25.9.06

Pelo sim pelo não...

Na sequência de um desafio desta prezada senhora resolvi abordar um tema que a muitos faz eriçar os pelitos atrás do pescoço e a outros uma alcatifa pelo corpo inteiro: a depilação masculina.
E antes que se levantem vozes a dizer "Ah, eu sempre desconfiei" acrescento que este episódio que vou relatar não se passou comigo, mas sim com o amigo de um vizinho de um primo de um ex-colega meu da universidade. Ou então é inventado, escolham o que preferirem...

Tinha chegado ali numa missão e recusava-me a sair de lá sem a cumprir. Não por bravura, mas por teimosia, já que a vontade de sprintar para a porta de entrada era grande. Pensava ainda que se calhar a modernidade do laser tinha sido preferível, a estes actos heróicos, mas a senhora da recepção chamou-me:

- Olhe, o senhor. A sua marcação é por razões estéticas ou clínicas? Só para constar na ficha.
- Nada disso minha senhora – Ela não tinha o direito de saber que a alcunha Tony Ramos Júnior me tinha marcado a adolescência – Eu sou atleta profissional de natação, tem a ver com aero-dinâmica. Mal sabia ela que até na piscina dos putos eu tinha medo de me afogar.
- Ah...ok – respondeu-me ela, com a mesma convicção de alguém que acredita que a Ana Malhoa ainda é virgem – A Estela já o chama.

Voltei a sentar-me. Suava abundantemente e isso não tinha a ver com o facto da senhora na casa dos 50 anos à minha frente já me ter piscado o olho duas ou três vezes. Finalmente, chegou a minha vez. A tal da Estela, mistura de ogre e mulher de bata branca, chamou por mim. Lá fui eu, nervoso e diria mesmo amedrontado.
Mandou-me despir e ficar com uma toalhinha ridícula, que tinha mais uma função psicológica do que de ocultar alguma coisa e perguntou-me por onde queria começar.

- Então, mas isso não há um percurso definido?
- Isto não é uma visita de estudo. O corpo é seu, você é que escolhe.
- P..p.pois, tem razão. Olhe pode ser já por cima.

O sorriso dela, fez-me pensar que não tinha feito a melhor escolha. E sentir aquela substância quentinha no meu peito reforçou esse pensamento. E, à medida, que o meu pânico aumentava, a satisfação da Estela parecia crescer na proporção inversa.
Perto de uma hora, 100 gritos, 5 copos de água para acalmar, 22 tissues para limpar as lágrimas, 228 marquinhas vermelhas pelo corpo e incontáveis momentos de dor, ela disse a palavra salvadora “Acabámos”.
Tendo eu optado pela depilação completa e estando ai a ouvir em grande os ecos da dor, reparei que os tufos de pelos acumulados no chão dariam para abastecer um pequeno país com forro para almofadas durante um ano. Mas, a minha preocupação central era ir buscar a minha roupinha, pois sentia-me nu pela primeira vez na vida, apesar de já o ter estado diversas vezes.
Quando saí de lá, no entanto, era um homem diferente. Sentia possivelmente aquele boost de confiança que certas mulheres dizem sentir quando usam implantes de silicone. Descobri partes do meu corpo que não via desde a infância e usar uma camisa com uns botões abertos não era agora encarnar um cartaz do Greenpeace a favor da preservação da Amazónia.
Apesar de ter jurado para nunca mais e abençoado o facto de ter nascido homem, ainda que alcatifado, resolvi aproveitar enquanto os malditos não cresciam de novo (com as comichões que tal implica) e viver os meus dias como homem depilado, tal como a Cinderela se sentiu enquanto durou o efeito do botox que a Fada lhe orientou.

10 comentários:

  1. A tua descrição tem um erro Mak, que me leva a pensar que estás a ficcionar e que o primo do amigo do vizinho não experimentou isto... Quando a depilação é feita com cera, o crescimento não dá grandes comichões... Além disso, faltam-te detalhes que trazem realismo à história: A cera estava quente ou fria e era com ou sem bandas e já agora de que côr? Quando se tem mts pêlos, 1o têm de ser cortados com tesoura antes de se atacar com a dita cera... Vai mas é já à Persona e depois conversamos. Já agora, uma depilação integral incluí pêlos púbicos e a tua descrição não foi assim tão excruciante...

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  2. Eu sabia que a liga dos amigos da depilação não tardaria e aí está as justificações que se arranjam:

    Repara que o desconhecimento da depilação leva o dito cujo a dizer "resolvi aproveitar enquanto os malditos não cresciam..." quer dizer que, nesse momento, eles ainda não tinha crescido e nunca tendo passado por isso como poderia ele saber se dá ou não dá...

    Qt ao cortar pelo antes, a senhora podia ter-se "esquecido" dessa fase...

    Qt aos pelos púbicos, o decoro e educação católica do dito moço pode tê-lo levado a ocultar essa parte...

    Qt à veracidade da história, só os deuses (eu incluído) podem comprová-la...

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  3. aí estão as justificações e não aí está.

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  4. E não te amordaçaram? Mau serviço...

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  5. Caro Mak (o mau), a maior parte dos exemplares do sexo masculino que conheço têm pouquissima resistência à dor física (a não ser que essa dor envolva uns murraços provocados pelo espicaçar do orgulho macho), por isso literalmente chorei a rir com o post (embora também ninguém me convença que o episódio seja verídico).

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  6. para quem está a contar o sucedido ao vizinho, abusa um bocado do verbo na primeira pessoa...

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  7. Achei desnecessárias as aspas para colocar a coisa como um excerto de um discurso. Mas, cara pala, eu acho que faria algo de muito parecido se posto na situação do dito cujo... ;)

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  8. lololol
    Sendo verdade ou não, é um belo relato.
    Se for verdade, um grande bem haja ao Mak (ou ao seu amigo) pela coragem. Se for mentira, é uma pena, pq pelo é coisa que não interessa a ninguém :p

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  9. Por muito boa que seja a descrição - fartei-me de rir - não traduz a dor excruciante de uma deiplação, ainda mais total!!!! u wish...

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  10. pelo sim pelo não lembra-me sempre depilação.

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