16.10.06

Ó sim, apraz-me muito essa vigorosa estocada...

Descobri, recentemente, um dos postais mais bizarros que alguma vez me escreveram. Diz qualquer coisa como isto: "Não te conheço muito bem, mas pareces-me simpático. Gostei das conversas que tivemos no bar da faculdade. Obrigado por teres vindo à minha festa de anos." Este postal foi escrito por uma colega de faculdade, embora não de turma. Era uma gaja viçosa e bem proporcionada e hoje, depois de tanto tempo, só me lembro dela por três coisas. A primeira lembrança que tenho da fulana é de estarmos todos a sair de um exame com aquelas conversas de merda tipo como é que correu e mais não sei quê e de ela me perguntar exactamente isso. Disse-lhe que não me tinha corrido bem, uma vez que não estava preparado, ao que ela retorquiu: "Nada disso, vais ver que tens tipo um 15." Nessa altura pensei que é preciso uma pessoa ser muito estúpida para estar a dizer a outra que não conhece de lado nenhum, ainda para mais com uma pose de Alcina Lameiras, que fique sossegada e não se preocupe pois vai ter boa nota. Pior que isso é alvitrar um número. Não era um 14, nem tampouco um 16. Era um 15. Não dei muita importância ao assunto porque ela era, pelo menos na época, uma gaja bem boa e nessa conversa estava mais ocupado a tentar evitar que ela percebesse que eu estava a olhar para as mamas dela. No entanto, é muito estranho. Porque é que as pessoas querem ser boazinhas e simpáticas com gente que nem conhecem nem irão provavelmente conhecer? A menos que ela pensasse de mim aquilo que eu pensava da maior parte das gajas da minha turma, que saíam sempre dos exames a dizer que iam chumbar e ter 2 ou 3, sendo que algumas até choravam, e depois tinham 17's e 18's. Pode ter sido esse o caso, e se assim fosse, ela para além de boa até era esperta, teria um pensamento parecido com o masculino e, por conseguinte, seria mais fácil de engatar. Notem que escrevi esperta e não inteligente, porque isso julgo que o era.

Depois aconteceu algo que me fez a mim, bem como a outros colegas, inserir esta pessoa naquele limbo de gente que é difícil adjectivar ou rotular, limbo esse a que muitas poucas personalidades têm acesso. Porque não há nenhum adjectivo que tenha a ver com as qualidades intrínsecas de uma pessoa que sirva para qualificar decentemente esta tipa. Era estranha? Era, mas havia ali mais qualquer coisa. A única coisa em que todos concordávamos é que ela era boa, mas boa. Mesmo. Voltando ao que aconteceu, tem basicamente que ver com um jantar de turma como muitos houve na faculdade. O jantar era com a minha turma e com a turma dela, mas da minha lembro-me que só fomos gajos. Foi num restaurante em Almada, ou no Seixal, já não me lembro bem. Lembro-me é que no final do jantar todos recebemos um postal daqueles, pois afinal estávamos era a comparecer a um jantar da turma deles que aproveitaram para transformar em jantar de aniversário dela. Ela ficou tão contente e fingiu-se de surpreendida de uma forma tão convincente que, na eventualidade de eu ter ali algum Óscar, ter-lho-ia dado certamente. Entre outras coisas que lhe poderia dar, claro. Nessa altura ficaram questões por responder. Os postais já estariam escritos, ou aquelas palavras teriam sido inspiração do momento? Se foi esse o caso, questões mais pertinentes se levantam e é necessário proceder-se a uma instrospecção de forma a poder aquilatar cabalmente acerca de pessoas que andam com postais no bolso para uma qualquer emergência que surja. Ah, este senhor da mercearia é tão querido e prestável que lhe vou escrever um postalinho: "Obrigado por me ajudar com a bilha do gás. Esse seu bigode fica-lhe a matar." Atentem que escrevi bilha do gás e não outra coisa qualquer porque ela vivia na margem sul e, como gosto de estereótipos, acredito sempre que o gás das grandes cidades ainda não atravessou a ponte, ao contrário dos fios de ouro e dos bonés de baseball.

Depois de tudo isto, resta-me só esclarecer a terceira razão pela qual me lembro desta gaja. É que ela, quer estivesse a falar com toda a gente no bar, quer estivesse num velório, ou mesmo a apresentar um trabalho numa aula, entrelaçava as mãos uma na outra com uma pose à menina da metereologia, isto ao mesmo tempo que dizia palavras que aprendeu no curso, como por exemplo, semiótica, Vestefália, metodologia, McLuhan, etc. Devido a isto, e porque o ócio nos aproxima a todos mais do Inferno que do Céu, começámos a imaginar que palavras é que ela diria quando faz sexo. Tipo, estará ela a levar com ele e ao mesmo tempo a invectivar o parceiro com palavras de apoio? Ou declamará Puchkin, enquanto é esfrangalhada? E conseguirá manter os dedos das mãos entrelaçados? Esta lenga lenga toda para justificar o título do post.

PS - Foi uma das melhores alunas do curso e agora, muito provavelmente, deve ser doméstica.

8 comentários:

  1. Aha, já sei quem é...e não era assim tão boa. Exagerado.

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  2. era regular, vá. mas há que prender a atenção dos leitores...

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  3. sim, o vilão é dado a exageros...mas creio que isso tem a ver com a medicação que ocasionalmente se esquece de tomar...

    Eu, que não privei com essa gente seria um bom avaliador imparcial, por isso peço a quem tenha fotografia do espécime (link do hi5 serve também)...

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  4. Será que é esta a grande candidata a "Boa" do vosso blog?

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  5. Especialmente sendo doméstica dava um jeitaço, porque limpar a casa não deve custar mais que duas ordens à romena e os filhos no colégio não incomodam, o que quer dizer que sobra tempo e pelo que li vocabulário também...

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  6. Doméstica na Costa da Caparica. ui. Naaa, não me parece.

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  7. Eu achei isto tudo muito bonito. Apraz saber que há alguém que usa o termo "Vestefália" como se de algo caro se tratasse, sendo que a única coisa cara que poderá existir no termo são as caravanas (objecto) porque as caravanas (conceito) soa-me bastante baratucho.
    Apraz ainda mais saber que há alguém que traduza o termo/marca para português na escrita e não lhe ponha aspas, como eu fiz lá em cima. Oh senhor Vilão...que coisa tão feia.
    Mas pronto, como meninas como essas há em todas as turmas, e a da minha até era menos boa e dizia "capitãos", acho que lhe desculpo o disparate.

    Ass. Pessoa que abomina tudo o que vem da Westfalia, desde o logo às arvorezinhas que existem à volta da fábrica que servem para fazer aqueles lindos interiores.

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  8. E afinal quanto tiveste no exame?

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