3.11.04

Cristobal Besugo entrevista o Professor Cornélio Tuppervëre da Silva


Entrevista dada em directo na rádio XXISEL (92.8 FM), no dia 25 de Outubro, às 22:45

Cristobal Besugo: Muito boa noite, senhores ouvintes. Hoje temos um convidado muito especial que acedeu a estar presente no nosso programa. Trata-se do renomado Historiador e entusiasta das artes em geral, Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva. O professor é conhecido pelo seu anacronismo relativamente aos factos da História. Muito boa noite, senhor professor e quero agradecer a sua presença no nosso programa.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Boa noite, também para si, amigo Cristobal, mas devo frisar que só aceitei o vosso amável convite devido a uma conjunção de circunstâncias. Não tinha nada para fazer, você disse que me pagava e prometeu-me chá e bolinhos.

Cristobal Besugo: Pois. Vou então fazer a primeira pergunta. O que era a Antiga Grécia? Um monte de cidades-estado, certo?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Sim.

Cristobal Besugo: Quer enumerar algumas?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Atenas, Delfos, Creta e Odivelas. Mais tarde Esparta e depois Almada.

Cristobal Besugo: Fantástico. Falemos um pouco de Israel. O que é Israel?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Israel é onde deixam os judeus montar as barracas. Em certa altura Israel esteve em Lagos, mas isso foi antes do Infante D. Henrique correr com essa corja toda

Cristobal Besugo: O seu nível de eudição é de facto avassalador, Prof. Cornélio.
Cristobal Besugo: E a Palestina é muito antiga?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Muito. Já tem a coisinha grisalha e tudo.

Cristobal Besugo: Em que conjuntura surge um país desumano como a Indonésia?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Bom é preciso recordar que foram os indonésios que inventaram a roda. Isto com o simples propósito de meter carroças em cima de rodas para os animais puxarem. Sem sequer precisarem disso, já que aquilo é minúsculo. Eles dão dois passos e já deram a volta à ilha.

Cristobal Besugo: E foi aí que construíram o circuito do Estoril.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Foi, por isso essa questão de os indonésios serem desumanos é já antiga.

Cristobal Besugo: Eles puxam carroças com muita frequência. Eu já lá estive, as prostitutas foram muito agradáveis.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Pois, as prostitutas também andam a puxar carroças na Indonésia. Isto vai tudo de encontro ao que eu digo.

Cristobal Besugo: Mesmo hoje em dia, dá uma certa tipicidade ao local.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Pois.

(silêncio incómodo)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Se me quiser perguntar outra coisa...

Cristobal Besugo: E quem inventou o pião?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: o pião foi inventado pelos hunos. O Átila foi uma das primeiras sumidades da modalidade.

Cristobal Besugo: ok, os argelinos em França devem ser apoiados pelo estado?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: ah pois claro, claro que devem. Excepto os que já não puderem trabalhar. Esses devem ser degolados. A minha experiência diz-me que convém ainda fazer uma pilha com os corpos ao lado da torre Eiffel. Será a torre do magreb e uma homenagem às comunidades francófonas de pele escura.

Cristobal Besugo: um empreendimento monumental, suponho.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Supõe bem, será um símbolo de cooperação entre os povos.

Cristobal Besugo: de mão em mão, o céu é o limite.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: claro.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isto faz-me lembrar aquela vez em que os romanos quiseram construir a torre de Babel e deram a empreitada aos mesmos tipos que fizeram as obras do metro.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: está visto que esses gajos só andam aí para se encherem.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: e para explorarem os alemães, esse povo doce e pacifista, com tendência para a flatulência.

Cristobal Besugo: suponho que esteja a falar do metro do Porto.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: não, estava a falar mesmo daquele metro ali ao pé da praça do Comércio onde morreram dois pret.. perdão dois indivíduos com origens bem vincadas no Malawi.

Cristobal Besugo: que piensas de la sinistralidad de los pret... perdon, de los indibiduuos de origen bien fincada nel Malavi?

(para ser dito mesmo assim, de forma a realçar o poliglotismo do professor Cornélio)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: eu penso que é horrível aquilo de lhes arrancarem os dentes, mas é resultado desta profunda crise económica.

Cristobal Besugo: crise económica? onde? quando?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: toda a gente sabe que uma dentadura de um africano completa vale pelo menos uma lata de salsichas alemãs.

Cristobal Besugo: de facto, já sabia isso.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: esta crise económica teve o seu início quando Salazar caiu da cadeira.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: o grande crash da bolsa de lisboa em 1968 não teve precedentes.

(pausa necessária para o Prof. encadear os seus pensamentos)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: nem subsequentes, se bem me lembro. E aí reside a força desta crise económica. O facto de não se falar dela é, no fundo, o agudizar da crise.

Cristobal Besugo: mas fala-se nela.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: sim, mas isto que nós estivemos a dizer foram apenas desabafos. Adiante.

Cristobal Besugo: o que só corrobora a sua opinião.
Cristobal Besugo: porque é que está aqui?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: não sei, a minha mãe apenas mandou chamar o táxi, não me disse aonde ia nem ao que vinha.

Cristobal Besugo: qual é o seu ponto de vista em relação à questão seguinte?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: eu penso que a questão seguinte, a ser bem elaborada, pode conter a chave para todos os problemas da humanidade.

Cristobal Besugo: está certo. então aqui vai: que comeu o Almirante Nelson na manhã da batalha de Trafalgar?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: bom, temia que me perguntasse isso.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isto revela a sua argúcia como entrevistador. Muitos parabéns.

Cristobal Besugo: Bom, mas que comeu ele?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isso agora não interessa nada.

Cristobal Besugo: obrigado senhor, encontrei a eterna felicidade.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: de nada, tive muito gosto.

Cristobal Besugo: quanto é que lhe devo?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: 50 euros
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: espere aí, vou só fazer uma chamada.

Cristobal Besugo: tem troco de 133?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: "Estou? Mamã, fala o Cornélio. O senhor está a perguntar quanto é que é. 65? Ok, então até já. Sim, eu agasalho-me."

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: afinal deve-me 65 euros

Cristobal Besugo: só mais uma pergunta: em 1677, a roménia tinha um papel preponderante no equilibrio cultural europeu, como tem hoje em dia, apesar de ser mentira?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: sim, até porque hoje vivemos numa mentira. nada do que se diz é verdadeiro.

Cristobal Besugo: mas isso não será mentira?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: suponho que sim, mas atente neste exemplo perfeitamente redundante: o primeiro ministro é um homem espiritual e profundamente religioso, no entanto 99% da população acredita que ele passa as noites numa discoteca lisboeta a meter o indicador e o médio dentro de adolescentes de 17 anos. O que no fundo é mentira, respondendo à sua pergunta.

Cristobal Besugo: mas você não respondeu à minha pergunta.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isso é mentira.

Cristobal Besugo: Agora fiquei baralhado. Bom, com estas declarações fechamos a rubrica Cultura Rubricada com o historiador Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva e comigo, Cristobal Besugo. Obrigado senhores ouvintes e não se esqueçam dos casacos.

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