curso universitário é olhado de lado no centro de (des)emprego, a malta que “até tem um jeitinho para isso” até que é um exemplo. Um exemplo de que, apesar da paciência ter limites, a grunhice infelizmente não...

PS – Apesar do ressabiadismo latente neste post, ele não é fruto de um desabafo extemporâneo, mas sim de uma reflexão profunda sobre a matéria, coisa para qual sempre achei que até tinha jeitinho...