19.11.04

Largos dias têm cem anos


"Largos dias têm cem anos" é o título da biografia, ainda não publicada, de Jorge Nuno Pinto da Costa. Não percebo o título e julgo que também não deve ser para perceber. Neste livro Pinto da Costa fugirá um pouco dos meandros do futebol e também dos leandros do mesmo (Leandro A e Leandro B, para os menos esclarecidos, são os dois gémeos baianos que PC comprou no Mercado Modelo em Salvador da Baía para lhe lamberem os tomates). Consta que nesta muita aguardada biografia, Jorge Nuno irá contar também todos os pormenores acerca do seu envolvimento com a actriz Sarita Gargantela que culminou com o assassinato desta pelo guarda Abel. Outro momento importante da vida deste baluarte que todos os leitores anseiam por ver dissecado tem que ver com aquela vez em que resolveu dar a volta à Europa numa Zundapp, não tendo no entanto conseguido passar de Vilar Formoso. Na altura, PC disse que ficou a jogar à lerpa durante dois anos com os guardas fronteiriços, sendo que não conseguiu convencer ninguém. PC prometeu ainda caracterizar alguns vultos da vida política com uma palavra apenas, à boa moda das revistas TV Guia e TV 7 Dias, exemplificando da seguinte forma: Paulo Portas - Inversão. O Governo já se manifestou, anunciando que só permitirá a publicação do livro nos bairros da Pasteleira e da Sé (ambos no Porto), em Macau e nalgumas freguesias dos Açores.

10.11.04

"Se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa"


Anteontem, na academia da lagartagem em Alcochete, Roca disse ao merceeiro "se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa", estabelecendo assim um novo e astuto cânone no género do insulto, que cedo se alastrou a outras esferas da sociedade portuguesa. Ontem, em reunião de ministros, o ministro da Defesa sentiu-se ofendido quando o seu homólogo do Ministério das Gomas e Delicatessens disse "vai-te foder, meu larilas de merda". Como quem não se sente não é filho de boa gente, o ministro confrontou o teor da frase com o seu autor e obteve como resposta um "se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa". Cruel. Mas o novo estilo insultuoso de Roca já galgou fronteiras, e já é conhecido nos Estados Unidos como "quick wit bashing roca style". O presidente George W. Bush foi o primeiro a sentir toda a intensidade deste novo género quando um dos seus assessores de imprensa disse "vai mamar na pila do teu pai redneck do caralho eu só te aturo porque ganho 50.000 dólares por ano meu grandessíssimo cara de pila babuíno filho da puta". Como Bush é um homem razoável, antes de sacar a pistola do coldre inquiriu o autor destas gravíssimas acusações acerca do seu significado, recebendo como resposta um "se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa". A polícia e o FBI nada conseguem adiantar por enquanto acerca do paradeiro de Peter McMinet, assessor de imprensa da Presidência, dado como desaparecido pela esposa, Vulva McMinet.

3.11.04

Cristobal Besugo entrevista o Professor Cornélio Tuppervëre da Silva


Entrevista dada em directo na rádio XXISEL (92.8 FM), no dia 25 de Outubro, às 22:45

Cristobal Besugo: Muito boa noite, senhores ouvintes. Hoje temos um convidado muito especial que acedeu a estar presente no nosso programa. Trata-se do renomado Historiador e entusiasta das artes em geral, Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva. O professor é conhecido pelo seu anacronismo relativamente aos factos da História. Muito boa noite, senhor professor e quero agradecer a sua presença no nosso programa.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Boa noite, também para si, amigo Cristobal, mas devo frisar que só aceitei o vosso amável convite devido a uma conjunção de circunstâncias. Não tinha nada para fazer, você disse que me pagava e prometeu-me chá e bolinhos.

Cristobal Besugo: Pois. Vou então fazer a primeira pergunta. O que era a Antiga Grécia? Um monte de cidades-estado, certo?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Sim.

Cristobal Besugo: Quer enumerar algumas?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Atenas, Delfos, Creta e Odivelas. Mais tarde Esparta e depois Almada.

Cristobal Besugo: Fantástico. Falemos um pouco de Israel. O que é Israel?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Israel é onde deixam os judeus montar as barracas. Em certa altura Israel esteve em Lagos, mas isso foi antes do Infante D. Henrique correr com essa corja toda

Cristobal Besugo: O seu nível de eudição é de facto avassalador, Prof. Cornélio.
Cristobal Besugo: E a Palestina é muito antiga?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Muito. Já tem a coisinha grisalha e tudo.

Cristobal Besugo: Em que conjuntura surge um país desumano como a Indonésia?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Bom é preciso recordar que foram os indonésios que inventaram a roda. Isto com o simples propósito de meter carroças em cima de rodas para os animais puxarem. Sem sequer precisarem disso, já que aquilo é minúsculo. Eles dão dois passos e já deram a volta à ilha.

Cristobal Besugo: E foi aí que construíram o circuito do Estoril.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Foi, por isso essa questão de os indonésios serem desumanos é já antiga.

Cristobal Besugo: Eles puxam carroças com muita frequência. Eu já lá estive, as prostitutas foram muito agradáveis.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Pois, as prostitutas também andam a puxar carroças na Indonésia. Isto vai tudo de encontro ao que eu digo.

Cristobal Besugo: Mesmo hoje em dia, dá uma certa tipicidade ao local.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Pois.

(silêncio incómodo)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Se me quiser perguntar outra coisa...

Cristobal Besugo: E quem inventou o pião?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: o pião foi inventado pelos hunos. O Átila foi uma das primeiras sumidades da modalidade.

Cristobal Besugo: ok, os argelinos em França devem ser apoiados pelo estado?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: ah pois claro, claro que devem. Excepto os que já não puderem trabalhar. Esses devem ser degolados. A minha experiência diz-me que convém ainda fazer uma pilha com os corpos ao lado da torre Eiffel. Será a torre do magreb e uma homenagem às comunidades francófonas de pele escura.

Cristobal Besugo: um empreendimento monumental, suponho.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Supõe bem, será um símbolo de cooperação entre os povos.

Cristobal Besugo: de mão em mão, o céu é o limite.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: claro.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isto faz-me lembrar aquela vez em que os romanos quiseram construir a torre de Babel e deram a empreitada aos mesmos tipos que fizeram as obras do metro.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: está visto que esses gajos só andam aí para se encherem.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: e para explorarem os alemães, esse povo doce e pacifista, com tendência para a flatulência.

Cristobal Besugo: suponho que esteja a falar do metro do Porto.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: não, estava a falar mesmo daquele metro ali ao pé da praça do Comércio onde morreram dois pret.. perdão dois indivíduos com origens bem vincadas no Malawi.

Cristobal Besugo: que piensas de la sinistralidad de los pret... perdon, de los indibiduuos de origen bien fincada nel Malavi?

(para ser dito mesmo assim, de forma a realçar o poliglotismo do professor Cornélio)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: eu penso que é horrível aquilo de lhes arrancarem os dentes, mas é resultado desta profunda crise económica.

Cristobal Besugo: crise económica? onde? quando?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: toda a gente sabe que uma dentadura de um africano completa vale pelo menos uma lata de salsichas alemãs.

Cristobal Besugo: de facto, já sabia isso.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: esta crise económica teve o seu início quando Salazar caiu da cadeira.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: o grande crash da bolsa de lisboa em 1968 não teve precedentes.

(pausa necessária para o Prof. encadear os seus pensamentos)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: nem subsequentes, se bem me lembro. E aí reside a força desta crise económica. O facto de não se falar dela é, no fundo, o agudizar da crise.

Cristobal Besugo: mas fala-se nela.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: sim, mas isto que nós estivemos a dizer foram apenas desabafos. Adiante.

Cristobal Besugo: o que só corrobora a sua opinião.
Cristobal Besugo: porque é que está aqui?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: não sei, a minha mãe apenas mandou chamar o táxi, não me disse aonde ia nem ao que vinha.

Cristobal Besugo: qual é o seu ponto de vista em relação à questão seguinte?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: eu penso que a questão seguinte, a ser bem elaborada, pode conter a chave para todos os problemas da humanidade.

Cristobal Besugo: está certo. então aqui vai: que comeu o Almirante Nelson na manhã da batalha de Trafalgar?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: bom, temia que me perguntasse isso.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isto revela a sua argúcia como entrevistador. Muitos parabéns.

Cristobal Besugo: Bom, mas que comeu ele?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isso agora não interessa nada.

Cristobal Besugo: obrigado senhor, encontrei a eterna felicidade.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: de nada, tive muito gosto.

Cristobal Besugo: quanto é que lhe devo?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: 50 euros
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: espere aí, vou só fazer uma chamada.

Cristobal Besugo: tem troco de 133?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: "Estou? Mamã, fala o Cornélio. O senhor está a perguntar quanto é que é. 65? Ok, então até já. Sim, eu agasalho-me."

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: afinal deve-me 65 euros

Cristobal Besugo: só mais uma pergunta: em 1677, a roménia tinha um papel preponderante no equilibrio cultural europeu, como tem hoje em dia, apesar de ser mentira?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: sim, até porque hoje vivemos numa mentira. nada do que se diz é verdadeiro.

Cristobal Besugo: mas isso não será mentira?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: suponho que sim, mas atente neste exemplo perfeitamente redundante: o primeiro ministro é um homem espiritual e profundamente religioso, no entanto 99% da população acredita que ele passa as noites numa discoteca lisboeta a meter o indicador e o médio dentro de adolescentes de 17 anos. O que no fundo é mentira, respondendo à sua pergunta.

Cristobal Besugo: mas você não respondeu à minha pergunta.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isso é mentira.

Cristobal Besugo: Agora fiquei baralhado. Bom, com estas declarações fechamos a rubrica Cultura Rubricada com o historiador Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva e comigo, Cristobal Besugo. Obrigado senhores ouvintes e não se esqueçam dos casacos.