31.8.06

Ponto de fuga da tanga


Major Reinado e alguns dos seus companheiros de fuga posam para a fotografia, disfarçados, antes de seguirem viagem no autocarro de fuga


Sendo eu um atento observador da cena política internacional, especialmente focado nos imbróglios parlamentares do Cazaquistão, não pude deixar de me surpreender com a notícia que foi dada hoje, sobre a fuga do Major Alfredo Reinado (e isto não é reinação) de uma prisão de Timor. Segundo o jornalista, a coisa foi planeada, o que até aí me pareceu normal.
Mas depois vem o resto, numa sequência de episódios que me faz pensar que a ilha onde se passa o “Lost” não é a única dada a fenómenos estranhos (isto se excluirmos a Madeira, sobre a qual ainda pende a dúvida de poder ser um cometa despenhado na Terra). Consta que o Alfredo, como qualquer gajo com um plano de fuga, resolveu arranjar companheiros, nada menos que 56, certamente para não dar nas vistas e fazer parecer a coisa uma visita de estudo. O que ainda ganha maior realce se tivermos em conta que a cadeia tem 200 e tal prisioneiros.
Supõe-se que esta fuga pudesse ter motivado um banho de sangue, com guardas e reclusos dispostos a não ceder, mas isso é nos filmes e ocasionalmente no Brasil. Em Timor, depois de muitos anos de porrada com os Indonésios, as fugas da cadeia parecem ser tipo jogar às escondidas. Primeiro desaparecem uns neo-zelandeses que supostamente deviam estar a vigiar a coisa, mas que devem ter sido convocados pelos australianos para uma partida de rugby. Tudo bem, ficou de guarda um pequeno destacamento timorense, possivelmente armado com perigosos palitos de almoço e walkie tal
kies feitos de côcos, já que é dito que não tinham armas, nem sequer rádios. Mas, sendo feriado em Timor, foram na volta persuadidos, por Reinado e os seus escassos 56 candidatos a evadidos, a deixar as portas das celas abertas para fazer corrente de ar, que nesta altura está muito abafado em Timor e que fossem aos festejos descansados, que eles guardavam as portas e não diziam a ninguém.
A educação é tal, nesta fuga, que ao que parece os mais de cinquenta evadidos devem ter deixado um papel a dizer onde iam, porque o manda chuva dos militares australianos afirmou prontamente saber onde estavam Reinado e sus muchachos.
É assim, a peculariedade do dia a dia em Timor, onde também não é possível esperar muito mais, depois de tanta exposição aos cantares do Luís Represas...

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