31.12.06

Last Round

Por norma, seja no final do ano, em danças latinas ou em viagens em alto mar, não sou pessoa de balanços. Mas, querendo assinalar o fim destes 365 dias a que alguns ousaram chamar 2006, ficam aqui alguns pensamentos.
Tenho uma clara noção de que, para mim, este ano vai acabar de forma muito idêntica ao anterior, particularmente porque calha a 31 de Dezembro e, curiosidade das curiosidades, novamente à meia noite.
Ao longo do ano, confesso que houve alturas em que vivi apenas a pensar no presente e peço desculpa aos que por isso foram afectados, mas também bolas foi o pijama mais horrível que me deram num aniversário.
Parei para reflectir muitas vezes nos primeiros seis meses, mas chegado a Junho admito que já estava um bocado farto de me ver ao espelho, como tal deixei-me disso.
Abracei muitos projectos ao longo do meu percurso profissional em 2006. Suponho que isso faça de mim um tipo muito afectuoso em relação ao meu trabalho, mas por mais abraços que dê o sacana do trabalho continua a não ir lá só com carinho.
Aquela pessoa especial que me fez bater o coração com mais força e me deixou sem fôlego em certas alturas, não podia deixar de fazer menção: já me tentaste roubar a carteira à saída do metro cinco vezes, eu corri sempre mais do que tu, não achas que está na altura de desistir e acabarmos com esta relação?
Em algumas manhãs, à medida que o Verão se ia afastando, comecei a sentir um certo vazio por dentro. Foi nessa altura que decidi que devia ir às compras com mais frequência, para ter alguma coisa para comer em casa ao pequeno almoço...

Muitas vezes desabafei sentimentos, pensamentos íntimos e amarguras nas páginas deste blog. Felizmente, a bebedeira nunca foi tão grande que não conseguisse fazer delete a esse tipo de alarvidades antes que alguém desse por isso e pusesse em causa a minha reputação.
Deixei crescer um bigode, só para ver a reacção. Só quando as pessoas começaram a fazer comentários em voz alta na rua é que disse à minha irmã que se calhar não lhe ficava assim tão bem e era melhor cortá-lo.
Assim se passou um ano, entre tantos episódios prazenteiros que poderia passar o ano (literalmente) a descrevê-los. Mas, prefiro ir ocupar o meu tempo com algo mais festivo, como por exemplo ver se consigo deixar algum vizinho encravado no elevador quando for a sair de casa.
Termino apenas com o desejo de que o ano de 2007 possa começar como o de 2006, em Janeiro e pelo dia 1. É que odeio surpresas logo a abrir...

Beijos e abraços, vou estar a pensar em todos vocês na passagem de ano (se pensam que é mentira, é porque não são tão rudimentares como eu pensava).

26.12.06

Vingança de Natal

Pois que já passou o Natal, essa bela época de confraternização, paz, alegria, prendas e, no meu caso, intoxicação alimentar de alguma espécie. Creio que quando falam em partilhar nesta época, não se referem à agonia e tormento porque passei, ao ponto de ter pesadelos com sonhos, por mais estranho que possa parecer.
Por isso, se esta "surpresa" foi praga que algum amiguinho ou amiguinha me deixou no sapatinho, pois que avance sem medo, que eu quero dar-lhe um abraço muito aconchegante. Se, por outro lado, a culpa do meu estado lastimoso se deve ao sentido de humor perverso de um gordo de barbas, vestido de vermelho (não Barbas, não és tu), então fixa estas palavras Nicolau: Hei-de enfiar-te o coelhinho da Páscoa num sítio que eu cá sei, com tal violência que as próximas cartas de criancinhas que vais ler terás que fazê-lo deitadinho de bruços.

Ah, o Natal, essa época de bons sentimentos. Ainda agora acabou e já tenho saudades...

19.12.06

Os 10 novos mandamentos - Vota já

Vendo o sucesso da iniciativa das 7 novas maravilhas do mundo (as de Portugal eu dou de borla porque não incluíram o Portugal dos Pequeninos nas hipóteses), ao que parece um grupo de investigação está a pensar em lançar a votação de dez novos mandamentos.
Inicialmente, a ideia era começar pelos sete pecados mortais, mas segundo um grupo de estudo do Vaticano, estes ainda estão em muito bom estado e são utilizados diariamente por milhões espalhados pelo mundo inteiro. Além disso, alterá-los ia estragar um bocado a história do filme do Brad Pitt e de Morgan Freeman, do qual Bento XVI é grande fã.
Desta forma, sendo que os 10 mandamentos antigos estão na sua maior parte passados a ferro pelos costumes actuais, os responsáveis do movimento “2010 Mandamentos”, curiosamente formado em Portugal, estão a começar a divulgar as novas hipóteses, sendo que já contam com o apoio de Charlton Heston (o Moisés do filme), Padre Borga (comporá o tema oficial) e outras personalidades, sendo que o lançamento terá lugar exactamente 10 de Outubro de 2010, na discoteca Konvento.

Como se aproxima a época de Natal, onde a família, a bondade e a paz convivem de perto com a farra, a loucura e a pás do Ano Novo, deixamos já em antecipação algumas das opções disponíveis para os novos 10 mandamentos, alguns dos quais exclusivos para Portugal, já que uma das novidades é que cada país pode ter mandamentos específicos à sua cultura.


a) Não adorarás e elevarás a deuses figuras como Cristiano Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Beckham e todo o tipo de gente que fale de si na 3ª pessoa.

b) Contentar-te-às com os teus 15 minutos de fama se a eles tiveres direito. Se até aos 60 anos não os tiveres tido, só nesse caso te será possível concorrer a reality shows, concursos de talentos e afins. (Excepção para concursos de beleza feminina, ninguém quer maravilhas geriátricas)

c) Honrarás pai e mãe, tirando no caso de eles se recusarem a ter televisão por cabo em casa, internet à discrição ou te molestarem psicologicamente por teres 45 anos e ainda não teres saído de casa.

d) Não cobiçarás a criança do próximo, especialmente se tiveres um anorak vermelho. Já em relação à mulher/homem/animais, foram levantadas as anteriores restrições.

e) Não assassinarás a gramática, nem as regras de trânsito a teu bel prazer ou serás punido com a presença em programas matinais como a Praça da Alegria, Fátima Lopes e Goucha até cumprires o tempo que deverias passar no purgatório.

f) Não cometerás adultério a não ser que ele ou ela esteja mesmo a merecê-las e faças um upgrade relacional. O vazio legal deste mandamento foi revisto, incluindo agora internet, relações com imigrantes ilegais, o hi5 e o msn como meios e outras disposições legais.

g) Não trabalharás ao Sábado, exceptuando se fores funcionário público. Nesse caso, já tiveste 5 sábados antes do verdadeiro, por isso tenta ser útil ao menos um dia por semana.

h) Não furtarás, nem pilharás bens alheios a não ser que sejas uma figura pública e estejas tão desesperado por cobertura mediática que estejas disposto a tudo. Se fores um cidadão normal, opta antes por créditos em cima de créditos para teres o que desejas, porque pelo menos são legais e demoras mais tempo até ir para à prisão, algo que te arriscas logo se fores pelo primeiro caminho. São isentos deste mandamento, políticos, dirigentes de clubes de futebol, empreiteiros e todos os que possuam o cartão de Xico-Esperto com as quotas em dia.

i) Não dirás blasfémias contra a tua vizinha de cima só porque ela invoca o nome de Deus em vão a altas horas da noite e de forma ritmada. O Senhor não leva a mal quando lhe chamam a atenção para cenas interessantes, mas não tem paciência para gente que não vê o prazer dos outros com bons olhos.

j) Não levantarás falsos testemunhos, incluindo boatos sobre a vida financeira e sexual dos teus colegas de trabalho, os problemas com o álcool e drogas dos teus amigos de infância, o facto de teres visto um dos teus tios vestido de mulher em casas mal afamadas e situações semelhantes. A palavra testemunho é abrangente, por isso deve consultar todos os seus significados no site web da Associação antes de começar qualquer boato, porque ao que parece o tipo que inventou isto tem problemas em casa e gosta de descarregar nas pessoas...


Esta é apenas uma pequena amostra, mas segundo o que apurámos, o 3º segredo de Fátima afinal tinha a ver com isto, só que a caligrafia da Irmã Lúcia era horrível e deu origem a uma pequena confusão.

18.12.06

Um rico Natal

Depois de ter tido duras batalhas em centros comerciais este fim de semana, conseguindo sobreviver com algumas prendas, duas fracturas expostas, arranhões múltiplos, irritabilidade aguda e depressão ao nível do saldo do cartão, cheguei a uma conclusão.
Deixei de ter pena do salário mínimo em Portugal, das famílias endividadas, do Natal dos hospitais (pronto, desse continuo com pena, sempre achei que esse era um estratagema para vagarem camas na ala de cardiologia) e de todos os desgraçados que já passaram pelo noticiário da TVI.
As hordas que vi, fazem-me pensar se não seremos mais pobres de espírito do que outra coisa...
É só um desabafo, não me dêem crédito, até porque se tentassem certamente iriam descobrir que já estava a ser utilizado por alguém para se empenhar até ao tutano nas compras de Natal...

12.12.06

A Carolina não é pêra doce

Às vezes, é difícil compreender as mulheres. Enquanto uma boa parte da população feminina se queixa de que os homens não se empenham numa relação, a ex do Pinto da Costa queixa-se de que ele estava sempre com o gás todo...

No âmbito dos milhentos trocadilhos com chocolatinhos, fruta à discrição e todo um lote de mercearias diversas, é caso para dizer que, no caso do Pintinho, comer Salgados pode originar amargos de boca.

11.12.06

“Ir de encontro” a esta semana (e à nova Miss PlayboyTV)

Aproveitando a maré Edite Estreliana do último post, começo esta semana numa toada físico-gramatical. Vejo por aí malta que vai de encontro às expectativas, aos objectivos, às metas e na sua grande maioria contra a gramática, que coitadinha, de tanta porrada que leva já só deve sobreviver ligada à máquina.
Erros todos cometem, mas se tens um cargo público ou gostas de mandar o teu bitaite na televisão, não dês o máximo para conseguires estar presente nas Olímpiadas da frase feita e, ainda por cima, mal feita. Por isso, quando quiseres dar nas vistas, vai AO encontro do que te apetecer, mas não derrubes a tua imagem colidindo de frente com a gramática.
Um bem hajas pela tua disponibilidade em ouvir-me...


Noutra nota, mais pitoresca, gostei de ler parte de uma entrevista da nova Miss PlayboyTV Portugal, em que dizia “Tenho vergonha de ser portuguesa”. Eu, da parte que me toca, se tivesse ido a programas e iniciativas como “Pedro, o Milionário”, “Concurso Miss PlayboyTV”, “70x7” ou “A minha vida dava uma qualquer série ou mini documentário televisivo, desde que eu apareça na TV, tenha protagonismo, consiga safar uns cobres e oriente a minha vida” também ficaria muito desiludido com este país, que glorifica qualquer matarruano que apareça na televisão.
Por isso, Sara, cumpre o teu destino, abdica do teu trono e tenta a sorte no “Miss Banana da Madeira”. Estou certo que o Alberto João é tipo para te acolher com um sorriso, na sua luta eterna contra os malefícios do Portugal Continental.

7.12.06

Já te disse

Já te disse

Na minha busca contínua de expressões no mínimo idiotas, calhou-me hoje estar a pensar numa que é um perfeito disparate. A exclamação “Não me digas!” devia ser candidata a abolição imediata. Não me digas, dirão vocês, já disse acrescento eu e volto a repetir.
Primeiro que tudo, se eu já disse por exemplo “O Manelito gosta de seduzir mulheres a dias”, de que serve a pessoa com quem estou a falar dizer “Não me digas”. Agora já disse e o facto de seres a mulher do Manelito não vai alterar em nada a situação.
Em segundo lugar, por norma as pessoas que dizem “Não me digas”, especialmente depois de revelações tão escandalosas como “O senhor prior abusa do vinho da missa” querem, pelo contrário, saber mais, se for possível até ver fotos ou vídeos do prior embrigado no Youtube.
Por isso, se és daqueles que usa o “Não me digas” com a mesma frequência com que a Elsa Raposo tatua nomes no corpo, reflecte um pouco, emenda esse caminho e depois não me venhas dizer que eu não te tinha dito.

4.12.06

Panquecas a la Vulcano


A minha mãezinha, talvez prevendo neste seu rebento um caso complicado, sempre me ensinou a fazer tudo o que era preciso para sobreviver numa casa, sem que aquilo se tornasse uma qualquer selva do Vietnam ou um aterro sanitário.
Como em qualquer área, na lida da casa e sobrevivência doméstica, tenho os meus pontos fortes, as minhas debilidades (tão escassas, tão escassas que quase nem vale a pena falar nelas) e os meus hobbies. Estes últimos, têm a ver com pequenas actividades a que me dedico no conforto do meu lar, quando tenho tempo e paciência, o que não é sinónimo de destreza e sapiência.
Este fim de semana, achei por bem lanchar umas simpáticas panquecas. Sabendo eu a receita, há um pormenor que me delicia. O truque desafiador da gravidade de lançar a panqueca ao ar e virá-la de lado. Como qualquer miúdo (mesmo que apenas em idade mental), o desafio é ir cada vez mais longe. Uma volta no ar é para meninos, duas é para gajos com super poderes.
Com isto em mente, preparei uma panqueca digna de figurar no Guinness, afastei-me do fogão e juro que por momentos ouvi rufar tambores lá em casa. Frigideira na mão esquerda, uma pequena gota de suor na testa, para reforçar o momento de tensão e lá vai ela. Subiu, subiu, deu uma volta, disse-me adeus e então algo correu mal. Quando devia descer, começou a inclinar-se, quando deveria estar em fase de aterragem, fazia um movimento não previsto e, como um qualquer Space Shuttle desgovernado, vejo com ar incrédulo a panqueca voar para cima do esquentador e cair lá dentro.
Como é possível, tínhamos tudo para ser felizes e assim, passei eu um fim de tarde a tirar bocados de panqueca do sacana do esquentador, que naquele buraquinho em que tem a chama parecia ostentar um sorriso trocista.
Duas horas depois, amaldiçoando o senhor Vulcano e todos os seus descendentes, tomei a firme decisão: da próxima vez que tentar o duplo ou até mesmo triplo looping da panqueca só com um pano a cobrir o esquentador.
Eu sei, é uma história estúpida, mas pode salvar a vida a muitas panquecas...

27.11.06

Notas pós almoço

Sol – Não tem feito muito de facto. Mas, antes que se levantem vozes a dizer “Ah, a chuva faz muita falta” quero desde já dizer que não tenho nada contra ela. Simplesmente, o que me tem feito confusão é que apesar de estarmos quase em Dezembro as temperaturas ainda continuam a rondar os 20 graus.
Por isso, vestir roupa de Inverno só se tivermos com saudades de uma boa sauna, vestir roupa de Verão só se quisermos sair à rua para aquelas cenas à filme romântico em que alguém corre pelas ruas encharcado até aos ossos em tshirt em busca da sua amada ou, numa versão mais prática, de um autocarro. A complicar o esquema, só a malta que controla os ares condicionados nos locais de trabalho, locais público tipo centro comercial, que na minha modesta opinião não conhece a palavra intermédio. Para eles o maniqueísmo é que está a dar: ou estamos em Oslo ou em Mombassa, não há cá temperaturas médias.

Si – És oficialmente adulto, pronto maturo, admitamos velho, a partir do momento em que as pessoas usam mais o si do que o ti ao te abordarem. Não me refiro aquelas regras básicas da boa educação, mas ao facto do “Podes dizer-me as horas se faz favor” passar a um “Pode dizer-me as horas se faz favor” numa abordagem instintiva de alguém que não vos conheça. Tudo bem que o ambiente profissional e familiar pode condicionar as coisas, havendo gente que trata os filhos de três anos por você, mas o facto é que quando chegas à idade da 3ª pessoa do singular, passaste uma barreira na tua vida. Pode ser vantajoso se é para ir ao banco tratar de assuntos, mas desastroso se a miúda que andas a tentar impressionar te trata por senhor e não na vertente kinky, mas sim no trato formal. Eu cá, resolvo sempre as coisas com cabeça, quem lida comigo usando a 3ª pessoa do singular de forma abusiva é logo uma cabeçada para ver quem é adulto. Mai nada...

Notas matinais

Dó – Tenho ouvido um spot de rádio logo pela manhã, creio que para a Avis, em que alguém pede, em êxtase, um autógrafo ao Luís Esparteiro. Eu gostaria de conhecer alguém, que não da família do dito senhor ou na dependência financeira do mesmo, que efectivamente quisesse um autógrafo do jovem...Tenham dó senhores.

Ré – Segundo o que li no site do Jornal de Notícias, em Coimbra uma jovem de 23 anos andou a pilhar casas e automóveis, actuando a solo. Se se derem ao trabalho de ler a história, ajudem-me a perceber o que era mais absurdo. A jovem roubava artigos e depois carros, aproveitando distracções das pessoas, como por exemplo chaves na ignição. Tendo em conta que é acusada de dezenas de furtos, devo pressupor que em Coimbra, boa parte da população acredita na bondade do próximo. O que até nem é mal pensado, porque pelos vistos depois de transportar os artigos roubados, a jovem devolvia os carros...Porque carga de água? Da fama e proveito de ladra não se safa, só se for mesmo porque com o preço da gasolina não compensa sequer roubar carros. Finalmente, daquilo que li, um dos primeiros furtos foi de um jipe de criança movido a bateria, um artigo que pelo que sei é altamente procurado no mercado negro e que deve ter compensado largamente ter roubado (e devolvido) um carro para o transportar, tirando no entanto a piada de ver a autora do furto em fuga no dito jipe...

Fá – Lembrei-me este fim de semana, ao ver um livro de publicidade dos anos 60, 70 e 80 do saudoso anúncio de champô em que uma jovem descascada fazia as delícias da rapaziada mais rebarbada. Em Portugal, foi dos primeiro que me lembro que, explorando a menina, usava a lógica dos contrários, muito utilizada também em anúncios de perfumes. Eu sei que a lógica é aspiracional e que se espera que as pessoas se revejam no retratado, e que no caso dos perfume uma boa parte das compras são para oferta e, como tal, muita menina oferece por exemplo um Armani ao seu mais que tudo, esperando que ao fechar os olhos possa imaginar o jovem mocetão do anúncio e no caso inverso um qualquer rapazote possa ter a sua parceira a cheirar como a Scarlett Johansson.
Mas, no caso deste mítico champô, sempre tive algumas dúvidas: será que as senhoras o compravam revendo-se na moça, muitas delas confiando talvez em propriedades mágicas da espuma e quantos gajos não terão levado na cabeça (talvez literalmente) ao presentear as caras metade com um belo champô Fá...

Seguem as notas pós almoço...

22.11.06

Refogado de emoções

Não me canso de repetir, se gostas de emoções fortes, surpresas sem fim e descobrir novos limites, o Metro e a Carris é que estão a dar. Já me avisaram: “Olha que é arriscado”, “Não te metas nisso”, “Um dia ainda te arrependes”, mas não resisto e todos os dias lá entro num autocarro ou numa carruagem do metro, tal e qual Alice no País das Maravilhas, mas com mais barba.
A minha última surpresa deu-se numa manhã pós festa, em que depois de ter lutado bravamente contra a almofada sedutora e não ter cedido aos encantos de adormecer no duche lá consegui pôr-me a caminho do trabalho.
Pensei, vou a pé e aproveito os 25 minutos de caminho para tentar perceber porque é que ainda não aprendi que as palavras festa, bar aberto e madrugada não combinam com manhãs airosas e produtivas. Mas, passou por mim um 27, ou melhor um moderno 727 e não resisti a nele entrar...
Para quem não sabe, moro perto do início desta simpática carreira e, como tal, é fácil encontrar lugar sentado sem ter que fazer algumas lutas de gladiadores antes. Depois de ter escolhido um lugar onde cegos, deficientes (convencionais e não assumidos) e idosos com maleitas diversas não me importunariam, rapidamente percebi que algo estava errado.
Já me tinha cheirado a mofo, a suor, a urina, a perfume barato, a excesso de perfume caro, a champô e até a fruta num autocarro, mas cozido à portuguesa logo às 9 da manhã foi coisa porque não tinha passado. Olhei em volta e as quatro pessoas que lá estavam para além de mim também olhavam umas para as outras desconfiadas, ao velho estilo dos duelos do faroeste.
Descartei a jovem com ar de tia, porque me parecia tão enjoada como eu e não falo aqui da aptidão natural das tias para parecerem enjoadas. A velhota com ar de simpática avózinha tinha os braços ocultos e um ar de santa que dava para desconfiar, mas defendia-se bem olhando para os outros com ar de quem não percebe o que se passa. A típica senhora das limpezas, muito mais conhecida pelo cheiro a lixívia e desinfectante, essa tinha um ar culpado, mas podia ser porque se lembrou que não tinha preparado o comer para o marido e o cheiro a cozido a fazia lembrar da surra que ia apanhar quando chegasse a casa. Finalmente, o homem do bigode farfalhudo, que embora não sendo mordomo parecia perfeito para levar com as culpas. O jornal “A Bola”, a lancheira, o cinto das calças que, qual Atlas, sustentava uma barriga do tamanho do mundo, tudo isso o apontavam como o homem do cozido matinal.
Mas, as portas a abrirem e fecharem, a entrada de mais pessoas, esbateram um pouco o cheiro enjoativo de carnes cozidas e vegetais, mas o aroma persistia levemente, sem ser possível chegar a conclusões definitivas. Tendo desistido de identificar o culpado, só voltei a pensar nisso quando mergulhado no meu livro, me veio o cheiro a cozido em doses de elefante e agora estava perto e levantei os olhos para o saco de plástico ao lado de mim, preso nas mão de alguém.
Posso quase jurar que a velhota, conforme as portas de saída abriram me lançou uma piscadela de olho, como quem diz “Voltaremos a encontrar-nos jovem incauto e enjoar-te-ei com um novo mega prato matinal de cozinha tradicional portuguesa”.
Num misto de raiva, altivez e estômago embrulhado retorqui com um esgar como quem replica “Maldita sejas velha cozinheira, não me irás apanhar duas vezes desprevenido...”

Tudo bem, a história pode estar exagerada, mas cozido às nove da manhã num autocarro também não é coisa deste mundo.

20.11.06

Pôr a culpa no altar

Em Portugal, muitas vezes se diz que “a culpa morre solteira”, que “ a culpa não pode morrer solteira” e muitas outras derivações desta mesma ideia: a culpa em Portugal tem tendência para morrer solteira.
Esta tendência leva-me a uma de duas conclusões:

1 – A culpa é uma cabra de primeira. Vai com todos, nomeadamente: os do Governo, os da oposição, com os patrões, com os sindicatos, com o árbitro, com o treinador, com os canais de televisão nacionais, com o DJ e com o porteiro da discoteca, com os automobilistas, com os peões e esta é só uma amostra da sua lista de parceiros ocasionais. A verdade é que a culpa roda por todos e não é de ninguém. Com esse feitiozinho, ainda por cima sempre a mandar-se para cima de alguém, não admira que ninguém a queira levar ao altar. É por isso que muitos a possuem no cartório, mas nenhum a leva para a conservatória.

2 – A culpa em Portugal é gay – esta é fácil, legalizem o casamento homossexual e verão que a coitadinha vai poder unir-se aqueles que com ela partilham a vida há muitos anos, em vez de serem obrigados a manter a sua relação na obscuridade.


PS – E, para terminar esta pequena reflexão sem culpas, fica este apontamento: se quando uma relação acaba, na maior parte das vezes alguém tem culpa, porque raio é que o culpado não aproveita e casa com ela, agora que está disponível e é óbvio que já eram íntimos antes...

15.11.06

Bloco de veste

Era tão anti-comunista que não vestia roupa escura com medo que ficasse russa.

13.11.06

Dependentes da moda da dependência



Hoje em dia não faltam aí dependências para a malta depender a seu bel prazer e à fartazana. Obviamente, alguns dirão, isso depende. Exacto, isso depende, aquilo depende e tudo depende de alguma coisa, até mesmo os independentes, que pelos vistos dependem só de si.
Que dependamos de coisas essenciais como a água, o oxigénio aceita-se, até porque não temos outro remédio, que por falar nisso é uma expressão muito utilizada pelos que dependem da droga.
Falando em expressões, essa é outra trend ao nível de dependências, sempre acompanhada pela dependência de expressões estrangeiras para justificar tudo de A a Z. Ainda bem que falei em andar acompanhado, porque há quem dependa sempre de alguém e não consiga fazer nada sozinho, o que mais do que um estado de espírito é um espírito de Estado. E, haverá melhor sinónimo de dependência do que o Estado, o paraíso dos dependentes.
No Estado, não há nada que não dependa de tudo. Do subsídio que depende sempre de algo ao dependente do subsídio, da malta que depende de funcionários até para o mais insignificante ao mais insignificante dos funcionários que depende sempre de algo nem que seja para lixar a malta que passou uma manhã à espera em pé, porque arranjar lugar sentado depende da vontade de guerrear os velhotes e pessoas doentes que também dependem do Estado.
Quem fala em lugar sentado, fala em bancos, curiosamente também o nome de uma instituição da qual grande parte dos portugueses dependem. Haverá melhor nome para os seus agentes no terreno do que o que têm actualmente– Dependências Bancárias? Se depender de mim, não.
Os bancos vivem das nossas dependências, celebradas muitas vezes nas dependências deles. Do telemóvel ao carro, à casa, do futuro dos filhos à reforma dos pais, tudo passa cada vez mais por lá e, se depender deles, muito mais passará.
Se são daqueles que dependem de soluções milagrosas e do conselho dos outros para se orientarem, esqueçam este post e apaguem este blog. É que embora não dependa nem do tabaco, do álcool, nem sequer de drogas, dependo deste azedume crónico para manter o meu optimismo.
Mas, já que insistem, fica o seguinte: é impossível não depender de nada e, sendo assim, façam variar as vossas dependências como um guarda roupa varia com a época:

Sentem-se selvagens? Dependam de sexo, drogas e rock n roll.
Sentem-se cultos? Dependam do King, da Fnac e de alegres tertúlias.
Sentem-se burros? Dependam da Floribella, da Carris e de qualquer Governo.
Sentem-se carentes? Dependam de alguém, de chocolates ou qualquer arma de fogo
Sentem-se indecisos? Dependam do tempo, da disposição, da companhia.
Sentem-se azarados? Dependam do Euromilhões, do destino, de superstições.
Sentem-se fartos? Depende do blog que consultam e com este, é natural...

8.11.06

Last night a DJ fried my mind

Em dias pós festa, todo o delírio é lícito.

1 - Era um tipo tão divertido, que mesmo depois de morto continuou a ser a alma da festa.

2 - Era tão amigo dos seus clientes, que teve de fechar o bar por abusar do bar aberto.

3 - Era tão conhecido por fazer festas, que todos que lhe queriam passar a mão pelo pêlo.

7.11.06

E se hoje, em vez do metro, fosse a hipocrisia a fazer greve

Convenhamos, a dada altura todos já fomos hipócritas. Podem vir com a história das mentiras piedosas, do ser cortês ou de evitar conflitos, mas palavreado à parte, a hipocrisia está lá e poucos, para não dizer nenhuns, são os que nunca a utilizaram mesmo de forma inconsciente.
Mas, imaginemos que a hipocrisia, farta de ser explorada a torto e a direito, sem ganhar reconhecimento por isso e ainda por cima ser negada por tudo e por todos, dissesse: Basta!
Pois se não presto, se ninguém me reconhece o valor e ainda por cima abusam dos meus serviços, que experimentem passar um dia sem mim – diria a hipocrisia num comunicado à imprensa, que a TVI aproveitaria logo para fazer uma reportagem junto de uma família de desgraçadinhos que vive isolada em Cornucópias de Cima, sem acesso a hipocrisias há mais de 20 anos.
Na sequência da greve de hipocrisia, muito teriam que tirar a verdade e a sinceridade em bruto do baú, com muita gente a procurar um manual de instruções para as mesmas, tal é a falta de uso dada às mesmas.
Os engarrafamentos emocionais, com milhares de conversas a ficarem entupidas devido a incapacidade de escoamento de tanta verdade acumulada e as consequências sociais da greve da hipocrisia causariam danos irreparáveis, só comparáveis ao espanto causado pelo facto de durante o dia terem sido avistados diversos políticos a dizer a verdade.
Ao fim do dia, o primeiro abaixo assinado unânime da população portuguesa seria entregue junto do Sindicato da hipocrisia, mostrando uma vontade honesta de reconhecer as vantagens e méritos da mesma, à qual seriam pagos retroactivos de anos de exploração e ainda concedidos benefícios específicos, como direito a férias parlamentares e um tribunal de arbitragem em questões em que estivesse pouco claro se o crédito devia ser dado à hipocrisia ou à aldrabice.
Como é óbvio, no dia seguinte à greve, tudo voltará ao normal, o acordo seria declarado nulo, seria lançada um Comissão Parlamentar hipócrita para esclarecer os privilégios concedidos a algo que na realidade não existe. Várias pessoas acorreriam em massa a hospitais e igrejas, clamando terem estado possuídas no dia anterior, já que não acreditavam ter sido possível terem andado a dizer as coisas que disseram. A TVI faria nova reportagem, desta vez em Escafandros de Baixo, junto de uma família de desgraçadinhos que devido a um surto de hipocrisia se tinha isolado do mundo.
Entretanto, a hipocrisia encolheria os ombros e fazendo um sorriso forçado diria “Eu já sabia que ia acabar assim. Eu até gosto deles como são.”, enquanto planeava ir convencer com palavrinhas mansas o Espírito do Desenrasca e o Pessimismo a juntarem-se a ela numa greve para então sim, lixar este país de vez...

2.11.06

Vida de tempo



Muita gente se preocupa com o tempo de vida, com a melhoria da sua qualidade, dos problemas e dilemas que a longevidade (vulgo, os velhos) causa no nosso país e muitos outros assuntos importantes. Mas, como neste espaço o que é importante fica lá fora, aqui abordamos a vida de tempo ou seja, até que ponto o tempo condiciona a vida de cada um.
Sejamos honestos, vivemos obcecados com ele, desde os primórdios do tempo (lá está). Tudo o que fazemos tem inerente o tempo. Há quem tenha tempo para tudo, há quem não tenha tempo para nada, há quem passe o tempo em passatempos, há quem perca tempo a ganhar tempo ou simplesmente a ler este texto.
O facto é que para além do tempo latente, aquele que passamos a fazer coisas sem pensar no tempo, existem inúmeras marcas que o tempo deixa na nossa vida, para não nos esquecermos dele, mas sempre com o ar vago que só tempo tem. “Não achas que já é tempo de cresceres?”, “Já está na hora de começares a trabalhar/de casares/de teres filhos/de assumir a tua homossexualidade/de cortares esse cabelo, etc”. Tudo tem o seu tempo e o tempo toma conta de tudo.
Não querendo percorrer mais estes caminhos filosóficos, que para além de serem uma grande viagem, constituem uma perda de tempo, vamos a uma questão pertinente:

Porque é que, para além de tudo o que nos é imposto pelo tempo ainda há gente que consegue exagerar, como por exemplo as pessoas que jantam sempre às oito porque é hora de jantar, mesmo que não tenham fome ou que vestem camisolões e gorros assim que o calendário marca o fim do Verão, apesar de estarem 23 graus e ser possível aquecer refeições dentro de uma camisola de lã com este tempo?

A resposta pode não ser fácil, mas a razão de ser deste texto é óbvia: falta de tempo para fazer um melhor...

26.10.06

As velhas históri(c)as das loiras

Embora escape aos efeitos desse feitiço, compreendo que existam muitas razões para o fascínio do macho tuga pelas loiras (e dispenso aqui o trocadilho da cerveja, embora também fosse aplicável). Para além dos ícones do cinema, da publicidade, de todo um lote de veículos de promoção das louras (que inclui o mito de que são burras, uma clara vantagem na perspectiva de alguns sectores da classe masculina), há algo que as valoriza no nosso burgo: são mais raras.
Portugal é um país de predominância morena e, restando ainda alguns genes de explorador em cada um dos machos lusos, a paixão por explorar o desconhecido está sempre latente e há uma tendência para tentar procurar o que cá não abunda. Daí eu compreender o porquê de muita mulher pintar o cabelo de louro, embora o considere uma espécie de tuning, ou seja, ela acha que vai ficar muito melhor, há um grupo de gajos que acha que está linda, mas a maioria da população não compreende esta atitude, nomeadamente porque ficam muitas vezes assim para o foleiro.
Não ponho em causa as madeixas, a coloração para variar e animar look, etc. Estou a falar do tipo fadista cigana ontem, estrela pop finlandesa hoje: do flagelo das loiras que pintam as raízes de preto e tristes histórias semelhantes.
Também compreendo, indo buscar o post do Vilão sobre o Zézé Camarinha, que nas fantasias selvagens de mulheres nórdicas, asiáticas e de outros pontos distantes uma experiência com um pequeno símio de bigode fosse algo de literalmente bestial, embora a ideia me dê alguns tremores.
Mas, eis a minha dúvida principal: porque raio é que a partir dos 50 anos, as velhas portuguesas teimam em ser loiras? É porque se é pelo sex appeal, então porque deixaram passar os melhores anos da sua vida, antes da mutação. Se é pelo glamour, então porque é que muitas não usam o bigode da mesma cor. Se é para esconder a idade, caras amigas não resulta, um candelabro antigo com uma lâmpada moderna continua a ser um candelabro antigo.
É que já não bastava serem responsáveis por grande parte do buraco na camada do ozono devido ao uso excessivo de laca, pelas lutas de gangues pelo acesso aos lugares reservados nos transportes públicos ou pelo sucesso de audiência dos programas da Fátima Lopes, do Goucha, da Praça da Alegria, estas simpáticas senhoras não percebem que serem louras não lhe melhora a vida e não nos melhora a vista. É que nem durante os dias que passei na Alemanha vi tanta velhota loura, como ontem num passeio pela Avenida de Roma.
Sejam naturais, melhor ainda envelheçam com naturalidade e mostrem aos gajos das tintas para o cabelo que o Farandol e seus semelhantes em Portugal têm os dias contados...

PS - Se este fôr o meu último post, perguntem junto da velhota loira que é porteira no meu prédio.

24.10.06

Deficiências arquitectónicas



Trabalho há alguns meses num daqueles edifícios modernos que me irritam um bocado onde, tirando os gajos que o desenharam e uma boa dose dos que lá trabalham, tudo é inteligente. Ele há escritórios onde o acesso é feito com cartão magnético, ele há outros onde até código secreto e impressão digital são necessários para entrar (ao que parece é um secretíssimo call center) e nalguns andares haverá com certeza outros mais evoluídos, onde um teste de ADN e o timbre certo a cantar temas da Floribella devem ser requisitos para conseguir entrar.
Os elevadores misturam grandes clássicos do mundo do ascensorismo com música trendy e fashion, o que me faz pensar que ou há DJ’s residentes ou a malta que escolheu as cassetes sofria de personalidade dupla. Para aqueles que beneficiam de lugares no parque subterrâneo, um discreto quadro óptico no painel do elevador anseia por um bom esfreganço num cartão magnético para lhes dar o prazer de aceder às suas profundezas.
Já as entradas são patrulhadas por seguranças/vigias/malta que precisava de um trabalho e este foi o que se arranjou, que olham sempre com alguma desconfiança para a malta (como eu) que acede aos elevadores de prédio tão ilustre sem o fato que a ocasião parecia exigir. Só o hábito e um ar decidido superam esta renitência inicial...
No entanto, para além de toda a parafernália de pormenores que poderia utilizar para vos maçar, vou apenas destacar mais um, aquele que me levou a este pequeno apontamento: as casas de banho (que são partilhadas com as empresas de cada andar), mais especificamente, a casa de banho para deficientes.
Não há muito a dizer sobre as casas de banho normais, pois até têm até um ar tradicional, cuidado e funcional, tirando o pormenor que na casa de banho dos homens se ouve facilmente a conversa na casa de banho das mulheres e vice versa, o que pode ser bastante interessante para aqueles dias mais mortos em que não há muito que fazer. Todas são também munidas do interessante mecanismo da luz que se desliga ao fim de x tempo de imobilidade, o que tem dinamizado em muitos WC’s do país a chamada “Hola mexicana dos sanitários” derivada da tradicional onda, que tantos eventos desportivos pelo mundo fora tem animado.
A casa de banho de deficientes, essa sim vale a pena visitar. Uma grande porta com amplitude suficiente para deixar passar uma cadeira de rodas abre-nos um espaço muito particular, onde podemos tirar algumas ilações.
Primeiro, os deficientes, tal como os vampiros, não têm reflexo. Isso justifica que por cima do lavatório não haja espelho, como há em todos os outros WC’s. Pode também ser que a pessoa que desenhou o espaço pensou, imbuída do espírito de Madre Teresa “Coitaditos, são deficientes, não devem ter brio nenhum, não vou ainda por cima humilhá-los com um espelho”.
Segundo, os deficientes desconhecem o uso da evoluída tecnologia do doseador de sabonete. Enquanto nas casas de banho tradicionais o doseador está embutido na bancada, aqui nem um pequenito descartável há, sendo o sabonete colocado em copos de plástico ou garrafas de água vazias, para não terem assim que afixar um complexo manual de instruções do doseador. Até me surpreende como é que há autoclismo e não um balde de água e um secador de pressão e não uma fogueira no canto da casa de banho.
Que não pensem aqueles que por esta altura ainda não estão a ver o Clube Morangos, que não reconheço que o facto de haver casa de banho para deficientes é positivo. Simplesmente, acho que as coisas quando são feitas devem ser bem feitas ou então soa sempre ao “teve de ser, por isso é que é assim” e ao tradicional desenrasca, o que nos leva ao último pormenor.
É que uma coisa que me deixou estupefacto quando visitei esta casa de banho foi o facto de por cima da grande porta da casa de banho para deficientes, do lado de dentro, haver um daqueles letreiros luminosos a indicar uma saída de emergência. A porta é única, a casa de banho não tem janelas e a saída pelo ralo do lavatório, da sanita ou do tubo do secador não me parece muito viável.
Portanto, ou partimos do princípio que em caso de emergência o deficiente pode desorientar-se e não encontrar a única e grande porta de uma divisão de dimensões reduzidas e precisar do letreito para se orientar. Ou então, aquilo inicialmente não era uma casa de banho e foi adaptada. Se assim é, justifica muita coisa, mas não se perdia nada em tirar o neón a tão prestigiada instalação, se não é, então é uma prova de estupidez arquitectónica ao melhor nível (ou de normas comunitárias, se tal for o caso).

A finalizar, responderei à pergunta que andará na cabeça de algumas das pessoas mal intencionadas que param por estas bandas: “Que fazes tu a passear pela casa de banho dos deficientes, já que apesar de deficitário em muitas matérias ainda não te enquadras nesse escalão?”
É simples, numa casa de banho comum, partilhada por duas ou três empresas num mesmo andar, só os mais fortes sobrevivem e a hora de ponta não é um conceito que se aplica apenas ao trânsito...

20.10.06

Filosofriday


Dado que com este tempo a palavra meter água adquire múltiplos significados e como tal a minha capacidade filosófica aumenta, beneficiando também do facto da minha predisposição inata para proferir alarvidades se manter em níveis altíssimos, indenpedentemente das condições atmosféricas, surgiu este post com algumas das minhas posições sobre a filosofia, algo que vos devia fazer parar um pouco e pensar. Se a parte de parar me parece fácil, pois consultar blogs em andamento não é algo muito viável, quanto ao resto não ponho as mãos no fogo, nem sequer por mim, já que não o fiz aos escrever estas linhas...


- Tenho dificuldade em diferenciar muitas das filosofias de origem oriental. Não sei porquê mas aquilo parece-me sempre um bocado Confúcio.

- Gosto imenso de correntes filosóficas que só fazem sentido em fases muito específicas da nossa vida, sobretudo porque acho muito importante encontrar um Nietzsche de mercado.

- Não acredito naquela teoria do virtuosismo inato, em que a sociedade é que corrompe o homem e este nasce puro. Especialmente vinda de um gajo que toda a vida se Rousseau nos outros...

- Para mim, os filósofos clássicos gregos divagavam demais e ficavam a martelar sempre na mesma tecla. E a mim, custa-me ficar de Platão a assistir a tudo...

- Custa-me muito aceitar as ideias e críticas de um filósofo que por mais Kant não me encanta.

- Para aqueles que andam sempre com um penso na carteira, fica um conselho filosófico: “Nunca te Descartes dele, é a prova de que tu existes”.

- Acredito muito nas filosofias e modos de encarar a vida viradas para o pacifismo. Parece que nada Buda, mas a sensação de paz interior é muito Gandhi.

17.10.06

Se o do Vilão não é bom, o do Mau talvez seja pior

Antes de me alongar muito no regresso aos posts, quero apenas dizer que não sou gajo para deixar o vilão levar vantagem, por isso embora noutro ramo e noutro local, também o nome do Mau é perpetuado, embora com propósitos comerciais.

E mai nada...

16.10.06

Porque há coisas que não podem cair no esquecimento....

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1 - "Puta crime namber faive!" (aconselhando uma camone a espalhar o creme bronzeador, o número 5; TVI; 2000)
2 - "My massage is the best massage." (com a mesma camone a oferecer-se para lhe fazer umas massagens; TVI; 2000)
3 - "Why don't you go to the beach? You're very white!" (abordando uma camone nas ruas de Portimão; TVI; 2000)
4 - "A nossa juventude é uma desgraca! Só tenho pena de eu andar sozinho neste jogo do engate aqui no Algarve! A juventude hoje em dia só pensa em drogas e em futebol! Tenho pena de não deixar nenhum sucessor!" (SIC; 2003)
5 - "Você duvida da minha machidade? Eu sou mesmo macho e tudo o que digo faco! Se duvida vamos ali para trás do cortinado e tira as dúvidas! Nem precisa esgalhar-me o pessegueiro, a alavanca sobe automaticamente!" (ferido do seu orgulho ainda no mesmo programa, acusado por Paula Coelho, apresentadora do SIC Núticias, de ser "Muita parra e pouca uva")
6 - "Eu arranjei nesta praia passaportes para toda a Europa! Sou como os jogadores da bola, trabalho no Verão, para ir a Europa no Inverno! As camones quando chegam ao aeroporto de Faro, já trazem a minha foto na mão, aconselhadas pelas amigas!" (TVI; 2000)
7 - "Já apanhei grandes malucas na cama! Algumas gostavam que eu lhes arriasse nas nádegas durante o acto sexual! Tinham essa tara, e eu tinha de lhes fazer o gosto." (TVI; 2000)
8 - "Eu costumo dizer que sou massagista para ver se me toca alguma coisa, também lhes digo que sou astrólogo para lhes ler a sina. Se nenhuma destas resultar digo que sou fotógrafo..." (a explicar como mete conversa com elas. (TVI; 2000)
9 - "Quem sou eu? Sou o último dos machos latinos, que tem o sangue de macho a escorrer nas veias, que sente orgulho em ser homem para satisfazer as tão necessitadas mulheres que me chegam às mãos de todos os cantos do mundo!" (TVI; 2000)
10 - "Já fui para a cama com mais de 1500 mulheres, devo estar quase a chegar à mulher 2000! Quando isso acontecer, dou uma festa no meu bar no Algarve!" (SIC; 2003)
11 - "Eu na outra reencarnação devo ter sido penso "isofrénico", daquelas da Evax ou da Insonia, pois adoro andar entre as pernas das mulheres!" (SIC Radical; 2002)
12 - "Tenho mulheres que choram para eu ir lá a casa delas tirar-lhes as cócegas! Os maridos são uns bêbedos que lhes batem sem dó nem piedade!" (Tal e Qual; 2002)
13 - "É evidente que já não dou dez seguidas como dava antigamente! Quando era novo dava mais de 50 num só dia, agora devo andar na casa das 20 ou 25 por dia, o que é bem bom para a minha idade!" (Tal e Qual; 2002)
14 - "Quando morrer quero que o meu pénis seja embalsamado e cremado, e que as cinzas sejam espalhadas por estas praias do Algarve desde Lagos a Faro que é o meu território de caça! Deste modos as praias serão purificadas...claro que haverá cinza suficiente!" (SIC; 2002)
15 - "Tenho prazer em galantear as mulheres, em meter conversa com elas! Elas até me pagam para eu lhes satisfazer! O BMW que tenho foi-me oferecido por uma chinesa boa como o milho que dizia que o marido não lhe satisfazia pois tinha uma pila microscópica!" (SIC; 2002)
16 - "Por vezes vou até a uns hotéis, e como conheco lá os empregados, pergunto sempre se a última fornada de mulheres que lá chegaram vale a pena...Se forem pitinhas daquelas que só pensam em discotecas e fumar merdas, bazo logo! Prefiro gajas mais maduras!" (Tal e Qual; 2001)
17 - "Eu sou como o Jardel, em frente à baliza nunca falho, e golos de cabeça é a minha especialidade...e olhe que o Jardel já falhou muitos golos de cabeca, ao contrário de mim!" (SIC; 2001)
18 - "Quando era miúdo a minha mãe, que era cozinheira num restaurante aqui da praia de Portimão,dava-me óleo de fritar o peixe, depois bronzeava-me com ele e punha uma toalha aqui e outra lá ao fundo onde vê aquele chapéu de sol da Sprite...Tudo o que fosse camone e invadisse este espaço, marchava logo!" (TVI; 2000)
19 - "Tou farto de portuguesas! Um gajo para lhes saltar em cima tem de mostrar o B.I e nem isso chega! As camones olham para ti e tu sabes logo que elas querem-te comer ate ao último ossinho, e acreditem que eu tenho muito para ser comido!" (SIC; 2003)
20 - "Quando não conseguir levantar o pessegueiro?? Recorro ao Viagra!! Vergonha? Vergonha é roubar e não conseguir fugir!" (SIC; 2001)

A tocar:

From Out Of Nowhere, Faith No More.

Descobri isto há uns tempos mas tinha-me esquecido. Ainda me estou a rir. Vai direitinho para os links.

Ó sim, apraz-me muito essa vigorosa estocada...

Descobri, recentemente, um dos postais mais bizarros que alguma vez me escreveram. Diz qualquer coisa como isto: "Não te conheço muito bem, mas pareces-me simpático. Gostei das conversas que tivemos no bar da faculdade. Obrigado por teres vindo à minha festa de anos." Este postal foi escrito por uma colega de faculdade, embora não de turma. Era uma gaja viçosa e bem proporcionada e hoje, depois de tanto tempo, só me lembro dela por três coisas. A primeira lembrança que tenho da fulana é de estarmos todos a sair de um exame com aquelas conversas de merda tipo como é que correu e mais não sei quê e de ela me perguntar exactamente isso. Disse-lhe que não me tinha corrido bem, uma vez que não estava preparado, ao que ela retorquiu: "Nada disso, vais ver que tens tipo um 15." Nessa altura pensei que é preciso uma pessoa ser muito estúpida para estar a dizer a outra que não conhece de lado nenhum, ainda para mais com uma pose de Alcina Lameiras, que fique sossegada e não se preocupe pois vai ter boa nota. Pior que isso é alvitrar um número. Não era um 14, nem tampouco um 16. Era um 15. Não dei muita importância ao assunto porque ela era, pelo menos na época, uma gaja bem boa e nessa conversa estava mais ocupado a tentar evitar que ela percebesse que eu estava a olhar para as mamas dela. No entanto, é muito estranho. Porque é que as pessoas querem ser boazinhas e simpáticas com gente que nem conhecem nem irão provavelmente conhecer? A menos que ela pensasse de mim aquilo que eu pensava da maior parte das gajas da minha turma, que saíam sempre dos exames a dizer que iam chumbar e ter 2 ou 3, sendo que algumas até choravam, e depois tinham 17's e 18's. Pode ter sido esse o caso, e se assim fosse, ela para além de boa até era esperta, teria um pensamento parecido com o masculino e, por conseguinte, seria mais fácil de engatar. Notem que escrevi esperta e não inteligente, porque isso julgo que o era.

Depois aconteceu algo que me fez a mim, bem como a outros colegas, inserir esta pessoa naquele limbo de gente que é difícil adjectivar ou rotular, limbo esse a que muitas poucas personalidades têm acesso. Porque não há nenhum adjectivo que tenha a ver com as qualidades intrínsecas de uma pessoa que sirva para qualificar decentemente esta tipa. Era estranha? Era, mas havia ali mais qualquer coisa. A única coisa em que todos concordávamos é que ela era boa, mas boa. Mesmo. Voltando ao que aconteceu, tem basicamente que ver com um jantar de turma como muitos houve na faculdade. O jantar era com a minha turma e com a turma dela, mas da minha lembro-me que só fomos gajos. Foi num restaurante em Almada, ou no Seixal, já não me lembro bem. Lembro-me é que no final do jantar todos recebemos um postal daqueles, pois afinal estávamos era a comparecer a um jantar da turma deles que aproveitaram para transformar em jantar de aniversário dela. Ela ficou tão contente e fingiu-se de surpreendida de uma forma tão convincente que, na eventualidade de eu ter ali algum Óscar, ter-lho-ia dado certamente. Entre outras coisas que lhe poderia dar, claro. Nessa altura ficaram questões por responder. Os postais já estariam escritos, ou aquelas palavras teriam sido inspiração do momento? Se foi esse o caso, questões mais pertinentes se levantam e é necessário proceder-se a uma instrospecção de forma a poder aquilatar cabalmente acerca de pessoas que andam com postais no bolso para uma qualquer emergência que surja. Ah, este senhor da mercearia é tão querido e prestável que lhe vou escrever um postalinho: "Obrigado por me ajudar com a bilha do gás. Esse seu bigode fica-lhe a matar." Atentem que escrevi bilha do gás e não outra coisa qualquer porque ela vivia na margem sul e, como gosto de estereótipos, acredito sempre que o gás das grandes cidades ainda não atravessou a ponte, ao contrário dos fios de ouro e dos bonés de baseball.

Depois de tudo isto, resta-me só esclarecer a terceira razão pela qual me lembro desta gaja. É que ela, quer estivesse a falar com toda a gente no bar, quer estivesse num velório, ou mesmo a apresentar um trabalho numa aula, entrelaçava as mãos uma na outra com uma pose à menina da metereologia, isto ao mesmo tempo que dizia palavras que aprendeu no curso, como por exemplo, semiótica, Vestefália, metodologia, McLuhan, etc. Devido a isto, e porque o ócio nos aproxima a todos mais do Inferno que do Céu, começámos a imaginar que palavras é que ela diria quando faz sexo. Tipo, estará ela a levar com ele e ao mesmo tempo a invectivar o parceiro com palavras de apoio? Ou declamará Puchkin, enquanto é esfrangalhada? E conseguirá manter os dedos das mãos entrelaçados? Esta lenga lenga toda para justificar o título do post.

PS - Foi uma das melhores alunas do curso e agora, muito provavelmente, deve ser doméstica.

9.10.06

Porque até os maus veraneiam...

Para os interessados, consta que até fim da semana estarei aqui, fazendo as folgas do Corcunda de Colónia

Nos intervalos de assustar turistas na catedral, provavelmente estarei a fazer isto, a que alguns chamam assistir ao NBA Europe Live


Para quem não está interessado ou tem algo contra, os comentários estarão livres para os tradicionais insultos.

Beijos e Abraços.


PS1 - Vilão, alinha lá isto que eu tenho um avião para apanhar.
PS2 - piadas com "água de colónia", "colónia de férias" ou "colónia penal" já foram abusivamente utilizadas, pede-se originalidade.

4.10.06

A tocar:

Elephant Talk, King Crimson.

Diferenças Criativas

Porque este blog é um blog em que nada fica por revelar, vou partilhar algo convosco. Como todos vós que escrevem em blogs já deverão ter percebido, no menu do Blogger, quando estamos a escrever posts, existe uma opção para justificar o texto. É aquele pequeno botão com as linhas todas direitas em cima umas das outras. É precedido por três outros botões, cada qual com as suas funções. O primeiro permite alinhar o texto à esquerda, o segundo permite centrá-lo (consta que é muito útil para títulos e tal) e o terceiro permite alinhar o texto à direita. Mas eu tenho para mim que não há nada como o quarto botão, aquele que permite justificar o texto e, em bom rigor, fazer com que os posts do nosso blog fiquem com um aspecto harmonioso e mais consentâneo com aquilo que se espera de alguém que já entregou trabalhos na faculdade ou até no liceu. Agora vou revelar-vos outra coisa. Da mesma maneira que eu faço uso do justify para alinhar os textos que escrevo, todos os outros utilizadores do Blogger também o fazem. Todos, perguntam vós? Não, existe um irredutível utilizador que não o faz. Dá pelo nome de Mak, o Mau e, pasme-se, é o gajo com quem partilho este espaço. Como sou um bocado anal-retentive e tudo, ou quase tudo, me causa espécie, não são raras as vezes em que tenho de ir ao menu desta merda editar os posts do meu colega. Já tinham reparado, ou não? É que se não tinham, este post acaba por ser um bocado ridículo. Talvez não devesse ter deixado de tomar a medicação.

De qualquer forma, aqui fica uma dica para ti, caro colega:

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Continuamos...

...desesperadamente à procura de uma boa. Pode ser uma deste género, ok? Vá, não se acanhem.

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3.10.06

O síndrome do “eu até tenho jeitinho para isso”



Existem os habituais clichés deste síndrome, como o do gajo que tem a mania que, apesar da sua formação em contabilidade, tem estofo de grande electricista e nem o facto de já ter provocado dois incêndios em casa e uma quebra de energia no Beato o demove, ou da moça que não desiste do seu jeito nato para a nouvelle cuisine apesar de já ter levado doze amigas a fazerem atraentes lavagens ao estômago depois de um jantar mal digerido, ter feito com que o seu namorado se tenha convertido ao islamismo para que pelo menos durante um mês tenha a desculpa do Ramadão ou levado a que os bombeiros fossem a sua casa (depois de virem da do contabilista) para resolver um flambée um pouco mais tórrido.
No entanto, embora com o devido enquadramento, considero que é mais grave a presença do dito síndrome nos meandros profssionais, do que propriamente nos eventos de trazer por casa (embora a morte profissional seja ligeiramente menos grave do que a morte do artista, literalmente).
É que, para quem trabalha numa área, em que a escrita e a criatividade são supostamente componentes importantes (tanto que até pagam para isso), não é raro e por vezes até é frequente ver o freguês ou caramelo da mesma estirpe, que gosta de mudar coisas ou sugerir potentes alternativas (viáveis apenas na sua cabeça), porque sempre teve jeito para escrever os postais de casamento, até é ele que inventa sempre umas coisas para o aniversário dos filhos e sente que a sua veia criativa tem sido reprimida ao longo dos anos.
Caro/a amigo/a, se é esse o seu caso, e neste caso deixe-me dizer-lhe antes de mais que neste texto não toca, por muito que ache que em vez de síndrome se calhar tique até era mais giro ou que a referência religiosa do primeiro parágrafo não será a mais indicada, porventura fazendo mais sentido colocar uma piada à Malucos do Riso.
Quando vai ao médico, certamente que não sugere um tratamento diferente daquele que o Dr. lhe indicou, nem altera as receitas para pôr umas que goste mais, pois não? No pior dos cenários, quanto muito vai pedir uma 2ª opinião talvez, mas se não tiver um curso de medicina dificilmente será a sua suponho...
Mas sei que, lá bem dentro de si, o bichinho continua a morder e vai passar a ferro este texto com a mesma facilidade com que um macaco descasca uma banana, sem menosprezo pela banana é claro.
Vendo que hoje, actores e actrizes, nascem debaixo de cada pedra e rapidamente voltam para debaixo delas, que hoje ler um livro é mais difícil que escrever um livro ou que hoje quem não tem curso universitário é olhado de lado no centro de (des)emprego, a malta que “até tem um jeitinho para isso” até que é um exemplo. Um exemplo de que, apesar da paciência ter limites, a grunhice infelizmente não...

PS – Apesar do ressabiadismo latente neste post, ele não é fruto de um desabafo extemporâneo, mas sim de uma reflexão profunda sobre a matéria, coisa para qual sempre achei que até tinha jeitinho...

29.9.06

Devem estar a gozar com o parceiro



Ao que consta, numa iniciativa que me cheira muito mais a esquema promocional que outra coisa, hoje - 29 de Setembro é o Dia do Solteiro. Ele é speed parties, ele é speed datings, ele é speed lunches, com tanto speed junto ainda se arriscam a alguma rusga da Brigada de Narcóticos da PJ.
Parece que este fast food sentimental é apenas juntar mais pressão à vida diária das pessoas do género: tens quatro minutos para mostrares o que vales. Uma audição para o Ídolos versão Singles portanto.
Não vou proferir mais sentenças, porque cada um sabe de si, mas se pudesse fazer uma recomendação diria que nosso país quem precisa mais do que nunca de iniciativas dessas é a culpa, que tende sempre a morrer solteira...

27.9.06

Estereótipos


Antes de mais queria clarificar uma coisa: apesar da imagem enganadora, este post não trata daqueles aparelhos que os médicos usam para nos auscultar, isso são – estetoscópios, mas achei oportuno começar com uma piada gráfica. Depois deste esclarecimento de interesse público, voltemos ao tema central.
Sou contra estereótipos, mais por ser do contra do que por ter um espírito rebelde e inconformista. Por isso, para contrariar a ideia de que só gente intelectual e bem é que vai ao teatro, resolvi ir ver uma peça. Como de inteligente tenho pouco e de bem ainda menos pensei que o truque estava feito.
Comecei por me esquivar ao estereótipo do mecenas das artes, ao entrar sem pagar. Mas, sem saber como já tinha entrado no estereótipo do português que só vai ao teatro quando saca convites. Ok, o mundo não é perfeito e nessa lógica eu opto pelo esterótipo que me pesa menos na carteira.
Era uma comédia, o que em si já me colocava num novo estereótipo: o gajo que diz que só vai ao teatro ver peças para rir, porque para desgraças já basta a vida. Resolvi a questão, decidindo-me por rir apenas nas partes que tivessem piada, distinguindo-me assim dos entusiastas que riem do primeiro ao último minuto, sem pausa para respirar. Mas, ao fazê-lo caí no estereótipo do snob que olha de lado as pessoas de humor fácil, problema que resolvi olhando-as de frente.
Para não me evidenciar dentro da multidão, resolvi dizer no fim da peça as tradicionais frases “Ah, é engraçado, pena o preço dos bilhetes”, apesar de não ter pago, o que me encaixou do perfil do gajo que nunca está contente, agravado pelo facto de ter ficado a dar graxa a quem me arranjou os convites para não secar a fonte.
Fazendo um balanço ao chegar a casa, não sem antes cair no lugar comum que é o dos gajos que tentam sempre fazer balanços do dia a dia, resolvi deixar de querer ir contra os estereótipos, o que me encaixa exactamente no do derrotista, algo em que não me revejo, mas por isso mesmo me encaixa também no da malta que entra constatemente em negação.
Antes de dormir, resolvi apenas mais uma coisa em relação a esta matéria: que nunca iria escrever sobre temas tão estúpidos como estereótipos, para não correr o risco de cair numa de gajo incoerente ou daquele tipo de pessoas que faz de tudo uma piada...

25.9.06

Pelo sim pelo não...

Na sequência de um desafio desta prezada senhora resolvi abordar um tema que a muitos faz eriçar os pelitos atrás do pescoço e a outros uma alcatifa pelo corpo inteiro: a depilação masculina.
E antes que se levantem vozes a dizer "Ah, eu sempre desconfiei" acrescento que este episódio que vou relatar não se passou comigo, mas sim com o amigo de um vizinho de um primo de um ex-colega meu da universidade. Ou então é inventado, escolham o que preferirem...

Tinha chegado ali numa missão e recusava-me a sair de lá sem a cumprir. Não por bravura, mas por teimosia, já que a vontade de sprintar para a porta de entrada era grande. Pensava ainda que se calhar a modernidade do laser tinha sido preferível, a estes actos heróicos, mas a senhora da recepção chamou-me:

- Olhe, o senhor. A sua marcação é por razões estéticas ou clínicas? Só para constar na ficha.
- Nada disso minha senhora – Ela não tinha o direito de saber que a alcunha Tony Ramos Júnior me tinha marcado a adolescência – Eu sou atleta profissional de natação, tem a ver com aero-dinâmica. Mal sabia ela que até na piscina dos putos eu tinha medo de me afogar.
- Ah...ok – respondeu-me ela, com a mesma convicção de alguém que acredita que a Ana Malhoa ainda é virgem – A Estela já o chama.

Voltei a sentar-me. Suava abundantemente e isso não tinha a ver com o facto da senhora na casa dos 50 anos à minha frente já me ter piscado o olho duas ou três vezes. Finalmente, chegou a minha vez. A tal da Estela, mistura de ogre e mulher de bata branca, chamou por mim. Lá fui eu, nervoso e diria mesmo amedrontado.
Mandou-me despir e ficar com uma toalhinha ridícula, que tinha mais uma função psicológica do que de ocultar alguma coisa e perguntou-me por onde queria começar.

- Então, mas isso não há um percurso definido?
- Isto não é uma visita de estudo. O corpo é seu, você é que escolhe.
- P..p.pois, tem razão. Olhe pode ser já por cima.

O sorriso dela, fez-me pensar que não tinha feito a melhor escolha. E sentir aquela substância quentinha no meu peito reforçou esse pensamento. E, à medida, que o meu pânico aumentava, a satisfação da Estela parecia crescer na proporção inversa.
Perto de uma hora, 100 gritos, 5 copos de água para acalmar, 22 tissues para limpar as lágrimas, 228 marquinhas vermelhas pelo corpo e incontáveis momentos de dor, ela disse a palavra salvadora “Acabámos”.
Tendo eu optado pela depilação completa e estando ai a ouvir em grande os ecos da dor, reparei que os tufos de pelos acumulados no chão dariam para abastecer um pequeno país com forro para almofadas durante um ano. Mas, a minha preocupação central era ir buscar a minha roupinha, pois sentia-me nu pela primeira vez na vida, apesar de já o ter estado diversas vezes.
Quando saí de lá, no entanto, era um homem diferente. Sentia possivelmente aquele boost de confiança que certas mulheres dizem sentir quando usam implantes de silicone. Descobri partes do meu corpo que não via desde a infância e usar uma camisa com uns botões abertos não era agora encarnar um cartaz do Greenpeace a favor da preservação da Amazónia.
Apesar de ter jurado para nunca mais e abençoado o facto de ter nascido homem, ainda que alcatifado, resolvi aproveitar enquanto os malditos não cresciam de novo (com as comichões que tal implica) e viver os meus dias como homem depilado, tal como a Cinderela se sentiu enquanto durou o efeito do botox que a Fada lhe orientou.

22.9.06

Laranjas com Snooker

O texto abaixo foi escrito pela primeira vez pelo António Maria do O Que É 1 Blog, em Outubro de 2004. O António Maria, recorde-se, foi durante muito tempo o terceiro elemento do nosso blog, embora ninguém tenha dado por isso. Fiquem então com Laranjas com Snooker, a vossa novela de Verão, de Inverno e de Verão outra vez. Podem ler o post original aqui.

Hoje em Laranjas Com Snooker...

Roberto, galã do liceu, toma um voto de castidade e fica mal disposto, e com a mesma rapidez toma um Kompensan. Racha, de nome verdadeiro Raquel, vai tomar café com Nini, mas não consegue escolher entre a camisola mais larga e o top que mostra as maminhas. Teco anda de mota à volta do liceu e ninguém o consegue apanhar. Manuela, a coordenadora da escola, não consegue esconder que ainda fuma uns charros de vez em quando e os alunos começam a estranhar a sua postura excessivamente relaxada nas aulas. Vaqui descobre que está grávida de Chunga e pondera o aborto; Chunga fica preocupado, depois de na semana passada ter acontecido o mesmo com Susana Suzete e Sofia Alexandra. Evaldo, o professor de Educação Física vindo de Minas Gerais, vê o ensino dificultado pelas cada vez maiores protuberâncias nos seios. A pequena Floriana convence Adérito a brincar com as Barbies depois da festa dos dez anos de aniversário deste e ambos descobrem que estão atraídos um pelo outro. Ricky faz surf com Gulas na praia do Estoril e apercebem-se que se calhar foi uma má ideia quando voltam para casa sem ter apanhado ondas e com bastantes excreções não identificadas dentro dos fatos. Joana Pescadinha pede um galão para o pequeno-almoço na cantina do liceu e inicia-se um debate sobre problemas de peso, chegando mesmo a perder controlo da gravidade em certos momentos durante a aula de Biologia. Paulo Futre aparece como convidado especial em calções de banho e joga uma partida de golfe com João Rodízio, mas o negócio não se concretiza quando Futre é acusado de fazer batota por jogar com uma perna de pau. Uma segunda participação especial ocorre quando Nuno Gomes surge como flâmine no baile de Dia das Bruxas do liceu e ninguém repara que ele está mascarado. Uendi entra em depressão mesmo depois de todos os beijos no pescoço de Aldo. A casa Sotto entra em rebuliço quando os criados iniciam um motim causado por ideais leninianos, incitado por Hugo, uma semana depois do ex-delfim se ter alistado na JCP. Gui apaixona-se por uma mulher e procura conforto nos braços de Pepe. Pipoca faz a barba. Jessica Madalena embarca finalmente numa carreira musical, mas depressa volta ao liceu depois de dar um concerto e ser assobiada. Roberto quer ficar mais magro e manter a sua figura esbelta e inicia uma dieta de febras, mas quando começa a ver a vida a andar para trás Teca-Trecas lembra-o que o que ela disse foi «fibras». Zé Tó Pedro continua a sua vida de rufião e falta consecutivamente aos ensaios dos Motoqueiros e Pureza encontra-o no quarto cheio de farinha na cara. Leónidas corta as unhas dos pés na varanda e os vizinhos não conseguem dormir. Susana Suzete e Sofia Alexandra acham-se terrivelmente atraentes e tocam os seios uma da outra por breves momentos até que o telemóvel toca e ambas coram. Rodolfolando escapa-se às acusações de pedofilia inscrevendo-se num seminário. Racha tira fotografias picantes para uma revista marota e João Rodízio ganha um tique no olho. Helena pede o divórcio a João Rodízio porque o novo tique lhe faz imensa confusão. Evaldo deixa de mostrar aos alunos como se faz a ponte. Duarte, o director da escola, rapa o cabelo, abre uma loja de tatuagens e piercings ao lado do liceu e entra em conflito com o Ministério. Cagalhota fica ofendida com os recuos de Roberto, depois do esforço em todas as insinuações de chupanço. Os pequenos Adérito e Floriana começam estranhamente a passar demasiado tempo na casa-de-banho. De volta à quinta, Eduardo tem pensamentos saudosos de Helena, atolando-se em papas de aveia - o tuning já não lhe diz nada, estava farto da falta de sentido de humor. Pipo esvazia-se e fica tudo húmido. Teco continua a andar de mota à volta do liceu. Chunga sente o boné a andar à volta ao ver Joana Pescadinha levar sapatos de salto alto para o liceu, o que leva a um novo debate sobre aquilo que se deve usar vestido para a escola, com os alunos a tomar a posição mais conservadora, opondo-se a Duarte. Gui conversa com o irmão mais novo no qual Roberto lhe responde que «não tem tempo para essas maricagens porque ainda tem saudades da Racha». Por sua vez, Racha decide-se pelo top revelador e estranha a maionese nos calções de Nini, quando este ainda nem tinha pedido nada sequer.

20.9.06

A tocar:

Speaking In Tongues, Eagles of Death Metal.

14.9.06

Umas quantas perguntas naturais


Numa altura em que produto que seja produto tem de ter 200 benefícios anunciados até à última sílaba, importantes questões pairam no ar e a quem as souber responder, o meu grande bem haja e pagar-lhe-ei um copo de uma qualquer bebida multi-vitaminada, destilada em substractos proteicos que fará certamente bem a alguma coisa.

- Se eu beber algo com Bifidus activo, isso fará de mim passivo?

- Uma casa de massagem em que a tipa atenda o telefone com “Alô é a Vera” pode ser considerada um benefício natural?

- Se eu albergar dentro mim um tal de L.Casei Immunitas posso ser acusado de dar guarida a emigrantes ilegais?

- Em que ponto fica alguém que tenha prisão de ventre, mas se esteja a cagar para produtos que regulam a flora intestinal?

- Será que os produtos ricos em Omega 3 e Omega 6 não contribuem para a barriga ficar a dar horas?

- A moda de produtos com chá verde faz-me um bocado infusão. E a tea?

- Sou alérgico a poliester. Posso comer alimentos com fibras?

- Uma soja que seja transgénica quer dizer que antes era um sojo?

Have No Fear, Tenente Valdez Is Here

No post anterior, como devem ter percebido se o vosso QI é superior a 48, o meu colega de blog decidiu rebuscar bruscamente parte do nosso passado comum, introduzindo pela primeira vez nestas missivas uma personagem verídica, que fez, faz e sempre fará parte dos nossos imaginários. Depois decidiu apelidar essa personagem de Tenente Valdez. Esse não é, obviamente, o seu verdadeiro nome. Tenente Valdez é o nome de uma agremiação desportiva sita algures na Pontinha, e onde essa criatura, cujo nome não vou revelar já, supostamente terá jogado futebol na posição de guarda-redes. Prontamente refutei essa teoria, servindo-me de uma edição do Record de 1999, em que a citada agremiação não figurava em nenhuma das divisões em que a criatura disse que competia. Convém realçar que este nosso amigo era um bocado mentiroso, mas mesmo assim, uma personagem única, daquelas que aparece apenas, e se os astros estiverem numa conjuntura favorável, de quatro em quatro anos. Preferia que este assunto nunca tivesse surgido neste blog, e que o, chamemos-lhe assim, Tenente Valdez, nunca aqui tivesse surgido à baila. Porquê? Porque não sou homem de fugir às minhas responsabilidades, mormente as que tenho para com os meus leitores. Qualquer assunto abordado aqui no burgo deverá ser meticulosamente dissecado e clarificado. A menos que estejamos a falar dos hábitos sexuais da Odete Santos ou mesmo daquele par de jeans encarnadas com que o João de Deus Pinheiro comparecia nas festas de Vilamoura em todas as silly seasons. Com efeito, temo que a inserção da malfadada personagem nos conteúdos deste blog acabe por despoletar uma bola de neve em que, tanto eu como o meu colega Mau, não consigamos ceder à pressão de vos mimosear com episódios passados na companhia do Tenente Valdez. Como tal, e começando desde já a abrir as hostilidades, aviso que este post teve o insigne patrocínio da água de colónia Boston.
E, porque aqui trabalhamos para a satisfação dos leitores, tomo a liberdade de colocar também neste post alguns links para coisas bizarras. Um deles irá mesmo figurar definitivamente nos links aqui do blog. Poderão não compreender desde já o significado de tudo o que aqui escrevi mas tenho a certeza de que, com a futura postagem neste blog de assuntos relacionados com o (dedos a imitarem aspas) Tenente Valdez, todas as vossas dúvidas dissipar-se-ão. Tanto eu como o Mau não vos desiludiremos. Prometo!

Tenham medo, muito medo:

http://fcpnet.net/portal/user.php?op=userinfo&uname=Armando_Belo

http://gay.blogs.sapo.pt/73532.html
(leiam o comentário que um anónimo que assina Armando Belo fez a este post)

http://ab99.blogs.sapo.pt/

http://sniperdascaldas.blogs.sapo.pt/
(nome de blog verdadeiramente fabuloso)

http://www.goalkeepersclub.co.uk/en/forum/DisplayMessage.asp?idForum=54&id=4267
(este é um dos meus favoritos pois denota de forma pungente a ânsia de alguém que vive para o desporto e que está disposto a trabalhar por ordenados miseráveis, tendo como seu grande trunfo a formação clássica como guarda-redes da grande escola polaca)

http://www.armandobelo.pt.vu/
(onde tudo começa e tudo termina)

13.9.06

O espantoso mundo das relações sociais


Conhecer pessoas, sejam elas homens, mulheres ou algo pelo meio, pode tornar-se complicado a partir de certa idade. Por norma, para quem não sofre de incapacidades de relacionamento social, alergia ao banho ou esteve preso durante a juventude, na idade escolar (fica o meu pedido de desculpa aos analfabetos, que de qualquer maneira também não vão ler o que estou a escrever) e até à universidade, não é difícil ir conhecendo malta, mesmo que sem intuitos sentimentais mais profundos. Com o trabalho, as drogas e outras práticas condenáveis, o factor disponibilidade vai apertando e o círculo vai-se fechando, se bem que há quem fure o esquema com bravura, mas não falemos agora dessa simpática gente que são as Testemunhas de Jeová.
A Internet veio até certo ponto suavizar estas fronteiras, pois com chats, blogs, messengers, hi5’s e fóruns a rede volta a alargar-se. Hoje casais enamorados apresentam o parceiro aos pais dizendo: “Mãe, Pai este é o Romualdo, é comando, conheci-o no msn e vamos casar” e a coisa até é recebida naturalmente “Tudo bem Pedro, desde que não vás para o Afeganistão”. Mas, embora eu próprio já tenha conhecido algumas pessoas via internet e a maioria das quais até seja gente porreira e normal (um grande abraço para a Dona Suzete, porteira reformada em Ermesinde) há episódios de conhecimentos ao vivo que não têm paralelo na Internet (tirando o facto de já ter havido quem me pensasse como um negão de 2 metros da Damaia, o que é falso, eu sou da Brandoa).
E termino esta epístola, com um episódio desses, marcante na história dos relacionamentos sociais de um jovem, conhecido meu e do Vilão. Em noite de veraneio, passeávamos nós pela zona ribeirinha, quando vemos um conhecido mútuo, chamemos-lhe Tenente Valdez. Valdez tinha duas amigas lado a lado, cada uma delas com aspecto decente e prendado, algo que não era comum ver perto de Valdez.
Apesar disso tentámos, eu e o Vilão, escapar ao contacto com o indivíduo, ainda mal refeitos de outros episódios épicos com o dito personagem. Mas, Valdez, sempre atento detectou-nos e antes que tivéssemos tempo, soltou uma frase que ecoou na história dos conhecimentos entre homens e mulheres: “Mau, Vilão, venham cá rapazes. Quero-vos apresentar o GRELO que conheci”.
Nessa noite duas moças aprenderam que não se deve dar conversa a qualquer um, eu e o Vilão descobrimos que dois minutos de riso podem valer uma noite de tormento e o Tenente Valdez aprendeu que nem todos os vegetais fazem bem à saúde...

11.9.06

Drama, horror, televisão


Imagem televisiva de dramatização da RTP sobre um assalto na Praça da Figueira, com cerca de uma hora dedicada à explicação sobre a origem da figueira


Neste dia muito famoso, várias perguntas andam no ar. Eu, pela minha parte pergunto-me como é que a minha fotografia no topo do World Trade Center no século passado, algo irrepetível (torres reconstroem-se, penteados e all-stars como aqueles são únicos) não valeu os 2 dólares que pedi por ela no Ebay.
Mas, tendo seguido ontem uma série de documentários sobre o que se passou há 5 anos numa bela localidade chamada Manhattan, apercebi-me que até nos tele-documentários e nas “dramatizações” de episódios reais o nosso Portugal tem ainda de percorrer muitas milhas (aéreas ou não, deixo ao vosso critério).
Depois de me assumir como mórbido e adepto de teorias de conspiração, prossigamos no tema. Dos documentários que vi muitos tinham, quando não eram totalmente assim, sequências com actores a representarem situações reais. Tudo bem, não eram performances para Óscar, mas era um bom suporte para quem conta uma história, tendo até vislumbrado um tipo oriental que tem uma presença fugaz no Lost a fazer de chinês maratonista a descer escadas de arranha-céus. O que é que isso interessa, perguntam vocês? Bastante mais do que o resumo dos Morangos com Açucar que têm aberto na página ao lado, digo eu.
O facto é que, quando acontece tragédia em Portugal, para além de se ter que esperar, por norma, dez anos para ver um documentário ou série, a coisa é muito sofrida. Já sabemos que se fôr documentário teremos que levar com o Eládio Clímaco ou com o Luís Pereira de Sousa na locução, o que é bem melhor do que ter qualquer um dos dois em pessoa acrescente-se.
Se for série, mesmo que entrecortada por documentário, terá argumento do Moita Flores e, seja de que forma fôr, entrará ou o Ruy de Carvalho, a Rosa Lobato Faria, uma gaja qualquer a querer projecção disposta a tirar a roupa a qualquer preço (um fenómeno histórico na TV portuguesa, vide: Sofia Alves, Soraia Chaves, Marisa Cruz), o João Lagarto e, seguindo as últimas tendências um gajo irritante que faz sempre o mesmo papel nas novelas/séries e que só conheço como Rafa.
Além disso, a coisa será teatral, dramática e terá o mesmo grau de interesse de uma micose do José Hermano Saraiva. Como tal, desde que não me afecte a mim e a todos aqueles que me adoram, mal posso aguardar pela próxima catástrofe ou iniciativa do género, para ver o que conseguimos evoluir na matéria para que, por exemplo, uma reprodução do Incêndio no Chiado não pareça uma reprodução do Inferno de Dante em 328 actos com um arrojado Diogo Infante a dizer “C’o a breca, quão vis são estas chamas!” ao representar o primeiro bombeiro a chegar ao local.


O casting para um novo Bom/Boa continua a decorrer, espero que as dezenas de emails que já me entopem a caixa não os intimidem. - mail - mak_omau@yahoo.com.br

6.9.06

Casting para Javardíssima Trindade - Mau e Vilão procuram Bom/Boa


Serás tu a próxima vedeta do meio bloguístico internacional, um verdadeiro Pacheco Pereira da tua rua?

Depois de ver o sucesso de iniciativas como o casting para os Morangos com Açucar, Curto Circuito, Miss Talho de Alhos Vedros ou Bombistas Suicidas R’us, o nosso espaço lança um desafio semelhante.
Um dos milhares, diria mesmo, dos cerca de 10 leitores (6 dos quais forçados) que nos seguem regularmente vai ter agora a oportunidade de saber o que sentiu o Espírito Santo, quando foi convidado pelo Pai e pelo Filho, as sensações porque passou Teresa quando Madre e Calcutá a elegeram ou até o espanto experimentado por Shrek quando acordou com Fiona e o Burro ao seu lado e uma ligeira dor nas costas.
A verdade é que, apesar do nosso sucesso evidente, há um elemento em falta para que o nosso título faça pleno sentido, pois se é certo que cada post do Mau ou do Vilão valem por cinco (no mínimo), queremos ser fieis às nossas intenções originais e um Bom/Boa é algo que faz parte delas.
A coisa funcionará da seguinte maneira: os/as interessadas poderão mandar textinhos (máximo de três) em português inteligível para o mail que vem ali na barrinha ao lado: mak_omau@yahoo.com.br.
Não é preciso que já tenham um blog, a temática é à escolha do freguês, não tem que ser alinhada pelos padrões dos dois monstros sagrados já existentes, mas também não pode destoar muito do nível (ou falta dele) aqui do tasco. Podem haver excepções, mas teriam de ser muito bem congeminadas.
Porque há muita gente tímida que nos visita, mas tem vergonha de o assumir perante os pais, namorado/a e colegas de danças latinas ou de emprego (isto é para os dois que nos visitam e têm efectivamente emprego) podem criar um mail falso, identidades à maneira e o camandro para comunicarem com a malta, sendo que se forem escolhidos terão de adoptar como nick de postagem O Bom/ A Boa.
Porque acreditamos no compromisso e achamos que a verdade vale sempre a pena ser dita, mesmo que na forma de um chorrilho de mentiras, acrescento que embora o objectivo seja mesmo escolher alguém, tanto por este meio como via conhecimentos (a chamada cunha bloguística), não nos consideramos obrigados a isso se a qualidade não estiver à altura, algo que acho não deverá acontecer.
O facto de lançarmos um casting é também uma forma de conhecermos melhor quem nos visita, estando preparados para os pesadelos que isso possa originar. Isto inclui obviamente a malta que é fã de hate mail e tem agora uma caixa oficial para despejar veneno pura mesmo nas nossas barbas.
Por isso, quem tiver dúvidas que as deixe no mail ou nos comments. Não queremos textos épicos com mais de três milhões de caracteres, nem composições do género “Onde fui nas minhas férias” (a não ser que as mesmas tenham sido na Brandoa). Diários íntimos também dispensamos, a não ser que sejam femininos e contenham pormenores sórdidos com malta conhecida. Vamos deixar isto aberto até final do mês, consoante a participação logo veremos se se mantém.

Mail do casting - mak_omau@yahoo.com.br

PS – Isto é verdade, não é só alarvidade.
PS2 – Não vos precisamos de conhecer de lado nenhum. A vossa grande vantagem é que também não precisam de nos conhecer
PS3 – Subornos serão denunciados (quando insignificantes).

4.9.06

Fiúza-mos!

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Como adepto e sócio do Belenenses que sou e sempre serei, chegou o momento de me manifestar sobre o escândalo em que redundou o caso Mateus. Apesar de ter nome de marca de compota, Mateus é um indivíduo angolano de tez escura que foi inscrito pelo Gil Vicente como profissional para a época de 2005/06. Essa inscrição não poderia ter ocorrido, uma vez que o jogador já tinha sido inscrito na mesma época como amador pelo Lixa. Conscientes disto, os dirigentes do Gil Vicente liderados pelo mentecapto António Fiúza decidiram inscrevê-lo uma segunda vez na mesma época, desta feita como profissional, mesmo sabendo que um jogador não pode ser inscrito com estatutos diferentes na mesma temporada. Para conseguir este intento, recorreram aos tribunais civis, também sabendo que não o poderiam fazer, uma vez que os regulamentos da FPF e da Liga de Clubes, de acordo com o que é veiculado pela FIFA, proíbem-no expressamente. O meu clube, relegado desportivamente para a Liga de Honra, cedo se apercebeu que a colectividade barcelense é administrada por pessoas com graves incapacidades mentais e, mal o pretérico campeonato findou, tratou de recorrer para todas as instâncias desportivas de forma a substituir o Gil Vicente no escalão primodivisionário (sempre sonhei escrever primodivisionário num post). Depois de dois meses em que o caso Mateus aparecia todos os dias nas manchetes e nos noticiários, parece que o Belenenses finalmente conseguiu que lhe fosse dada razão, embora o Fiúza e os seus advogados queiram levar esta fantochada até ao fim, não obstante a ameaça que a FIFA fez de correr com Benfica, Sporting e Porto da Champions League e até de suspender a selecção nacional dos jogos de apuramento para o Euro 2008. Outro dia passei pelo Restelo para pagar a quotização relativamente a esta época. E depois pensei para mim: ao lado deste busto do Pepe, que bem ficava uma estátua do Fiúza, pá! Com efeito, depois de uma época em que Carlos Carvalhal e José Couceiro conseguiram honrar a tradição deixada por Cajuda e Stoycho Mladenov, remetendo o meu Belenenses para a Liga de Honra por via da classificação, só mesmo um milagre conseguiria manter o Belém na primeira. E esse milagre surgiu, por cortesia de um atrasado mental que logrou ser eleito presidente do Gil Vicente mas que não sabe falar português fluentemente, como aliás foi bem perceptível na recente entrevista dada na RTP em que até o seu próprio advogado não conseguia conter o riso. Fiúza merece, de facto, uma estátua no Restelo. Mas terá de ser uma estátua que consiga captar aqueles vivos olhos que se deslocam incessantemente da esquerda para a direita. Que consiga gravar em pedra aquele boca de onde emanam com fulgor ruídos onomatopaicos. Que consiga não desmerecer aquela careca luzidia onde os pombos, verdadeiros ratos voadores, poderão um dia fazer pontaria e largar os deus dejectos construindo assim um verdadeiro capachinho de merda. Como eu espero e desespero, e envergonho-me por vezes, por o meu clube não saber louvar e laurear todas as grandes figuras que o serviram. Onde está a estátua do Matateu, pergunto eu? E a do Vicente? A do Djão, do Cepeda e do Sambinha? São questões relevantes, claro. Mas porra, onde está a estátua do Fiúza, esse vulto que sozinho conseguiu recolocar o meu Belém nas transmissões da SPORTV? Porque não recebeu ele ainda nenhum galardão? Nem sequer foi ainda indigitado para sócio de mérito. Um homem que se destacou em tantas áreas, como por exemplo a medicina, merece mais, muito mais. Ainda recentemente todo um congresso na área da psiquiatria foi dedicado à sua pessoa. Antes de Fiúza tínhamos mongolóides, debilóides e vandalóides (Armando Bello será o mais perfeito exemplo deste último género, mas isso é outra conversa). Depois de Fiúza, temos o fiuzalóide, um indivíduo que congrega todas as características dos demais, com o acréscimo de ter graves problemas ao nível das glândulas salivares, de apenas papar Nestum Mel e de usar fraldas em idade adulta. Fiúza amigo, Belém está contigo!

O adeus a um espécime raro






Chegou hoje ao fim da linha Steve Irwin, o famoso “Crocodile Hunter” que, entre outros feitos, capturou crocodilos a granel, brincou com perigosas serpentes e conseguiu até segurar no filho ao colo com uma mão, enquanto com a outra alimentava um simpático Croc, sem nunca se enganar na mão com que dava de comer ao bicharoco. Visita regular do Tonight Show do Jay Leno, criador de um Zoo na Austrália e defensor da vida selvagem, e por isso amigo de todos os portugueses, Irwin não faleceu num mano a mano com um crocodilo, num beijo a uma serpente, nem sequer de tédio num engarrafamento no IC-19, mas sim vítima de uma raia, durante um documentário sub-aquático que estava a gravar, constituindo até aí um fenómeno, já que é a terceira pessoa de sempre a morrer do ataque de um desses bichinhos, os quais aprecio bastante, mas apenas em versão filete.
Ao que parece a raia poderá não ter apreciado um trocadilho feito por Irwin relativamente à arraia-miúda e toca de lhe dar a ferroada letal no peito e que causou morte imediata no local. Sendo fã dos programas do jovem, sinto hoje algum pesar pelo seu desaparecimento e sei que, pelo mundo inteiro, não faltarão lágrimas de crocodilos, que ironicamente poderão ser sinceras e serpentes a morder os lábios para conter a emoção, o que pode causar muitas baixas involuntárias entre a espécie.
Força Steve, onde quer que estejas não faltarão com certeza espécimes estranhos para lidares. Da minha parte, eu sei que onde estou não faltam de certeza...

PS - Uma das razões para o facto de Irwin nunca ter vindo a Portugal prende-se com o facto de ter terror de papagaios, coisa que como se sabe é coisa que não falta em solo luso.

31.8.06

Ponto de fuga da tanga


Major Reinado e alguns dos seus companheiros de fuga posam para a fotografia, disfarçados, antes de seguirem viagem no autocarro de fuga


Sendo eu um atento observador da cena política internacional, especialmente focado nos imbróglios parlamentares do Cazaquistão, não pude deixar de me surpreender com a notícia que foi dada hoje, sobre a fuga do Major Alfredo Reinado (e isto não é reinação) de uma prisão de Timor. Segundo o jornalista, a coisa foi planeada, o que até aí me pareceu normal.
Mas depois vem o resto, numa sequência de episódios que me faz pensar que a ilha onde se passa o “Lost” não é a única dada a fenómenos estranhos (isto se excluirmos a Madeira, sobre a qual ainda pende a dúvida de poder ser um cometa despenhado na Terra). Consta que o Alfredo, como qualquer gajo com um plano de fuga, resolveu arranjar companheiros, nada menos que 56, certamente para não dar nas vistas e fazer parecer a coisa uma visita de estudo. O que ainda ganha maior realce se tivermos em conta que a cadeia tem 200 e tal prisioneiros.
Supõe-se que esta fuga pudesse ter motivado um banho de sangue, com guardas e reclusos dispostos a não ceder, mas isso é nos filmes e ocasionalmente no Brasil. Em Timor, depois de muitos anos de porrada com os Indonésios, as fugas da cadeia parecem ser tipo jogar às escondidas. Primeiro desaparecem uns neo-zelandeses que supostamente deviam estar a vigiar a coisa, mas que devem ter sido convocados pelos australianos para uma partida de rugby. Tudo bem, ficou de guarda um pequeno destacamento timorense, possivelmente armado com perigosos palitos de almoço e walkie tal
kies feitos de côcos, já que é dito que não tinham armas, nem sequer rádios. Mas, sendo feriado em Timor, foram na volta persuadidos, por Reinado e os seus escassos 56 candidatos a evadidos, a deixar as portas das celas abertas para fazer corrente de ar, que nesta altura está muito abafado em Timor e que fossem aos festejos descansados, que eles guardavam as portas e não diziam a ninguém.
A educação é tal, nesta fuga, que ao que parece os mais de cinquenta evadidos devem ter deixado um papel a dizer onde iam, porque o manda chuva dos militares australianos afirmou prontamente saber onde estavam Reinado e sus muchachos.
É assim, a peculariedade do dia a dia em Timor, onde também não é possível esperar muito mais, depois de tanta exposição aos cantares do Luís Represas...

30.8.06

Recordar I

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Chaimite Produções, algures no final de 2003.

Repor a verdade

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Porque isto não é um blog pimba, apesar do que muitos sugerem, chegou a hora de mudar a música do estaminé. Brevemente vêm cá os Pearl Jam, por isso nada melhor do que colocar aqui uma música evocativa dos meus tempos de jovem niilista. Eddie "Almôndegas na Boca" Vedder, tu que já deves uma overdose à malta desde o Vitalogy, ouve e aprende. A tocar: In Bloom, by Nirvana.

25.8.06

Continua chamando-me assim...palhaço


Pode ser mau feitio meu, mas sinto uma embirração especial por quem trata seres com mais de 50 cm’s por “Bébé”. Tudo bem, em situação privada de carinho e afectividade a coisa é tão aceitável como tratar o outro por Monsenhor, Pedaço de Esterco ou Miss Piggy, mas em público é, no meu douto entender, punível com pena de morte por apedrejamento, isto nas penas mais suaves.
Se a desculpa é do anglófono baby, esqueçam. Aquilo na língua deles até soa bem, em português fica ridículo. Ninguém trata o outro como abóbora e entre eles há quem o faça e não soe assim tão mal. Usar o termo inglês original integrado em frases tão sentidas como “Tu deixas-me louco baby” tem a mesma inteligência dos futebolistas que dizem “Estou aqui para fazer o que o Mister quer”.
Suponho que a intenção de quem trata os outros por bébé, quando não num sentido irónico como em relação ao avô que se acaba de borrar todo nas calças, seja mostrar afecto, carinho, vontade de proteger ou até mesmo fetiche com chupetas. Mas há que não esquecer que o bébé não tem propriamente controlo das suas funções corporais, não prima pelo discurso coerente e fascinante e tentar ter com ele o que muitos tentam ter quando começam a tratar adultos com esse diminutivo dá pena de cadeia pela certa.
Sejam originais, arranjem-me diminutivos giros, pitorescos ou na melhor das hipóteses estranhos, mas não se rendam ao facilitismo pueril. Não é difícil, a não ser que possuam um intelecto semelhante ao do dito cujo.
E não termino com um “Ah pois é bébé!” porque os meus dedos congelam ao pensar no uso dessa frase e dão-me suores frios que não têm nada a ver com o prazo de validade do sumo que estou a beber.