30.1.06

Cenas Fishes

Combinei um café com um amigo meu que já não via há algum tempo. Gosto particularmente dele, porque é daqueles que quando estamos juntos vêm sempre histórias porreiras à rede. Atrasei-me e quando cheguei ao ponto de encontro ele já lá estava. Dei-lhe um bacalhau e fomo-nos sentar numa esplanada à beira rio.

- Desculpa-me o atraso, mas o metro demorou um bocado e depois parecíamos sardinhas em lata – disse-lhe eu, enquanto recuperava o fôlego da corrida que tinha dado.
- Pois, estás todo vermelhinho desse grande sprint, até pareces uma lagosta
- Não te ponhas para aí a arrotar postas de pescada que também já te vi mais magro rapazote (estas trocas de mimos eram habituais entre nós).
- Sabes como é, desde que sou um tubarão do mundo empresarial, há menos tempo para o exercício e...(de repente olha para duas miúdas que vão a passar) para as mulheres bonitas...
- Lá estás tu a babar-te para as miúdas. Dás tanto nas vistas que só me admiro que não te chamem o polvo – repreendi, enquanto olhava também.
- Umas trutas destas e eu ia deixar passar não? A mais alta tem uma boca que só me faz pensar em linguados, mas agora que vejo, a mais baixa é um bocadito para o baleia...
- Fala baixo!! – disse-lhe eu

O pior foi que elas ouviram, e foi aí que começou a verdadeira peixaria, porque as senhoras tinham alguma coisa de varinas:

- Ouve lá – disse a “suposta” baleia – estás armado em carapau em corrida é?
- Quem? Eu?? – Começa o meu amigo a fazer-se de inocente, a ver se elas mordiam o anzol e eu a ver que aquilo ia dar raia...
- Sim tu! – estava visivelmente irritado o cetáceo – vê lá se queres ver a tua vida a andar para trás como o caranguejo...
- Não deves estar a falar comigo de certeza – os tiques snobes do meu amigo estavam a vir ao de cima – eu não me dou muito com arraia miúda.

Foi então que tudo estoirou. A “baleia” passou-se, a amiga não a conseguiu agarrar e o meu amigo levou uma solha, merecida diga-se. Quando elas se foram embora, diz-me ele ainda meio aparvalhado:

- Já viste aquela piranha? Já não se pode dizer nada...
- É assim, pela boca morre o peixe rapaz e no fim que se lixa é o mexilhão, porque eu que não fiz nada também ia apanhando, além de ficar com fama de javardo.
- Desculpa lá, acho que ainda estou meio desorientado com o jet lag. Só vim ontem de viagem, estou a sentir-me cansado...Acho que vou para casa bater um choco.
- Fazes bem e vê lá se para a próxima vez que nos encontrarmos isto é mais calmo...

Ele riu-se enquanto nos levantávamos e me dava um abraço de despedida. Ele sabia que não me podia prometer nada. É que neste tipo de coisas, os nossos encontros são como pescadinhas de rabo na boca. Há sempre alguma coisa que nos vai levar ao mesmo, mas eu gosto dele assim. É um tipo fixe.

8 comentários:

  1. There's something fishy about this story...

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  2. Esse teu amigo é filho do sr. António, o pescador?

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  3. Não sei onde foste pescar essa ideia...

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  4. Para os lados do chiado, há sempre um cardume de ideias - pela proximidade com o rio, calculo. terá sido daí que a Sofia conseguiu pesca tão abundante. Sim, porque o filho do Sr. António é um Cachalote comparável à baleia que viste no outro dia. Tenho algumas dúvidas quanto à ortografia do meu comentário. Que cérebro de...de.....não há nenhum peixe muito pequenino? Raios, já estraguei o comentário. Sim, estava bonito. Não?

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  5. Acho que este post não respeita as cotas de pesca atribuídas ao país.

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  6. Epá, tudo o que vem à rede é peixe Karo Kinder

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  7. um verdadeiro diálogo de terrinha à beira mar plantada!

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