3.7.05

O poeta pois que é um fingidor.
Finge tão completamente, naturalmente
Que chega a fingir que é dor
Pois a dor que deveras sente.

E pois que os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem, claro,
Pois não as duas que ele teve,
Mas só a que eles naturalmente não têm.

E pois que assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Naturalmente esse comboio de corda
Pois que se chama coração.

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1 comentário:

  1. As lágrimas correm-me pela face
    talvez tocado pela emoção,
    não sei se choro pelo Figo,
    se por esta cebola aqui na mão...

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