19.11.04

Largos dias têm cem anos


"Largos dias têm cem anos" é o título da biografia, ainda não publicada, de Jorge Nuno Pinto da Costa. Não percebo o título e julgo que também não deve ser para perceber. Neste livro Pinto da Costa fugirá um pouco dos meandros do futebol e também dos leandros do mesmo (Leandro A e Leandro B, para os menos esclarecidos, são os dois gémeos baianos que PC comprou no Mercado Modelo em Salvador da Baía para lhe lamberem os tomates). Consta que nesta muita aguardada biografia, Jorge Nuno irá contar também todos os pormenores acerca do seu envolvimento com a actriz Sarita Gargantela que culminou com o assassinato desta pelo guarda Abel. Outro momento importante da vida deste baluarte que todos os leitores anseiam por ver dissecado tem que ver com aquela vez em que resolveu dar a volta à Europa numa Zundapp, não tendo no entanto conseguido passar de Vilar Formoso. Na altura, PC disse que ficou a jogar à lerpa durante dois anos com os guardas fronteiriços, sendo que não conseguiu convencer ninguém. PC prometeu ainda caracterizar alguns vultos da vida política com uma palavra apenas, à boa moda das revistas TV Guia e TV 7 Dias, exemplificando da seguinte forma: Paulo Portas - Inversão. O Governo já se manifestou, anunciando que só permitirá a publicação do livro nos bairros da Pasteleira e da Sé (ambos no Porto), em Macau e nalgumas freguesias dos Açores.

10.11.04

"Se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa"


Anteontem, na academia da lagartagem em Alcochete, Roca disse ao merceeiro "se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa", estabelecendo assim um novo e astuto cânone no género do insulto, que cedo se alastrou a outras esferas da sociedade portuguesa. Ontem, em reunião de ministros, o ministro da Defesa sentiu-se ofendido quando o seu homólogo do Ministério das Gomas e Delicatessens disse "vai-te foder, meu larilas de merda". Como quem não se sente não é filho de boa gente, o ministro confrontou o teor da frase com o seu autor e obteve como resposta um "se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa". Cruel. Mas o novo estilo insultuoso de Roca já galgou fronteiras, e já é conhecido nos Estados Unidos como "quick wit bashing roca style". O presidente George W. Bush foi o primeiro a sentir toda a intensidade deste novo género quando um dos seus assessores de imprensa disse "vai mamar na pila do teu pai redneck do caralho eu só te aturo porque ganho 50.000 dólares por ano meu grandessíssimo cara de pila babuíno filho da puta". Como Bush é um homem razoável, antes de sacar a pistola do coldre inquiriu o autor destas gravíssimas acusações acerca do seu significado, recebendo como resposta um "se acha que o que eu disse foi para si, peço desculpa". A polícia e o FBI nada conseguem adiantar por enquanto acerca do paradeiro de Peter McMinet, assessor de imprensa da Presidência, dado como desaparecido pela esposa, Vulva McMinet.

3.11.04

Cristobal Besugo entrevista o Professor Cornélio Tuppervëre da Silva


Entrevista dada em directo na rádio XXISEL (92.8 FM), no dia 25 de Outubro, às 22:45

Cristobal Besugo: Muito boa noite, senhores ouvintes. Hoje temos um convidado muito especial que acedeu a estar presente no nosso programa. Trata-se do renomado Historiador e entusiasta das artes em geral, Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva. O professor é conhecido pelo seu anacronismo relativamente aos factos da História. Muito boa noite, senhor professor e quero agradecer a sua presença no nosso programa.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Boa noite, também para si, amigo Cristobal, mas devo frisar que só aceitei o vosso amável convite devido a uma conjunção de circunstâncias. Não tinha nada para fazer, você disse que me pagava e prometeu-me chá e bolinhos.

Cristobal Besugo: Pois. Vou então fazer a primeira pergunta. O que era a Antiga Grécia? Um monte de cidades-estado, certo?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Sim.

Cristobal Besugo: Quer enumerar algumas?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Atenas, Delfos, Creta e Odivelas. Mais tarde Esparta e depois Almada.

Cristobal Besugo: Fantástico. Falemos um pouco de Israel. O que é Israel?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Israel é onde deixam os judeus montar as barracas. Em certa altura Israel esteve em Lagos, mas isso foi antes do Infante D. Henrique correr com essa corja toda

Cristobal Besugo: O seu nível de eudição é de facto avassalador, Prof. Cornélio.
Cristobal Besugo: E a Palestina é muito antiga?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Muito. Já tem a coisinha grisalha e tudo.

Cristobal Besugo: Em que conjuntura surge um país desumano como a Indonésia?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Bom é preciso recordar que foram os indonésios que inventaram a roda. Isto com o simples propósito de meter carroças em cima de rodas para os animais puxarem. Sem sequer precisarem disso, já que aquilo é minúsculo. Eles dão dois passos e já deram a volta à ilha.

Cristobal Besugo: E foi aí que construíram o circuito do Estoril.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Foi, por isso essa questão de os indonésios serem desumanos é já antiga.

Cristobal Besugo: Eles puxam carroças com muita frequência. Eu já lá estive, as prostitutas foram muito agradáveis.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Pois, as prostitutas também andam a puxar carroças na Indonésia. Isto vai tudo de encontro ao que eu digo.

Cristobal Besugo: Mesmo hoje em dia, dá uma certa tipicidade ao local.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Pois.

(silêncio incómodo)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Se me quiser perguntar outra coisa...

Cristobal Besugo: E quem inventou o pião?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: o pião foi inventado pelos hunos. O Átila foi uma das primeiras sumidades da modalidade.

Cristobal Besugo: ok, os argelinos em França devem ser apoiados pelo estado?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: ah pois claro, claro que devem. Excepto os que já não puderem trabalhar. Esses devem ser degolados. A minha experiência diz-me que convém ainda fazer uma pilha com os corpos ao lado da torre Eiffel. Será a torre do magreb e uma homenagem às comunidades francófonas de pele escura.

Cristobal Besugo: um empreendimento monumental, suponho.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: Supõe bem, será um símbolo de cooperação entre os povos.

Cristobal Besugo: de mão em mão, o céu é o limite.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: claro.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isto faz-me lembrar aquela vez em que os romanos quiseram construir a torre de Babel e deram a empreitada aos mesmos tipos que fizeram as obras do metro.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: está visto que esses gajos só andam aí para se encherem.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: e para explorarem os alemães, esse povo doce e pacifista, com tendência para a flatulência.

Cristobal Besugo: suponho que esteja a falar do metro do Porto.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: não, estava a falar mesmo daquele metro ali ao pé da praça do Comércio onde morreram dois pret.. perdão dois indivíduos com origens bem vincadas no Malawi.

Cristobal Besugo: que piensas de la sinistralidad de los pret... perdon, de los indibiduuos de origen bien fincada nel Malavi?

(para ser dito mesmo assim, de forma a realçar o poliglotismo do professor Cornélio)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: eu penso que é horrível aquilo de lhes arrancarem os dentes, mas é resultado desta profunda crise económica.

Cristobal Besugo: crise económica? onde? quando?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: toda a gente sabe que uma dentadura de um africano completa vale pelo menos uma lata de salsichas alemãs.

Cristobal Besugo: de facto, já sabia isso.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: esta crise económica teve o seu início quando Salazar caiu da cadeira.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: o grande crash da bolsa de lisboa em 1968 não teve precedentes.

(pausa necessária para o Prof. encadear os seus pensamentos)

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: nem subsequentes, se bem me lembro. E aí reside a força desta crise económica. O facto de não se falar dela é, no fundo, o agudizar da crise.

Cristobal Besugo: mas fala-se nela.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: sim, mas isto que nós estivemos a dizer foram apenas desabafos. Adiante.

Cristobal Besugo: o que só corrobora a sua opinião.
Cristobal Besugo: porque é que está aqui?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: não sei, a minha mãe apenas mandou chamar o táxi, não me disse aonde ia nem ao que vinha.

Cristobal Besugo: qual é o seu ponto de vista em relação à questão seguinte?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: eu penso que a questão seguinte, a ser bem elaborada, pode conter a chave para todos os problemas da humanidade.

Cristobal Besugo: está certo. então aqui vai: que comeu o Almirante Nelson na manhã da batalha de Trafalgar?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: bom, temia que me perguntasse isso.
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isto revela a sua argúcia como entrevistador. Muitos parabéns.

Cristobal Besugo: Bom, mas que comeu ele?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isso agora não interessa nada.

Cristobal Besugo: obrigado senhor, encontrei a eterna felicidade.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: de nada, tive muito gosto.

Cristobal Besugo: quanto é que lhe devo?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: 50 euros
Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: espere aí, vou só fazer uma chamada.

Cristobal Besugo: tem troco de 133?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: "Estou? Mamã, fala o Cornélio. O senhor está a perguntar quanto é que é. 65? Ok, então até já. Sim, eu agasalho-me."

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: afinal deve-me 65 euros

Cristobal Besugo: só mais uma pergunta: em 1677, a roménia tinha um papel preponderante no equilibrio cultural europeu, como tem hoje em dia, apesar de ser mentira?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: sim, até porque hoje vivemos numa mentira. nada do que se diz é verdadeiro.

Cristobal Besugo: mas isso não será mentira?

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: suponho que sim, mas atente neste exemplo perfeitamente redundante: o primeiro ministro é um homem espiritual e profundamente religioso, no entanto 99% da população acredita que ele passa as noites numa discoteca lisboeta a meter o indicador e o médio dentro de adolescentes de 17 anos. O que no fundo é mentira, respondendo à sua pergunta.

Cristobal Besugo: mas você não respondeu à minha pergunta.

Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva: isso é mentira.

Cristobal Besugo: Agora fiquei baralhado. Bom, com estas declarações fechamos a rubrica Cultura Rubricada com o historiador Prof. Cornélio Tuppervëre da Silva e comigo, Cristobal Besugo. Obrigado senhores ouvintes e não se esqueçam dos casacos.

18.6.04

Agência de Detectives 6 Tipos Chamados Joe



O nosso lema é olhar para o alto. Há já bastante tempo que a Agência de Detectives 6 Tipos Chamados Joe está no mercado. Quer provar que a sua mulher anda a dar facadinhas no matrimónio? Não vá mais longe. Você precisa é de 6 tipos chamados Joe. Dividimos os nossos Joes entre o trabalho de campo e o trabalho de escritório:

- Joe 1 ou No Good Joe: seduz a sua mulher e deixa as persianas abertas.
- Joe 2 ou Curly Joe: fotografa o adultério.
- Joe 3 ou Bar Mitzvah Joe: ideal para extorquir dinheiro à sua mulher ameaçando revelar as fotos.
- Joe 4 ou Elton Joe: toca piano e anima as hostes.
- Joe 5 ou Blonde Joe: o cérebro dos Joes. Faz todo o trabalho de escritório. "Esse divórcio está garantido, amigo!"
- Joe 6 ou Hairy Joe: a carpete do Escritório.

Não hesite e contacte-nos: 6 Tipos Chamados Joe!

25.5.04

J. P. Tropez


Hoje vou falar-vos de um dos maiores cineastas de todos os tempos e que, felizmente, ainda está entre nós: J. P. Tropez.
Nasceu em França, penso que entre as duas guerras mundiais. Não tenho a certeza pois não sei quando é que estas ocorreram. J. P. Tropez fez carreira em todos os países do mundo e olhem que são muitos. Esteve também envolvido em todos os movimentos e correntes cinematográficas que desabrocharam no século XX. Foi ele que fundou a Nouvelle Vague, mas afastou-se do movimento antes de este ter principiado. Isto deveu-se ao facto de J. P. Tropez mudar sempre de ideias muito rapidamente, em virtude de ter um metabolismo muito acelerado. Na década de 50, a larva que existia no corpo de J. P. Tropez transformou-se em borboleta e obras-primas seminais do cinema sucederam-se em catadupa. Como ele próprio gosta de dizer, J. P. Tropez é como um tomate: duro por fora e gelatinoso por dentro. Considerado por muitos o melhor cineasta do mundo, ele próprio também se considera o melhor cineasta do mundo. Não há ninguém que possa constituir um paradigma do cinema de autor tanto como J.P. Tropez. Todos os títulos dos seus filmes têm a seguinte estrutura: J. P. Tropez's J. P. Tropez: (título do filme). E pensavam vocês que o Von Trier é vaidoso. J. P. Tropez exige ser sempre a maior vedeta de cada um dos seus filmes, apesar de nunca participar neles. Faz-se sempre acompanhar do seu cozinheiro particular, Ticou, que acumula esta função com as de assistente, motorista, agente, confidente, melhor amigo e maior crítico. J. P. Tropez prefere assim, pois não tem paciência para ver muitas caras diferentes todos os dias. J. P. Tropez apoia todas as formas de expressão artística. Entre estas inclui-se a masturbação, à qual sempre que pode dá uma mãozinha. Mesmo quando o material é mau, o produto final dos seus filmes é óptimo, sublime e obrigatório. Exemplo disso é o famoso rockumentário consagrado a Filipe Chambel:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: De Filipe a Chambel, passando por Tropez

Outro exemplo disto é o seu famoso filme sobre a perda da virgindade da cantora Britney Spears:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Pop my Cherry

Reinventou o expressionismo alemão em obras como:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Kant e o Imperativo Categórico
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: A Angústia de Baía no Momento da Divulgação do Lote dos 22
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Nós Ferrados: Vampiros à Sombra

Normalmente não gosta de falar de outros realizadores. Ele é o melhor e não há muito mais a dizer sobre isso. Em 1958, depois da estreia do filme Morangos Silvestres de um camafeu chamado Bergman, J. P. Tropez foi à Suécia filmar J. P. Tropez's J. P. Tropez: Sylvester and the Strawberry (Toma Lá Morangos, em português), uma obra em tudo superior à de Bergman, especialmente porque leva as coisas muito mais longe.

Em 1985 filmou uma das suas obras-chave: J. P. Tropez's J. P. Tropez: Russian Dolls Don't go Down on Each Other (Bonecas Russas Que Não Se Querem Mesmo Meter Dentro Umas das Outras). Com esta obra, venceu o festival de Sundance em 1985, 1988 e 2001. Foi a primeira vez que o mesmo filme venceu o festival de Sundance em anos diferentes. Isto provocou a ira de jovens realizadores independentes, que reclamavam também a sua oportunidade. J. P. Tropez disse-lhes apenas isto: "Vão-se foder, punheteiros de merda! O público gosta é dos meus filmes." Em 1973, J. P. Tropez fez uma incursão pelo universo da espionagem ao adaptar uma das aventuras de 007:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: 007 - Nunca Morras duas Vezes, Pá

Seguiram-se uma série de documentários. Os mais importantes são aqueles que dedicou à sua pessoa:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: J. P. Tropez (filme documental que no fundo é uma auto-análise analítica em tons de cinzento sobre um verdadeiro Adónis que não é cinzentão)

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: J.P. Tropez à la recherche de J. P. Tropez (neste filme Tropez dá-se mais a conhecer)

Em Hollywood, existem poucos que tenham tido mais sucesso que ele. Penso que não houve nenhum, embora S. Francis seja várias vezes mencionado. O seu primeiro filme em Hollywood foi sobre um barco que estava imune:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Immunity of the Bounty

Outros títulos fundamentais, todos na lista dos 30 maiores blockbusters de todos os tempos:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Mission made Possible
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Trap-Ease
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Mummy and Daddy (A Múmia e o Pai)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: i found love with a squaw (convém realçar este filme, pois é um western erótico de rara beleza, mas aos westerns de J. P. Tropez já lá chegaremos)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: 3 Homens e um Bibi (co-produção RTP sobre o escândalo na Casa Pia)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Jaws 666: Tubarãozinho de Satã
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Amélie Poulain 2: Amélie de Rabo na Boca
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: O meu reino por uma égua - Donald Trump: ascensão e queda

Nos westerns, J. P. Tropez foi mestre indisputado, posicionando-se a anos-luz de Ford e Hawks:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Have Gun, Won't Travel
- o já citado J. P. Tropez's J. P. Tropez: i found love with a squaw
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Squaw Cunt 2: won't you cum over? (este filme causou grande controvérsia e J. P. Tropez ameaçou não comparecer à entrega dos Óscares caso o filme recebesse uma classificação etária para maiores de 18. Infelizmente isso veio a acontecer nalguns estados mais puritanos e J. P. Tropez não compareceu à cerimónia e agradeceu a entrega do Óscar para melhor realizador directamente da sua casa na Ilha do Corvo)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: The Man who Shot The Man Who Shot Liberty valance (O Homem que Matou o Homem que Matou Liberty Valance)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Bonanza - Ararat Years
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Billy the Kid was full of shit

No final da década de 70, J. P. Tropez mudou-se para o Japão e começou a fazer uns filmes sobre o judo. Digamos que deu uma cabazada ao Kurosawa. Em 1982 lançou a sua famosa trilogia sobre o universo judoca:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Queimaram o meu Dojo
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Caí ao Tatami
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Sayonara gaijin

J. P. Tropez é já uma lenda viva, é sobre ele que se alicerça todo o cinema mundial. Hoje em dia só filma o que quer. Exemplo disto é a sua magnífica trilogia das cores dos semáforos:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Vermelho
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Amarelo
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Verde

Percebendo o duplo significado que "shot" tem na língua inglesa, presenteou-nos em 1994 com o terceiro documentário sobre a sua pessoa:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: The Man Who Shot the Man Who Shot the Man Who Shot Liberty Valance (O Homem que filmou o homem que matou o homem que matou Liberty valance)

Outros filmes recentes de J. P. Tropez:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: O Vento 2 - Salgueiros 0
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: As Putas têm Sentimentos
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Aníbal e os Elefantes (pungente sátira ao cavaquismo)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Projecto Brasil 1 - A Última Senna: Corrida para a Morte
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Projecto Brasil 2 - Boceta de Feijão: as favelas brasileiras
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: A minha Madrasta é uma Chave Inglesa
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Arafat - Sinai Vermelho
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: La mére
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Le pére
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Les pommes de terre
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Le Bijou
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: J'aime fred mercury
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Des Mecs dans le Poisson (os gajos no peixe)
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Joyeuse Dimanche
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Pipi rasgou as meias e estas eram altas
- J. P. Tropez's J. P. Tropez: Miterrand dans le Mediterranée: Mediterrand

Em 2000 J. P. Tropez fez a estreia mundial de um filme que estava na gaveta há mais de 50 anos. Tratava-se daquele que deveria ter sido o seu filme de estreia, e que muitos julgavam não existir. Assumia contornos lendários e durante muito tempo vários biógrafos e estudiosos de Tropez referiam-se a ele como o famoso filme perdido, ou o documentário zero. Trata-se de J. P. Tropez's J. P. Tropez: Je Suis J. P. Tropez, fantástica nota de intenções do cineasta, em que este está bastante mais novo e já acompanhado por Ticou. Não nos podemos esquecer do papel determinante que Ticou teve na vida de J. P. Tropez. A forma como graciosamente se divorciava das suas mulheres para estas se poderem casar com J. P. Tropez é a expressão mais pura da amizade desinteressada e altruísta. Em 1996, J. P. Tropez dedicou-lhe um documentário:

- J. P. Tropez's J. P. Tropez: The Man Who Cooks for The Man Who Shot The Man Who Shot The Man Who Shot Liberty Valance (O Homem que cozinha para o homem que filmou o homem que matou o homem que matou Liberty Valance)

J. P. Tropez vive em reclusão auto-imposta, mas de vez em quando dá umas entrevistas. Algumas das suas frases célebres:


"Se me derem uma foca e um actor com carisma, eu dou-vos um blockbuster!"

"Sim ok, ganhei 12 óscares, e depois? Eu já sei que sou bom! Não preciso de galardões inócuos!"

"Amo muito o meu público, mas eles que me desculpem: faço os filmes para mim!"

Referindo-se a Spielberg, Coppola, Scorsese e De Palma: "....é tudo merda! Andaram-se a comer uns aos outros!"

"A Julia Roberts tem cara de cavalo! Deram um Óscar a essa gaja e o meu corta-unhas é mais expressivo que ela."

"O que salvava o Chaplin era o bigode."

"Sinto-me bem na minha pele, mas vocês no meu lugar também se sentiriam!"

25.4.04

Galeria de Notáveis: Dias da Cunha



O primeiro a fazer stand-up comedy com algum relevo em Portugal. Abriu a porta a muitos outros talentos, como Nilton, Fernando Rocha e aqueles gajos das Aversões Fictícias. Estreou-se no Canecão de Alvalade em 1954, numa altura em que o seu único concorrente era o Cardeal Cerejeira. O seu estilo é ainda hoje imitado por todos e as suas punchlines realmente tinham piada: "Porque é que o Peyroteo atravessou a estrada? Para ficar à espera da galinha! Porque é que a galinha atravessou a estrada? Para ir ter com o Peyroteo!" Ahaha, este homem é hilariante. Nos seus espectáculos, os espectadores pediam-lhe várias vezes para parar, pois começavam a tossir convulsivamente e muitos chegavam a morrer de riso. Literalmente. "Afinal que merda é essa do sistema? Olha não sei, mas hoje vou comer perceves ao jantar!" Pára pá, já não me aguento. Em 1975 começou a preparar uma das suas personagens mais emblemáticas: ele próprio como Presidente do Sporting, o seu clube do coração. Caracteriza-se esta personagem por estar atenta a conluios de clubes rivais com os organismos que tutelam as arbitragens e também por falar com uma voz entaramelada que mistura cinismo com sintomas de Alzheimer. Hoje em dia faz uma excepcional imitação de si próprio e ocasionalmente dá espectáculos no grande auditório do CCB. Um bem haja para ti, Dias da Cunha!

7.4.04

Cantar de Galo


Eu que tantas vezes digo que o Futebol Clube do Porto é beneficiado pelas arbitragens, também sei ver quando eles são prejudicados. E foram-no, claramente e pela primeira vez esta época, no jogo do passado sábado em que saíram vergados por um brioso Gil Vicente. Com efeito, Mourinho e os seus danoninhos têm amplas razões de queixa face à arbitragem de Pedro Henriques que deveria ter expulso Vítor Baía à passagem do minuto 15, como as regras o impunham.

3.4.04

Os Meninos do Largo do Rato


Estrála a bomba com o Ferro a dormir
O Pedroso ficou entalado
Não há gajos que sejam tão rotos
Como os meninos do largo do Rato
Os meninos do largo do Rato é que é!
Vão à Casa Pia para mamar no zé
Os meninos do largo do Rato são como o Bibi
Pegam nas crianças, dizem: "Chupa Aqui!"

30.3.04

Galeria de Notáveis: José Manuel Durão Barroso



A vida nem sempre foi um mar de rosas para o primeiro transsexual português. Nascido em 1956, ainda como Brenda Maria Durão Barroso, cedo lutou por se afirmar num Portugal bastante preconceituoso e intolerante para com essa freakalhada. Brenda sempre gostou de vestir roupa de homem e de colocar volumes na zona adjacente às virilhas. Na escola jogava à bola com os rapazes e equipava-se no balneário masculino, para gáudio de muitos tarados apreciadores do bizarro. No entanto, Brenda sempre se sentiu atraída por raparigas. Coleccionou namoradas, que se rendiam à sua personalidade assertiva, não obstante sentirem alguma tristeza face à impossibilidade de consumação do acto por vias naturais. Brenda sempre foi uma moça muito politizada, e todos se lembram com saudade das suas prelecções na sede do MRPP sobre os filmes de Pasolini. Aos 24 anos, e depois de muito porfiar para garantir verba para proceder à operação, Brenda dirige-se para o Belize, onde procede à mudança de sexo, segundo alguns aproveitando a pila ainda atrevidota de Sá Carneiro, que havia falecido recentemente. Depois foi o que se viu: deteve uma presença brilhante na pasta dos Negócios Estrangeiros, durante a égide do seu antigo namorado Aníbal Silva, lidando com assuntos delicados como a guerra civil em Angola com a mesma destreza como a que havia evidenciado em tempos áureos na colocação de preservativos por via oral. Mais tarde, seguiu-se a presidência do PSD, em que sucedeu a Marcelo Rebelo de Sousa num momento em que este não prestava atenção. A cereja em cima do bolo deu-se com a nomeação para o cargo de Primeiro Ministro. Hoje em dia, todos os portugueses olham para Brenda com carinho e sentem-se orgulhosos, sabendo que, embora não havendo sobrancelhas, há pelo menos mão firme em São Bento.

8.3.04

1º dia de filmagens do filme "Os Imortais", de António Pedro Vasconcelos


08:00 - Joaquim de Almeida é o primeiro a chegar. Hoje o Lux fechou tarde.

08:30 - Confuso por só estar lá ele, Joaquim dirige-se ao Kremlin. Pode ser que encontre lá alguém que lhe faça lembrar alguém.

10:00 - Joaquim volta do Kremlin. Ainda só está lá ele. Detesta pessoas que chegam atrasadas. Dirige-se para Alcântara. Com sorte, nas roulotes, encontrará alguém que lhe faça lembrar alguém.

11:30 - Não conseguindo encontrar as roulotes, Joaquim volta ao local das filmagens convencido que o resto do pessoal já lá está. Como ele odeia pessoas que chegam atrasadas. Faz um post-it mental assinalando a intenção de se queixar ao resto do pessoal do filme sobre a falta de pontualidade. Queima o dedo a acender um cigarro e olha para a rua com ar melancólico. Se ao menos ele soubesse onde vive...não há de ser nada. Decide esperar pelos mal-educados que já deviam ter chegado.

13:30 - Joaquim acorda sobressaltado. Que desagradável que é, isto que lhe está a bater na cara. E provoca-lhe suores! Faz o segundo post-it mental: para a próxima vez vou tentar adormecer à sombra. Como ele está furioso! É triste olhar para o nosso carro, saber que temos as chaves num dos bolsos e não as conseguirmos encontrar, pensa Joaquim. Acomoda-se melhor, desta feita à sombra, e vocifera impropérios dirigidos aos seus colegas pouco profissionais.

16:00 - Ah, foi tudo um sonho mau, pensa Joaquim, enquanto as gotas de água lhe escorrem pelo rosto. Está na sua casinha a tomar um magnífico duche. Decide abrir os olhos mas rapidamente os torna a fechar. Terceiro post-it mental: nunca tinha visto a pila dum cão tão de perto, conclui Joaquim. Levanta-se para desentorpecer as pernas e fica desagradado por ter as calças húmidas a roçarem-lhe na pele. Aos poucos começam a chegar carros. Joaquim acha inadmissível toda a gente chegar atrasada exactamente ao mesmo tempo. Até parece combinado. As pessoas olham atónitas para ele enquanto faz um discurso sentido e emocionado sobre a importância da pontualidade e do profissionalismo.

16:30 - Nicolau Breyner chega ao local de filmagens e envolve-se numa discussão com Joaquim de Almeida, ao que parece, por este lhe ter dito que ainda conseguiu chegar mais atrasado que os outros todos. Nicolau, depois de lhe tentar explicar de diversas maneiras que nem sequer ia filmar nesse dia e que só lá ia dar um abraço ao pessoal, dirige-se a António Pedro Vasconcelos e pergunta-lhe de que é que o Joaquim está a falar.

19:00 - Joaquim aparenta serenidade. Nicolau aproveitou para ficar pois há muito que não se ria tanto. APV explicou-lhe que a equipa toda, como combinado, havia chegado ao local de filmagens às 16:00, e que tinham encontrado o Joaquim já naquele estado, perfeitamente tresloucado. Enquanto esperavam que Joaquim se recompusesse, Nicolau aproveitou para filmá-lo com uma handycam que alguém lhe emprestou. Mais tarde explicou a APV que as imagens que captou de Joaquim constituiriam extras fantásticos para uma futura edição em DVD do filme.

19:30 - Joaquim dirige-se a APV e diz-lhe que está pronto para a sua primeira cena. Foram estas as suas exactas palavras: "Sempre quis trabalhar contigo, José! Tu para mim pá, sempre foste o melhor realizador português de todos os tempos!" Nesta altura, Maria Rueff não se aguenta e mija-se pelas saias abaixo, o que foi extremamente desagradável mas ao mesmo tempo encarado como um sinal de solidariedade para com Joaquim e a sua incontinência. As pessoas tentam convencer Joaquim de que o realizador do filme não é José Fonseca e Costa. Joaquim refuta os argumentos, dizendo para não o enganarem: "Calem-se pá, aqueles caracóis do Zé são inconfundíveis!"

20:00 - APV começa a pensar no que poderia ter feito com os 30.000 contos que o Joaquim recebeu.

22:00 - Nicolau lembra-se de telefonar a José Fonseca e Costa para aparecer e tentar dissipar as dúvidas do Joaquim. Sensatamente, alguém demoveu o Nicolau dessa ideia, alegando que seria demais para o Joaquim e que temiam que ele não aguentasse o choque. Afinal de contas já lhe tinham pago e tinham mesmo de fazer o filme.

23:00 - Agora é que é! As câmaras começam a filmar. Joaquim aparenta algumas dificuldades, mas como profissional que é, não desiste.

00:00 - Alguém atenta no facto de que não se percebe um caralho do que o Joaquim diz. Para além de estar completamente ébrio, parece falar num idioma que só ele entende. Nicolau, que já havia trabalhado com ele num filme em que causou poucos estragos e estava confinado a uma cadeira de rodas, sugere a APV que usem mais amplificadores vocais no Joaquim. "Ainda bem que não te foste embora", disse APV ao Nicolau. Este respondeu-lhe que "temos de ser uns para os outros".

00:30 - Sucesso! O Joaquim já se ouve perfeitamente. Mas nem tudo são rosas! Parece que afinal ele não está a seguir o guião e murmura palavras e frases sem qualquer sentido.

03:00 - APV, um tanto desesperado por verificar que a primeira cena de Joaquim já vai no take 345, decide aproveitar tudo o que Joaquim disse e dá os trabalhos do dia por encerrados. À laia de precaução, conclui que é melhor ir para casa reescrever o guião para poder aproveitar as cenas do Joaquim. Sabe-se lá se o gajo alguma vez estará sóbrio, pensa o atormentado realizador.

03:30 - Joaquim dirige-se a um canto para para fazer chichi. A sua pila parece-lhe pesada e julga ver um testículo a mais. Oh, que agradável surpresa, pensa o Joaquim. Já pode ir para casa. Só não percebe como é que o porta-chaves ali foi parar.


Em breve continua o relato das filmagens.