16.8.06

Na praia, sê camelo

Alguém interessado em discutir a influência de Bach na Revolução dos Cravos?


Tal como no deserto, o camelo é um ícone incontornável, nas nossas praias um parente afastado dele tem sido alvo da minha atenção nos últimos tempos – o intelectual das areias.
A minha modéstia não me impede de me considerar minimamente inteligente, sendo o minimamente utilizado para reforçar a minha modéstia, característica que prezo bastante. Assim sendo, enquanto veraneante, tento evitar um pouco as praias que se assemelham a selvas, enquanto conceito de tambores ribombantes, largadas de búfalos, águas perigosas, safaris sazonais e outros que tais. Não porque procure um refúgio intelectual, mas porque pretendo um pouco de vegetanço tranquilo qb.
Isso leva-me a procurar praias, não direi mais selectas porque isso seria pedante (e eu sou humilde, para além de modesto), mas pelo menos mais afastadas de Lisboa. Mas, não sou o único e tenho constatado que há um espécime que também faz o meu percurso, para meu desagrado – o intelectual das areias. Eu, quando vou para a praia, vou relaxar, vou apreciar tudo o que os ultra violetas e o oceano poluído têm para me oferecer, praticar desportos de praia (apenas e só quando tenho espaço vasto, mas que não me impeça de acertar com uma bola em alguém ou pisar o castelo de areia de algum petiz), falar sobre coisas triviais, piadas de circunstância e humor de terceira em surdina, sobre banhistas que passam ao longe. Deixo os compêndios e toda a minha argúcia, savoir faire, cultura geral e particular em casa, porque tal como a areia nos olhos, me irritam essas coisas na praia (isso e a falta de modéstia).
Como tal, desconfio e atrofio com aquelas doutas pessoas que, apesar de estarem a distância considerável, amplificam o seu ego para falar sobre a fauna que descobriram em Itaparaúca do Sul, da perspicácia do último livro de Herman Grass (o erro é propositado, pois também existem os pseudo-intelectuais da areia), de como a crise gástrica de Fidel é originada por um plano da CIA para os vegetais cubanos, ou das maravilhas arquitectónicas que encontraram no Vale dos Gays.
Guardem para vocês, não quero saber, não vim convosco, não tenho de vos aturar. A praia é livre dirão alguns de vocês, que coram agora ao pensar nas tardes de Verão que passaram a discorrer sobre Descartes. Mas na praia, meus caros, se eu penso logo desisto, por isso argumentos armados ao racional não me convencem, para além de que são pouco modestos.
Portanto, se não vos consigo convencer a bem, nem que seja a irem fazer companhia ali ao primo afastado das dunas do Sahara, preparem-se, eu quando vou para a praia levo um ancinho e sei como usá-lo...

5 comentários:

  1. Caro Mak
    Só há um senão neste post: Não se trata de um camelo, antes um dromedário! É preciso lembrar a canção da Susy Paula (coisa que neste blog de inspiração pimba, não deveria ser necessário) mas aqui vai: "O Areias é um camelo, tem duas bossas e muito pêlo..."

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  2. Não quis mencionar a questão, mas este camelo sofre um acidente num Paris Dakar, tendo sido amputado de uma bossa. Infelizmente, sou obrigado a expor a situação, apenas para n persistir uma noção errada de que é um dromedário.

    Qt à inspiração pimba, isso é a área do vilão, o gajo é q põe o som no tasco, eu sou demasiado elitista

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  3. Fico mais descansada, com todas as informações dadas e feliz por o camelo ter sobrevivido. Continuarei a visitar estas páginas, mas só os excertos elitistas (ou seja, leio, mas corto o som)

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  4. Ok. O Vilão, bota a música, o vilão escreve as letras e o que é que o Bom faz? Dança?

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  5. O bom é um bocado um estado de espírito, o Espírito Santo da trindade, ou seja, ninguém o vê, poucos falam dele, mas é importante...

    Tanto que estamos até a pensar em lançar audições para arranjar um corpo para o encarnar...

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