27.7.06

Três avisos matinais

O percurso matinal que faço casa-taberna-trabalho, alertou-me para três coisas que gostaria de mencionar, numa espécie de alerta totalmente desprovido de interesse:

1 – Gajos de óculos escuros no metro – Para mim, os únicos com legitimidade para o fazer são os cegos, desde que munidos com bengala, caixa de esmolas e pregão condizente. Assim, sei facilmente quem posso rasteirar ou dar um calduço sem ter que me preocupar se o tipo viu quem foi. Quanto ao restantes artistas, pensem nisto: a labreguice é opcional, a cegueira por norma não.

2 – Sprinters idosos – Não sei se será próprio da condição humana, mas a partir de uma certa idade, parece haver uma tendência para tentar fazer coisas para as quais já não estamos aptos. O número de velhotes com insuficiências físicas de toda a espécie que tentam atravessar ruas e avenidas com sinais vermelhos ou fora da passadeira é bastante elevado. Caros cidadão seniores, o bowling de peões ainda não é permitido neste nosso Portugal e há formas mais subtis e menos dolorosas de recorrer à eutanásia. Por isso, não continuem a dar má fama a peões como eu, habituados a fazer a avenidas de cinco faixas ao pé coxinho, com os olhos tapados e o sinal vermelho.

3 – O factor Expresso – Quando surgiram os primeiros jornais gratuitos toda a gente achou mta piada. “Olha, agora posso controlar o decote da gaja da frente sem ter que comprar um jornal para disfarçar” ou “Assim, posso ouvir a conversa do lado sem ter que andar com um calhamaço do Dan Brown às costas” foram frases muito ouvidas entre os populares. O sucesso origina imitação e pouco depois começaram a surgir novos gratuitos, hoje até gratuitos de índole financeira como o Oje nos são oferecidos por jovens de todas as nacionalidades, credos e índices de limpeza, a caminho do trabalho. Pouco falta para surgir um gratuito desportivo e um gratuito de novelas, acreditem, mas o facto é que agora saio de casa de mãos vazias e, se não tenho cuidado, chego ao emprego com o Expresso, cheio de Cadernos, cadernitos e cadernetas, algo que pensei já ter banido do meu sistema e que a minha coluna agradeceu. Comigo, essa malta dos gratuitos ia pagar bem caro a ousadia, mas pronto, se é de borla quem é que vai recusar?

5 comentários:

  1. Até porque a vida tá cara e não dá para andar por aí a desperdiçar borlas. Além disso não há horóscopo como o do Destaq. "Noites mal dormidas podem trazer sonolência"... é que eu nunca concluiria isto sem a ajuda dos astros.

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  2. Prefiro o horoscopo do Metro. Cada conteúdo é um tiro certeiro no decorrer do meu dia. E isso não se paga!

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  3. Mak, se me permites, falta um quarto aviso:
    -Não às bombas armadilhadas dos canídeos, no meio da calçada portuguesa. Esta ocorrência obriga-nos a andar cabisbaixos e para isso já bem basta a situação do país e saber que até a Lili Caneças editou um livro. Obriga-nos também a ziguezaguear pela rua, ou então, a esborrachar o sapato em tamanha papa se o azar nos colher. Tenho cão e sei bem o quanto custa apanhar dejectos, especialmente depois de um prato de restos de comida. Mas faço um apelo a todos os donos desleixados que deixem rapidamente de o ser.

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  4. Ó se faz favor, queres falar mal do Reinu, vai lá para o outro blog e deixa o senhor em paz, vá.

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