24.4.14

Guia prático para identificação de bairros perigosos antes de entrar neles




São muitos anos a palmilhar as ruas, a identificar perigos, a fugir de cães e a fugir de pessoas que vão a fugir de cães. Até o velho truque dos tempos de puto - se estão dez gajos a vir na minha direcção, vou já desatar a correr e assim, mesmo que não seja nada de mal, já vou lançado.



Já testemunhei assaltos que começaram com “Ouve lá, queres trocar de ténis comigo?” “Eu? Não...”, “Ok, então passa para cá os teus e vais descalço”. Já fui a bairros com “salvo-condutos” dados por amigos, mas também já fui a bairros com um “salve-se quem puder” colado nas costas. Ouvi testemunhos de bairros onde as pizzas não eram entregues porque as motas eram roubadas mal paravam e onde o tráfico de droga era tão comum que quando batiam à porta havia já quem respondesse: "Se é para comprar droga, é no 1º Esquerdo, este é o Direito".

Estas e outras histórias são como as ruas estreitas de certos bairros, nunca se sabe o que vai acontecer a seguir e, a cada curva, o perigo ou a noção do mesmo espreita.



Apesar dos tempos mudarem, as urbanizações crescerem e o que hoje é verdade amanhã é terraplanado para dar lugar a outra empreitada, deixo no entanto importantes dicas sobre como identificar bairros perigosos sem ter necessariamente que entrar neles – analisando a sua nomenclatura.



Sinais de perigo:





Bairros com nomes de animais, em especial aves – Sejam Pica-paus, Mochos, Cabras Cegas ou Cães de Loiça, um bairro com nome de animal não augura nada de bom, tirando confusão e macacada.



Bairros com cores no nome – Sim, o Bairro Azul é bonito em Lisboa, mas em vários sítios Amarelo, Laranja, Preto, Vermelho não são apenas nomes conjugados, podem ser o espelho de que vamos borrar a pintura se nos aventurarmos se as devidas precauções.



Bairros com datas no nome – 13 de Janeiro, 2 de Maio, 31 de Julho ou 5 de Dezembro não são apenas datas que assinalam efemérides, são muitas vezes um alerta sobre como o dia em que lá passarmos vai passar a ser outra data que não esquecemos tão depressa.



Charnecas sobreviventes – É certo que esforços imobiliários têm contribuído para a extinção de Charnecas a torto e a direito mas, onde há uma charneca, há potencial para confusão. O que nos leva ao ponto seguinte.



Bairros que descrevem no nome a topografia do local onde se situam – Falamos portanto de Altos, Colinas, Morros, Pedreiras, Mina, Covas e por aí em diante. O interesse pelo relevo nacional é de louvar, mas será que compensa fazer disso um acidente no nosso percurso?







Nota1: Obviamente, quando um bairro cruza várias destas características, o potencial de perigo pode aumentar exponencialmente.



Nota2: Existem excepções, algumas delas óbvias. O meu conselho, em caso de dúvida, é contornar primeiro e comprovar depois.

Nota3: Falta uma semana de festa.

23.4.14

Da falta de água, à falta de atenção, à falta de noção

Comecemos por ver um projecto que, embora já não seja recente, vale a pena tanto pelo objectivo final, como pelo raciocínio por detrás do mesmo (embora seja ligeiramente triste que o exercício respresente um esforço, prova de que o nosso foco está a mudar):




Agora pensemos na realidade - será que, a par do álcool e do tabaco, telemóveis/gadgets também já entram na categoria de vícios legais? 
A fixação revela-se a meio de reuniões de família, almoços de amigos, desabafos de casais, apresentações onde a nossa atenção, mesmo que falsa, é bem mais válida do que uma cabeça ligeiramente curvada, em busca de algo mais num pequeno visor. Preterimos a companhia presente em função do mundo à distância, da suposta actualização que pode nunca acontecer. Vive-se em scroll mental infinito.

Se eu pudesse, fazia uma app que gerasse um shutdown/bloqueio de conectividade à minha volta em cenários sociais, estilo bunker de altas patentes, em versão light. Talvez nem tudo fosse melhor, mas seria um exercício sociológico deveras interessante.

Hoje vim assim

Misturar um casaquinho felpudo, um penteado irreverente e uma actividade altamente cool.


22.4.14

As realidades paralelas do teu nome

No exercício narcisista do dia pesquisei o meu nome no Google, só para ver como paravam as modas. Fiquei a saber que se o resultado de topo tivesse realmente a ver comigo, faz já algum tempo que fechei um acordo milionário, vendendo o meu negócio de família a uma multinacional na área da alimentação.

Parece que o meu irmão ficou ligeiramente chateado comigo, mas pouco havia a fazer, até porque eu já tinha comprado a parte dele há alguns anos. No mundo dos negócios das realidades paralelas é assim, o dinheiro fala primeiro, a família fala depois. De repente, fiquei preocupado, tenho que aprender a jogar golfe rapidamente, pois posso ter envelhecido mais de trinta anos em menos de dez linhas, mas fiquei com muito tempo de qualidade para gastar.

Decidi também pesquisar este nick que vos escreve. Levei com o meu Facebook e com o blog logo a abrir. A minha realidade paralela é mais verdadeira comigo do que a realidade paralela a partir do meu nome verdadeiro. Ainda bem que não sou dado a psicoses.

O elixir da eterna juventude da tanga


Tenho-me deparado recentemente com vários anúncios deste género:




Isto é a clássica fórmula Antes/Depois, que há tanto tempo faz parte da doutrina da publicidade manhosa. A diferença é que agora, em pequenas versões online, a coisas assume proporções (ainda mais) disparatadas.

A senhora do antes, por muito que tentem, não parece ter 57 anos. Parece em mau estado, é certo, mas a verdade é que foi fotografada com má luz e lhe realçaram tudo o que havia para piorar o cenário. Não me surpreendia que tivesse andado a beber minis até às tantas no Marquês e tivesse batido umas chapas no dia seguinte.
A senhora da direita, independentemente de poder ser ou não a mesma, também não parece ter 37. Tenho algumas amigas nesse escalão etário que parecem ter menos dez anos e não me refiro à idade mental, nem a fãs do fitness-spa pós-moderno. E não se trata da cena do cabelo cinza, nem do foco de luz e do efeito blur para “amaciar” nuances da pele. É todo um certo ar de conformismo e dor contida, mesmo com uma seta vermelha espetada na testa.

Mas a parte da imagem é apenas divertida, uma espécie de “descubra as diferenças” com um twist. Quando chegamos ao texto, é todo um exercício de motores de tradução automática, português professorbambesco e incoerência de substâncias ilícitas na corrente sanguínea.

“O truque que descobriu uma ama de casa vai surpreender-te”

De repente percebi tudo, isto é um alerta para mães – não se trata de um creme mágico, uma pomada milagrosa ou uma dieta suprema – é tão simples como descobrir uma ama para tomar conta dos miúdos. Tiram-te logo 20 anos de cima.

Será? E se foi um truque descoberto por uma ama de casa, algo bem mais respeitável do que uma ama de rua, que a torna bem menos caseirinha e mais fã de regabofe? Mas, será um truque de Photoshop, em que na realidade ela continua tão apagada como dantes, mas sendo uma ama com competências cibernéticas, disfarça tudo em casa para conseguir mais entrevistas de emprego?

Mais do que surpreendido, fico baralhado. Especialmente quando depois de já sermos amigos, de já nos tratarmos por tu e de eu querer efectivamente saber mais sobre um truque de uma ama de casa que passa a ferro caras como se fossem lençóis de flanela, de repente entra a frieza do “clique aqui”.

Um distanciamento que me faz pensar se isto afinal é um esquema de sedução, para que o meu clique tire anos de vida à senhora e mos aumente a mim, via falta de paciência. Na dúvida não clico, prefiro ir ao outro banner bem mais fidedigno que me pergunta com que idade acho que vou morrer. Espero bem que a ama de casa não faça também biscates como vidente.

21.4.14

Simbolismo kardashiano

Há quem saiba explorar as imperfeições do sistema, convertendo falhas em vantagens próprias. A troupe Kardashian é, por si só, um exemplo disso e Kim é o expoente maior dentro do clã. Podemos gostar mais ou menos, comentar atributos, exaltar defeitos ou simplesmente não estar nem aí. Não creio que isso seja algo que choque a própria, já que o mediatismo que gera é o dínamo da sua própria “ascensão”. Reza a lenda que, ainda longe do reality show familiar, a jovem Kim gravou uma sex-tape com o seu namorado da altura já a pensar no possível benefício mediático que daí podia advir. 

Quem pensa assim pode ser muita coisa, mas tolo não é de certeza. No entanto, numa produção fotográfica recente, li que Kim foi convidada a replicar uma cena icónica de uma das mais idolatradas e esteticamente referenciadas figuras de sempre – Audrey Hepburn. Não é sacrilégio, mas é como dizer que Cristiano Ronaldo de smoking é tal e qual Cary Grant. 





 E sendo assim, é aí que eu perco as referências e invisto nas analogias idiotas a la carte, porque o melhor rissol de leitão, por mais retocado e cuidado que seja, nunca será magret de pato. E cada um terá o seu papel e os seus apreciadores, deixando apenas de fazer sentido se nos tentarem fazer passar um pelo outro.

Um furacão que desaparece, uma história que continua viva





Não sou o maior fã de Bob Dylan, sem que isso belisque minimamente o seu papel no mundo da música e da cultura. Contudo, ao saber hoje do desaparecimento de Rubin “Hurricane” Carter, pensei imediatamente na música que lhe é dedicada pelo Dylan.

Só tomei consciência do caso de “Hurricane” Carter quando vi o filme homónimo com o Denzel Washington, que lhe valeu nomeação para Melhor Actor. Para quem não conheça, resumidamente, é a história de um pugilista relativamente famoso que é incriminado injustamente num incidente com homicídios múltiplos e vai parar com os costados à prisão, onde passa anos a fio. Ao longo desse período, num processo criminal pleno de incongruências, é culpado, depois absolvido, novamente culpado até finalmente ser libertado. Pelo meio, lá se vai uma boa fatia da sua vida.

Para além do processo de vida e evolução da personalidade de “Hurricane” perante aquilo que é para mim das maiores injustiças que se pode cometer perante alguém – tirar-lhe a liberdade de forma indevida, a verdade é que assistimos à transformação de Rubin Carter em alguém em paz consigo mesmo, sem espírito de vingança mas disposto a lutar para evitar que erros assim se voltassem a cometer.

E quando vemos um artista como Bob Dylan, que chama a atenção para esta injustiça com uma música onde, com as letrinhas todas explica o que se passou, não é preciso ser fã do músico para lhe reconhecer o mérito de saber que a música, enquanto veículo cultural, pode também ajudar a promover uma mensagem e a não deixar que certas coisas possam cair no esquecimento.

Não se trata de apenas fazer concertos de apoio, de grandes dedicatórias de encher o olho ou de empatia de trazer por casa. É acreditar e ter convicções que vão para além de encher estádios e ganhar prémios. E assim, mesmo daqui a muitos anos, quando o desaparecimento de Rubin Carter já fizer parte do esquecimento, a sua memória e o que a sua história representa ainda continuarão vivas por via desta música.




Bob Dylan - Hurricane - 1975 Live por movisfree



20.4.14

Barba, 25 de Abril e cenas lá para o lado da Luz

A minha mãe hoje contou-me o que fez no dia 25 de Abril de 1974, uma história simples, mas a qual nunca tinha ouvido. Depois disse-me que a minha barba estava tipo a dos franceses que foram libertados na Síria.

Gosto sempre da envolvência histórica familiar que leva a uma consideração capilar ligeiramente exagerada.

 Hoje, ao correr, passei pela Estrada da Luz, pelo Largo da Luz e pela Igreja da Luz. Não passei pelo Estádio, deixei isso para os vários e múltiplos amigos que ansiavam por festa mais tarde. Divirtam-se, que o meu Marquês de hoje é ver até que ponto o Watchmen filme faz jus ao livro.
Nem só de literatura clássica vive o homem.


19.4.14

Correr é só um capítulo de algo bem maior


Não foi uma febre tardia de desporto e combate à servidão do sofá, da rotina e da vida que podia ser mas não é. Talvez por uma certa natureza irrequieta, que precisava de ser canalizada de forma positiva também na vertente física, cedo fui levado pela minha mãe a descobrir a ginástica desportiva numa colectividade perto de onde vivia. Com seis anos de idade não foi nada de hiper-sério mas, durante três anos foi algo que me deu algum gozo, enquanto começava a descobrir aquilo que mais me interessava no desporto.
 

Apesar do meu pai sempre ter tido ligações próximas com desporto, nunca foi determinante nas minhas escolhas nessa matéria. Não sei se foi algo ponderado ou não, mas quando aos nove/dez anos decidi que o futsal é que era, fui mais motivado pelos amigos que tinha do que por outra coisa. Mais uma vez tive a sorte de viver numa zona de Lisboa onde abundavam colectividades com escalões de formação em pequenas modalidades e lá fui eu. Tinha o jeito, sem ser craque, mas percebi que nos desportos colectivos a inteligência e a visão global da coisa ajuda a superar um ou outro aspecto individual menos forte. Diverti-me imenso durante três anos, ganhei histórias que ainda hoje conto e, prestes a entrar na adolescência, já sabia que o desporto era algo que fazia parte do meu equilíbrio enquanto pessoa ou, na altura, enquanto puto estúpido à procura de afirmação.  

Então e o futebol “a sério”, já que aqui há alguns anos, o futsal não tinha a atenção que tem hoje? Bem, depois de uma época de futsal cheguei a ir aos treinos de captação do Belenenses, o meu clube de eleição e passei algumas fases de escolha. Só que depois não fui aos treinos finais – não sei bem porquê, mas houve algo em mim que me disse que não seria por aí e se calhar, sem a motivação certa, simplesmente não fazia sentido ir lá levar um “não” final. Mas a resposta também não estava no futsal. Com treze anos, gostava de jogar, tinha algum futuro na modalidade (pelo menos no médio prazo), mas tinha crescido em altura e na vontade de experimentar algo que me deixava deliciado na vertente amadora e sempre que ligava a TV para ver jogos da NBA – o basket. Também se pode dizer que não gostava de passar o inverno a jogar para o campeonato em ringues ao ar livre, pelo meio de chuva e manhãs cinzentas, mas esse tipo de "entrave" foi sempre algo secundário.
 
Querendo experimentar basket e já numa idade “semi-avançada” para começar numa modalidade, uma vez mais não pude ir pelo meu clube do coração, o local de treinos não era compatível com o meu horário na escola e, com os meus pais já separados, gerir boleias não era coisa simples. Foi um tio meu, devoto de Alcântara e do Atlético que disse à minha mãe para me levar à Tapadinha – o local era acessível, seria fácil ir sozinho de transportes se fosse preciso e não faltavam boleias no regresso. E assim começaram cerca de oito anos que não trocava por nada.

Descobri no basket o meu jogo colectivo preferido e no conceito de equipa, através de bons e maus momentos, mas muito mais bons do que maus, que há coisas que falam de perto com a nossa essência. À distância pode não parecer fácil, em sete dias da semana, treinar quatro vezes ao fim do dia e jogar ao fim de semana, isto nas doses mínimas – lá mais para a frente chegaram a duas sessões diárias, com ginásios e partes físicas pelo meio. A coisa fica particularmente complicada quando chegamos aos 16 e por aí em diante, em que interesses, escola, miúdas e tudo o mais competem pelo nosso tempo. E, ainda assim, vais treinar.
Entre amigos, rivais, jogar numa equipa pequena mas com tradição, ir a fases finais, jogar e ganhar a futuros campeões nacionais (creio que só nunca ganhámos ao Benfica enquanto lá joguei), foram tantos momentos que ainda hoje, quando me perguntam “Então mas ganhaste algum dinheiro a jogar?” posso dizer que ganhei ZERO em dinheiro, mas muito mais do que me poderiam pagar nessa idade.

Foi já no início da faculdade que, ainda a jogar, percebi que o esforço não era viável e que nunca faria carreira a jogar basket. Sem problemas em admitir que a conjugação de não ser excepcional e o basket não ser como futebol, em que mesmo jogando em divisões secundárias consegues ser recompensado financeiramente pelo teu sacrifício de outras coisas. E foi no dia seguinte a tomar consciência plena do que pensava, que foi falar com os responsáveis dos sub21 e disse que não dava para continuar. A oferta milionária que me faria reconsiderar não surgiu. Damn it.

Na semana seguinte estava a jogar pela equipa da faculdade, por via de um ex-colega de equipa que andava na mesma faculdade que eu. Com exigência menor é certo, mas uma vez mais com a sorte de conhecer pessoas que ajudaram a continuar que este caminho valesse a pena. Além disso, anos de pré-épocas de preparação física, já tinham deixado o gosto pela corrida a germinar, indo fazer provas de 10kms e mini maratonas regularmente. Quando acabei o curso, o mesmo grupo com que jogava na universidade convidou-me para jogar no Campeonato do Inatel de Basquetebol. Quando eles deixaram de jogar, amigos do Atlético que também jogavam no Inatel chamaram-me. E quando estes também deixaram de jogar, outros amigos que conheci disseram-me para experimentar ir jogar com eles. E assim continuo a jogar, gerindo o meu tempo e o meu corpo o melhor que posso. É certo que quando a minha mãe me diz “Mas o que é que o basket te deu para além de mazelas?” nunca posso concordar e respostas como “Bem, podia ter-me metido na droga...” são sempre um bom argumentário. Mas também sei que depois dos trinta todos os dias o teu corpo te explica o que mudou quando te aleijas ou porque é que não te lembras de ficar assim tão podre no dia seguinte quando tinhas vinte anos.

E, paralelamente, foi assim que comecei a correr mais, para continuar a ouvir o meu corpo a falar comigo e o meu espírito a puxar pela vontade que tenho sempre de me superar e descobrir novos limites. Se é certo que com a escrita posso fazer o que quiser, viajar onde me apetecer e criar mundos à minha vontade, através do desporto descubro sempre algo novo com que me motivar e que me sai do corpinho. Faz parte da minha maneira de ser, não o recomendo como solução de vida para ninguém que não se sinta da mesma maneira. E é exactamente isso que digo aos amigos que por vezes falam comigo à procura de ver no desporto uma tábua de salvação para algo que não está a funcionar nas suas vidas, à medida que os anos passam.

Faltam 12 dias de regabofe e talvez seja altura de falar um pouco mais sobre mim.

17.4.14

Publicidade a rambóia low cost em aviões?

Hoje vou fazendo o meu périplo pelas maravilhas da Internet.






Não percebi bem se isto incentiva a viagem, a rambóia ou a rambóia em viagem.
Agrada-me ter tudo incluído, sem taxas extra.
Tenho dúvidas quanto a "reservas".
Gostaria de entender o "Nonstop you" como um incentivo positivo.
Face à imagem, tratamento na terceira pessoa? Enfim ou há à vontade ou isto perde proximidade...
Tinha ideia que a parte dos aviões era ilegal...pelo menos conjungando a coisa com a imagem.

Selfie com uma bota na boca

Estou calmo e sereno. Todos os dias descubro alguém mais parvo do que eu. Não há forma de subir no ranking.


16.4.14

O avô, o miúdo e o blog

"Não é o tamanho do blog, nem do counter de visitas que conta, é o que está lá dentro"

A criança sorriu e o seu avô, blogger há décadas, continuou.

"Não te preocupes com sucesso, não corras atrás de tendências e outras demências. Faz aquilo que queres, mesmo que isso não seja o que os outros queiram de ti..."

A criança continuou a sorrir.

"E um dia, mesmo que os que te seguem não sejam mais do que os dedos que tens nas mãos, vais perceber que aquilo que tens é teu e não um sonho estranho onde tudo faz sentido apenas porque não é real..."

O facto da criança continuar a sorrir começou a irritar o avô.

"Ouve lá, mas estás a ouvir ou não? Já sabes o que é preciso para ter um blog ou quê?"

A criança parou de sorrir e disse a medo "Avô, tens uma mosca pousada nos óculos...e o que é um blog?"

O avô suspirou, pensando que ainda assim havia esperança, quem sabe o miúdo não se safaria no Instagram ou no Youtube...

15.4.14

Vamos jogar o jogo do "Tired of..."

Vamos pegar nesta musiquinha pós-moderna que eu até aprecio para lançar o tema.



Agora vamos substituir "running" por expressões do meu/vosso agrado. Até porque bem vistas as coisas, os cinco ou seis "sprints" de 1km que fiz pelo meio do treino matinal de hoje, lá para as 7.30 da matina, foram do menos cansativo que tive que enfrentar nas últimas horas.

Preparados?

Eu começo.


Tired of...

#corporatebullshit
#incompetêncialatente
#gentequegritabrutalpordácáaquelapalha
#queixassobrefaltadetempoquandosegastaotempotodocomqueixas


A maldição de ser "chefe"

Um gajo jura um dia que nunca há de querer ser chefe. Sub-chefe ainda é naquela, semi-tranquilo, semi-entalado, mas tudo bem faz-se e ninguém estranha. Até que um dia um gajo descobre, devido a uma sequência de catástrofes naturais, que é chefe por um dia.

E fica com um ar lixado.
E sente-se olhado de lado, mas como a pessoa  em causa é estrábica não há problema.
E começa a sentir-se sozinho.
E vai à farmácia comprar pomada anti-chefe.

É só por um dia e picos, eu sei. Mas dá comichão.




Bela forma de anunciar que ainda há 16 dias de festa.

14.4.14

A sedutora arte de cuspir numa mulher e ser convidado a sair


Na sequência de um nostálgico Agora Escolha versão mitra, eis o episódio escolhido – o dia em que cuspi numa miúda e saí com ela.
 

Filosofia no 12º ano não é mesma coisa que a filosofia de putos que estão no segundo ano. É um estado de semi-adolescência armada ao adulta, em que momentos de grande seriedade se cruzam com a estupidez natural de quem não sabe o que faz.
Numa aula, grupo de trabalho, eu e três donzelas, proporção natural em áreas de Letras. Uma dela gostava de me provocar, brincalhona pensava eu, mas sem o toque sedutor de outras damas na mesma idade. Isso ou então era eu que lhe despertava instintos mais infantis.
Sentada à minha frente, o nosso grupo é convidado a ler umas passagens sobre Kierkegaard, Feuerbach ou um qualquer tipo alemão com teorias morais. Ela lê, mas olha para mim durante as frases e, fingindo ser sopinha de massa, enche-me de “gafanhotos”. A chamada sedução à National Geographic. Eu aparo o golpe, mas faço má cara, digo entredentes “Vá lá, acaba com isso”, sem qualquer resultado. Há uma pausa para debate sobre o que é lido e eu digo “Não voltes a fazer isso, vai dar mau resultado”. A professora manda continuar a ler, ela faz a mesma brincadeira, eu interrompo.

“Se é para cuspir, bem podes fazer isso de uma só vez”.  Vejo tudo negro, mas só porque fecho os olhos no momento em que lhe cuspo para cima. Numa aula de Filosofia. No 12º ano. Com tudo calado.

A professora diz que não tolera. Ela chama-me nomes. Eu abano a cabeça, mais de vergonha do que de arrependimento, se é que isso é possível. Pedem-nos aos dois para nos levantarmos, “Vão lá para fora acalmar-se. Já.” – a porta bate-se nas nossas costas. Olhamos um para o outro, há raiva, depois há riso. Os pedidos de desculpa têm a forma de “És tão estúpido” e “Tu é que és mesmo estúpida”.

Passam dez minutos. Bato à porta da sala de aula e a professora abre “Posso entrar? Já estou calmo...”. A professora ri-se, “Para rapaz perspicaz estás um bocado lento. Acalmar era figura de estilo, já te marquei falta”. Encolho os ombros e volto as costas. “És tão estúpido” diz ela outra vez.

Anos mais tarde estamos casados e já não cuspimos um no outro, mas ainda vamos tendo vontade de chamar estúpido um ao outro pelos melhores motivos...











ACHAM MESMO? Nunca mais vi a rapariga depois do 12º ano e também nunca mais cuspi em nenhuma mulher. No entanto, continuam a chamar-me estúpido com alguma frequência.

13.4.14

As três cidades da Bauhaus e um hambúrguer


Às vezes chego a domingo à noite e não sei o que fiz no fim de semana. Refraseando, chega domingo à noite e eu tenho de pensar onde é que se meteram as horas todas que o fim de semana era suposto ter para aproveitar em grande.
 

E então começo a fazer contas.

Espécie de quiz/trivial pursuit numa sociedade recreativa no bairro onde cresci, reunindo geeks e amigos a preencher a noite de sexta. Dás por ti a comer pastéis de nata às três da manhã num spot que permite matar a saudade de bolos na madrugada.

Vou dormir, levanto-me que, num sábado em mil, tenho aulas das nove à uma. Acho que dormi, mas não tenho bem a certeza. Tinha combinado um almoço, já são quase duas e meia, não sei se tenho mais fome ou sono, mas em caso de dúvidas ganha o estômago.
Sigo para casa, não sei se consigo dormir à tarde, está bom tempo, se calhar vejo o último do Game of Thrones, que é para ter motivo trendy de conversa na segunda. Olha já vi, olha se calhar adormeci, já é de noite. Um croquete sobreviveu à bicharada, na bancada da cozinha. É milagre. Como o milagre.

Se calhar vou dormir outra vez, olha já acordei, era para ir correr de manhãzinha com um amigo, íamos do Estoril até Belém, se calhar já não vou a tempo de chegar ao Estoril só para voltar, corro duas horas e meia só para despachar a coisa. Duas horas e meia e “despachar” na mesma frase? Sim, devo ser estúpido, mas a companhia era boa. Almoça-se e escreve-se, há que escrever pelos mais diversos motivos, sendo que entre a obrigação e o lazer passam-se horas.

Já sei onde foi parar o tempo.

E afinal, que história é essa da Bauhaus? Foi uma das perguntas que, sabe-se lá porquê sabia, enquanto ninguém se lembrou de Dessau, bem mais escondida que Weimar ou Berlim. Rendeu qualquer coisa, pagou hambúrguer(es), entre nós ou Entre Nós. Coisa simples, mas composta. Dispensava os nomes semi infantis Fafá e Mu, não é qualquer diminutivo meu, são mesmo nomes de pratos. Mas, em sabendo bem, perdoa-se a nomenclatura. E agora, vou andando, que ainda tenho mais tempo a perder.