31.8.06

Ponto de fuga da tanga


Major Reinado e alguns dos seus companheiros de fuga posam para a fotografia, disfarçados, antes de seguirem viagem no autocarro de fuga


Sendo eu um atento observador da cena política internacional, especialmente focado nos imbróglios parlamentares do Cazaquistão, não pude deixar de me surpreender com a notícia que foi dada hoje, sobre a fuga do Major Alfredo Reinado (e isto não é reinação) de uma prisão de Timor. Segundo o jornalista, a coisa foi planeada, o que até aí me pareceu normal.
Mas depois vem o resto, numa sequência de episódios que me faz pensar que a ilha onde se passa o “Lost” não é a única dada a fenómenos estranhos (isto se excluirmos a Madeira, sobre a qual ainda pende a dúvida de poder ser um cometa despenhado na Terra). Consta que o Alfredo, como qualquer gajo com um plano de fuga, resolveu arranjar companheiros, nada menos que 56, certamente para não dar nas vistas e fazer parecer a coisa uma visita de estudo. O que ainda ganha maior realce se tivermos em conta que a cadeia tem 200 e tal prisioneiros.
Supõe-se que esta fuga pudesse ter motivado um banho de sangue, com guardas e reclusos dispostos a não ceder, mas isso é nos filmes e ocasionalmente no Brasil. Em Timor, depois de muitos anos de porrada com os Indonésios, as fugas da cadeia parecem ser tipo jogar às escondidas. Primeiro desaparecem uns neo-zelandeses que supostamente deviam estar a vigiar a coisa, mas que devem ter sido convocados pelos australianos para uma partida de rugby. Tudo bem, ficou de guarda um pequeno destacamento timorense, possivelmente armado com perigosos palitos de almoço e walkie tal
kies feitos de côcos, já que é dito que não tinham armas, nem sequer rádios. Mas, sendo feriado em Timor, foram na volta persuadidos, por Reinado e os seus escassos 56 candidatos a evadidos, a deixar as portas das celas abertas para fazer corrente de ar, que nesta altura está muito abafado em Timor e que fossem aos festejos descansados, que eles guardavam as portas e não diziam a ninguém.
A educação é tal, nesta fuga, que ao que parece os mais de cinquenta evadidos devem ter deixado um papel a dizer onde iam, porque o manda chuva dos militares australianos afirmou prontamente saber onde estavam Reinado e sus muchachos.
É assim, a peculariedade do dia a dia em Timor, onde também não é possível esperar muito mais, depois de tanta exposição aos cantares do Luís Represas...

30.8.06

Recordar I

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Chaimite Produções, algures no final de 2003.

Repor a verdade

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Porque isto não é um blog pimba, apesar do que muitos sugerem, chegou a hora de mudar a música do estaminé. Brevemente vêm cá os Pearl Jam, por isso nada melhor do que colocar aqui uma música evocativa dos meus tempos de jovem niilista. Eddie "Almôndegas na Boca" Vedder, tu que já deves uma overdose à malta desde o Vitalogy, ouve e aprende. A tocar: In Bloom, by Nirvana.

25.8.06

Continua chamando-me assim...palhaço


Pode ser mau feitio meu, mas sinto uma embirração especial por quem trata seres com mais de 50 cm’s por “Bébé”. Tudo bem, em situação privada de carinho e afectividade a coisa é tão aceitável como tratar o outro por Monsenhor, Pedaço de Esterco ou Miss Piggy, mas em público é, no meu douto entender, punível com pena de morte por apedrejamento, isto nas penas mais suaves.
Se a desculpa é do anglófono baby, esqueçam. Aquilo na língua deles até soa bem, em português fica ridículo. Ninguém trata o outro como abóbora e entre eles há quem o faça e não soe assim tão mal. Usar o termo inglês original integrado em frases tão sentidas como “Tu deixas-me louco baby” tem a mesma inteligência dos futebolistas que dizem “Estou aqui para fazer o que o Mister quer”.
Suponho que a intenção de quem trata os outros por bébé, quando não num sentido irónico como em relação ao avô que se acaba de borrar todo nas calças, seja mostrar afecto, carinho, vontade de proteger ou até mesmo fetiche com chupetas. Mas há que não esquecer que o bébé não tem propriamente controlo das suas funções corporais, não prima pelo discurso coerente e fascinante e tentar ter com ele o que muitos tentam ter quando começam a tratar adultos com esse diminutivo dá pena de cadeia pela certa.
Sejam originais, arranjem-me diminutivos giros, pitorescos ou na melhor das hipóteses estranhos, mas não se rendam ao facilitismo pueril. Não é difícil, a não ser que possuam um intelecto semelhante ao do dito cujo.
E não termino com um “Ah pois é bébé!” porque os meus dedos congelam ao pensar no uso dessa frase e dão-me suores frios que não têm nada a ver com o prazo de validade do sumo que estou a beber.

17.8.06

Isso é do caralho...

A palavra caralho é, como todos sabem, um dos mais poderosos artifícios que se podem usar para enfatizar alguma coisa. Em termos de distâncias, então, está na boca de toda a gente (salvo seja). Foda-se isso é mais longe que o caralho. Isso fica lá para trás do caralho. Ou ainda, por exemplo, isso fica ali para a Bobadela ou Rinchoa ou lá o que é, que no fundo é o mesmo que dizer caralho. Assim como que expondo uma ordem de grandeza, em termos de distância, não há melhor que o caralho. Temos o cu de judas (que já é longe para caralho), temos aquele sítio onde o diabo perdeu as botas (que fica no caralho mais longe) e ainda temos o corolário das ultra-maratonas que é caracterizado pela expressão já referida do mais longe que o caralho. Não há nada mais versátil que um bom caralho. Serve para tudo, incluindo o óbvio. Especialmente para as coisas que são agradáveis, aquelas coisas de que gostamos. Isso é giro, pá! Eis uma expressão usada por alguns dos mais atrevidos jovens portugueses durante o Estado Novo, quando queriam exprimir admiração por algo que lhes agradava. Mais tarde, com as cabeleiras e as barbas e o descurar da higiene pessoal, e sem os asseclas da Pide à espreita, começaram a ser mais arrojados e aqui nesta fase houve uma cisão na verve da juventude portuguesa: por um lado, temos aqueles jovens que, como bons portugueses que são, recorreram obviamente ao caralho. Isso é do caralho! Ena cum caralho! Ai o meu caralho, cum caralho! Por outro lado, temos aquelas pessoas, que hoje em dia administram as maiores empresas do país, mas que na altura gostavam era de se roçarem uns nos outros, ver filmes do Pasolini e acreditar em tretas difundidas pelo MRPP. Esses jovens, apesar da rebeldia exterior, não conseguiam encontrar dentro de si as forças para enunciar convenientemente a palavra caralho. No fundo, não valiam um caralho. Quando queriam apodos para exprimir admiração pelo que quer que fosse recorriam frequentemente a anglicanismos como o nice ou a outras expressões muito abichanadas como o baril. No fundo ainda não tinham encontrado as virtudes do caralho. E tiveram uma vida muito mais triste que os outros, que conheciam o caralho de lés a lés. Tinham uma aparência exterior rebelde à la Keith Richards mas a sua alma era a de um Artur Agostinho. Usavam o caralho apenas para uma coisa. Para exprimir dor. Para a outra coisa que vocês estão a pensar, utilizavam o pénis. Por vezes, quando passavam por baixo de uma arcada e lhes caía um piano de cauda em cima dos cornos, consta que lá saía um caralho digno de se ouvir. Do género: Foda-se, cum caralho! E depois morriam. Adiante. Mais tarde, com o aparecimento de uma verdadeira indústria do sexo nas televisões, como os primeiros filmes de queca e tal, começaram a ouvir-se novas expressões nas bocas da juventude portuguesa. Foda-se, que grande caralho que aquele caralho tem! Aquela gaja é do caralho! A melhor de todas: que caralho do caralho. Fazia-lhe um pijama de saliva, cum caralho! Noutro âmbito, com as transmissões televisivas de futebol, o caralho passou por momentos conturbados, quando começou a ser utilizado de forma pejorativa, normalmente associado a jogadores como Secretário, Nelo, Bobó, etc. Aquele preto não joga um caralho! Chulo, não vales um caralho! Foda-se, que aquele gajo é burro como o caralho! E por aí fora. Mas, para acabar em grande uma volta ao mundo do caralho e como paradigma de que o bom filho à casa torna, tenho para mim que os momentos mais bonitos em que usamos o caralho são aqueles que realmente têm a ver com o caralho, isto é, aqueles em que o caralho se acerca da sua verdadeira essência. Por exemplo, quando uma moça grita: dá-me caralho, foda-se! É deveras singelo. Ou ainda: tenho o caralho em carne viva de tanto chavascal! Ou por exemplo, aquelas expressões que resvalam para a nobre área da medicina: isso é capaz de ser uma micose, Sr. Silva. Onde é que tem andado a meter o caralho? Um caralho inferiorizado: sr. Doutor, não me consegue acrescentar uns seis centímetros ao caralho? É que a minha mulher anda a encornar-me pra caralho, pá! E eis-nos chegados ao fim desta dissertação do caralho, para o caralho e sobre o caralho, caralho!

16.8.06

Na praia, sê camelo

Alguém interessado em discutir a influência de Bach na Revolução dos Cravos?


Tal como no deserto, o camelo é um ícone incontornável, nas nossas praias um parente afastado dele tem sido alvo da minha atenção nos últimos tempos – o intelectual das areias.
A minha modéstia não me impede de me considerar minimamente inteligente, sendo o minimamente utilizado para reforçar a minha modéstia, característica que prezo bastante. Assim sendo, enquanto veraneante, tento evitar um pouco as praias que se assemelham a selvas, enquanto conceito de tambores ribombantes, largadas de búfalos, águas perigosas, safaris sazonais e outros que tais. Não porque procure um refúgio intelectual, mas porque pretendo um pouco de vegetanço tranquilo qb.
Isso leva-me a procurar praias, não direi mais selectas porque isso seria pedante (e eu sou humilde, para além de modesto), mas pelo menos mais afastadas de Lisboa. Mas, não sou o único e tenho constatado que há um espécime que também faz o meu percurso, para meu desagrado – o intelectual das areias. Eu, quando vou para a praia, vou relaxar, vou apreciar tudo o que os ultra violetas e o oceano poluído têm para me oferecer, praticar desportos de praia (apenas e só quando tenho espaço vasto, mas que não me impeça de acertar com uma bola em alguém ou pisar o castelo de areia de algum petiz), falar sobre coisas triviais, piadas de circunstância e humor de terceira em surdina, sobre banhistas que passam ao longe. Deixo os compêndios e toda a minha argúcia, savoir faire, cultura geral e particular em casa, porque tal como a areia nos olhos, me irritam essas coisas na praia (isso e a falta de modéstia).
Como tal, desconfio e atrofio com aquelas doutas pessoas que, apesar de estarem a distância considerável, amplificam o seu ego para falar sobre a fauna que descobriram em Itaparaúca do Sul, da perspicácia do último livro de Herman Grass (o erro é propositado, pois também existem os pseudo-intelectuais da areia), de como a crise gástrica de Fidel é originada por um plano da CIA para os vegetais cubanos, ou das maravilhas arquitectónicas que encontraram no Vale dos Gays.
Guardem para vocês, não quero saber, não vim convosco, não tenho de vos aturar. A praia é livre dirão alguns de vocês, que coram agora ao pensar nas tardes de Verão que passaram a discorrer sobre Descartes. Mas na praia, meus caros, se eu penso logo desisto, por isso argumentos armados ao racional não me convencem, para além de que são pouco modestos.
Portanto, se não vos consigo convencer a bem, nem que seja a irem fazer companhia ali ao primo afastado das dunas do Sahara, preparem-se, eu quando vou para a praia levo um ancinho e sei como usá-lo...

10.8.06

Enfrentei a Morte e soube-me a pouco


Agora posso dizer que olhei a Morte nos olhos e digeri bem o assunto. Agora posso gabar-me de já ter tido a minha dose de Mortes nas mãos. Agora, quando alguém me disser que a Morte é um preço alto a pagar, vou argumentar que sete Euros e meio não é assim tanto. Agora sei que o cheiro da Morte é muito parecido com lombo de porco assado. Agora posso acrescentar que se a vingança é um prato que se serve frio, a Morte apenas precisa de 8 minutos no microondas para estar pronta a servir.
Enfim, agora posso dizer que a todos aqueles que desejam saber para onde vamos depois da Morte que, se forem honestos, vão para as caixas do supermercado do Corte Inglês.

7.8.06

Os Contos de Fadas Modernos

Confesso que nunca me tinha apercebido do fenómeno que é, a todos os níveis, a telenovela Floribella. Pensava que era uma mísera réplica da SIC aos Morangos. Outro dia, enquanto degustava melão com presunto na quietude do meu lar, pensei assim para mim: agora vais finalmente ver a Floribella, de que esses biltres tanto falam, e depois poderás escrever um post com as palavras melão, quietude, Floribella e degustava assim todas bem juntinhas umas às outras. Dito e feito.

A primeira coisa de que me apercebi com o visionamento do episódio é de que a Floribella é uma cópia para os tempos actuais da Cinderela, de Charles Perrault, cuja versão mais interessante, e aqui peço desculpa a Walt Disney, será provavelmente a que foi realizada por Garry Marshall em 1990, com Julia Roberts e Richard Gere. E arrisco ainda dizer que esta Luciana, com pinta de suburbana tripeira comida à vez por todos os dreads lá do bairro, perde em todos os aspectos se a compararmos com a Julia ou até mesmo com a versão do desenho animado. Outro aspecto interessante da Floribella consiste no par romântico que arranjaram à rapariga e que é aquela coisa que deambula pela casa e que está sempre irado assim como quem diz: mas porque é que me obrigam a andar com esta barba e este cabelo? Pareço o Abel Xavier, mas em branco. De facto, parece. Ou então um boneco da playmobil, daqueles de barba descartável. E depois o apelido que arranjaram ao homem: Fritzenwalden. Para mim também pode ser um Fritzenwalden faz favor, mas com pouca mostarda, que estou com um desarranjo intestinal. Enfim.

Depois há toda uma panóplia de irmãozinhos irritantes e personagens acessórias género família Von Trapp meets Cinderella contra-ataca Versus o regresso de Médico de Família a ouvir os Onda Choc da Arca Perdida. Teria de conseguir ver mais uns quantos episódios para decorar os nomes de metade das personagens. Há uma gaja badocha que tem uma certa piada. Dá pelo nome de Helga e, quando fala com um sotaque teutónico, faz-me sempre lembrar o Fabrrizius do Herman. Outra coisa muito engraçada na Floribella está na participação do Rodrigo Saraiva, o Bata, conhecido nos meandros do guionismo televisivo como o Luke Perry português. Este jovem, que provavelmente já não o será, começou por ser aquele miúdo com ar de mitra irritante de Médico de Família, tipo sobrinho que os pais não aturam e recambiam para o tio, para depois tocar baixo numa banda apaneleirada que tocava covers de Carlos Paião, indo ainda a tempo de integrar um dos elencos dos Morangos com Açúcar. No meio de tudo isto, julgo que ainda foi proprietário de uma ou duas tascas ali para Xabregas, taxista, apicultor e técnico oficial de contas. É dose. Têm é que começar a disfarçar melhor as entradas do rapaz.

Aquele outro puto irritante que dá pelo nome de José Afonso Pimentel também participa na Floribella e tem um papel esquisito, assim tipo de quem vê tantas gajas à volta dele que acabará por não comer nenhuma e por fugir com um instrutor de fitness chamado Carlão. Mantém os mesmos olhos de carneiro mal morto que tinha em Ana e os 7, provavelmente de tanto ter olhado para as mamas da Alexandra. Um pormenor interessante e que prova que a obra intemporal de Charles Perrault foi adaptada de forma competente é o casting de Miguel Dias como cozinheiro, no fundo o equivalente moderno à abóbora que se transforma em coche no conto original. Miguel Dias, recorde-se, é aquele gajo obeso que logrou com os Mercuriocromos ser a mais risível das imitações dos Ena Pá 2000, isto antes de alguém o ter convencido de que tinha talento para ser apresentador de televisão e antes de também alguém o ter convencido de que tinha talento para ser escritor e encenador. É hoje em dia o nome de maior peso (também metaforicamente) do teatro de revista para as novas gerações e da literatura light thrash de casa de banho. A sua obra "Vai uma Queca?" foi o primeiro volume de uma trilogia a ser seguida por "Não!?" e por "Então e se eu te der 100 euros, vai ou não vai?".

Uma coisa que ainda não consegui perceber na Floribella é se ela fode ou não. Estou a falar da personagem, obviamente. O Fritzenschnitzel é bastante sofrível, e acho que é apenas por isso que ainda não houve um especial Floribella: Pop My Cherry, pois parece que candidatos até os há. Se querem fazer da novela um conto de fadas moderno, lembrem-se que a Julia já ia bastante rodada quando encontrou o seu príncipe encantado na versão do Garry Marshall. Só não dava beijinhos na boca. Arranjem lá um gajo de jeito à Flor, que o outro tá sempre com cara de dores de barriga.

Logo pela fresquinha


Hoje cheguei cedo ao trabalho, porque curiosamente, acho que é mais fácil trabalhar quando não está cá ninguém. Constatei um facto, quanto mais cedo andas no Metro, mais cara de trabalhadoras têm as pessoas. Felizmente nenhuma delas estranhou a minha presença por ali.

3.8.06

Puta Vida Merda Cagalhões

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Do grande Nel chega-nos esta magnífica, sumptuosa e lapidar canção que decidi eleger como a nova melodia deste blog por tempo indeterminado, com ênfase em indeterminado. Como não podia deixar de ser, foi através do Portal Pimba que descobri esta autêntica pérola. É, sem dúvida nenhuma, uma canção que consegue, com uma clareza e meticulosidade avassaladoras, elevar o género muitas vezes esquecido e injustiçado da música popular a novos píncaros nunca antes almejados, nem mesmo pelo fautor desta fabulosa composição poética, Nel Monteiro.

Puta Vida Merda Cagalhões

Por não ter condições de vida
E ver sinais de mal a pior
Desculpem a linguagem
Mas não tenho outra melhor
Desculpem a linguagem
Mas não tenho outra melhor
É muito duro ser pobre
E mais duro é com certeza
Um pobre ser toda a vida
A lixeira da nobreza
Um pobre ser toda a vida
A lixeira da nobreza

Puta vida merda cagalhões
Porque será que tem que ser assim?
Os casebres e as mansões
Desigualdade sem ter fim

Puta vida merda cagalhões
Até parece que sou filho do azar
Pois até o Euro Milhões
Só merda me está a dar

A Expo 98
Tanta nota ali perdida
E tantos pobres pedintes
Sem terem nada na vida
E tantos pobres pedintes
Sem terem nada na vida
Não é defeito não ter
Nem para cagar, um penico
Defeito é ir tirar
Ao pobre para dar ao rico
Defeito é ir tirar
Ao pobre para dar ao rico

Puta vida merda cagalhões
Porque será que tem que ser assim?
Os casebres e as mansões
Desigualdade sem ter fim

Puta vida merda cagalhões
Até parece que sou filho do azar
Pois até o Euro Milhões
Só merda me está a dar

Estádios de futebol
Oferta de mão beijada
A quem já ganha milhões
E milhões sem ganhar nada
Ser pobre não é defeito
E ser rico também não
Defeito é ver um pobre
E não lhe dar um tostão
Defeito é ver um pobre
E não lhe dar um tostão

Puta vida merda cagalhões
Porque será que tem que ser assim?
Os casebres e as mansões
Desigualdade sem ter fim

Puta vida merda cagalhões
Até parece que sou filho do azar
Pois até o Euro Milhões
Só merda me está a dar

Aquela Casa da Música
Que não tem nada no Porto
Um insulto a quem não tem
Um minuto de conforto
Um insulto a quem não tem
Um minuto de conforto
Os vintes e dois mil milhões
Todos sabem para onde vão
Para a Ota e TGV
E não vai sobrar tostão
Para a Ota e TGV
E não vai sobrar tostão

Puta vida merda cagalhões
Porque será que tem que ser assim?
Os casebres e as mansões
Desigualdade sem ter fim

Puta vida merda cagalhões
Até parece que sou filho do azar
Pois até o Euro Milhões
Só merda me está a dar

Quando o homem se convencer que a modernização do mundo terá de começar por acabar com a pobreza, aí sim, teremos um mundo melhor.

(Letra e Música de Nel Monteiro)

Vou agora, propositadamente, deixar cinco ou seis linhas de intervalo para reflexão antes de proceder à análise desta música, pois, como melómano incorrigível que sou, estou a sentir um turbihão de emoções semelhantes às que perpassaram Pelé quando lhe deram a primeira bola.







Agora que estou um pouco mais recomposto, confesso que nem sei por onde começar. Talvez pelo título. Puta Vida Merda Cagalhões. Um título apoteótico, mesmo tendo em conta o género musical em que se insere a composição. Reconheço que nunca pensei que o para mim competente e por vezes inspirado Nel Monteiro fosse capaz de uma tão singular pedrada no charco do nacional cançonetismo. É certo que em temas como Toca o Bicho, uma das maiores apologias de sempre da masturbação e hino de todos os onanistas via webcam, o Nel já vinha evidenciando ser um autor capaz de trazer maior maturidade às suas canções, mas nunca esperei nada como este Puta Vida Merda Cagalhões. Reparem nas quatro palavras agregadas neste insuperável título: temos puta, temos vida, temos merda e, viva o pleonasmo, temos também cagalhões.

Nesta altura, uma pergunta se impõe: Quem é Nel Monteiro? Antes da composição deste tema, julgo que nem o próprio saberia responder cabalmente a tão premente questão. Depois de o ter composto, o Nel é, com todo o rigor, o maior crítico da actual conjuntura portuguesa e o mais acintoso denunciante das injustiças sociais e das desigualdades económicas. Atrevo-me ainda a dizer que, doravante, e à semelhança de um pré e um pós 25 de Abril, a História recente portuguesa será também compartida num pré e num pós Puta Vida Merda Cagalhões. O homem responsável? Nel Monteiro, viseense e, a avaliar pela fotografia, anacrónico no que concerne a questões mundanas e de somenos importância como a moda e os penteados. O que este blog e, mais em particular, este vosso interlocutor deseja ver esclarecidas são as condições que propiciaram que este homem, que nas entrevistas fala ajim e usa um caniche na cabeça, se tornasse no maior compositor português de todos os tempos, título que ainda há bem pouco havíamos atribuído a Amadeu Mota.

Talvez tenha sido quem escreve no Portal Pimba a melhor definir o Nel relativamente à sua caracterização espaço-temporal na música portuguesa, quando referiu nesse blog que o Nel está para a música popular como o Ozzy Osbourne para o heavy metal. Nova pausa de cinco ou seis linhas para descompressão.





Ok, já chega. Agora atentem neste pequeno trecho da letra de War Pigs, dos Black Sabbath:

Politicians hide themselves away
They only started the war
Why should they go out to fight?
They leave that role to the poor

Ah, pois! Afinal parece que a comparação não é de todo descabida. À semelhança do Ozzy, também o Nel desmascara os políticos que causam todos os males do mundo e afundam os países na pobreza. No entanto, o Nel não é diletante como o Ozzy e leva a sua crítica muito mais longe, qual Robin Hood secundado por um frei Tuck quiçá na figura de um Graciano Saga. Aliás, se bom senso houvesse naquela estação de televisão ali para os lados da Barcarena, há muito que o Nel teria substituído o Miguel Sousa Tavares no Jornal Nacional. Nada escapa ao seu dedo acusador, começando nas derrapagens financeiras da Expo 98, passando pela anedota em que redunda a Casa da Música, acabando com as actuais e muito em voga polémicas da Ota e do TGV. Com Nel comem todos da mesma maneira, sejam do PS ou do PSD. Mas o que mais irrita e confrange o Nel são as desigualdades económicas: uns com tanto e outros com tão pouco. Haver gente capaz de passar por um pobre e não ser capaz de lhe dar um tostão. E atenção, muitos deles não são patos que usem cartola e polainas nem tampouco se chamam Tio Patinhas. Enfim.

Como nota final, reforço a ideia que, não obstante a bela harmonia musical deste tema, 99% do seu vigor reside na letra que se reveste de uma lucidez invejável a muitos dos pseudo-artistas do nosso panorama musical e que, a manter-se o presente estado de coisas neste país, temo bem que permanecerá actual por muitos e longos anos.

O Olho do Cu

Está ou esteve patente, na Fundação de Serralves, uma exposição consagrada à temática do olho do cu. O Estado possibilitou em grande parte esta exposição mediante a atribuição de parte dos subsídios que todos os anos atribui às artes e à cultura. Acho isto fabuloso e uma prova mais do que cabal de que, afinal, os políticos portugueses têm bastante humor.

Um regalo para o olho:

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1.8.06

Elas deixam-me de boca aberta


Para mim, não há nada mais sexy do que as amígdalas ou o esófago de uma mulher. E fico feliz que muitas delas concordem comigo e o exibam sem medos e sem restrições, tudo com a inocente desculpa de que estão a mascar pastilha elástica.
Diariamente e independentemente da sua raça, credo, atributos físicos ou estatuto social, cruzo-me com diversas mulheres que me brindam com mascadelas de pastilha sensuais, em que me deixam vislumbrar por efémeros 10 a 20 segundos, todo o seu esplendor amigdalítico e esofagal, assim como o dente chumbado da praxe, que nos mostra que são mulheres terrenas e não distantes e perfeitas utopias.
Caríssimas, se esse exibicionismo de boca for acompanhado, por um mascar audível do outro lado da rua (digamos da Av. da República) e um ou outro estalido e balãozinho maroto, não se surpreendam se um rapaz se lançar aos vossos pés.
E, se for eu, aviso em antecipação que o vómito não sai facilmente do calçado.