20.11.06

Pôr a culpa no altar

Em Portugal, muitas vezes se diz que “a culpa morre solteira”, que “ a culpa não pode morrer solteira” e muitas outras derivações desta mesma ideia: a culpa em Portugal tem tendência para morrer solteira.
Esta tendência leva-me a uma de duas conclusões:

1 – A culpa é uma cabra de primeira. Vai com todos, nomeadamente: os do Governo, os da oposição, com os patrões, com os sindicatos, com o árbitro, com o treinador, com os canais de televisão nacionais, com o DJ e com o porteiro da discoteca, com os automobilistas, com os peões e esta é só uma amostra da sua lista de parceiros ocasionais. A verdade é que a culpa roda por todos e não é de ninguém. Com esse feitiozinho, ainda por cima sempre a mandar-se para cima de alguém, não admira que ninguém a queira levar ao altar. É por isso que muitos a possuem no cartório, mas nenhum a leva para a conservatória.

2 – A culpa em Portugal é gay – esta é fácil, legalizem o casamento homossexual e verão que a coitadinha vai poder unir-se aqueles que com ela partilham a vida há muitos anos, em vez de serem obrigados a manter a sua relação na obscuridade.


PS – E, para terminar esta pequena reflexão sem culpas, fica este apontamento: se quando uma relação acaba, na maior parte das vezes alguém tem culpa, porque raio é que o culpado não aproveita e casa com ela, agora que está disponível e é óbvio que já eram íntimos antes...

5 comentários:

  1. O grande problema é que em Portugal, ninguém tem culpa de nada, ou pelo menos assim parece.

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  2. Se calhar a culpa é como os sacerdotes, fez voto de celibato...Logo, não pode cntrair matrimónio!

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  3. Se formos por aí, a culpa pode ser pedófila e não me parece que haja muita culpa nessa carreira.

    Este comentário é ao comentário anterior.

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  4. Mak, mea culpa, mas estou sem inspiração para comentar...

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  5. Se faz favor, nao se sinta culpado. :)

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