24.5.13

E, de vez em quando, ficas com a ideia que ainda há esperança para a humanidade


O criativo enquanto animal exótico



Comecemos por uma definição:

criativo
(criar + -tivo)
adj.
1. Que é capaz de criar, de inventar, de imaginar qualquer coisa de novo, de original, que manifesta criatividade (ex.: espírito criativo).
2. Que favorece a criação (ex.: meio criativo).
s. m.
3. Em publicidade, pessoa encarregada de ter ideias. originais para criar ou lançar um produto.


Antes de mais, sinto uma ligeira irritação por ver que criativo é algo que já é substantivo, como se o cargo atribuísse de imediato propriedades mágicas ao seu detentor. É como se no desporto craque fosse profissão e não atributo que cada um confirma com o talento que demonstra.

A verdade é que, em publicidade, existem diversos cargos que exigem criatividade que não se esgotam no departamento criativo (e aqui eu já aceito a denominação genérica), começando porventura pelo departamento financeiro. No entanto, é porreiro ver este departamento como um viveiro de personagens e aliás, se eu vos pedir a primeira imagem que vos vem à cabeça quando se fala em “criativo publicitário”, não devem faltar ténis coloridos, óculos de massa, look pseudo trendy, ar alternativo e clichés do género. Clichés certeiros em muitos casos, acrescente-se.

Mas o que eu gosto mesmo é uma prática comum para impressionar novos clientes ou estimular relações já existentes que é o chamado “leva um criativo à reunião/almoço/visita de estudo/tudo e um par de botas”. Aí, o papel do “criativo” é muitas vezes o do animal exótico, em que as pessoas “não criativas” expressam muita admiração pelo seu trabalho, avançam com as suas teorias sobre como surgem ideias e, apesar de dizerem que não eram capazes de fazer o mesmo, chutam sempre um ou dois episódios em que puseram a sua criativadade em marcha. Os mais atrevidos perguntam até se podem fazer festas ao “criativo” e se ele come o mesmo que as pessoas normais.

No meio de todo este cenário, que tem sempre um factor de constrangimento para quem não tem experiência como animal do circo, surgem também oportunidades de negócio. Como tal, se têm baptizados/casamentos/festas tupperware/jantares chatos/reuniões de terapia ou outro tipo de evento que necessite de um toque exótico, avisem-me e podemos negociar a presença de um ou mais “criativos”. Eu conheço uns quantos e a maior parte deles até já sabe usar talheres.

23.5.13

"Vou dar uma aula" - O behind the scenes


Longe de mim a ideia de abraçar a docência, isto é só um cumprimento ao de levezinho, com respeito e sem demasiada confiança. No entanto, questões importantes se continuam a levantar relativamente ao triângulo desejo-receio-realidade.

Esta é a imagem que eu gostaria de projectar:

  

Esta é a imagem que eu tenho medo de projectar:


Esta é a imagem que alguns alunos gostariam de ver projectada:



 E esta é, possivelmente, a imagem mais próxima da realidade:




Todo o super-herói precisa de um super-vilão. Até neste blog.




O post imediatamente anterior a este e imediatamente posterior à grande homenagem aqui feita à Exposição dos Oceanos não é fruto de esquizofrenia ou, se é, é fruto de esquizofrenia alheia.

E para percebermos este fenómeno, temos que entender o seguinte conceito:

Todo o super-herói precisa do seu super-vilão e quem não gostar de livros da Marvel, DC e afins, pode pelo menos ver o filme Unbreakable(vulgo, O Protegido) para perceber a essência da coisa numa forma light com o bónus de ver o Samuel L.Jackson com um penteado deveras sedutor.
Os vilões reforçam o propósito de vida dos heróis e ajudam-nos a cumprir o seu destino e, embora seja certo que podiam levar uma vida tranquila a impedir catástrofes naturais e a combater a estupidez humana, os heróis e em especial, os super-heróis, rezam por desafios à altura e gente com ideias inovadoras ao nível da proliferação do mal e do projecto megalómano para dominar o mundo.

Há muito que espaço vive sob o jugo de um tipo que não tem concorrência interna. Que aprendeu a contornar a realidade da forma que lhe dá mais jeito e que o faz regularmente vestindo lycra sob a desculpa que “é para correr maratonas”.
Quando li “O Regresso” ri-me perante a ideia de voltar a partilhar o blog e pelo facto de ter pela frente um indivíduo que combina “diletantismo” e comida no meio dos dentes e o consegue fazer de forma eloquente.

Há muito tempo que a minha gabardine de napa pedia para sair do armário. E isso não quer dizer que a minha gabardine de napa seja gay e se queira assumir. Era apenas um recurso estilístico para me dar um toque de vilão, mas que arruinei completamente ao cair na tentação de fazer uma piada adicional. Maldito sejas.

O Regresso

Estava sentado em casa e tinha vontade de fazer algo. Forças que não conseguia compreender impeliam-no para começar a escrever mas não tinha nada de relevante para dizer. Ainda assim decidiu-se e avançou. Escreveu estas linhas, esfregou a língua nos dentes com alguma insistência para tentar tirar um resquício do jantar entalado nos incisivos superiores e visível a olho nu, completando o seu comeback. De seguida, carregou onde diz publicar, acendeu um cigarro e admirou o que tinha feito com um diletantismo imberbe que nunca o abandonou, nem durante os tempos mais tenebrosos. Não fazia a mínima ideia do que fazer a seguir.

22.5.13

15 anos depois da Expo 98

Também eu inauguro uma Exposição dos Oceanos.






Pronto, era só isto, até porque ainda era um jovem tolo na altura da Expo. 15 anos depois, mantenho-me coerente, nem que seja na parte do tolo.

Eu faço falta ao Prós e Contras


Sinto que a minha carreira televisiva tem vindo a decair. Já aqui mencionei que em jovem adulto cheguei a marcar presença no Ponto de Encontro, no Casos de Polícia e no Juíz Decide dei até importantes opiniões sobre uma cave inundada, enquanto a Liliana Campos me dava valiosos conselhos de moda sobre a melhor forma de colocar um quadrado de madeira num prato de balança com opiniões.

Participei em anúncios, em novelas, fui dos figurantes mais marcantes de sempre ao dizer “Olha que porra”, num muito importante segundo plano. Mas isso era dantes e agora a minha fama televisiva já não é o que era. Apostei na fama da internet, com blogs, vídeos e facebooks, mas não é a mesma coisa, qualquer cromo com dedos, vocabulário e um dispositivo vídeo consegue o mesmo.

Se quero tornar-me viral, e nos dias de hoje ser viral é o futuro, preciso de ir ao Prós e Contras.

Preciso de lá ir dar um bitaite sobre qualquer tema que seja, safo-me bem em questões sociais, paranormais, sexuais e internacionais, entre outras. Não tenho medo de falar e consigo conjugar palavras difíceis mas, ainda assim, apelativas ao público.
Só preciso de uma hipótese e de um antagonista, porque um antagonista faz sempre falta, tal como qualquer super herói tem um super-vilão para lhe fazer frente. Ponham-me a falar de agricultura e eu vou-vos dizer quem são os nabos que deram cabo disto. Ponham-me a falar de números e eu aponto zeros à esquerda como se não houvesse amanhã. Ponham-me a falar da novela da crise e eu digo que isto até para a Tieta está agreste.

O Prós e Contra precisa de mim e quando a Fátima Campos Ferreira se aperceber disso, putos empreendedores, sociólogas agressivas ou tipos que batem punho vão parecer figurantes de segunda. E o país vai sorrir.

21.5.13

Sacana do mágico


A magia é uma cena lixada a tender para o f”#%”da. Quando és puto, tentam convencer-te de mil e uma maneiras que existe, quando cresces chamam-te parvo se ainda acreditas, tirando se houver algum álcool pelo meio e promessas de outros tipos de magia que não aquela dos mágicos a sério.

Eu quando era puto adorava magia, tanto que até me deram um kit de mágico, daqueles em que só os putos e os amblíopes acreditam nos truques. Só que eu não queria fazer os truques que lá vinham, eu queria sempre quitar a cena, para fazer “coisas impressionantes”. Só que, por mais que tentasse, a merda da varinha não me permitia ler pensamentos, nem controlar mentes e da cartola, por mais que eu tentasse, não vinha nenhum falcão, nem sequer empalhado.

Quando passámos à fase dos mágicos da TV, um claro upgrade face aos mágicos do circo, com o Copperfield do cabelo e camisas sedosas, sempre acompanhado de uma partenaire jeitosa, mas com um penteado de fazer chorar o demo, eu finalmente percebi, a magia tinha-se vendido ao mundo pop e era preciso ter dinheiro e dentes branqueados para ser bem sucedido. E rapidamente percebi que me seria sempre mais fácil tentar branquear os dentes do que ser bem sucedido no mundo da magia.

Hoje em dia, tenho uma relação aberta com a magia. Gosto de ver cenas que não percebo e qualquer coisa com o Luís de Matos tem sempre algo que eu não percebo, mas fiquei do lado do tigre quando ele comeu quase metade da dupla Siegfried&Roy. Odeio aquela história dos mágicos que explicam os truques, da mesma forma que não acharia piada nenhuma se os pais da Charlize Theron me viessem demonstrar como a conceberam.

É por isso que espero bem que este filme faça jus ao trailer, que não seja só magia de montagem e edição. E, até o ir ver, o truque é acreditar.


Das tribos da escola às tribos do trabalho

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A propósito do que o Sôr Factos disse na sua simpática referência à minha pessoa no âmbito deste post, estive a pensar e reparei numa espécie de coerência no meu percurso e que tem a ver com as tribos a que vamos pertencendo à medida que crescemos.



Por norma, as coisas começam escola, sem o lado mais bacoco do high school americano, quando nos “juntamos” naturalmente a tribos que têm a ver com os nossos gostos e os nossos interesses, muitas vezes involuntariamente. Mais tarde, a coisa continua na vida adulta, as tribos são outras mas, muitas vezes sem darmos por isso, vamos lá parar.



Sem ser algo consciente, reparei que sempre fui um gajo inter-tribos, uma espécie de joker (sim, com direito a toque de palhaço), que se adapta bem a grupos diferentes. Na escola, por um lado tinha notas porreiras (nerd side), por outro tinha um registo disciplinar duvidoso (rebelde side). Jogava os torneios todos inter-turmas e passava o tempo a jogar basket (jock side), mas adorava jogar jogos de tabuleiro e cenas tipo Trivial Pursuit (geek side). Dava-me com os dreads do hip hop, mas não dizia que não à malta do grunge e era presença regular nos concertos dos Irmãos Catita. E, com uma agenda tão preenchida, ainda era obrigatório reservar alguns slots para o público feminino.



Isto é só um exemplo, até porque a personalidade de uma pessoa não é apenas a colecção de grupos a que pertence, no entanto, olhei para a minha “rede” aqui na firma e dei pelo seguinte: tanto vou almoçar com o paquete e com o motorista, como vou jogar à bola com o director financeiro ou a um jantar com pessoas que fazem vencimentos comuns parecerem gorjetas. Tanto troco impressões sobre livros com a jovem da recepção que tem para aí menos dez anos do que eu, como debato desportos americanos com um tipo que tem para aí mais dez anos que eu. Vou descobrir rissóis de leitão num tasco com um gajo da produção, noutro dia vou à Costa almoçar com um cromo do design que vai surfar pelo meio. Troco piadas com estagiários e pré-sexagenários, sem discriminar e todas elas, más - como eu gosto.



Feitas as contas, não sei bem que tribo é a minha. Serei um troca-tintas social? Uma Maria-dá-se-com-todos-com-barba? Não sei, mas vou continuar apostado nisso.


Nota: E, por defeito, aquilo que faço profissionalmente coloca-me desde logo numa tribo da qual é preciso batalhar um pouco para tirar o rótulo.

20.5.13

Já tentaste a tua sorte hoje?


Toda a gente já tentou a sorte. Algures no tempo, há coisa de cinco minutos ou de meia em meia hora, lá tentaram. Uns de fininho, outros em força, alguns a pensar que nunca tinham sido tão burros e ainda dois ou três para ganhar um urso de peluche numa feira.

Ainda assim, é pouco.

Não fazia mal nenhum se mais gente tentasse a sua sorte todos os dias. Não num sentido de “deixa lá ver se consigo atravessar a Avenida da República a correr de olhos fechados” mas, se calhar mais nesta onda, com alguma classe:



Eu cá, além do resto, tento a sorte sempre que danço. Não enquanto arma de sedução, tomara eu que não seja arma de destruição, mas mais porque os deuses juntaram em mim o apelo da música com esta tentação criativa:




Yep, I dare to get lucky.




Nota - Sobre Daft Punk, este paisano já falou e com versão vídeo de craveira para acompanhar.

Um dia no lago dos tubarões alternativos



Foi o dos óculos de massa que falou primeiro “E então o que nos vens aqui propor?”. Engoliu em seco, sentindo as mãos suadas por causa dos nervos e ele sabia que o suor não era cool.
“Bem...é algo que vos pode interessar...” Viu então a do vestido 200% em tecido orgânico e brincos de reciclagem reciclada sorrir “Os nossos interesses são tudo menos mainstream, mas quem vem cá sabe o que é preciso para nos conquistar”.

Ele sabia bem o que era preciso para os conquistar “A minha ideia é simples, tenho aqui um telemóvel de madeira que grava as chamadas que recebe num vinil. Assim, podes ouvir o que os teus amigos têm a dizer usando um gira-discos”.

“Uau”, disse o que estava sentado na cadeira feita de bambu mastigado por pandas e pensos higiénicos, “é de facto um projecto interessante, mas o telemóvel em si, sendo de madeira não é demasiado pesado e grande?”
Os nervos já tinham passado, aquele era o tipo de perguntas que estava à espera “A ideia de small is beautiful já está um bocadinho batida...além disso, com o vosso apoio, podemos ter bonitos saquinhos feitos à mão por prisioneiras cegas do Nepal, pagas para o efeito, como bónus da compra do telemóvel”.
“Ele tem razão, as pessoas valorizam mais do que o gadget, há uma procura pela alma do objecto, aquilo que o liga a nós”, quem falava agora era um tipo de barba e camisa de lenhador, que folheava descontraidamente um livro de poesia de um poeta do Kiribati. “Já me conquistaste, a questão é - quanto é que queres pela participação no projecto?”

Estranhou a voz suave daquele que aparentemente era o mais interessado. Arriscou um comentário “Bem, esparava que o primeiro a dar um passo, não fosse alguém com um look tão convencional. Barba e look lenhador? Isso já é um bocado mainstream, como disseram que não era a vossa onda...”.
“Depende” disse o da barba, puxando cuidadosamente a mesma e desalinhando o cabelo, revelando ser afinal uma mulher “do que entendes por mainstream...”

Ele sorriu, afinal sempre tinha sonhado ir ao lago dos tubarões alternativos vender a ideia para a next big thing da comunidade ultra-hipsto-vanguardista. Chegara o momento da verdade:

“Para vos vender o conceito do smart-vinil-phone, o que venho pedir é algo único...”
Todos eles ficaram em suspenso, até o que bebia café de bagas defecadas por alces durante o degelo primaveril.
“...o que eu quero é que todos vocês façam um harlem shake ao som da macarena vestidos como o gajo do gangnam style...”Ouviram-se gritos de dor, a mulher lenhadora da barba chorava copiosamente com a emoção e dois deles estavam a ter uma espécie de ataque hipstérico, tentando inalar tofu.

Saiu da sala a rir às gargalhadas, levando consigo o protótipo do smart-vinil-phone.

19.5.13

A matemática da vida e do Michael Bolton


Se a vida é uma equação cheia de incógnitas, como não passar o tempo a fazer contas?*









*Ler isto ao som de uma música lamechas do Michael Bolton, para que os números que vos passem pela cabeça tenham um efeito semelhante ao champô que este usava na sua melena sedosa dos tempos áureos. Se os números não continuarem a fazer sentido, não se preocupem, o cabelo do Michael Bolton também nunca fez e isso não o impediu de ter sucesso.

18.5.13

Confissões de sábado

Em tempos, andava eu na escola, desviei uns trocos para comprar ursinhos.



Hoje em dia faria as coisas de maneira diferente, talvez preferisse vestir-me de ursinho para ganhar uns trocos.

17.5.13

A minha costela dread

Ou então é uma orelha. Ou uma lança em África. Ou um beat em Brooklyn. Ou vibrações de uma bola de basket.


Não sei exactamente como começou, mas entre a música que me acompanhou enquanto crescia, nunca faltou o rap, embora nunca tivesse sido devoto exclusivo de qualquer corrente. Mas, quando era mais miúdo, nem sempre era fácil encontrar quem partilhasse este gosto, pelo que os álbuns que rodavam mais lá em casa eram aqueles que havia menos probabilidades de ouvir noutro sítio.

Hoje em dia a coisa já não é bem assim, amigos e referências do género estão em todo lado e é fácil ouvi-las em qualquer lugar. Ainda assim, de vez em quando, faço uma selecção e dedico umas horas ao old school rap.

E nela, certamente podiam constar estas:














Da Idade do Fogo à Era do Brunch


Parece que foi ontem, mas já passaram uns valentes milhares de anos, desde que os primeiros homens usaram casacos de peles para ir às compras. Aliás, nessa altura impressionar miúdas era por um lado bastante fácil, bastando por exemplo bater duas pedras e fazer faísca, mas por outro lado era bastante perigoso, pois facilmente um tipo podia ser comido por um tigre dentes de sabre enquanto tentava ir caçar para um jantar a dois.

Creio que uma das grandes falhas dessa época em termos sociais (não vou falar nos processos de cortejamento, que eram tão elaborados como...bater duas pedras e fazer faísca) estava directamente relacionada com o facto de não existir o conceito de brunch. Em termos de convívio com amigos e amigas, imagino o sucesso que um qualquer homem primitivo podia ter feito se, livre das limitações da sua redutora caixa craniana, soubesse daquele sítio ideal em que uma boa dose de carnes frias e bagas, dispostas em folhas de plantas não venenosas, junto a um qualquer curso de água potável fizesse as delícias de qualquer um. Um bom sítio para estacionar o mamute por perto, o preço de duas pedras de sílex afiadas e uma pele de castor, extremamente acessível, e erva seca disponível, quer para ajudar a fazer fogo, quer para fazer de caminha, caso os convivas desejassem algum extra.

Hoje em dia já não há tigres dentes de sabre, mas os brunchs compensam um pouco essa falta de emoção. Combinam o toque requintado que nos faz parecer tipos com algum critério e joie de vivre, com aquele conceito mais básico e alarve de “Epá, aquilo não é um almoço de dobrada, mas podemos comer até cair para o lado”. Do ponto de vista social, continuam a ser ocasiões interessantes para conversar e fingir que prestamos atenção, enquanto fisgamos aquela mini-quiche e aqueles croissants de massa folhada, embora o seu conceito ligeiramente trendy gere o oportunismo do chamado brunch mitra, em que um estabelecimento utiliza o termo para se posicionar como in e depois serve pouco mais que um pequeno almoço glorificado.

Como vos tenho em boa conta, uma espécie de leitores das cavernas mas com gostos trendy, aceito sugestões de sítios com brunch a sério. Faz tempo que não vou a um vestido apenas com o meu casaco de peles.