13.11.06

Dependentes da moda da dependência



Hoje em dia não faltam aí dependências para a malta depender a seu bel prazer e à fartazana. Obviamente, alguns dirão, isso depende. Exacto, isso depende, aquilo depende e tudo depende de alguma coisa, até mesmo os independentes, que pelos vistos dependem só de si.
Que dependamos de coisas essenciais como a água, o oxigénio aceita-se, até porque não temos outro remédio, que por falar nisso é uma expressão muito utilizada pelos que dependem da droga.
Falando em expressões, essa é outra trend ao nível de dependências, sempre acompanhada pela dependência de expressões estrangeiras para justificar tudo de A a Z. Ainda bem que falei em andar acompanhado, porque há quem dependa sempre de alguém e não consiga fazer nada sozinho, o que mais do que um estado de espírito é um espírito de Estado. E, haverá melhor sinónimo de dependência do que o Estado, o paraíso dos dependentes.
No Estado, não há nada que não dependa de tudo. Do subsídio que depende sempre de algo ao dependente do subsídio, da malta que depende de funcionários até para o mais insignificante ao mais insignificante dos funcionários que depende sempre de algo nem que seja para lixar a malta que passou uma manhã à espera em pé, porque arranjar lugar sentado depende da vontade de guerrear os velhotes e pessoas doentes que também dependem do Estado.
Quem fala em lugar sentado, fala em bancos, curiosamente também o nome de uma instituição da qual grande parte dos portugueses dependem. Haverá melhor nome para os seus agentes no terreno do que o que têm actualmente– Dependências Bancárias? Se depender de mim, não.
Os bancos vivem das nossas dependências, celebradas muitas vezes nas dependências deles. Do telemóvel ao carro, à casa, do futuro dos filhos à reforma dos pais, tudo passa cada vez mais por lá e, se depender deles, muito mais passará.
Se são daqueles que dependem de soluções milagrosas e do conselho dos outros para se orientarem, esqueçam este post e apaguem este blog. É que embora não dependa nem do tabaco, do álcool, nem sequer de drogas, dependo deste azedume crónico para manter o meu optimismo.
Mas, já que insistem, fica o seguinte: é impossível não depender de nada e, sendo assim, façam variar as vossas dependências como um guarda roupa varia com a época:

Sentem-se selvagens? Dependam de sexo, drogas e rock n roll.
Sentem-se cultos? Dependam do King, da Fnac e de alegres tertúlias.
Sentem-se burros? Dependam da Floribella, da Carris e de qualquer Governo.
Sentem-se carentes? Dependam de alguém, de chocolates ou qualquer arma de fogo
Sentem-se indecisos? Dependam do tempo, da disposição, da companhia.
Sentem-se azarados? Dependam do Euromilhões, do destino, de superstições.
Sentem-se fartos? Depende do blog que consultam e com este, é natural...

3 comentários:

  1. Hoje sentia-me culta e segui o teu conselho: fui ao Burger King do Colombo e quando saí estava completamente saciada! Obrigada Mak, não sei quem disse que és Mau!

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  2. FElizmente sinto-me tudo isso menos burra... Ufa, já me escapei da Floriseca, oops, Floribella! ;)

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  3. E a dependência da independência?
    Isso sim é uma verdadeira dor de cabeça

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