29.9.06

Devem estar a gozar com o parceiro



Ao que consta, numa iniciativa que me cheira muito mais a esquema promocional que outra coisa, hoje - 29 de Setembro é o Dia do Solteiro. Ele é speed parties, ele é speed datings, ele é speed lunches, com tanto speed junto ainda se arriscam a alguma rusga da Brigada de Narcóticos da PJ.
Parece que este fast food sentimental é apenas juntar mais pressão à vida diária das pessoas do género: tens quatro minutos para mostrares o que vales. Uma audição para o Ídolos versão Singles portanto.
Não vou proferir mais sentenças, porque cada um sabe de si, mas se pudesse fazer uma recomendação diria que nosso país quem precisa mais do que nunca de iniciativas dessas é a culpa, que tende sempre a morrer solteira...

27.9.06

Estereótipos


Antes de mais queria clarificar uma coisa: apesar da imagem enganadora, este post não trata daqueles aparelhos que os médicos usam para nos auscultar, isso são – estetoscópios, mas achei oportuno começar com uma piada gráfica. Depois deste esclarecimento de interesse público, voltemos ao tema central.
Sou contra estereótipos, mais por ser do contra do que por ter um espírito rebelde e inconformista. Por isso, para contrariar a ideia de que só gente intelectual e bem é que vai ao teatro, resolvi ir ver uma peça. Como de inteligente tenho pouco e de bem ainda menos pensei que o truque estava feito.
Comecei por me esquivar ao estereótipo do mecenas das artes, ao entrar sem pagar. Mas, sem saber como já tinha entrado no estereótipo do português que só vai ao teatro quando saca convites. Ok, o mundo não é perfeito e nessa lógica eu opto pelo esterótipo que me pesa menos na carteira.
Era uma comédia, o que em si já me colocava num novo estereótipo: o gajo que diz que só vai ao teatro ver peças para rir, porque para desgraças já basta a vida. Resolvi a questão, decidindo-me por rir apenas nas partes que tivessem piada, distinguindo-me assim dos entusiastas que riem do primeiro ao último minuto, sem pausa para respirar. Mas, ao fazê-lo caí no estereótipo do snob que olha de lado as pessoas de humor fácil, problema que resolvi olhando-as de frente.
Para não me evidenciar dentro da multidão, resolvi dizer no fim da peça as tradicionais frases “Ah, é engraçado, pena o preço dos bilhetes”, apesar de não ter pago, o que me encaixou do perfil do gajo que nunca está contente, agravado pelo facto de ter ficado a dar graxa a quem me arranjou os convites para não secar a fonte.
Fazendo um balanço ao chegar a casa, não sem antes cair no lugar comum que é o dos gajos que tentam sempre fazer balanços do dia a dia, resolvi deixar de querer ir contra os estereótipos, o que me encaixa exactamente no do derrotista, algo em que não me revejo, mas por isso mesmo me encaixa também no da malta que entra constatemente em negação.
Antes de dormir, resolvi apenas mais uma coisa em relação a esta matéria: que nunca iria escrever sobre temas tão estúpidos como estereótipos, para não correr o risco de cair numa de gajo incoerente ou daquele tipo de pessoas que faz de tudo uma piada...

25.9.06

Pelo sim pelo não...

Na sequência de um desafio desta prezada senhora resolvi abordar um tema que a muitos faz eriçar os pelitos atrás do pescoço e a outros uma alcatifa pelo corpo inteiro: a depilação masculina.
E antes que se levantem vozes a dizer "Ah, eu sempre desconfiei" acrescento que este episódio que vou relatar não se passou comigo, mas sim com o amigo de um vizinho de um primo de um ex-colega meu da universidade. Ou então é inventado, escolham o que preferirem...

Tinha chegado ali numa missão e recusava-me a sair de lá sem a cumprir. Não por bravura, mas por teimosia, já que a vontade de sprintar para a porta de entrada era grande. Pensava ainda que se calhar a modernidade do laser tinha sido preferível, a estes actos heróicos, mas a senhora da recepção chamou-me:

- Olhe, o senhor. A sua marcação é por razões estéticas ou clínicas? Só para constar na ficha.
- Nada disso minha senhora – Ela não tinha o direito de saber que a alcunha Tony Ramos Júnior me tinha marcado a adolescência – Eu sou atleta profissional de natação, tem a ver com aero-dinâmica. Mal sabia ela que até na piscina dos putos eu tinha medo de me afogar.
- Ah...ok – respondeu-me ela, com a mesma convicção de alguém que acredita que a Ana Malhoa ainda é virgem – A Estela já o chama.

Voltei a sentar-me. Suava abundantemente e isso não tinha a ver com o facto da senhora na casa dos 50 anos à minha frente já me ter piscado o olho duas ou três vezes. Finalmente, chegou a minha vez. A tal da Estela, mistura de ogre e mulher de bata branca, chamou por mim. Lá fui eu, nervoso e diria mesmo amedrontado.
Mandou-me despir e ficar com uma toalhinha ridícula, que tinha mais uma função psicológica do que de ocultar alguma coisa e perguntou-me por onde queria começar.

- Então, mas isso não há um percurso definido?
- Isto não é uma visita de estudo. O corpo é seu, você é que escolhe.
- P..p.pois, tem razão. Olhe pode ser já por cima.

O sorriso dela, fez-me pensar que não tinha feito a melhor escolha. E sentir aquela substância quentinha no meu peito reforçou esse pensamento. E, à medida, que o meu pânico aumentava, a satisfação da Estela parecia crescer na proporção inversa.
Perto de uma hora, 100 gritos, 5 copos de água para acalmar, 22 tissues para limpar as lágrimas, 228 marquinhas vermelhas pelo corpo e incontáveis momentos de dor, ela disse a palavra salvadora “Acabámos”.
Tendo eu optado pela depilação completa e estando ai a ouvir em grande os ecos da dor, reparei que os tufos de pelos acumulados no chão dariam para abastecer um pequeno país com forro para almofadas durante um ano. Mas, a minha preocupação central era ir buscar a minha roupinha, pois sentia-me nu pela primeira vez na vida, apesar de já o ter estado diversas vezes.
Quando saí de lá, no entanto, era um homem diferente. Sentia possivelmente aquele boost de confiança que certas mulheres dizem sentir quando usam implantes de silicone. Descobri partes do meu corpo que não via desde a infância e usar uma camisa com uns botões abertos não era agora encarnar um cartaz do Greenpeace a favor da preservação da Amazónia.
Apesar de ter jurado para nunca mais e abençoado o facto de ter nascido homem, ainda que alcatifado, resolvi aproveitar enquanto os malditos não cresciam de novo (com as comichões que tal implica) e viver os meus dias como homem depilado, tal como a Cinderela se sentiu enquanto durou o efeito do botox que a Fada lhe orientou.

22.9.06

Laranjas com Snooker

O texto abaixo foi escrito pela primeira vez pelo António Maria do O Que É 1 Blog, em Outubro de 2004. O António Maria, recorde-se, foi durante muito tempo o terceiro elemento do nosso blog, embora ninguém tenha dado por isso. Fiquem então com Laranjas com Snooker, a vossa novela de Verão, de Inverno e de Verão outra vez. Podem ler o post original aqui.

Hoje em Laranjas Com Snooker...

Roberto, galã do liceu, toma um voto de castidade e fica mal disposto, e com a mesma rapidez toma um Kompensan. Racha, de nome verdadeiro Raquel, vai tomar café com Nini, mas não consegue escolher entre a camisola mais larga e o top que mostra as maminhas. Teco anda de mota à volta do liceu e ninguém o consegue apanhar. Manuela, a coordenadora da escola, não consegue esconder que ainda fuma uns charros de vez em quando e os alunos começam a estranhar a sua postura excessivamente relaxada nas aulas. Vaqui descobre que está grávida de Chunga e pondera o aborto; Chunga fica preocupado, depois de na semana passada ter acontecido o mesmo com Susana Suzete e Sofia Alexandra. Evaldo, o professor de Educação Física vindo de Minas Gerais, vê o ensino dificultado pelas cada vez maiores protuberâncias nos seios. A pequena Floriana convence Adérito a brincar com as Barbies depois da festa dos dez anos de aniversário deste e ambos descobrem que estão atraídos um pelo outro. Ricky faz surf com Gulas na praia do Estoril e apercebem-se que se calhar foi uma má ideia quando voltam para casa sem ter apanhado ondas e com bastantes excreções não identificadas dentro dos fatos. Joana Pescadinha pede um galão para o pequeno-almoço na cantina do liceu e inicia-se um debate sobre problemas de peso, chegando mesmo a perder controlo da gravidade em certos momentos durante a aula de Biologia. Paulo Futre aparece como convidado especial em calções de banho e joga uma partida de golfe com João Rodízio, mas o negócio não se concretiza quando Futre é acusado de fazer batota por jogar com uma perna de pau. Uma segunda participação especial ocorre quando Nuno Gomes surge como flâmine no baile de Dia das Bruxas do liceu e ninguém repara que ele está mascarado. Uendi entra em depressão mesmo depois de todos os beijos no pescoço de Aldo. A casa Sotto entra em rebuliço quando os criados iniciam um motim causado por ideais leninianos, incitado por Hugo, uma semana depois do ex-delfim se ter alistado na JCP. Gui apaixona-se por uma mulher e procura conforto nos braços de Pepe. Pipoca faz a barba. Jessica Madalena embarca finalmente numa carreira musical, mas depressa volta ao liceu depois de dar um concerto e ser assobiada. Roberto quer ficar mais magro e manter a sua figura esbelta e inicia uma dieta de febras, mas quando começa a ver a vida a andar para trás Teca-Trecas lembra-o que o que ela disse foi «fibras». Zé Tó Pedro continua a sua vida de rufião e falta consecutivamente aos ensaios dos Motoqueiros e Pureza encontra-o no quarto cheio de farinha na cara. Leónidas corta as unhas dos pés na varanda e os vizinhos não conseguem dormir. Susana Suzete e Sofia Alexandra acham-se terrivelmente atraentes e tocam os seios uma da outra por breves momentos até que o telemóvel toca e ambas coram. Rodolfolando escapa-se às acusações de pedofilia inscrevendo-se num seminário. Racha tira fotografias picantes para uma revista marota e João Rodízio ganha um tique no olho. Helena pede o divórcio a João Rodízio porque o novo tique lhe faz imensa confusão. Evaldo deixa de mostrar aos alunos como se faz a ponte. Duarte, o director da escola, rapa o cabelo, abre uma loja de tatuagens e piercings ao lado do liceu e entra em conflito com o Ministério. Cagalhota fica ofendida com os recuos de Roberto, depois do esforço em todas as insinuações de chupanço. Os pequenos Adérito e Floriana começam estranhamente a passar demasiado tempo na casa-de-banho. De volta à quinta, Eduardo tem pensamentos saudosos de Helena, atolando-se em papas de aveia - o tuning já não lhe diz nada, estava farto da falta de sentido de humor. Pipo esvazia-se e fica tudo húmido. Teco continua a andar de mota à volta do liceu. Chunga sente o boné a andar à volta ao ver Joana Pescadinha levar sapatos de salto alto para o liceu, o que leva a um novo debate sobre aquilo que se deve usar vestido para a escola, com os alunos a tomar a posição mais conservadora, opondo-se a Duarte. Gui conversa com o irmão mais novo no qual Roberto lhe responde que «não tem tempo para essas maricagens porque ainda tem saudades da Racha». Por sua vez, Racha decide-se pelo top revelador e estranha a maionese nos calções de Nini, quando este ainda nem tinha pedido nada sequer.

20.9.06

A tocar:

Speaking In Tongues, Eagles of Death Metal.

14.9.06

Umas quantas perguntas naturais


Numa altura em que produto que seja produto tem de ter 200 benefícios anunciados até à última sílaba, importantes questões pairam no ar e a quem as souber responder, o meu grande bem haja e pagar-lhe-ei um copo de uma qualquer bebida multi-vitaminada, destilada em substractos proteicos que fará certamente bem a alguma coisa.

- Se eu beber algo com Bifidus activo, isso fará de mim passivo?

- Uma casa de massagem em que a tipa atenda o telefone com “Alô é a Vera” pode ser considerada um benefício natural?

- Se eu albergar dentro mim um tal de L.Casei Immunitas posso ser acusado de dar guarida a emigrantes ilegais?

- Em que ponto fica alguém que tenha prisão de ventre, mas se esteja a cagar para produtos que regulam a flora intestinal?

- Será que os produtos ricos em Omega 3 e Omega 6 não contribuem para a barriga ficar a dar horas?

- A moda de produtos com chá verde faz-me um bocado infusão. E a tea?

- Sou alérgico a poliester. Posso comer alimentos com fibras?

- Uma soja que seja transgénica quer dizer que antes era um sojo?

Have No Fear, Tenente Valdez Is Here

No post anterior, como devem ter percebido se o vosso QI é superior a 48, o meu colega de blog decidiu rebuscar bruscamente parte do nosso passado comum, introduzindo pela primeira vez nestas missivas uma personagem verídica, que fez, faz e sempre fará parte dos nossos imaginários. Depois decidiu apelidar essa personagem de Tenente Valdez. Esse não é, obviamente, o seu verdadeiro nome. Tenente Valdez é o nome de uma agremiação desportiva sita algures na Pontinha, e onde essa criatura, cujo nome não vou revelar já, supostamente terá jogado futebol na posição de guarda-redes. Prontamente refutei essa teoria, servindo-me de uma edição do Record de 1999, em que a citada agremiação não figurava em nenhuma das divisões em que a criatura disse que competia. Convém realçar que este nosso amigo era um bocado mentiroso, mas mesmo assim, uma personagem única, daquelas que aparece apenas, e se os astros estiverem numa conjuntura favorável, de quatro em quatro anos. Preferia que este assunto nunca tivesse surgido neste blog, e que o, chamemos-lhe assim, Tenente Valdez, nunca aqui tivesse surgido à baila. Porquê? Porque não sou homem de fugir às minhas responsabilidades, mormente as que tenho para com os meus leitores. Qualquer assunto abordado aqui no burgo deverá ser meticulosamente dissecado e clarificado. A menos que estejamos a falar dos hábitos sexuais da Odete Santos ou mesmo daquele par de jeans encarnadas com que o João de Deus Pinheiro comparecia nas festas de Vilamoura em todas as silly seasons. Com efeito, temo que a inserção da malfadada personagem nos conteúdos deste blog acabe por despoletar uma bola de neve em que, tanto eu como o meu colega Mau, não consigamos ceder à pressão de vos mimosear com episódios passados na companhia do Tenente Valdez. Como tal, e começando desde já a abrir as hostilidades, aviso que este post teve o insigne patrocínio da água de colónia Boston.
E, porque aqui trabalhamos para a satisfação dos leitores, tomo a liberdade de colocar também neste post alguns links para coisas bizarras. Um deles irá mesmo figurar definitivamente nos links aqui do blog. Poderão não compreender desde já o significado de tudo o que aqui escrevi mas tenho a certeza de que, com a futura postagem neste blog de assuntos relacionados com o (dedos a imitarem aspas) Tenente Valdez, todas as vossas dúvidas dissipar-se-ão. Tanto eu como o Mau não vos desiludiremos. Prometo!

Tenham medo, muito medo:

http://fcpnet.net/portal/user.php?op=userinfo&uname=Armando_Belo

http://gay.blogs.sapo.pt/73532.html
(leiam o comentário que um anónimo que assina Armando Belo fez a este post)

http://ab99.blogs.sapo.pt/

http://sniperdascaldas.blogs.sapo.pt/
(nome de blog verdadeiramente fabuloso)

http://www.goalkeepersclub.co.uk/en/forum/DisplayMessage.asp?idForum=54&id=4267
(este é um dos meus favoritos pois denota de forma pungente a ânsia de alguém que vive para o desporto e que está disposto a trabalhar por ordenados miseráveis, tendo como seu grande trunfo a formação clássica como guarda-redes da grande escola polaca)

http://www.armandobelo.pt.vu/
(onde tudo começa e tudo termina)

13.9.06

O espantoso mundo das relações sociais


Conhecer pessoas, sejam elas homens, mulheres ou algo pelo meio, pode tornar-se complicado a partir de certa idade. Por norma, para quem não sofre de incapacidades de relacionamento social, alergia ao banho ou esteve preso durante a juventude, na idade escolar (fica o meu pedido de desculpa aos analfabetos, que de qualquer maneira também não vão ler o que estou a escrever) e até à universidade, não é difícil ir conhecendo malta, mesmo que sem intuitos sentimentais mais profundos. Com o trabalho, as drogas e outras práticas condenáveis, o factor disponibilidade vai apertando e o círculo vai-se fechando, se bem que há quem fure o esquema com bravura, mas não falemos agora dessa simpática gente que são as Testemunhas de Jeová.
A Internet veio até certo ponto suavizar estas fronteiras, pois com chats, blogs, messengers, hi5’s e fóruns a rede volta a alargar-se. Hoje casais enamorados apresentam o parceiro aos pais dizendo: “Mãe, Pai este é o Romualdo, é comando, conheci-o no msn e vamos casar” e a coisa até é recebida naturalmente “Tudo bem Pedro, desde que não vás para o Afeganistão”. Mas, embora eu próprio já tenha conhecido algumas pessoas via internet e a maioria das quais até seja gente porreira e normal (um grande abraço para a Dona Suzete, porteira reformada em Ermesinde) há episódios de conhecimentos ao vivo que não têm paralelo na Internet (tirando o facto de já ter havido quem me pensasse como um negão de 2 metros da Damaia, o que é falso, eu sou da Brandoa).
E termino esta epístola, com um episódio desses, marcante na história dos relacionamentos sociais de um jovem, conhecido meu e do Vilão. Em noite de veraneio, passeávamos nós pela zona ribeirinha, quando vemos um conhecido mútuo, chamemos-lhe Tenente Valdez. Valdez tinha duas amigas lado a lado, cada uma delas com aspecto decente e prendado, algo que não era comum ver perto de Valdez.
Apesar disso tentámos, eu e o Vilão, escapar ao contacto com o indivíduo, ainda mal refeitos de outros episódios épicos com o dito personagem. Mas, Valdez, sempre atento detectou-nos e antes que tivéssemos tempo, soltou uma frase que ecoou na história dos conhecimentos entre homens e mulheres: “Mau, Vilão, venham cá rapazes. Quero-vos apresentar o GRELO que conheci”.
Nessa noite duas moças aprenderam que não se deve dar conversa a qualquer um, eu e o Vilão descobrimos que dois minutos de riso podem valer uma noite de tormento e o Tenente Valdez aprendeu que nem todos os vegetais fazem bem à saúde...

11.9.06

Drama, horror, televisão


Imagem televisiva de dramatização da RTP sobre um assalto na Praça da Figueira, com cerca de uma hora dedicada à explicação sobre a origem da figueira


Neste dia muito famoso, várias perguntas andam no ar. Eu, pela minha parte pergunto-me como é que a minha fotografia no topo do World Trade Center no século passado, algo irrepetível (torres reconstroem-se, penteados e all-stars como aqueles são únicos) não valeu os 2 dólares que pedi por ela no Ebay.
Mas, tendo seguido ontem uma série de documentários sobre o que se passou há 5 anos numa bela localidade chamada Manhattan, apercebi-me que até nos tele-documentários e nas “dramatizações” de episódios reais o nosso Portugal tem ainda de percorrer muitas milhas (aéreas ou não, deixo ao vosso critério).
Depois de me assumir como mórbido e adepto de teorias de conspiração, prossigamos no tema. Dos documentários que vi muitos tinham, quando não eram totalmente assim, sequências com actores a representarem situações reais. Tudo bem, não eram performances para Óscar, mas era um bom suporte para quem conta uma história, tendo até vislumbrado um tipo oriental que tem uma presença fugaz no Lost a fazer de chinês maratonista a descer escadas de arranha-céus. O que é que isso interessa, perguntam vocês? Bastante mais do que o resumo dos Morangos com Açucar que têm aberto na página ao lado, digo eu.
O facto é que, quando acontece tragédia em Portugal, para além de se ter que esperar, por norma, dez anos para ver um documentário ou série, a coisa é muito sofrida. Já sabemos que se fôr documentário teremos que levar com o Eládio Clímaco ou com o Luís Pereira de Sousa na locução, o que é bem melhor do que ter qualquer um dos dois em pessoa acrescente-se.
Se for série, mesmo que entrecortada por documentário, terá argumento do Moita Flores e, seja de que forma fôr, entrará ou o Ruy de Carvalho, a Rosa Lobato Faria, uma gaja qualquer a querer projecção disposta a tirar a roupa a qualquer preço (um fenómeno histórico na TV portuguesa, vide: Sofia Alves, Soraia Chaves, Marisa Cruz), o João Lagarto e, seguindo as últimas tendências um gajo irritante que faz sempre o mesmo papel nas novelas/séries e que só conheço como Rafa.
Além disso, a coisa será teatral, dramática e terá o mesmo grau de interesse de uma micose do José Hermano Saraiva. Como tal, desde que não me afecte a mim e a todos aqueles que me adoram, mal posso aguardar pela próxima catástrofe ou iniciativa do género, para ver o que conseguimos evoluir na matéria para que, por exemplo, uma reprodução do Incêndio no Chiado não pareça uma reprodução do Inferno de Dante em 328 actos com um arrojado Diogo Infante a dizer “C’o a breca, quão vis são estas chamas!” ao representar o primeiro bombeiro a chegar ao local.


O casting para um novo Bom/Boa continua a decorrer, espero que as dezenas de emails que já me entopem a caixa não os intimidem. - mail - mak_omau@yahoo.com.br

6.9.06

Casting para Javardíssima Trindade - Mau e Vilão procuram Bom/Boa


Serás tu a próxima vedeta do meio bloguístico internacional, um verdadeiro Pacheco Pereira da tua rua?

Depois de ver o sucesso de iniciativas como o casting para os Morangos com Açucar, Curto Circuito, Miss Talho de Alhos Vedros ou Bombistas Suicidas R’us, o nosso espaço lança um desafio semelhante.
Um dos milhares, diria mesmo, dos cerca de 10 leitores (6 dos quais forçados) que nos seguem regularmente vai ter agora a oportunidade de saber o que sentiu o Espírito Santo, quando foi convidado pelo Pai e pelo Filho, as sensações porque passou Teresa quando Madre e Calcutá a elegeram ou até o espanto experimentado por Shrek quando acordou com Fiona e o Burro ao seu lado e uma ligeira dor nas costas.
A verdade é que, apesar do nosso sucesso evidente, há um elemento em falta para que o nosso título faça pleno sentido, pois se é certo que cada post do Mau ou do Vilão valem por cinco (no mínimo), queremos ser fieis às nossas intenções originais e um Bom/Boa é algo que faz parte delas.
A coisa funcionará da seguinte maneira: os/as interessadas poderão mandar textinhos (máximo de três) em português inteligível para o mail que vem ali na barrinha ao lado: mak_omau@yahoo.com.br.
Não é preciso que já tenham um blog, a temática é à escolha do freguês, não tem que ser alinhada pelos padrões dos dois monstros sagrados já existentes, mas também não pode destoar muito do nível (ou falta dele) aqui do tasco. Podem haver excepções, mas teriam de ser muito bem congeminadas.
Porque há muita gente tímida que nos visita, mas tem vergonha de o assumir perante os pais, namorado/a e colegas de danças latinas ou de emprego (isto é para os dois que nos visitam e têm efectivamente emprego) podem criar um mail falso, identidades à maneira e o camandro para comunicarem com a malta, sendo que se forem escolhidos terão de adoptar como nick de postagem O Bom/ A Boa.
Porque acreditamos no compromisso e achamos que a verdade vale sempre a pena ser dita, mesmo que na forma de um chorrilho de mentiras, acrescento que embora o objectivo seja mesmo escolher alguém, tanto por este meio como via conhecimentos (a chamada cunha bloguística), não nos consideramos obrigados a isso se a qualidade não estiver à altura, algo que acho não deverá acontecer.
O facto de lançarmos um casting é também uma forma de conhecermos melhor quem nos visita, estando preparados para os pesadelos que isso possa originar. Isto inclui obviamente a malta que é fã de hate mail e tem agora uma caixa oficial para despejar veneno pura mesmo nas nossas barbas.
Por isso, quem tiver dúvidas que as deixe no mail ou nos comments. Não queremos textos épicos com mais de três milhões de caracteres, nem composições do género “Onde fui nas minhas férias” (a não ser que as mesmas tenham sido na Brandoa). Diários íntimos também dispensamos, a não ser que sejam femininos e contenham pormenores sórdidos com malta conhecida. Vamos deixar isto aberto até final do mês, consoante a participação logo veremos se se mantém.

Mail do casting - mak_omau@yahoo.com.br

PS – Isto é verdade, não é só alarvidade.
PS2 – Não vos precisamos de conhecer de lado nenhum. A vossa grande vantagem é que também não precisam de nos conhecer
PS3 – Subornos serão denunciados (quando insignificantes).

4.9.06

Fiúza-mos!

Photobucket - Video and Image Hosting

Como adepto e sócio do Belenenses que sou e sempre serei, chegou o momento de me manifestar sobre o escândalo em que redundou o caso Mateus. Apesar de ter nome de marca de compota, Mateus é um indivíduo angolano de tez escura que foi inscrito pelo Gil Vicente como profissional para a época de 2005/06. Essa inscrição não poderia ter ocorrido, uma vez que o jogador já tinha sido inscrito na mesma época como amador pelo Lixa. Conscientes disto, os dirigentes do Gil Vicente liderados pelo mentecapto António Fiúza decidiram inscrevê-lo uma segunda vez na mesma época, desta feita como profissional, mesmo sabendo que um jogador não pode ser inscrito com estatutos diferentes na mesma temporada. Para conseguir este intento, recorreram aos tribunais civis, também sabendo que não o poderiam fazer, uma vez que os regulamentos da FPF e da Liga de Clubes, de acordo com o que é veiculado pela FIFA, proíbem-no expressamente. O meu clube, relegado desportivamente para a Liga de Honra, cedo se apercebeu que a colectividade barcelense é administrada por pessoas com graves incapacidades mentais e, mal o pretérico campeonato findou, tratou de recorrer para todas as instâncias desportivas de forma a substituir o Gil Vicente no escalão primodivisionário (sempre sonhei escrever primodivisionário num post). Depois de dois meses em que o caso Mateus aparecia todos os dias nas manchetes e nos noticiários, parece que o Belenenses finalmente conseguiu que lhe fosse dada razão, embora o Fiúza e os seus advogados queiram levar esta fantochada até ao fim, não obstante a ameaça que a FIFA fez de correr com Benfica, Sporting e Porto da Champions League e até de suspender a selecção nacional dos jogos de apuramento para o Euro 2008. Outro dia passei pelo Restelo para pagar a quotização relativamente a esta época. E depois pensei para mim: ao lado deste busto do Pepe, que bem ficava uma estátua do Fiúza, pá! Com efeito, depois de uma época em que Carlos Carvalhal e José Couceiro conseguiram honrar a tradição deixada por Cajuda e Stoycho Mladenov, remetendo o meu Belenenses para a Liga de Honra por via da classificação, só mesmo um milagre conseguiria manter o Belém na primeira. E esse milagre surgiu, por cortesia de um atrasado mental que logrou ser eleito presidente do Gil Vicente mas que não sabe falar português fluentemente, como aliás foi bem perceptível na recente entrevista dada na RTP em que até o seu próprio advogado não conseguia conter o riso. Fiúza merece, de facto, uma estátua no Restelo. Mas terá de ser uma estátua que consiga captar aqueles vivos olhos que se deslocam incessantemente da esquerda para a direita. Que consiga gravar em pedra aquele boca de onde emanam com fulgor ruídos onomatopaicos. Que consiga não desmerecer aquela careca luzidia onde os pombos, verdadeiros ratos voadores, poderão um dia fazer pontaria e largar os deus dejectos construindo assim um verdadeiro capachinho de merda. Como eu espero e desespero, e envergonho-me por vezes, por o meu clube não saber louvar e laurear todas as grandes figuras que o serviram. Onde está a estátua do Matateu, pergunto eu? E a do Vicente? A do Djão, do Cepeda e do Sambinha? São questões relevantes, claro. Mas porra, onde está a estátua do Fiúza, esse vulto que sozinho conseguiu recolocar o meu Belém nas transmissões da SPORTV? Porque não recebeu ele ainda nenhum galardão? Nem sequer foi ainda indigitado para sócio de mérito. Um homem que se destacou em tantas áreas, como por exemplo a medicina, merece mais, muito mais. Ainda recentemente todo um congresso na área da psiquiatria foi dedicado à sua pessoa. Antes de Fiúza tínhamos mongolóides, debilóides e vandalóides (Armando Bello será o mais perfeito exemplo deste último género, mas isso é outra conversa). Depois de Fiúza, temos o fiuzalóide, um indivíduo que congrega todas as características dos demais, com o acréscimo de ter graves problemas ao nível das glândulas salivares, de apenas papar Nestum Mel e de usar fraldas em idade adulta. Fiúza amigo, Belém está contigo!

O adeus a um espécime raro






Chegou hoje ao fim da linha Steve Irwin, o famoso “Crocodile Hunter” que, entre outros feitos, capturou crocodilos a granel, brincou com perigosas serpentes e conseguiu até segurar no filho ao colo com uma mão, enquanto com a outra alimentava um simpático Croc, sem nunca se enganar na mão com que dava de comer ao bicharoco. Visita regular do Tonight Show do Jay Leno, criador de um Zoo na Austrália e defensor da vida selvagem, e por isso amigo de todos os portugueses, Irwin não faleceu num mano a mano com um crocodilo, num beijo a uma serpente, nem sequer de tédio num engarrafamento no IC-19, mas sim vítima de uma raia, durante um documentário sub-aquático que estava a gravar, constituindo até aí um fenómeno, já que é a terceira pessoa de sempre a morrer do ataque de um desses bichinhos, os quais aprecio bastante, mas apenas em versão filete.
Ao que parece a raia poderá não ter apreciado um trocadilho feito por Irwin relativamente à arraia-miúda e toca de lhe dar a ferroada letal no peito e que causou morte imediata no local. Sendo fã dos programas do jovem, sinto hoje algum pesar pelo seu desaparecimento e sei que, pelo mundo inteiro, não faltarão lágrimas de crocodilos, que ironicamente poderão ser sinceras e serpentes a morder os lábios para conter a emoção, o que pode causar muitas baixas involuntárias entre a espécie.
Força Steve, onde quer que estejas não faltarão com certeza espécimes estranhos para lidares. Da minha parte, eu sei que onde estou não faltam de certeza...

PS - Uma das razões para o facto de Irwin nunca ter vindo a Portugal prende-se com o facto de ter terror de papagaios, coisa que como se sabe é coisa que não falta em solo luso.