11.1.06

Choque frontal

Há coisas que me chocam, particularmente a electricidade. No entanto, prefiro mil vezes uma descarga de alta voltagem a aturar certas pessoas que diarimente no local de trabalho se dedicam apenas a uma tarefa: infernizar-nos a vida.
Ao contrário do que muitos pensarão, não me refiro ao "patrão", não porque este mereça a santidade eterna, mas sim porque o seu estatuto pelo menos dá-lhe alguma autoridade para tal. Refiro-me aquelas pessoas que em qualquer local de trabalho a que se convencione chamar escritório/agência são responsáveis pelo material do dito cujo.
É gente ruim para a qual um lápis ou uma caneta a menos nas suas contas é equivalente a um sismo de grau 38, tal é o abalo que provoca um pedido para o mesmo.
Se me disserem que no vosso local de trabalho, se é que algum dos madraços que lê esta prosa trabalha, não existe tal personagem é porque devem ter sido uns anjinhos na última reincarnação.
O pedido de um bloco novo pode assemelhar-se ao round decisivo entre Rocky e Ivan Drago. Um agrafador avariado pode dar origem a maior tensão que a da Guerra Fria. Um pedido de uma cadeira nova, esse então pode ser alvo de uma tal reacção que provocará um arrependimento tão rápido que faria corar de inveja o Torquemada dos tempos aúreos da Inquisição.
Não há um padrão físico para o Monstro do Estacionário, tanto pode ser homem como mulher, mas há algumas dicas para o identificar. Tem por norma mais de 10 anos de casa, não gosta do que faz, tem um solene prazer em que lhe peçam as coisas, apenas para negá-las depois, tem também por norma um favorito, "O Eleito" como lhe chamam, para o qual nunca há entraves em termos de material. Digamos que esse sortudo/a é o dia de Natal e o resto dos desgraçados são o ano inteiro, ou seja, as boas acções ficam-se por esse dia.
Por isso, se és o responsável de material no teu local de trabalho, meu palhaço (ou palhaça) faz um exame de consciência, o material não é teu, ninguém está a tentar montar uma indústria paralela de material de estacionário, não tens que defender cada caneta como se se tratasse da tua própria vida e não te ponhas aos berros cada vez que alguém imprime alguma coisa em duplicado. Enterra os teus traumas debaixo da montanha de caixas de agrafos que guardas religiosamente no teu gabinete.

Se não conseguires, não te preocupes, continuaremos a dar graças todos os dias por não seres o responsável pelo Banco Mundial contra a Fome.


PS - Se porventura trabalhas no mesmo sítio que eu, caro responsável pelo material não te enfureças comigo. Prometo que para te compensar te digo quem gamou o tubo de cola que tinhas guardado para aquele momento especial.

4 comentários:

  1. M. Albertina12/01/06, 18:28

    Eu sempre gostei de ti... queria-te para a minha Vanessa e tudo... e tu... tu fazes-me isto? Hádes de cá vir pedir lapizinhos para veres pra onde é que eu te mando!

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  2. Finalmente alguém que me compreende! Pensava que era um fenómeno isolado, com proporções aumentadas pelo meu mau feitio. Até fiquei comovida! Geralmente, no meu caso, costumo ouvir: "vou ter que pagar isso aos formadores?!" ou "vai-me levar as pastas todas!", como se estivesse a falar da despensa lá de casa e eu fosse uma intrusa a fazer estragos na mercearia familiar...
    Geralmente costumo responder (entenda-se "rosnar entre dentes") à pessoa em questão com um pouco simpático: "Sindicalize-se".
    Carmencita

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  3. ..e eu a pensar que era a única a esperar um mês por um furador novo ;)

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