31.3.06

Uma questão de sentidos

Uma pessoa que se veja numa situação em que pode morrer, será que vê a vida a andar para trás ou vê a vida passar-lhe à frente?

Se vê ambas, poderá entrar em choque?

28.3.06

Em cima da ponte, com o glamour de quem vive debaixo da ponte

Sendo eu um homem de tradições, para além de cuspir no chão gosto também de anualmente ir correr a mini maratona de Lisboa, especialmente porque é das poucas hipóteses que tenho para fazer um xixizinho para o Tejo, mesmo aos pés do Cristo Rei.
Para além do grande evento social que foi a meia maratona deste passado domingo, há também interessantes factos estatísticos a verificar.

- É a única altura do ano em que as pessoas que entram a pé por um lado da ponte 25 de Abril chegam a sair pelo outro lado. No entanto, no resto do ano os tempos de chegada até perto do rio são bastante mais rápidos.

- É o único domingo em que portugueses de fato treino a fazerem efectivamente algo semelhante a exercício superam os portugueses de fato de treino a fazerem compras em hipermercados.

- É das poucas oportunidades que os portugueses têm para ver políticos a suar sem ser por motivos de corrupção.

- O número de portugueses a urinar na praça da portagem, placa de identificação da Ponte 25 de Abril e moitas depois da ponte como quem vai para Alcantara supera o número de portugueses que urinam na rua em Portugal inteiro.

- O número de atletas com dores nas costas aumenta consideravelmente no fim da prova. Contudo, isto deve-se ao facto de açambarcarem nas mochilas tudo quanto é brindes, da garrafinha de água, ao Powerade azul, que a maior parte dos idosos usa depois como substituto do WC Pato.

- Nas semanas seguintes, lugares como a Gafanha da Nazaré ou a Chamusca, assistem a um fenómeno em que toda a população usa ou tem familiares que usam bonés da Vodafone.

- Por volta do meio dia de domingo em Belém, é das poucas ocasiões em que o português (mesmo que mal falado) é mais falado do que os idiomas estrangeiros. É também o pico de visitas aos Jerónimos (ainda que se limitem aos jardins).

- Também é da poucas oportunidades, em que as pessoas com medalhas em Belém superam as pessoas condecoradas por Jorge Sampaio durante a sua estadia em Belém (embora em muitos casos possuam ambas as condecorações).

E isto é apenas uma pequena amostra do estudo. Para mais, aceitamos encomendas.

Queria ainda aproveitar a oportunidade para agradecer à jovem de ipod cor de rosa que despertou o meu ego masculino ao ultrapassar-me a 2kms da meta depois de eu a ter ultrapassado 1 km antes. Se não fosse ela não teria aumentado o ritmo no percurso final para não ter que sofrer a humilhação mental de ter acabado atrás dela. Um grande bem hajas.

22.3.06

Este circo vai dar barraca

Confesso que fiquei chocado pelo formato do Circo das Celebridades que a TVI estreou no último domingo. E isso aconteceu por diversas razões: em primeiro lugar porque pensei que a coisa ia ser feita ao estilo Circo Romano, ou seja, atirar celebridades aos leões, muito sangue e chacina à mistura e a ocasional crucificação e açoitamento dos mesmos. Mas, pelo que vi é aquele formato tradicional de circo e palhaçada, de que já tinhamos dose suficiente no restante da emissão da TVI.
Em segundo lugar, posso estar enganado, mas não vi o Palhaço Batatinha entre os eleitos para participar. É triste que, depois de tanto momento circense proporcionado pelo mesmo aos pequenitos que acompanham o Batatoon, tenha sido agora excluído de um palco maior. Ao que conseguimos apurar, o principal motivo para a desfeita deveu-se ao facto de haver palhaços de maior gabarito entre os concorrentes, algo que é difícil negar.
Em terceiro e último lugar, a crueldade para com os animais. Depois de uma vida devotada ao circo, muitas vezes em condições degradantes, expor leões, tigres, ursos e elefantes a pessoas com inteligência inferior a eles é do mais desumano que há. Isso vai obrigar os animais a um esforço suplementar, pois vão ter que explicar 1000 vezes os mesmos truques até às celebridades compreenderem e ainda compensar pelos erros dos mesmoss. O seu único conforto será certamente quando puderem votar para ir expulsando essas ditas celebridades.
Correm ainda rumores de que 5 dos animais (não confundir com concorrentes) se recusam a lidar semanalmente com Júlia Pinheiro, pois têm medo que lhes comece a cair o pêlo e de perder o apetite, já que está cientificamente provado que a voz da apresentadora tem um efeito nefasto no ciclo de vida de animais selvagens.

13.3.06

Post a post, enche o leitor o saco

A sabedoria popular, vulgo provérbio, é daquelas coisas que não se sabe muito bem para que serve. Algures no tempo, alguém se saiu com um dichote a que outros acharam piada e relevância intelectual, vai daí perpetuam-se frases que hoje em dia se aplicam às mais diversas situações. Num ou noutro caso, a coisa faz-me sentido, na maior parte deles, parece-me desprovida de contexto e recheada de pura malvadez. Senão vejamos dois exemplos:


Quem o alheio veste, na praça o despe.
Na acepção comum, este dito provérbio tem a ver com alguém que beneficiou indevidamente de algo poder vir a perdê-lo de forma algo drástica.
Pois para mim, parece-me mais uma de duas coisas: ou o resultado de um desfile na Moda Lisboa ou um desfecho escandaloso de uma relação homossexual terminada na praça pública, em que o Sr.Alheio, farto da chulice do seu parceiro amoroso, resolve vir a público terminar a relação.

Quando vires as barbas do vizinho arder, põe logo as tuas de molho.
Esta exemplar tirada refere-se a ser necessário tomar as devidas precauções quando vemos algo que nos podia acontecer a correr mal a alguém que nos é próximo.
Balelas, este ditado é puro sadismo com requintes de malvadez. Em primeiro lugar, não somos obrigados a ter que aturar a negligência do vizinho, caso este pareça o Pai Natal e resolva brincar com querosene e fósforos. Mas, se a decidimos aturar ou nos preocupamos com o personagem, não seria melhor ajudá-lo antes de colocarmos as barbas de molho? Ou pelo menos ligar para o INEM? E se esse vizinho for uma mulher de barbas (engolidora de fogo por sinal), não será chegada a altura de pedir um crédito habitação e deixar finalmente de morar numa roulotte ao pé do circo?
São questões como estas, que deixam no ar a falta de adaptação dos provérbios clássicos à realidade actual. Mas voltarei a esta temática mais tarde. Sim, porque mais vale tarde...o resto já sabem.

9.3.06

Ironia fora de jogo

É interessante verificar que ontem, a vitória do Benfica sobre um gigante europeu foi consumada por dois anões.



Pensamento adicional sem qualquer peso (e tamanho) – Será que Simão, Miccoli (e Leo) pagam bilhete de criança nos vôos do clube?

6.3.06

Tortura musical

Já se sabe o destino dos afegãos que foram “libertados” da base americana de Guantanamo. Os serviços secretos americanos, que nunca dão ponto sem nó, enviaram-nos para Portugal, para um tratamento alternativo. Provando que também pode haver criatividade até na tortura, o grupo de afegão será integrado como figurantes no recém estreado musical dedicado aos Xutos “Sexta feira 13”.
“Epá, quando soube, vi realmente que tinha sido muito azar da nossa parte e nem me refiro ao título” adiantou Al Ambique, um dos afegãos transferidos de Guantanamo, “com tanto sítio bom para ser torturado, logo havia de nos calhar isto na rifa. Os americanos já tinham usado registos do Tim para reforçar a tortura do sono, mas isto ao vivo atinge limites intoleráveis”.
O oficial americano responsável pela transferência, Bob Spanky, já comentou: “Realmente, se calhar abusámos desta vez, nenhum ser humano merece tal tratamento”, mostrando-se ainda muito surpreendido por a peça estar aberta ao público “não sabia que o masoquismo estava tão implantado em Portugal”.
Ao que se conseguiu apurar, o único factor de esperança no meio do grupo afegão, para além de já andarem a colar pastilha elástica nos ouvidos e de terem pedido uma ordem de restrição contra o Zé Pedro, que insiste em que lhe revelem onde ficam os melhores campo de papoilas no Afeganistão, consiste na ajuda do encenador do temeroso musical, António Feio, que julgam ser um agente afegão infiltrado. Um erro compreensível, já que as fisionomias são semelhantes (Feio é efectivamente feio, magro, tem barba muitas vezes e a sua cara parece um campo de batalha), mas que não tivemos coragem de referir perante tão desafortunados rapazes.