25.5.04

J. P. Tropez


Hoje vou falar-vos de um dos maiores cineastas de todos os tempos e que, felizmente, ainda está entre nós: J. P. Tropez.
Nasceu em França, penso que entre as duas guerras mundiais. Não tenho a certeza pois não sei quando é que estas ocorreram. J. P. Tropez fez carreira em todos os países do mundo e olhem que são muitos. Esteve também envolvido em todos os movimentos e correntes cinematográficas que desabrocharam no século XX. Foi ele que fundou a Nouvelle Vague, mas afastou-se do movimento antes de este ter principiado. Isto deveu-se ao facto de J. P. Tropez mudar sempre de ideias muito rapidamente, em virtude de ter um metabolismo muito acelerado. Na década de 50, a larva que existia no corpo de J. P. Tropez transformou-se em borboleta e obras-primas seminais do cinema sucederam-se em catadupa. Como ele próprio gosta de dizer, J. P. Tropez é como um tomate: duro por fora e gelatinoso por dentro. Considerado por muitos o melhor cineasta do mundo, ele próprio também se considera o melhor cineasta do mundo. Não há ninguém que possa constituir um paradigma do cinema de autor tanto como J.P. Tropez. Todos os títulos dos seus filmes têm a seguinte estrutura: J. P. Tropez's J. P. Tropez: (título do filme). E pensavam vocês que o Von Trier é vaidoso. J. P. Tropez exige ser sempre a maior vedeta de cada um dos seus filmes, apesar de nunca participar neles. Faz-se sempre acompanhar do seu cozinheiro particular, Ticou, que acumula esta função com as de assistente, motorista, agente, confidente, melhor amigo e maior crítico. J. P. Tropez prefere assim, pois não tem paciência para ver muitas caras diferentes todos os dias. J. P. Tropez apoia todas as formas de expressão artística. Entre estas inclui-se a masturbação, à qual sempre que pode dá uma mãozinha. Mesmo quando o material é mau, o produto final dos seus filmes é óptimo, sublime e obrigatório. Exemplo disso é o famoso rockumentário consagrado a Filipe Chambel:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: De Filipe a Chambel, passando por Tropez

Outro exemplo disto é o seu famoso filme sobre a perda da virgindade da cantora Britney Spears:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Pop my Cherry

Reinventou o expressionismo alemão em obras como:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Kant e o Imperativo Categórico
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: A Angústia de Baía no Momento da Divulgação do Lote dos 22
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Nós Ferrados: Vampiros à Sombra

Normalmente não gosta de falar de outros realizadores. Ele é o melhor e não há muito mais a dizer sobre isso. Em 1958, depois da estreia do filme Morangos Silvestres de um camafeu chamado Bergman, J. P. Tropez foi à Suécia filmar J. P. Tropez's J. P. Tropez: Sylvester and the Strawberry (Toma Lá Morangos, em português), uma obra em tudo superior à de Bergman, especialmente porque leva as coisas muito mais longe.

Em 1985 filmou uma das suas obras-chave: J. P. Tropez's J. P. Tropez: Russian Dolls Don't go Down on Each Other (Bonecas Russas Que Não Se Querem Mesmo Meter Dentro Umas das Outras). Com esta obra, venceu o festival de Sundance em 1985, 1988 e 2001. Foi a primeira vez que o mesmo filme venceu o festival de Sundance em anos diferentes. Isto provocou a ira de jovens realizadores independentes, que reclamavam também a sua oportunidade. J. P. Tropez disse-lhes apenas isto: "Vão-se foder, punheteiros de merda! O público gosta é dos meus filmes." Em 1973, J. P. Tropez fez uma incursão pelo universo da espionagem ao adaptar uma das aventuras de 007:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: 007 - Nunca Morras duas Vezes, Pá

Seguiram-se uma série de documentários. Os mais importantes são aqueles que dedicou à sua pessoa:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: J. P. Tropez (filme documental que no fundo é uma auto-análise analítica em tons de cinzento sobre um verdadeiro Adónis que não é cinzentão)

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: J.P. Tropez à la recherche de J. P. Tropez (neste filme Tropez dá-se mais a conhecer)

Em Hollywood, existem poucos que tenham tido mais sucesso que ele. Penso que não houve nenhum, embora S. Francis seja várias vezes mencionado. O seu primeiro filme em Hollywood foi sobre um barco que estava imune:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Immunity of the Bounty

Outros títulos fundamentais, todos na lista dos 30 maiores blockbusters de todos os tempos:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Mission made Possible
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Trap-Ease
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Mummy and Daddy (A Múmia e o Pai)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: i found love with a squaw (convém realçar este filme, pois é um western erótico de rara beleza, mas aos westerns de J. P. Tropez já lá chegaremos)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: 3 Homens e um Bibi (co-produção RTP sobre o escândalo na Casa Pia)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Jaws 666: Tubarãozinho de Satã
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Amélie Poulain 2: Amélie de Rabo na Boca
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: O meu reino por uma égua - Donald Trump: ascensão e queda

Nos westerns, J. P. Tropez foi mestre indisputado, posicionando-se a anos-luz de Ford e Hawks:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Have Gun, Won't Travel
- o já citado J. P. Tropez's J. P. Tropez: i found love with a squaw
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Squaw Cunt 2: won't you cum over? (este filme causou grande controvérsia e J. P. Tropez ameaçou não comparecer à entrega dos Óscares caso o filme recebesse uma classificação etária para maiores de 18. Infelizmente isso veio a acontecer nalguns estados mais puritanos e J. P. Tropez não compareceu à cerimónia e agradeceu a entrega do Óscar para melhor realizador directamente da sua casa na Ilha do Corvo)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: The Man who Shot The Man Who Shot Liberty valance (O Homem que Matou o Homem que Matou Liberty Valance)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Bonanza - Ararat Years
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Billy the Kid was full of shit

No final da década de 70, J. P. Tropez mudou-se para o Japão e começou a fazer uns filmes sobre o judo. Digamos que deu uma cabazada ao Kurosawa. Em 1982 lançou a sua famosa trilogia sobre o universo judoca:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Queimaram o meu Dojo
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Caí ao Tatami
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Sayonara gaijin

J. P. Tropez é já uma lenda viva, é sobre ele que se alicerça todo o cinema mundial. Hoje em dia só filma o que quer. Exemplo disto é a sua magnífica trilogia das cores dos semáforos:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Vermelho
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Amarelo
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Verde

Percebendo o duplo significado que "shot" tem na língua inglesa, presenteou-nos em 1994 com o terceiro documentário sobre a sua pessoa:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: The Man Who Shot the Man Who Shot the Man Who Shot Liberty Valance (O Homem que filmou o homem que matou o homem que matou Liberty valance)

Outros filmes recentes de J. P. Tropez:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: O Vento 2 - Salgueiros 0
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: As Putas têm Sentimentos
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Aníbal e os Elefantes (pungente sátira ao cavaquismo)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Projecto Brasil 1 - A Última Senna: Corrida para a Morte
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Projecto Brasil 2 - Boceta de Feijão: as favelas brasileiras
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: A minha Madrasta é uma Chave Inglesa
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Arafat - Sinai Vermelho
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: La mére
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Le pére
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Les pommes de terre
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Le Bijou
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: J'aime fred mercury
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Des Mecs dans le Poisson (os gajos no peixe)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Joyeuse Dimanche
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Pipi rasgou as meias e estas eram altas
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Miterrand dans le Mediterranée: Mediterrand

Em 2000 J. P. Tropez fez a estreia mundial de um filme que estava na gaveta há mais de 50 anos. Tratava-se daquele que deveria ter sido o seu filme de estreia, e que muitos julgavam não existir. Assumia contornos lendários e durante muito tempo vários biógrafos e estudiosos de Tropez referiam-se a ele como o famoso filme perdido, ou o documentário zero. Trata-se de J. P. Tropez's J. P. Tropez: Je Suis J. P. Tropez, fantástica nota de intenções do cineasta, em que este está bastante mais novo e já acompanhado por Ticou. Não nos podemos esquecer do papel determinante que Ticou teve na vida de J. P. Tropez. A forma como graciosamente se divorciava das suas mulheres para estas se poderem casar com J. P. Tropez é a expressão mais pura da amizade desinteressada e altruísta. Em 1996, J. P. Tropez dedicou-lhe um documentário:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: The Man Who Cooks for The Man Who Shot The Man Who Shot The Man Who Shot Liberty Valance (O Homem que cozinha para o homem que filmou o homem que matou o homem que matou Liberty Valance)

J. P. Tropez vive em reclusão auto-imposta, mas de vez em quando dá umas entrevistas. Algumas das suas frases célebres:


"Se me derem uma foca e um actor com carisma, eu dou-vos um blockbuster!"

"Sim ok, ganhei 12 óscares, e depois? Eu já sei que sou bom! Não preciso de galardões inócuos!"

"Amo muito o meu público, mas eles que me desculpem: faço os filmes para mim!"

Referindo-se a Spielberg, Coppola, Scorsese e De Palma: "....é tudo merda! Andaram-se a comer uns aos outros!"

"A Julia Roberts tem cara de cavalo! Deram um Óscar a essa gaja e o meu corta-unhas é mais expressivo que ela."

"O que salvava o Chaplin era o bigode."

"Sinto-me bem na minha pele, mas vocês no meu lugar também se sentiriam!"