14.2.05

A coluna nao tem preço

De há uns tempos para cá, ando com dores na coluna. Como tinha deixado de comprar o Expresso, ao início não percebi porquê, mas comecei a pensar bem nas coisas e ao fim de um certo tempo tudo começou a bater certo:

Por norma, de segunda a sexta, ao sair de casa e ainda não tendo chegadoi aos transportes, já estou a levar com o folheto do Professor Bimbo e do curso de Informática logo no topo das escadas do Metro, mais um jornal Destak que uma simpática velhota de ar etilizado me dá, assim como o jornal Metro (uma campanha de publicidade tão miserável como eles têm também não devia ter tido preço...) que recebo antes de entrar para a carruagem, já temos um volume considerável. Depois, ao sair do Metro, por boa samaritanice lá levo com outro jornal Metro e mais um Destak e o folheto do Tandoori Grill que um simpático discípulo do Shyamalan me entrega. Ainda não me afastei das escadas do Metro no Chiado e ainda estou a levar com mais uma mensagem de António Santos, que está completamente inocente mas foi condenado a uma pena de 25 anos de cadeia, sendo apenas vítima da sociedade.

Ando mais três passos e ao passar pela perfumaria levo com uma amostra de Casal Boss, o novo perfume de Hugo Boss, mais um voucher para um desconto no McDonalds de Odivelas, válido das 21,12 às 21.16 de 0,5% de desconto na compra de 5 Big Macs, por pessoas que estejam vestidas de verde eléctrico, com uma pala no olho. Mas a odisseia não pára por aqui. Como tenho tempo, ainda passo pelo banco e por cada pergunta que faço na caixa, levo com um folheto explicativo. Já com dificuldade em arranjar espaço para tanto papel prossigo em direcção ao local de trabalho. Desta vez sou abordado por umas senhoras de ar bondoso e sotaque sibilante que insistem em que eu seja testemunha de um tal de Jeová, indivíduo pelo qual nutro o maior respeito, mas que em virtude de não o conhecer pessoalmente nunca poderei falar em seu favor. Antes de esmurrar delicadamente uma dessas cidadãs ainda levo com mais duas folhitas sobre a palavra do Senhor.

Já curvado perante o papel acumulado, chego à porta da minha estimada agência, onde a rapariga da recepção me dá uma revista que nunca subscrevi, mas que insiste em vir até às minhas mãos. Já sem mãos para tanta coisa, peço-lhe um saquito de plástico, que ela me dá, dizendo que veio com o Expresso do fim de semana.

Só depois de fazer este raciocínio e ver que a coisa é cíclica é que me apercebi: "Oh não, a maldição do Expresso voltou a atacar"...e um arrepio percorre-me pela minha massacrada coluna...

1 comentário:

  1. Estás de regresso e em grande forma :) Muito bom post e o do Jerónimo tb! Continua o bom trabalho que tens aqui um leitor assíduo :)
    Vemo-nos na II.3
    Nitas

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.