13.3.06

Post a post, enche o leitor o saco

A sabedoria popular, vulgo provérbio, é daquelas coisas que não se sabe muito bem para que serve. Algures no tempo, alguém se saiu com um dichote a que outros acharam piada e relevância intelectual, vai daí perpetuam-se frases que hoje em dia se aplicam às mais diversas situações. Num ou noutro caso, a coisa faz-me sentido, na maior parte deles, parece-me desprovida de contexto e recheada de pura malvadez. Senão vejamos dois exemplos:


Quem o alheio veste, na praça o despe.
Na acepção comum, este dito provérbio tem a ver com alguém que beneficiou indevidamente de algo poder vir a perdê-lo de forma algo drástica.
Pois para mim, parece-me mais uma de duas coisas: ou o resultado de um desfile na Moda Lisboa ou um desfecho escandaloso de uma relação homossexual terminada na praça pública, em que o Sr.Alheio, farto da chulice do seu parceiro amoroso, resolve vir a público terminar a relação.

Quando vires as barbas do vizinho arder, põe logo as tuas de molho.
Esta exemplar tirada refere-se a ser necessário tomar as devidas precauções quando vemos algo que nos podia acontecer a correr mal a alguém que nos é próximo.
Balelas, este ditado é puro sadismo com requintes de malvadez. Em primeiro lugar, não somos obrigados a ter que aturar a negligência do vizinho, caso este pareça o Pai Natal e resolva brincar com querosene e fósforos. Mas, se a decidimos aturar ou nos preocupamos com o personagem, não seria melhor ajudá-lo antes de colocarmos as barbas de molho? Ou pelo menos ligar para o INEM? E se esse vizinho for uma mulher de barbas (engolidora de fogo por sinal), não será chegada a altura de pedir um crédito habitação e deixar finalmente de morar numa roulotte ao pé do circo?
São questões como estas, que deixam no ar a falta de adaptação dos provérbios clássicos à realidade actual. Mas voltarei a esta temática mais tarde. Sim, porque mais vale tarde...o resto já sabem.

1 comentário:

  1. Mais vale tarde...que nunca! Ora lá está outro dito que não se aplica. Quantas coisa há que mais vale não fazer nunca? Incendiar a casa, bater com o carro, ter cornos, ser assaltado, levar uma facada no meio da rua... etc etc etc e isto para referir assim umas coisinhas mais drásticas... Era de fazermos um compêndio de provérbios modernos assim do tipo "dá Deus um Mercedes a quem não tem carta de condução"...

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.