11.9.06

Drama, horror, televisão


Imagem televisiva de dramatização da RTP sobre um assalto na Praça da Figueira, com cerca de uma hora dedicada à explicação sobre a origem da figueira


Neste dia muito famoso, várias perguntas andam no ar. Eu, pela minha parte pergunto-me como é que a minha fotografia no topo do World Trade Center no século passado, algo irrepetível (torres reconstroem-se, penteados e all-stars como aqueles são únicos) não valeu os 2 dólares que pedi por ela no Ebay.
Mas, tendo seguido ontem uma série de documentários sobre o que se passou há 5 anos numa bela localidade chamada Manhattan, apercebi-me que até nos tele-documentários e nas “dramatizações” de episódios reais o nosso Portugal tem ainda de percorrer muitas milhas (aéreas ou não, deixo ao vosso critério).
Depois de me assumir como mórbido e adepto de teorias de conspiração, prossigamos no tema. Dos documentários que vi muitos tinham, quando não eram totalmente assim, sequências com actores a representarem situações reais. Tudo bem, não eram performances para Óscar, mas era um bom suporte para quem conta uma história, tendo até vislumbrado um tipo oriental que tem uma presença fugaz no Lost a fazer de chinês maratonista a descer escadas de arranha-céus. O que é que isso interessa, perguntam vocês? Bastante mais do que o resumo dos Morangos com Açucar que têm aberto na página ao lado, digo eu.
O facto é que, quando acontece tragédia em Portugal, para além de se ter que esperar, por norma, dez anos para ver um documentário ou série, a coisa é muito sofrida. Já sabemos que se fôr documentário teremos que levar com o Eládio Clímaco ou com o Luís Pereira de Sousa na locução, o que é bem melhor do que ter qualquer um dos dois em pessoa acrescente-se.
Se for série, mesmo que entrecortada por documentário, terá argumento do Moita Flores e, seja de que forma fôr, entrará ou o Ruy de Carvalho, a Rosa Lobato Faria, uma gaja qualquer a querer projecção disposta a tirar a roupa a qualquer preço (um fenómeno histórico na TV portuguesa, vide: Sofia Alves, Soraia Chaves, Marisa Cruz), o João Lagarto e, seguindo as últimas tendências um gajo irritante que faz sempre o mesmo papel nas novelas/séries e que só conheço como Rafa.
Além disso, a coisa será teatral, dramática e terá o mesmo grau de interesse de uma micose do José Hermano Saraiva. Como tal, desde que não me afecte a mim e a todos aqueles que me adoram, mal posso aguardar pela próxima catástrofe ou iniciativa do género, para ver o que conseguimos evoluir na matéria para que, por exemplo, uma reprodução do Incêndio no Chiado não pareça uma reprodução do Inferno de Dante em 328 actos com um arrojado Diogo Infante a dizer “C’o a breca, quão vis são estas chamas!” ao representar o primeiro bombeiro a chegar ao local.


O casting para um novo Bom/Boa continua a decorrer, espero que as dezenas de emails que já me entopem a caixa não os intimidem. - mail - mak_omau@yahoo.com.br

3 comentários:

  1. Esse fado só acaba, quando nos livrarmo-nos do Policarpo e do D. Duarte...

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  2. finalmente encontro um blog que não tem ponta por onde se lhe pegue ou, se a tem, não a lobrigo (as coisas que uma pessoa tem de dizer até chegar a uma palavra conseguidinha!), porque estou a chorar de rir.
    vá...confessem: quem é que já chorou, a rir ou não, por vocês? (excluam aquelas cenas que vocês podem contar, ou já terem contado, em que estavam amarrados a uma cama com uma menina de chicote na mão e vocês de lingerie cor-de-rosinha, porque ninguém vai na tanga de vocês gostarem de ser amarrados por meninas com chicotes).
    tenho pena de ter desistido da minha lista de links. agora ficariam vocês aí no 632º lugar e podia haver alguém do contra, dos 4 ou 5 que visitam o meu blog, que começasse pelo fim... mas aquela coisa do html conseguia chatear-me mais que os vales de descontos do Dia. esperemos, então, que alguém tenha pachorra para ler até ao fim o post que o Mark comentou, já que eu a tive para o escrever e não sou menos que ninguém. excepção feita a um alberto joão jardim e a um valentim loureiro, mas agora não me apetece filosofar.
    quanto ao casting, esqueçam; não tenho perfil de Boa, embora como Bom faça algum sucesso em chats.

    adenda: de hoje em diante comentarei os vossos posts frase a frase como deve ser, ou no minimo, parágrafo a parágrafo, sacrificando assim a minha legião de "fãos" e o 12º visionamento dos Lost.

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  3. Caro Mak (o mau), enquanto não existirem argumentos de jeito em que diálogos são... diálogos e os actores perceberem que não têm de levantar os mortos com a voz, para além do facto genial de toda a gente em cena estar (sempre) de frente para a câmara (ás vezes parece que andam de lado, como os caranguejos), vamos continuar a ter o caso horroris ficcionalis que nos assola há muitos e longos anos.

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