17.11.05

Quanto mais batas...menos gosto de ti

Confesso que tenho um ódio de estimação à recorrente moda de tudo quanto é estabelecimento comercial ter no atendimento jovens com uma bata branca. Compreendo que é moderno, que dá um ar profissional, científico, médico, whatever, mas há limites para tudo digo eu...

E onde é que eu traço o meu limite? Farmácias? Sim, tudo bem. Centros de estética e afins? Depende, mas ainda vá que não vá...a partir daí, o número de circo começa.

Ele é no Celeiro, onde jovens (nacionais e de leste) me aconselham cientificamente sobre a influência dos microorganismos de uma empada de algas no meu estômago enquanto falam da cabra que trabalha na loja de perfumes ao lado, ele é em lojas ópticas onde um simpático rapaz de bata branca consegue enumerar 20 nomes de marcas de armações, mas se eu lhe perguntar pelas dioptrias, ele diz-me provavelmente que esse modelo só chega no início do ano.
Já nas lojas de cosmética qualquer moçoila que se preze, tem à perna uma simpática acólita de branco, mascando pastilha elástica de boca aberta e dissertando sobre a qualidade de um blush quando se vai para a discoteca ou numa loja de fotocópias um gajo diz-me que as cópias que se tiram naquela loja têm o selo de qualidade da NASA...

Enfim, um pretexto triste para se convencer o povo de que tudo é científico, tudo é medicinal e o melhor é que muitas vezes funciona...

Meditando sobre isto, despeço-me com um pensamento: Uma vez que o gajo do talho há muito que também usa uma bata branca, porque raio nunca me veio falar ele das propriedades medicinais das costeletas que retalha suavemente com o seu facalhão, ficando-se por um "Estas são daqui" enquanto passa os dedos ensanguentados pela sua própria orelha...

2 comentários:

  1. Fico triste de ver poucos comments num texto desta magnitude...
    Pêgas das batas, que têm a mania que são mais cós outros... a começar pelos doutores que são antipáticos como o catorze quando estás doente, a continuar nas farmaceuticas que repetem sempre em voz alta o pedido de preservativos, e a acabar nas bacanas do cabeleireiro que dizem sempre: "tem a certeza que quer manter este corte? olhe que eu fazia-lhe um que tinha todas as meninas atrás de si!"

    Raça... e depois é gente que fora dos seus trabalhos são calhaus! oh valha-me deus!

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  2. Eu gosto de vê-las vestido de branco. Além de tranquilidade, passam uma imagem de pureza, paz e beleza imaculada. Depois vou para casa, penso em cenas porcas, limpo a carpete e fumo um cigarrito. Confesso que no dia seguinte estou lá outra vez.

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