7.8.06

Os Contos de Fadas Modernos

Confesso que nunca me tinha apercebido do fenómeno que é, a todos os níveis, a telenovela Floribella. Pensava que era uma mísera réplica da SIC aos Morangos. Outro dia, enquanto degustava melão com presunto na quietude do meu lar, pensei assim para mim: agora vais finalmente ver a Floribella, de que esses biltres tanto falam, e depois poderás escrever um post com as palavras melão, quietude, Floribella e degustava assim todas bem juntinhas umas às outras. Dito e feito.

A primeira coisa de que me apercebi com o visionamento do episódio é de que a Floribella é uma cópia para os tempos actuais da Cinderela, de Charles Perrault, cuja versão mais interessante, e aqui peço desculpa a Walt Disney, será provavelmente a que foi realizada por Garry Marshall em 1990, com Julia Roberts e Richard Gere. E arrisco ainda dizer que esta Luciana, com pinta de suburbana tripeira comida à vez por todos os dreads lá do bairro, perde em todos os aspectos se a compararmos com a Julia ou até mesmo com a versão do desenho animado. Outro aspecto interessante da Floribella consiste no par romântico que arranjaram à rapariga e que é aquela coisa que deambula pela casa e que está sempre irado assim como quem diz: mas porque é que me obrigam a andar com esta barba e este cabelo? Pareço o Abel Xavier, mas em branco. De facto, parece. Ou então um boneco da playmobil, daqueles de barba descartável. E depois o apelido que arranjaram ao homem: Fritzenwalden. Para mim também pode ser um Fritzenwalden faz favor, mas com pouca mostarda, que estou com um desarranjo intestinal. Enfim.

Depois há toda uma panóplia de irmãozinhos irritantes e personagens acessórias género família Von Trapp meets Cinderella contra-ataca Versus o regresso de Médico de Família a ouvir os Onda Choc da Arca Perdida. Teria de conseguir ver mais uns quantos episódios para decorar os nomes de metade das personagens. Há uma gaja badocha que tem uma certa piada. Dá pelo nome de Helga e, quando fala com um sotaque teutónico, faz-me sempre lembrar o Fabrrizius do Herman. Outra coisa muito engraçada na Floribella está na participação do Rodrigo Saraiva, o Bata, conhecido nos meandros do guionismo televisivo como o Luke Perry português. Este jovem, que provavelmente já não o será, começou por ser aquele miúdo com ar de mitra irritante de Médico de Família, tipo sobrinho que os pais não aturam e recambiam para o tio, para depois tocar baixo numa banda apaneleirada que tocava covers de Carlos Paião, indo ainda a tempo de integrar um dos elencos dos Morangos com Açúcar. No meio de tudo isto, julgo que ainda foi proprietário de uma ou duas tascas ali para Xabregas, taxista, apicultor e técnico oficial de contas. É dose. Têm é que começar a disfarçar melhor as entradas do rapaz.

Aquele outro puto irritante que dá pelo nome de José Afonso Pimentel também participa na Floribella e tem um papel esquisito, assim tipo de quem vê tantas gajas à volta dele que acabará por não comer nenhuma e por fugir com um instrutor de fitness chamado Carlão. Mantém os mesmos olhos de carneiro mal morto que tinha em Ana e os 7, provavelmente de tanto ter olhado para as mamas da Alexandra. Um pormenor interessante e que prova que a obra intemporal de Charles Perrault foi adaptada de forma competente é o casting de Miguel Dias como cozinheiro, no fundo o equivalente moderno à abóbora que se transforma em coche no conto original. Miguel Dias, recorde-se, é aquele gajo obeso que logrou com os Mercuriocromos ser a mais risível das imitações dos Ena Pá 2000, isto antes de alguém o ter convencido de que tinha talento para ser apresentador de televisão e antes de também alguém o ter convencido de que tinha talento para ser escritor e encenador. É hoje em dia o nome de maior peso (também metaforicamente) do teatro de revista para as novas gerações e da literatura light thrash de casa de banho. A sua obra "Vai uma Queca?" foi o primeiro volume de uma trilogia a ser seguida por "Não!?" e por "Então e se eu te der 100 euros, vai ou não vai?".

Uma coisa que ainda não consegui perceber na Floribella é se ela fode ou não. Estou a falar da personagem, obviamente. O Fritzenschnitzel é bastante sofrível, e acho que é apenas por isso que ainda não houve um especial Floribella: Pop My Cherry, pois parece que candidatos até os há. Se querem fazer da novela um conto de fadas moderno, lembrem-se que a Julia já ia bastante rodada quando encontrou o seu príncipe encantado na versão do Garry Marshall. Só não dava beijinhos na boca. Arranjem lá um gajo de jeito à Flor, que o outro tá sempre com cara de dores de barriga.

7 comentários:

  1. Foi a melhor análise da Floribella que já li. E fazer-lhe a folha, não? Por favor, vamos encher-lhe a cara de estalos. E ao gajo também.

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  2. Camioneta frigorífica com eles lá dentro para o fundo do Tejo e mais nada...

    De facto, pôr um gajo que nem 30 anos com uma barba que não lembra ao demo e um papel feito à medida do grande Sinde Filipe, é um ultraje. Creio que só meteram este puto à última hora para se precaverem de questões pedófilas.

    Confesso que no dia em quando a megera começar a cantar e a saltar e aparecer alguém que lhe parte uma cadeira nas trombas serei de facto uma pessoa realizada.

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  3. Eu enchia-lhe a tromba de estalos mas só se ela pedisse muito. Porque primeiro levava um enxerto com pau de marmeleiro.

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  4. A Floribela a mim, apesar de eu só ter chegado ontem sempre me lembrou uma outra história. My Fair Lady. Ele há a giraça que não sabe falar e o indivíduo com a mania que é esperto e que tem barba.

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  5. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  6. Concordo inteiramente com leididi... Melhor análise que esta da "irritante" saga Floribela não há!!!

    Não consigo entender o fascínio por uma "parolíce" tal, que nem lembra a ninguém (tirando há sic) que tenha vergonha na p... da cara de realizar... E assim se gasta $$$ numa produção de m..., onde não se aprende nada... pelo contrário ficamos todos mais lunáticos do que por vezes... a própria vida do quotideano nos deixa!!!

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  7. Só vos digo uma coisa:

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    PRAAAAAA CIIIIMMMMMAAAAA
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    PRAAAAAAA BAIIIIIIIXXXXXXXOOOOOO
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    5
    NAAAAAAA PPPPPPEEEIIIIDDDAAA!

    (vomito)

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